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Por fábrica em Minas, Heineken sela acordo com MP e fará ações ambientais

O Grupo Heineken firmou um Termo de Acordo Positivo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para a realização de ações ambientais em razão da instalação de uma fábrica da cervejaria em Passos. As iniciativas serão feitas por causa intervenção em fragmento vegetal de aproximadamente 1 hectare na localidade.

Pelo acordo, o Grupo Heineken se comprometeu a desenvolver programa permanente de recuperação e conservação florestal de áreas com função hídrica – preferencialmente em parques e reservas da região – por meio do fomento de viveiros para produção de mudas de espécies nativas dos biomas locais, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica. O trabalho também será fortalecido com o incentivo de iniciativas e organizações locais.

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Em outra iniciativa, a cervejaria passará a fazer parte do Programa Produtor de Águas da Agência Nacional de Águas, apoiando o Projeto Bocaina de Pagamento por Serviços Ambientais, que atua junto às propriedades rurais localizadas na bacia que abastece a população de Passos. Serão três frentes de trabalho: conservação e recuperação da cobertura vegetal natural; conservação do solo e da água; e saneamento ambiental rural. Além da melhoria na qualidade e quantidade da água, a iniciativa gera renda para os pequenos agricultores mediante o pagamento por serviços ambientais.

“Os compromissos assumidos estão alinhados entre as partes envolvidas com o objetivo único de proteger o meio ambiente e desenvolver a região. Entendemos que quaisquer discussões em torno das políticas e práticas de preservação ambiental são extremamente importantes para garantir os avanços urgentes dessa agenda. Queremos fazer parte da solução, trabalhando em conjunto com especialistas, órgãos reguladores e com toda a sociedade”, afirma Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos do Grupo Heineken.

A companhia se comprometeu a utilizar energia elétrica proveniente 100% de fonte renovável, com o uso de 100% de combustíveis renováveis para a produção de vapor, o que já havia sido anunciado quando da definição de Passos para receber a fábrica.

O Grupo Heineken também se comprometeu com a construção de um sistema de abastecimento hídrico que permitirá a ampliação da infraestrutura de disponibilidade e captação de água existente em Passos.

Como anunciado anteriormente, a cervejaria irá incentivar o uso de energia elétrica renovável pela população de Passos, através do Programa Energia Verde. A iniciativa permite que moradores tenham acesso à energia renovável por meio de usinas sustentáveis como fazendas solares a partir de um cadastro digital na plataforma da marca, sem necessidade de instalação em casa.

A cervejaria afirmou, ainda, que pretende apoiar cooperativas de catadores da cidade e iniciativas locais de logística reversa de vidro, fomentando a cadeia da reciclagem. E, por meio do Instituto Heineken, a empresa prevê impactar positivamente mais de 80 jovens em situação de vulnerabilidade para promover uma relação mais equilibrada com a bebida alcoólica.

Vistoria e viabilidade
As ações agora acordadas ampliam as medidas que haviam sido determinadas para adoção quando da autorização de intervenção ambiental e do licenciamento ambiental conferidos à cervejaria. Além disso, essas medidas não alteram ou substituem obrigações impostas como condicionantes de licenças e atos autorizativos ambientais já concedidos, assim como não interferem no regular exercício do poder de polícia administrativa dos órgãos competentes.

Anteriormente, em vistoria da área que será impactada, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a equipe do Ministério Público mineiro apontaram ausência de função ecológica do fragmento de vegetação e atestaram a viabilidade ambiental do empreendimento.

A equipe do Instituto Prístino, que colaborou com o MPMG, após perícia técnica, apontou, em posicionamento, que “o fragmento não se classifica como vegetação secundária em estágio médio de regeneração, melhor se amoldando, mesmo em uma abordagem conservadora, a estágio inicial de regeneração, atestando, igualmente, a ausência de relevância ambiental no fragmento de Mata Atlântica em questão”.

“Sabemos da importância desse empreendimento para Minas Gerais no tocante à geração de emprego, renda e desenvolvimento. Estamos diante de um acordo que prevê proteção ao meio ambiente e permite que atividades econômicas sejam realizadas. O Ministério Público atua na solução de problemas com o objetivo de garantir segurança jurídica para quem deseja empreender”, diz Jarbas Soares Júnior, procurador-geral de Justiça.

Além do Grupo Heineken e do MPMG, o documento também foi assinado pela Advocacia-Geral de Minas Gerais e pela Semad, ambas representando o governo estadual.

Início das atividades e escolha de Passos
Ainda que sem uma data anunciada, a construção da fábrica do Grupo Heineken deve se iniciar ainda em março, tendo previsão de inauguração em 2025. A cervejaria em Passos empregará 350 pessoas, além de gerar aproximadamente 11 mil empregos indiretos, e produzirá marcas puro malte, como Heineken e Amstel.

Passos abrigará a primeira planta industrial da companhia em Minas Gerais após vencer a concorrência de mais de 200 outras cidades mineiras que se candidataram a receber a fábrica, tendo sido escolhida a partir de critérios como disponibilidade hídrica, desenvolvimento socioeconômico local, além de facilidade logística.

A sua escolha ocorreu em abril de 2022, meses após o Grupo Heineken desistir de construir uma fábrica em Pedro Leopoldo. A unidade industrial ficaria localizada nas proximidades da área onde está um importante sítio arqueológico, o Lapa Vermelha, onde foi encontrado Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas. O impacto que a obra teria nesta área de preservação ambiental e arqueológica chegou a paralisar o início das atividades de construção no local, levando o caso para a Justiça.

Agora, para a sua instalação em Passos, o Grupo Heineken já tem a licença ambiental aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental, órgão colegiado, normativo, consultivo e deliberativo, subordinado à Semad em Minas Gerais. Porém, ainda precisa da anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Carnaval provoca alta no faturamento e busca por reconexão com jovens

O primeiro carnaval sem restrições e realizado no período usual do ano desde 2020 trouxe resultados positivos para bares, restaurantes, comércios em geral e a indústria da cerveja. De acordo com diferentes estimativas, houve crescimento de até 20% no faturamento em comparação com o carnaval do ano anterior, uma expansão também ancorada na estratégia de reaproximação das marcas com o público jovem.

A retomada do carnaval nas ruas, que levou as pessoas a ocuparem algumas das principais cidades brasileiras, provocou alta relevante no consumo de cerveja e na receita de quem as vende. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que antes da folia esperava aumento de 30% no faturamento dos estabelecimentos, avaliou que os números não foram tão altos. Mas ressalta que, ainda assim, foram expressivos.

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O crescimento nas receitas chegou aos almejados 30% para Pernambuco, ficando em 20% no Rio de Janeiro, na comparação com 2022, e em 10% para Minas Gerais. “Foi um desafogo para muitos que ainda sofrem com o endividamento e outros efeitos da pandemia que ainda atingem nosso setor”, destaca Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

A associação avalia que a falta de mobilidade acabou sendo um desafio durante o carnaval, mas destacou que pequenos empreendedores foram aqueles que mais aproveitaram a volta do carnaval às ruas.

“Como prevíamos, o carnaval trouxe movimento aos bares e restaurantes em todo o Brasil. O impacto nas cidades turísticas é mais evidente, mas no geral houve uma adesão muito grande da população à folia de rua, pois foi a primeira sem restrições de nenhuma espécie desde 2020. Os pequenos negócios, que são maioria do setor, se beneficiaram muito disso”, diz.

Esse cenário positivo também foi percebido em uma pesquisa da Linx, empresa de tecnologia para o varejo, apontando que os comércios de bairro e lojas de conveniência tiveram crescimento de 19% no faturamento durante o carnaval, na comparação com 2022.

Essa expansão nas vendas foi liderada por bebidas alcoólicas. De 18 a 22 de fevereiro, 52% dos produtos vendidos por esses estabelecimentos foram bebidas alcoólicas, com a cerveja sendo a mais procurada. E o crescimento foi possível com a expansão do carnaval de rua.

“O aumento do faturamento dos mercados de proximidade é reflexo de um Carnaval que já volta a ocupar as ruas após o controle da pandemia de Covid-19. Neste ano, além das principais capitais liberarem os bloquinhos, houve uma maior descentralização das festas, que chegaram com mais força nos bairros”, afirma Samuel Carvalho, diretor da vertical de mercados de proximidade e conveniência na Linx.

Grandes marcas
A retomada do carnaval, com as festas se espalhando pelas ruas e bairros das cidades, também foi alvo de iniciativas das grandes cervejarias. A Ambev realizou várias ações de marketing antes e durante a folia, como lançamentos de produtos, patrocínios a blocos, camarotes e mesmo às cidades.

Na linha de frente, esteve a Brahma, como destacou Jean Jereissati, CEO da Ambev, durante a teleconferência de resultados da companhia, nesta quinta-feira (2). “Foi definitivamente o carnaval da franquia Brahma, que teve abrangência nacional e presença nas mídias tradicional, social, com ambulantes e nos pontos de venda”, afirma.

Com forte estratégia de marketing para a Brahma, o que incluiu o lançamento de uma latinha que estampava o rosto de Zeca Pagodinho e a ida de Gisele Bündchen ao seu camarote na Marquês de Sapucaí, a Ambev acredita que a sua marca conseguiu dialogar com o público. “Vimos no carnaval a Brahma se reconectando com o jovem, algo que não acontecia há algum tempo”, acrescenta Jereissati.

Após um fim de 2022 e início de 2023 com muita chuva, o carnaval teve, exceto por São Paulo, tempo bom e temperaturas em linha com a tradição do mês de fevereiro, o que também levou o JP Morgan, em relatório divulgado na sequência da festividade, a prever uma alta de 3% no volume de cerveja no Brasil para o primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2022, quando ficou em 22,011 milhões de hectolitros.  

O relatório do JP Morgan também apontou que as cervejas da Ambev foram aquelas com menor variação nos preços em fevereiro na comparação com Grupo Heineken e Grupo Petrópolis, ficando entre alta de 6% e queda de 3%. Na outra ponta, o Grupo Petrópolis foi aquele com maiores descontos, chegando a até 13%.

A estratégia da Ambev no carnaval também teve outros focos, sendo um dos principais o aplicativo Zé Delivery, que pouco oscilou os seus preços em fevereiro – a variação do valor médio em relação a janeiro não foi além dos 3%, de acordo com o JP Morgan.

Outra frente da Ambev no carnaval foi ir além da cerveja e se aproximar do consumidor mais jovem, com o lançamento da CaipiBeats, uma espécie de caipirinha enlatada. “A franquia Beats trouxe a inovação mais quente da temporada, a CaipiBeats”, lembra Jereissati. “Foi muito bom ver que alcançamos uma população mais jovem e mais mulheres”, conclui.

Menu Degustação: Apoio ao litoral norte paulista, eventos em Campinas…

O mês de fevereiro foi marcado por muita folia pelo país, mas também pela tragédia no litoral norte paulista, onde as fortes chuvas deixaram centenas de famílias sem casas e tiraram a vida de dezenas de pessoas. Na tentativa de ajudar quem passou por essa desesperadora situação, o Zé Delivery lançou uma campanha com verba revertida à ONG Gerando Falcões, com um valor será destinado para a reconstrução de moradias das famílias.

Em outras frentes, passado o carnaval, vários eventos irão rechear a agenda cervejeira ao longo das próximas semanas. Será assim em Campinas (SP), com mais uma edição da Champions Beer e nova celebração do St. Patrick’s Day, assim como em Blumenau (SC), com o Festival Brasileiro da Cerveja e outros encontros em uma semana toda dedicada à cerveja.

Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Ajuda no litoral norte paulista
As fortes chuvas no litoral norte paulista deixaram comunidades em situação de calamidade, além de terem provocado dezenas de mortes e destruição na região. Pensando em uma forma de somar esforços no apoio à população do litoral paulista, o Zé Delivery se uniu à ONG Gerando Falcões, e incluiu no seu aplicativo um botão exclusivo para doações. O botão possibilita que a doação seja realizada no momento da finalização de um pedido ou até mesmo sem o consumidor ter realizado nenhuma compra. A cada R$ 1 doado, o aplicativo da Ambev doará mais R$ 1. 

Choperia do Lugui em Piracicaba
A Choperia do Lugui, que faz parte do novo posicionamento de marca da rede Quiosque do Lugui, acaba de inaugurar sua primeira unidade em Piracicaba (SP). Conforme a rede, a diferença entre o modelo de negócio quiosque e choperia é que esse último conta com um espaço mais amplo. No local, o cliente tem direito a chope em dobro em qualquer horário. Também há drinques no cardápio, como é o caso das caipirinhas do Lugui e do mojito. 

Visitação na Krug Bier
A Experiência Krug Bier estará disponível para o público no primeiro sábado de março, dia 4, e de abril, dia 1º, em Nova Lima (MG). É um passeio guiado e interativo pelas instalações da Krug Bier para quem deseja conhecer de perto como a cerveja é produzida em um passeio guiado e interativo. A visita tem a duração média de uma hora e, ao final, o participante ainda poderá fazer compras na loja da fábrica, que tem uma variedade de produtos exclusivos, além de cervejas e chopes. Quem adquirir o ingresso, ganha o Kit Experiência Krug Bier, com uma sacola, uma taça exclusiva, uma carta de cervejas e um cartão com R$ 20 de crédito para degustação na fábrica.

Livro da Krater
A editora Krater publicou um novo livro cervejeiro. Agora, “A Evolução da Cerveja em 50 Estilos”, da autora Natalya Watson, percorre a linha do tempo do uso do lúpulo na cerveja e leva o leitor através dos momentos históricos que transformaram a cerveja em bebida complexa e saborosa.

Cartilha de refrigeração
A Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), por meio do Departamento Nacional de Refrigeração, lançou a cartilha de boas práticas “A refrigeração e a sua relação com a eficiência energética”. A publicação visa disseminar informações sobre a relação entre refrigeração e eficiência energética em ambientes que utilizam equipamentos de refrigeração, propondo ajudar pequenos e médios comércios a conduzir seus negócios de maneira sustentável, considerando aspectos financeiros e ambientais.

Minisséries para cursos
A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) lançou um curso gratuito e ao vivo, chamado Como Fazer Cerveja em Casa. Com ele, se inicia o projeto de minisséries, desenvolvido pela instituição. Serão quatro cursos, no primeiro semestre, compartilhando conhecimento sobre vários aspectos da cerveja artesanal. As aulas começam em 14 de março e seguem por quatro terças-feiras, sempre das 19h às 21h.

Viagem internacional com o Science
O Science of Beer colocou à venda pacote para a Viagem de Estudos Cervejeiros 2023, com destino à Europa e marcada para o período de 15 a 25 de setembro O roteiro passa pela Bélgica e Alemanha para conhecer cervejarias, pubs e mosteiros seculares. Também haverá visita às fazendas de lúpulo e à Oktoberfest de Munique.

Selo de qualidade
Cervejarias da região metropolitana de Florianópolis serão certificadas com o selo de qualidade Beer Sensory, criado especialmente para as empresas associadas à União Cervejeira. A entidade, que reúne 20 cervejarias, anunciou a parceria com o Science of Beer para realização das análises. O instituto vai analisar sensorialmente as cervejas, o que implica em etapas como evocar, medir, analisar e interpretar reações das características das bebidas para gerar parâmetros controláveis de qualidade para o consumidor.

Champions Beer
O Champions Beer chega a sua 7ª edição. O evento será realizado de 10 a 12 e de 17 a 19 de março no estacionamento do Galleria Shopping, em Campinas, com entrada grátis em toda a área reservada e nos shows. Ao todo, 14 cervejarias confirmaram presença e o público poderá provar e comparar as especialidades de Daoravida, Campinas, Barossa, Tábuas, Blacaman e Landel, todas sediadas em Campinas, da Bierinbox, de Paulínia, da Marés, de Americana, das piracicabanas Leuven, A Tutta Birra e Green Fish, da Berggren, de Nova Odessa, da Madalena, de Santo André, região do ABC paulista, e da Brewto’s, de Vargem Grande Paulista. O visitante terá a oportunidade de eleger a melhor cerveja. 

Saint Patrick’s Day
Também em Campinas, nos dias 17, 18 e 19 de março, acontecerá o Saint Patrick’s Day com a presença de 25 cervejarias artesanais do polo cervejeiro da região metropolitana de Campinas na Praça Carlos Gomes. As cervejarias confirmadas são: Blacaman, Campinas, Daoravida, El Coyote, Garimpero, GBK Barossa, Landel, Maali, St Kitts, Stormy, Tábuas, Tesla, The Brews, Toca da Mangava e IB, todas de Campinas;  Kalango, Hopbeer, Seven Hands, de Americana; Seo Carneiro, de Holambra; Donnerstag, Itaici, de Indaiatuba; Bierinbox e Sonora, de Paulínia; Grifo e Gravetos, de Valinhos.

Índice de equidade
O Grupo Heineken se juntou a outras 484 empresas como membro do Índice Bloomberg Gender-Equality (GEI) de 2023. Trata-se de um selo que mede a igualdade de gênero dentro das organizações considerando cinco pilares: liderança e banco de talentos, igualdade de remuneração entre gêneros, cultura inclusiva, políticas contra assédio sexual e imagem da marca.

CataFolia
Durante a celebração do carnaval, o Pimp My Carroça e o Cataki se uniram ao Instituto Heineken e à Amstel para realizar o CataFolia, projeto de gestão dos resíduos recicláveis com catadoras e catadores individuais de São Paulo. Entre 11 e 20 de fevereiro foram mais de 150 profissionais contratados, que receberam uma diária fixa e o proporcional relativo à venda de cerca de 2,6 toneladas de material reciclável coletado. A CataFolia esteve em quatro blocos do carnaval de rua de São Paulo, com a coleta dos resíduos recicláveis, como latinhas, garrafas PET, capas de chuva, copos plásticos e outros materiais.

Louvada faz alegria de crianças
A Louvada doou mais de 200 bolas para crianças que vivem em situação de vulnerabilidade social, em Cuiabá. A ação solidária fez parte da 10ª edição do Amigos pela Solidariedade, partida de futebol realizada na capital do Mato Grosso e que contou com ex-atletas, como Petkovic e Acelino Popó, para arrecadar donativos para instituições beneficentes. 

14º Festival Brasileiro
O Festival Brasileiro da Cerveja chega a sua 14ª edição e vai acontecer na próxima semana, de quarta-feira até sábado, no Parque Vila Germânica, em Blumenau. O evento ocorre dentro da Semana da Cerveja Brasileira, que começa neste domingo e compreende também a Feira Brasileira da Cerveja, o Congresso Internacional da Cerveja, no mesmo período, e o Concurso Brasileiro de Cervejas. Fora do parque Vila Germânica ocorrerão a Conferência Internacional de Concursos Cervejeiros, no próximo domingo (5), às 9h, na Câmara de Vereadores de Blumenau, e a entrega da Comenda da Cerveja Brasileira, na mesma data, às 19h30, no Moinho do Vale.

Cerveja Blumenau no festival
A Cerveja Blumenau preparou uma programação especial para o período do Festival Brasileiro da Cerveja. Além das visitas guiadas pela produção, de segunda-feira até domingo, acontecerão degustações especiais na adega da marca Mestres do Tempo. Um bar será montado antecipando as novidades que estarão no festival, vão acontecer brassagens colaborativas com outras cervejarias e os visitantes ainda poderão aproveitar um outlet na loja de fábrica, com preços especiais. Na terça-feira, a cervejaria realiza a segunda edição do BBQ & Beer, um evento que reúne especialistas em churrasco com receitas e harmonizações para degustação do público.

Schluck Licores no festival
A Schluck Licores, criadora do primeiro licor de lúpulo no país, terá um espaço no Festival Brasileiro onde estarão disponíveis, além dos licores, drinques que se relacionam com o universo da cerveja. A fábrica de licores produz receitas trazidas pelos imigrantes alemães que colonizaram a região e itens, criados com foco em experiências contemporâneas e coquetelaria.

4.085 amostras no Concurso Brasileiro
A 11ª edição do Concurso Brasileiro de Cervejas, que acontecerá entre segunda e quarta-feira (6 e 8 de março) contará com 4.085 amostras, inscritas por 565 cervejarias (12% a mais que no certame do ano passado) de 25 estados brasileiros. As cervejas Best of Show do concurso terão inscrição gratuita no Brussels Beer Challenge, na Bélgica, e no European Beer Star, na Alemanha. E as medalhas de ouro, prata e bronze nas categorias Italian Grape Ale e Sour Italian Grape Ale terão inscrição gratuita no concurso mundial de Italian Grape Ale, na Itália.

Inscritas da Das Bier
A Das Bier levará ao Concurso Brasileiro da Cerveja 14 rótulos, incluindo três não alcoólicos, dentre esses a recém-lançada IPA sem álcool. A marca contará ainda com as já premiadas Pilsen, IPA e a Kaffee Bier sem álcool, todas detentoras das medalhas de bronze e ouro no concurso de 2022. Também estará presente a Australian Pale Ale sem álcool, ganhadora da prata no Brasil Beer Cup do ano passado. Nesse ano, a comissão ainda terá à disposição para avaliar os outros rótulos da marca, como as cervejas Stout, Weizen, Catharina Sour e uma Bock produzida através da parceria com o restaurante Biergarten Pomerânia.

Verallia na feira
A Verallia apresentará sua gama de garrafas para o mercado cervejeiro durante a Feira Brasileira da Cerveja. Entre os destaques que serão mostrados aos fabricantes de bebidas estão as garrafas one way de 300ml e 600ml na cor âmbar, embalagem altamente usada pelas cervejarias artesanais, e a long neck de 355ml nas cores âmbar e verde, pertencentes à categoria Ecova, que alia redução de impactos ambientais e qualidade.

Patrocínio da MeuChope
A Semana da Cerveja Brasileira contará com patrocínio master da MeuChope, startup capixaba de tecnologia cervejeira. A empresa leva para o evento seu aplicativo proprietário, uma carteira digital de tomadores de cervejas artesanais, que permite o pagamento em centenas de estabelecimentos e também nos principais encontros cervejeiros do Brasil. Também durante o evento, a MeuChope lança um pacote de incentivo de R$ 5 milhões para que bares e restaurantes de todo o país façam as primeiras compras na MeuChope Marketplace, estimulando o consumo regional e artesanal.

Ambev tem alta de 4% na venda de cerveja no Brasil no 4º tri e lucra R$ 5,1 bi

A Ambev teve lucro líquido de R$ 5,083 bilhões no quarto trimestre de 2022, com alta de 35,7% em relação ao mesmo período de 2021, um resultado puxado especialmente pelo mercado brasileiro, que apresentou crescimento de 4% no volume de cerveja vendida no período no país. Os dados fazem parte do balanço financeiro da companhia, divulgado nesta quinta-feira (2).

De acordo com o documento, o volume total orgânico da Ambev no quarto trimestre cresceu 1,5%, para 52 milhões de hectolitros. O ritmo foi maior no Brasil, com as altas de 4% das vendas de cerveja, chegando aos 26,605 milhões de hectolitros, e de 6,6% entre as bebidas alcoólicas.

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A Ambev também relatou crescimento de 21,5% da receita líquida no quarto trimestre, para R$ 22,693 bilhões, com o Ebitda ((lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficando em R$ 7,109 bilhões, uma expansão orgânica de 27,4%.

Na apresentação dos resultados, a Ambev afirma que o desempenho foi “impulsionado principalmente pelo crescimento da receita líquida por hectolitro (“ROL/hl”) de 19,7% no 4T22”.

Brasil e demais regiões
De acordo com a Ambev, os resultados alcançados no Brasil no quarto trimestre foram provocados pelo “retorno contínuo das ocasiões de consumo fora de casa combinado com a execução da nossa estratégia comercial durante a Copa do Mundo”.

A Ambev também ressalta que as marcas premium lideraram a alta do volume de cerveja da companhia no país, com crescimento acima de 20% de Original, Chopp Brahma, Stella Artois e Corona. “As marcas core permaneceram resilientes, entregando um crescimento de volume de um dígito médio”, afirma, também citando que a Spaten quase dobrou seu volume em relação ao quarto trimestre de 2021.

O balanço também destaca o desempenho do Zé Delivery, com a entrega de mais de 16 milhões de pedidos nos últimos três meses de 2022, além de contar com 4,8 milhões de usuários ativos mensais, um crescimento anualizado de 17%.

O relatório ainda cita que o BEES, plataforma da Ambev voltada aos pontos de venda, tem 74% dos seus clientes como compradores do marketplace, tendo uma receita bruta digital de R$ 1,3 bilhão.

Por outro lado, o balanço financeiro da Ambev no quarto trimestre de 2022 evidenciou que a operação fora do Brasil continua sendo o principal desafio da companhia, tanto que o volume total orgânico recuou 5,4% no Canadá no período e 1,6% na chamada América Latina Sul.

Como foi 2022
O balanço do quarto trimestre da Ambev também traz os dados consolidados da companhia no ano passado, com lucro líquido de R$ 15,167 bilhões. A companhia teve alta de 3% no volume total, chegando aos 186 milhões de hectolitros. Só no Brasil, foram 94,043 milhões de hectolitros vendidos, um crescimento de 3,5%.

Além disso, houve expansão de 13,5% no lucro líquido e de 17,1% no Ebitda ajustado na comparação com 2021, para R$ 14,891 bilhões e R$ 23,770 bilhões, respectivamente.

A Ambev diz que o resultado foi “impulsionado pela receita líquida por hectolitro (+16,3%), impulsionado por marcas mais saudáveis, premiumização e inovação, bem como à execução disciplinada de nossas iniciativas de gestão de receita”.

A companhia, porém, reconhece ter encarado “ventos contrários” em 2022, provocados pela alta dos preços das commodities e da inflação em geral, o que causou alta do CPV, o custo por produto vendido, e do SG&A, os custos combinados de operação da empresa. O CPV subiu 23,8% e o SG&A, 18,5%. Em Cerveja Brasil, o CPV por hectolitro ficou em 16,6%.

A Ambev também relata ter fechado o ano de 2022 com R$ 11,535 bilhões de caixa líquido, frente aos R$ 15,411 bilhões de 2021.

Como será 2023
Ao comentar sobre as perspectivas para 2023, a Ambev destacou que reforçará o foco em ganhar mais receita pelo litro de cerveja vendido do que em aumentar o volume comercializado, o que indica uma estratégia de maior atenção às marcas premium.

“Em 2023, à medida que procuramos manter nosso momentum de receita líquida construído nos últimos três anos, esperamos que nosso crescimento da receita seja mais impulsionado pelo desempenho da receita líquida por de hectolitro do que pelo volume”, diz em seu relatório.

Não será diferente no Brasil, onde a Ambev também centra suas atenções na comercialização de produtos pelo seu aplicativo. “No Brasil, trabalharemos para manter o momentum, continuando a desenvolver nossas marcas core plus e premium, trazer inovação para a categoria e ampliar o BEES e o Zé Delivery, que continuarão a ser fundamentais para os negócios de Cerveja e NAB”, afirma.

Também no documento, a Ambev revela esperar ter menor pressão dos custos dos insumos em 2023. “Assumindo os preços atuais das commodities, esperamos que nosso CPV por hectolitro excluindo depreciação e amortização em Cerveja Brasil aumente entre 6-9,9% (excluindo a venda de produtos de marketplace não-Ambev), mais ponderado no primeiro semestre do ano, dada a calendarização dos hedges de commodities”, diz.

AB InBev
A quinta-feira também foi dedicada à divulgação do balanço da AB InBev. Na maior cervejaria do mundo, houve declínio de 0,6% no volume no quarto trimestre, na comparação anualizada, para 148,775 milhões de hectolitros. No ano, porém, houve expansão de 2,3%, para 595,133 milhões de hectolitros.

Além disso, os principais dados financeiros apresentaram alta. A AB InBev teve lucro líquido de US$ 2,844 bilhões, ante US$ 1,962 bilhão do mesmo período do ano passado.

A receita nos últimos três meses de 2022 foi de US$ 14,668 bilhões, com um crescimento anualizado de 10,2%. Já o Ebitda normalizado fechou o período em US$ 4,947 bilhões, tendo expansão de 7,6%.

Bares e restaurantes criam mais de 150 mil vagas em 2022 e salários sobem 9,6%

O setor de bares e restaurantes abriu mais de 150 mil empregos em 2022. O dado é uma estimativa apresentada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) a partir da mais recente edição da PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE, através do recorte do grupamento Alojamento e Alimentação.

Esse grupo teve um saldo positivo de 181 mil empregos em 2022, sendo que bares e restaurantes representam 85% dos estabelecimentos desse segmento. Assim, o segmento fechou 2022 com 5,34 milhões de trabalhadores, o maior índice para o último trimestre do ano desde 2019, quando eram 5,75 milhões de pessoas empregadas.

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O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, acredita que o saldo de empregos em bares e restaurantes pode até ser superior às 150 mil vagas, citando a grande procura por trabalhadores por esse tipo de estabelecimento para a temporada de verão.

“O número de contratações pode ser ainda maior, uma vez que esses dados não refletem completamente as movimentações feitas durante a temporada de verão, que é tradicionalmente um período de grande demanda para o setor de bares e restaurantes”, diz Solmucci.

Também de acordo com os dados da PNAD Contínua, o salário médio do grupo com bares e restaurantes foi maior do que a média nacional. O ganho ficou em 9,6% no ano passado, enquanto a média geral foi de 8,3%, com o salário médio sendo de R$ 1.820,00. O percentual também está acima da inflação oficial do ano passado, o IPCA, que ficou em 5,79%.

E os bares e restaurantes poderão fazer mais contratações ao longo de 2023, de acordo com recente pesquisa da Abrasel. No levantamento, que ouviu 1.748 empreendedores, 33% deles disseram que pretendem aumentar o quadro de funcionários em 2023. Outros 46% esperam manter o quadro, enquanto apenas 13% esperam reduzir o número de funcionários.

 “Apesar de mostrar resiliência, o setor sofre os efeitos da pandemia e da falta de um programa robusto de recuperação por parte do governo. Mais da metade dos estabelecimentos não consegue ainda trabalhar com lucro, o que é muito preocupante”, pondera Solmucci.

O cenário é confirmado pela pesquisa da Abrasel, apontando que 19% das empresas do segmento de bares e restaurantes continuam trabalhando com prejuízo, o que se deve a dívidas, custo de folha e inflação, sendo que outras 47% tiveram lucro e 34% ficaram em equilíbrio no ano passado.

Antes de balanço, ação da Ambev recua em mês de tombo da B3; veja prévias

Em um mês com valorização de apenas 11 das ações que compõem o Ibovespa, a Ambev não passou ilesa. O papel da cervejaria fechou fevereiro valendo R$ 13,39, queda de 1,98% em relação a janeiro, mas que pode ser considerada modesta em relação ao recuo do principal índice da B3, a bolsa de valores brasileira. O Ibovespa caiu 7,5% no período, para 104.931,93 pontos.

A queda da ação da Ambev no mês passado se deu, principalmente, pelo tombo de 1º de fevereiro. Naquela data, o papel recuou 3,51%, na sequência da publicação de uma matéria no site da revista Veja em que a CervBrasil, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, afirmava que a Ambev poderia ter inconsistências em suas demonstrações financeiras, geradas por manobras envolvendo a atuação na Zona Franca de Manaus – a companhia negou as acusações.

Naquele dia, a ação da Ambev recuou dos R$ 13,66, que havia fechado o mês de janeiro, para R$ 13,18. E embora tenha registrado leve recuperação nos dias seguintes, o avanço não foi suficiente para colocar a cervejaria no seleto grupo das ações que se valorizaram em fevereiro na B3. E agora já acumula queda de 7,78% em 2023.

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Outra razão para explicar a queda da ação da Ambev no mês recém-encerrado é a baixa expectativa em relação ao balanço do quarto trimestre, a ser divulgado nesta quinta-feira (2). Afinal, a avaliação entre as equipes de analistas de bancos de investimento é de que o resultado será menos positivo do que se imaginava inicialmente.

O título da prévia da análise da XP Investimentos, “Faltavam só 4 minutos”, explica a frustração com um balanço para o qual algumas casas imaginavam um resultado exuberante. Mas a eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo do Catar, em que estava classificado às semifinais a até 4 minutos do fim da prorrogação contra a Croácia, e um dezembro mais chuvoso e de menos calor causaram efeitos negativos na Ambev.

Assim, a expectativa é de que o volume de cerveja no Brasil no quarto trimestre seja menor do que a expectativa inicial. “O clima abaixo da média no trimestre e o impacto limitado da Copa do Mundo devido à eliminação precoce da seleção brasileira e datas de partidas caindo em dias que já eram de ocasiões de consumo foram os principais culpados para os resultados mais fracos do que o esperado no início do trimestre. Portanto, esperamos que os volumes aumentem em 6% ano a ano, enquanto as expectativas do mercado parecem ter variado de 8% a 12%”, afirma a prévia do Itaú BBA. 

E isso se dá dentro de um cenário de alta das despesas no período, provocadas pela elevação do preço do diesel e dos investimentos em marketing em virtude da Copa, o que deve causar impacto negativo no lucro da Ambev. Além disso, o BTG Pactual exibe preocupação com o desempenho da Ambev para 2023.

“Se o desempenho abaixo do esperado do volume em um trimestre impulsionado pela Copa do Mundo for confirmado, pode sinalizar uma indústria em desaceleração (a produção de bebidas alcoólicas parece apoiar isso), trazendo riscos para a sustentabilidade do poder de reajustes de preços da Ambev para 2023 em meio a uma economia desacelerando”, afirmam seus analistas.

O balanço também será divulgado na sequência da revelação do escândalo contábil da Americanas, que tem, assim como a Ambev, Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles como alguns dos seus principais acionistas. Mas a situação não preocupa, de acordo com os analistas, por causa da posição de caixa da cervejaria. Além disso, eles não acreditam que o trio possa vender suas ações na Ambev para reduzir o rombo da varejista.

Queda inferior
O recuo da ação da Ambev em fevereiro, porém, foi bem menor do que o do Ibovespa, que tem a sua carteira puxada por Petrobras e Vale. E se uma empresa oscilou com a incerteza sobre a política para os combustíveis do governo Lula, o recuo dos preços do minério de ferro pressionaram a outra gigante.

Além disso, a expectativa de aceleração da inflação em fevereiro e as críticas públicas de Lula à gestão do Banco Central afetaram o humor do mercado. E ninguém sofreu mais do que a Azul, com recuo de 39,83% em fevereiro, seguida por CVC (-32,67%), Yduqs (-31,75%), Alpargatas (-30,71%) e Gol (-27,81%). Já a maior alta no período, mas de apenas 8,76%, foi da São Martinho.

Fora do Brasil
A queda da ação da Ambev em fevereiro se repetiu em Nova York. Na bolsa dos Estados Unidos, o papel terminou o mês cotado a US$ 2,55, caindo 4,85%. No ano, o recuo está em 6,25%.

Por outro lado, também fora do Brasil, as ações das duas maiores cervejarias do mundo apresentaram alta em fevereiro. O papel da AB InBev fechou o mês valendo 57,23 euros na Europa, apresentando valorização de 3,88%. No bimestre, a alta é mais modesta, de 1,71%.

Já a ação do Grupo Heineken acumulou o segundo mês de valorização em 2023, terminando fevereiro com preço de 96,50 euros. O papel, inclusive, teve alta relevante após a divulgação do balanço de 2022, ficando 5,38 euros mais caro desde então. Assim, subiu 5,42% em fevereiro, chegando aos 9,81% de valorização neste começo de ano.

Entrevista: “Ação com Gisele pode ser polêmica, mas traz algo novo”

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Foram 12 anos sem aparecer no carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro, mas bastaram três horas presentes em um camarote da Brahma para que Gisele Bündchen se tornasse o nome mais falado na Marquês de Sapucaí em 2023. Afinal, sua presença provocou comoção e interesse, mas também causou controvérsia pelas altas cifras envolvidas dentro de um evento realizado sob muitos contrastes sociais.

Na conta final entre investimento e retorno, o saldo foi positivo em termos de marketing, na avaliação apresentada por Gabriel Rossi, pesquisador e professor de comunicação da ESPM, em entrevista ao Guia. Para isso, ele se baseia em alguns aspectos, como a mídia espontânea conquistada pela Brahma em função da presença de Gisele Bündchen no carnaval do Rio.

Afinal, sem ir à Marquês de Sapucaí desde 2011, ela chamou a atenção para uma raríssima aparição pública desde a separação do astro do futebol americano Tom Brady, oficializada em outubro. E mostrou que mesmo aposentada das passarelas desde 2015, continua sendo uma das mais famosas modelos do mundo.

Em sua passagem pelo carnaval, Gisele Bündchen também chamou a atenção pelo estilo – calça branca e abadá do camarote da Brahma transformado em top –, em um despojamento que contrasta com os supostos R$ 10 milhões recebidos para passar três horas na Marquês de Sapucaí.

“Se pensarmos bem, muitos veículos de imprensa falaram disso sem que tivessem qualquer vínculo comercial com a Ambev. Muitas críticas aconteceram, mas as menções positivas foram maiores. A Gisele está em um patamar que lhe garante a chamada inocuidade de marca”, diz o pesquisador e professor de comunicação na ESPM.

Mas além da ação com a modelo, o carnaval de 2023, o primeiro sem qualquer restrição e realizado no período tradicional desde 2020, também ficou marcado por outras iniciativas de marketing. Houve, por exemplo, grande disputa pela condição de patrocinador dos diversos carnavais de rua, que lotaram capitais brasileiras, e ações de marketing de guerrilha.

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Na entrevista ao Guia, Gabriel Rossi fala sobre esses assuntos envolvendo marketing, carnaval e a indústria da cerveja. Confira:

Em 2023, vimos uma grande disputa entre marcas em busca do patrocínio do carnaval de rua de diversas cidades. Quais razões motivam a entrada em uma concorrência que em alguns casos envolve o pagamento de milhões de reais?
Primeiramente, mídia espontânea, aquela mídia que você ganha sem pagar pelo espaço. E porque esse tipo de carnaval vem ganhando muita influência. Claro que tem a questão do consumo, mas ela é mais a médio e longo prazo. É uma forma de também tentar oferecer uma experiência ao consumidor em busca de um relacionamento mais para frente com a marca. Ativações, como áreas temáticas, com jogos e brindes, geram isso, sendo formas de ampliar o contato do consumidor com a marca.

Além da oferta de experiências, como o carnaval pode ter ajudado marcas de cerveja a conquistar o consumidor?
Tem algo que falamos sobre marcas fortes que é awareness. Esse é um dos pontos para uma marca ser forte. Ter visibilidade é algo importante. Também tem um aspecto geracional. A geração Z, tende a consumir menos álcool, a atitude em relação à bebida mudou bastante, com preocupação sobre a saudabilidade. Dialogar com esse público no carnaval pode fazê-lo pensar em consumir aquele produto. E isso é algo sempre buscado.

Uma das mais faladas ações de marketing desse carnaval envolveu a Gisele Bundchen, patrocinada pela Brahma a ir a um dos camarotes da Marquês de Sapucaí. Pelo tamanho da iniciativa, valores envolvidos e repercussão, acha que valeu a pena?
Muita gente criticou e há questões que realmente valem uma reflexão, inclusive sobre passagem do tempo, gastos envolvidos e responsabilidade social da marca. Mas se você olhar pragmaticamente, do ponto de vista do marketing, foi uma boa ação. Primeiro, pela mídia espontânea. A Gisele tem apelo internacional.

Houve, porém, críticas, em função, principalmente, dos valores desembolsados pela Ambev. Você acha que essas questões podem atingir a imagem da Brahma e da Gisele Bündchen?
Se pensarmos bem, muitos veículos de imprensa falaram disso sem que tivessem qualquer vínculo comercial com a Ambev. Muitas críticas aconteceram, mas as menções positivas foram maiores. A Gisele está em um patamar que lhe garante a chamada inocuidade de marca. Isso significa que ela teve um percurso tão relevante, fez uma construção de marca tão forte, que para ela seria concedido o direito ao erro. Já a Ambev não tem tanto isso, ela já teve alguns problemas, então não tem a mesma gordura para queimar. Vale lembrar que ela não só é uma influenciadora, ela é uma celebridade internacional. A Gisele construiu uma carreira como celebridade. E traz outros públicos para a cerveja.

Em um mundo de tantos nichos e com tantas personalidades instantâneas, ainda vale investir alto em uma grande figura, para associá-la a sua marca, como fez a Brahma com a Gisele Bündchen?
Se o processo é bem construído, com certeza. As pessoas dialogam mais com outras pessoas do que com marcas e instituições. Trazendo uma pessoa do calibre da Gisele para consumir a mesma cerveja que você, isso cria um diálogo. Principalmente se você pensar que a Ambev está nessa categoria da cerveja há muito tempo e isso torna o diálogo mais desafiador. Então, você precisa encontrar novas formas de chegar ao público.

Como essa ação de marketing da Brahma com a Gisele Bündchen impacta o consumidor?
O consumo de cerveja é culturalmente compartilhado. Você tomando uma cerveja, está passando uma mensagem para outra pessoa. A Gisele traz valores e tributos para a marca. A grande sacada da Ambev, como está há muito tempo em uma categoria, é que ela precisa encontrar novos caminhos. Você traz a Gisele, faz uma ação que acaba até sendo polêmica, mas vale a pena, pois traz algo novo ao consumidor.

No carnaval, além de patrocínios a grandes festas e associação a astros, também se viu muitas ações de “marketing de guerrilha” em 2023. Qual é a sua visão sobre esse tipo de iniciativa?

Usadas com criatividade, essas ações não depõem contra as marcas e transmitem valores associados a elas. Pode ser importante para quem está entrando no mercado e gera mídia espontânea. Uma marca pode não ter dinheiro para pagar um patrocínio e usa isso como uma estratégia. Vemos muito disso nos grandes eventos. É uma forma de fazer ativação da marca. Isso também ajuda a rejuvenescer a marca, mesmo aquelas com uma longa trajetória.

Algo em específico nas ações de marketing no carnaval chamou a atenção ou deve ser tendência para os próximos meses?
Vejo uma clara tentativa de reaproximação com os jovens que não enxergam a bebida alcoólica como outrora. Então, se tenta trazer para o ambiente deles, falando em saudabilidade. A inteligência artificial também tem entrado muito nas ações de marketing, segmentando o consumidor dentro de clusters. Hoje se usa cada vez mais os algoritmos para entender os consumidores.

Eureka prepara abertura de empório como vitrine para cervejarias em São Paulo

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Conhecido por ser um dos bairros mais boêmios e com vida noturna em São Paulo, a Vila Madalena é um dos principais destinos para quem busca diversão e boas cervejas na capital paulista. Agora, a região está prestes a receber um novo empreendimento, que será uma vitrine para marcas de cerveja, o empório da Eureka Insumos Cervejeiros.

A previsão é de que a abertura do Empório Eureka aconteça na segunda quinzena de março, só dependendo de alguns ajustes para ser confirmada, pois as obras já estão concluídas, com a fase atual sendo de instalação de equipamentos.

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A ideia da Eureka, com o seu empório, de acordo com o CEO Dario Occelli é oferecer aos parceiros a possibilidade de expor, divulgar e colocar à venda as suas cervejas em um dos mais conhecidos bairros cervejeiros do Brasil.

“Fazendo uma análise do mercado de cervejas artesanais e conversando com nossos clientes e parceiros, notamos que existe uma grande barreira que impede o crescimento e a divulgação de excelentes cervejas produzidas em pequenas cervejarias artesanais locais”, diz.

Assim, como a Eureka tem atuação nacional, garante a possibilidade de cervejarias de diferentes regiões oferecerem seus produtos para o público que for ao empório na Vila Madalena. “É praticamente impossível uma pequena cervejaria artesanal, que produz excelentes cervejas localizada no interior da Bahia, por exemplo, conseguir exportar seus rótulos para os grandes centros consumidores, especialmente São Paulo”, afirma.

Com o empório, então, o CEO da Eureka espera contribuir para os parceiros com a abertura de mercado, mas também trazer satisfação ao consumidor, sonhando que o espaço seja encarado como uma “Disneylândia para os amantes de cervejas artesanais”.

Para isso, o empório, além da cerveja, terá ambiente de sport bar, lounges, bancadas de trabalho com wi-fi e música ao vivo nos finais de semana. “O apreciador de cervejas artesanais poderá desfrutar de momentos agradáveis com os amigos e encontrar os mais diferentes estilos de cervejas produzidas em cervejarias artesanais espalhadas por todo o Brasil”, conta Occelli.

O empório da Eureka, porém, não funcionará somente como um bar, também tendo funcionalidades de uma loja. Assim, o cervejeiro poderá consumir as bebidas no local, juntamente com petiscos, ou levar para casa em latas, garrafas e growlers, além de encontrar kits e souvenirs para presentes.

A ideia da Eureka, com o empório, também é oferecer aos clientes a possibilidade de realização de eventos. “No mezanino, com toda a estrutura, os parceiros da Eureka poderão utilizar (mediante prévio agendamento) o espaço para fazerem o lançamento de novas cervejas, palestras sobre seus produtos, eventos de degustação etc”, explica o CEO.

A abertura do Empório Eureka também está em consonância com os planos de expansão da empresa, que inaugurou em agosto do ano passado um centro de distribuição em Juiz de Fora (MG). E a expectativa de Ocelli é dar sequência a esse crescimento ao longo dos próximos meses.

“Além de nossa matriz localizada em Sorocaba (SP) e filiais em Araquari (SC) e Juiz de Fora (MG), novas filiais da Eureka estão sendo implementadas em breve em outras regiões do Brasil. E o Empório Eureka tem como principal objetivo ajudar cervejarias de outras regiões do Brasil a divulgarem suas cervejas nesse importante polo consumidor de São Paulo”, completa Occelli.

Carnaval na Sapucaí recicla quase 10 toneladas de latas e entra no Guinness

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Conhecido mundialmente pela exuberância dos desfiles e o ritmo das baterias, o carnaval na Marquês de Sapucaí agora tem um recorde sustentável a comemorar. Em 2023, o carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro entrou para o Guinness World Records, o Livro dos Recordes, como o evento com a maior coleta de latas de alumínio no mundo para reciclagem, com quase 10 toneladas.

A ação que tornou o carnaval da Sapucaí um exemplo global de sustentabilidade aconteceu entre 17 e 20 fevereiro, datas dos desfiles do Grupo Especial e da Série Ouro, e no dia 25, quando aconteceu o festivo desfile das campeãs. 

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A iniciativa durante o carnaval foi coordenada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), fazendo parte das ações do Cada Lata Conta, um programa internacional de conscientização ambiental e promoção da reciclagem da lata de alumínio para bebidas.

No sambódromo do Rio de Janeiro, foi montada uma estrutura para coletar, separar e destinar as latinhas para a reciclagem. E a ação teve, também, as participações da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, do Sesc RJ, com o projeto Recicla Sapucaí, que contou com o apoio do Instituto Fecomércio de Sustentabilidade e das redes cariocas de cooperativas de catadores de materiais recicláveis Recicla Rio, Movimento e Febracom.

A ação na Sapucaí envolveu a participação de mais de 120 pessoas, com mais de 100 catadores entre elas. De acordo com a Abralatas, o trabalho, além da coleta, também buscou conscientizar o público presente aos desfiles sobre a importância da reciclagem.

Iniciativa semelhante já havia sido realizada no ano passado no desfile das escolas de samba do Rio, quando 8 milhões de toneladas de latas de alumínio tinham sido coletadas. Agora, então, não só esse número foi superado como qualquer outro, colocando a ação de 2023 no Livro dos Recordes.

Para o presidente executivo da Abralatas, Cátilo Cândido, o trabalho de coleta no desfile das escolas de samba do Rio e a entrada no Guinness mostram como grandes eventos podem estar associados à sustentabilidade.

“O Rio de Janeiro já era conhecido pela sua beleza, pelo seu samba, pelo seu Carnaval. Agora entra no mapa mundial pelo seu legado na reciclagem. Contamos com o importante trabalho dos catadores mais uma vez como verdadeiros agentes ambientais. Ter o reconhecimento do Guinness nos mostra que estamos no caminho certo, mostrando para o mundo que é possível um evento desta magnitude ser sustentável”, diz.

O trabalho realizado no carnaval do Rio também se insere em um cenário de elevadíssimos índices de reciclagem das latas de alumínio no Brasil. Segundo a Abralatas, o país mantém uma média de 95% de reaproveitamento nos últimos 15 anos, tendo chegado ao recorde de 98,7% e mais de 30 bilhões de unidades recicladas em 2021.

Balcão da Nadhine: O cenário da cerveja artesanal na Hungria

Balcão da Nadhine: Primeiras impressões sobre o cenário da cerveja artesanal na Hungria


A cerveja artesanal como conhecemos vem se tornando cada vez mais popular, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Essa mudança no perfil de consumo também atinge o Velho Mundo. Com esse artigo pretendo falar sobre o cenário da cerveja artesanal na Hungria, que teve seu boom praticamente no mesmo período que o Brasil, aproximadamente 8 anos atrás. Farei esse panorama da perspectiva de Budapeste, sua capital, onde está florescendo uma importante cena com muitas cervejarias e taprooms disponíveis para explorar a cultura cervejeira nesse mercado crescente, que representa hoje de 5 a 6% do mercado cervejeiro total do país.

A Hungria é um país com uma história tradicional de vinho e mel, cortado pelo Rio Danúbio, sendo famoso por suas termas. Tem território equivalente ao estado de Santa Catarina e população equivalente à de Pernambuco. O país hoje é o lar de cerca de 120 cervejarias artesanais. Estas cervejarias locais produzem uma grande variedade de cervejas únicas, usando ingredientes locais e receitas seguindo as tendências modernas mundiais.

Havia uma cena cervejeira húngara carregada das cultura alemã e checa e existia uma variedade interessante até a Segunda Guerra Mundial. Mas durante o regime soviético, a Hungria se tornou um dos países mais isolados do mundo, a maioria das pessoas era estritamente proibida de beber qualquer coisa além de álcool de origem estatal. Após o término dessa época, em 1989, a restrição acabou. Isto abriu as portas para o retorno de uma cultura cervejeira.

Na Hungria, algumas das movimentações políticas são feitas em conjunto com as cervejarias pequenas (as que produzem até 200 mil hectolitros de cerveja por ano). Alguns dos meus entrevistados contaram que existem dois grandes marcos na história da cerveja artesanal na Hungria. O primeiro período de desenvolvimento de cervejarias de pequena escala ocorreu no início dos anos 1990. A maioria das empresas da época já fechou, mas há algumas entre as primeiras que não apenas operam, mas são referência até os dias atuais, como a Szent András Sörfózde, com mais de 30 anos.

O segundo marco ocorreu em 2010, com alterações de lei para redução do imposto para as pequenas cervejarias, além de uma legislação específica para produção de cerveja caseira. O mercado interno foi atingido por um choque de oferta, o comércio de matéria-prima também se voltou para a qualidade e isso criou uma revolução na cerveja nacional húngara.

A recente lei Kósa Lajos, de 2020, determina que pelo menos 20% da venda de cerveja dos restaurantes, pubs, lojas especializadas e prateleiras de supermercados dedicados à venda de cerveja, seja destinada à cerveja dos pequenos produtores. É uma outra ação ativa do governo que impacta profundamente o mercado de cerveja artesanal húngaro e com a qual podemos aprender bastante em terras brasileiras.

Como amante de cerveja artesanal, eu estava animada em visitar algumas das cervejarias locais e experimentar algumas de suas melhores cervejas. Decidi visitar cervejarias com diferentes perfis e ver o que elas tinham a oferecer, aproveitando para conversar com especialistas do mercado e, assim, também comparar com o mercado brasileiro de cervejas artesanais.

Para os brasileiros, a participação de mercado de mais de 5% pode parecer um sonho distante, mas o caminho do mercado de craft beer na Hungria também não é fácil. Com uma produção anual de 5.378 milhões de hectolitros, a cerveja húngara mais popular também é tradicionalmente a Light Lager. Com presença das marcas gigantes Borsodi, Dreher, Soproni (do Grupo Heineken), Carlsberg e Pécsi. Apesar da distância entre Brasil e Hungria, os desafios de mudança da cultura cervejeira são parecidos.

A primeira cervejaria visitada foi, na verdade, um brewpub onde conversei com o proprietário Greg Kieckhefer. A Gravity Brewing tem duas produções, uma de 600 litros e uma de 120L, para testes e receitas mais ousadas. Foi fundada em 2018, mas com os problemas da pandemia, só passou a operar nos moldes atuais há um ano e meio.

Apesar de ter sido construída numa antiga estrutura de bunker, o visual e a atmosfera são leves. Possui uma equipe enxuta, mas mesmo assim diversa. Lá, pude degustar cervejas, que apesar da complexidade, se apresentaram extremamente bem executadas e fáceis de beber.

A segunda visita foi à cervejaria First Craft Beer. Fundada em 2017, tem uma estrutura moderna e bastante automatizada, com panelas de 2 mil litros que produzem famosas cervejas de linha. Mas também sempre lança algumas sazonais. A produção anual é de aproximadamente 15.000hl. Conversei com Ádám Sipos, gerente de marca da cervejaria. Com um nível de profissionalismo e atenção aos detalhes surpreendente, a marca tem um foco muito grande no controle de qualidade. Para eles, é imprescindível entregar o mesmo produto para o consumidor final. Com cervejas populares para quem está introduzindo à cultura cervejeira craft como as com adição de mirtilo e de cereja, a empresa considera que essa educação cervejeira vai sendo construída aos poucos.

Visitei também a Mad Scientist, fundada em 2016, que se localiza no complexo de Kőbánya, em Budapeste, um lugar incrível, que foi construído nos séculos XIX e XX. Como o centro da indústria cervejeira nacional, o espaço já foi o lar de várias fábricas famosas (Dreher, Haggenmacher, Ézvény, Polgári, Király etc.). E hoje a Király Beer Brewery, um antigo complexo de edifícios históricos, é o lar das cervejarias Mad Scientist, Horizont e Hoptop. Elas habitam, hoje, parte dos prédios centenários que guardam nas paredes a história do mosto fermentado húngaro. Conversei com Márton Sefcsik, gerente de desenvolvimento de negócios. Márton e o lugar inteiro tinham a energia quase palpável de que eles transbordam o amor pela cerveja artesanal. Foi uma experiência incrível.

A seguir, vou dar uma pincelada sobre as conversas que tive com cada um deles, apresentando três pontos de vista diferentes do mesmo setor, tendo como base perguntas pré-definidas por mim para nortear a pauta. Segue o resumo dessas conversas:

Assim como no Brasil, a Hungria tem uma tradição de consumo e produção de cervejas Light Lager. Como você descreveria o crescimento do mercado de cervejas artesanais no seu país?
Todos lembraram dos marcos na história da cerveja húngara e de como a cultura de vinho e cerveja Lager é muito forte, mas houve uma ruptura com o crescimento do movimento craft e as mudanças de lei. Ádám falou que essa é uma transformação lenta, o consumidor ainda não está preparado para uma mudança muito brusca. Além da limitação financeira, não existe a cultura de gastar mais para beber uma cerveja melhor para a maioria dos húngaros. Greg, da Gravity, por ser dono de um brewpub, consegue ser um pouco mais ousado, possui um público que já entende um pouco mais de cerveja, e como seu atendimento é com contato direto com o cliente, prefere pressionar um pouco mais os iniciantes, para terem experiências que normalmente não teriam. 

Temos uma tendência forte de seguir o que é moda nas cervejarias americanas. O que seria de fato uma produção pensada para o mercado local?
Todos acreditam que não existe ainda. Esse mercado está sendo formado, por isso não existe uma clara linha para uma produção pensada ao mercado local. Para Greg, o uso de alguns ingredientes regionais pode criar o vínculo do consumidor com a cerveja como algo local, mas não necessariamente é o desejo do mercado e sim uma ação ativa das cervejarias de criar esse vínculo.

O que já é feito e o que poderia melhorar para aumentar a cultura cervejeira entre os húngaros?
Os eventos são de extrema importância para a propagação da cultura da cerveja artesanal na Hungria. O primeiro grande evento foi um marco para todos os cervejeiros: o Főzdefeszt (“Fest Brew”) surpreendeu até os organizadores, o festival foi um sucesso. Dizem que 10 mil pessoas compareceram ao longo dos três dias do festival, e as cervejarias acabaram com os estoques previstos para todo o festival na primeira noite. Isso provou que existia uma demanda no país, o fato abriu as portas para novas cervejarias e novos eventos.

Seria possível criar um vínculo de regionalidade com algum tipo de cerveja como o vinho Tokaj1? Como seria essa cerveja?
Márton conta que a Mad Scientist produz bastante braggot, tipo de hidromel feito com mel e malte de cevada, o que poderia ter uma identidade local por conta da cultura do mel no país, mas isso não necessariamente é uma demanda do mercado local, boa parte da produção da cervejaria vai para outros países na Europa.

Meggy sör, a “cerveja de cereja”, é um produto muito popular aqui, por isso se torna uma oportunidade de criar novos entrantes no mercado de cerveja artesanal. Ádám conta que as cervejas com cereja e blueberry da First servem como porta de entrada para muitos consumidores.

Como foi o impacto da pandemia nas cervejarias craft húngaras e o que mudou?
A pandemia teve um grande impacto nas cervejarias artesanais húngara. Assim como no Brasil, várias delas dependiam dos bares e eventos para escoar seus produtos. E tiveram que aprender como fazer a venda direta para os clientes, além de lidar com mais profissionalismo em relação ao marketing, logística etc. Para Greg, a pandemia significou o adiamento da abertura da casa. Então, foi um grande impacto em relação ao tempo para retorno do investimento.

Márton me contou que a Mad Scientist possui uma filosofia muito forte em relação ao impacto social da cervejaria, então, para eles, foi extremamente importante não demitir ninguém nessa fase difícil. Eles estavam um pouco mais preparados que as outras cervejarias, pois desde o começo eles possuem uma forte estrutura para as vendas online. A cervejaria tem um foco forte no e-commerce para toda a Europa, então mantiveram os lançamentos inovadores mesmo durante a pandemia.

Existe uma tendência nas Américas de cervejas com menos álcool. Você acha que isso é realidade também aqui na Europa?
Todos os entrevistados, além de todos os húngaros com quem conversei, não acreditam que essa tendência possa crescer de maneira relevante na Hungria em alguns anos. A cultura do consumo de álcool é muito forte nessa região e isso não deve mudar. Além disso, dentro do nicho da cerveja artesanal, as cervejas com mais álcool são vistas como cervejas de maior valor, de maneira geral. Como ainda está se criando essa cultura de beber produtos de melhor qualidade, levará um tempo para o próximo passo do “beba menos, beba melhor”. Mas todos os entrevistados garantem que têm isso em mente e que muito brevemente pretendem disponibilizar produtos de menor teor alcoólico para o público em geral.

O mercado cervejeiro húngaro também é majoritariamente formado por homens? O que você acha que pode ser feito para trazer mais diversidade?
Para os donos das cervejarias, a diversidade vem sendo construída aos poucos, à medida que algumas mulheres têm se interessado e procurado formação na área. Mas majoritariamente as cervejarias foram formadas por amigos que faziam cerveja em casa, então, a maioria é, sim, masculina. A Hungria não ajuda muito nessa questão, existe uma lei que impede que mulheres realizem trabalhos nos quais seja necessário carregar uma determinada quantidade de peso, o que inviabiliza o carregamento de um Keg cheio, por exemplo, impedindo mulheres de realizarem esse tipo de atividade, muito corriqueira dentro de qualquer cervejaria.

Na Gravity, Greg conta que apesar de ter uma equipe muito pequena, no brewpub, ele acha que a equipe é bastante diversa. São duas mulheres numa equipe de cinco pessoas. Ele costuma fazer análise sensorial com todos da equipe para decisões de futuras receitas e avaliação do próprio produto. Ele reforça que ter diferentes perspectivas e diferentes histórias de vida enriquece muito essas reuniões. E isso se reflete no produto final.


O cenário cervejeiro dos grandes conglomerados é marcado por uma competição ferrenha, como você vê essa competição no mercado craft húngaro?
Assim como no Brasil, algumas das grandes cervejarias criaram algumas receitas que “conversam” com os termos do mundo craft. Ádám vê isso de forma positiva, pois essas cervejas servem para introduzir o cliente no mercado craft. Muitos vão se familiarizando com termos como IPA e Session, o que facilita na hora de eles escolherem na prateleira do supermercado uma cerveja especial para tomar em casa. Mas os mercados são completamente diferentes. E apesar de as cervejarias artesanais estarem disputando dentro de uma fatia pequena de mercado de 5-6%, ainda consideram que o convívio é amistoso.

Existem algumas parcerias locais, vários eventos conjuntos, Além disso, diversas cervejarias possuem taprooms próprios e recebem algumas cervejarias convidadas, fazem receitas colaborativas, etc. Para Mártom “somos como pequenos peixes nadando juntos”.

Mergulhar nesse cenário tão diferente, mas com tantas semelhanças ao mercado de cerveja artesanal do Brasil está sendo uma experiência encantadora. No próximo artigo, falarei um pouco sobre o impacto da guerra da Ucrânia no mercado de cerveja artesanal húngaro e como o país foi fundamental na história da cerveja Pilsen, produzida em grande escala.


1Tokaj é o nome dos vinhos da região vinícola Tokaj, na Hungria, conhecida por seus vinhos doces feitos de uvas afetadas pela terroir local. É um estilo de vinho nobre que tem uma longa história na região, tão importante que é até mencionado no hino nacional da Hungria. E possui regulamentação de controle de qualidade húngaro.


Nadhine França foi a primeira mulher a ocupar a presidência executiva da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), também sendo responsável pela criação e coordenação do Núcleo de Diversidade. É analista de sistemas, cervejeira, beer sommelière, Cicerone Certified Beer Server, juíza internacional de cerveja, organizadora de eventos, concursos e congressos cervejeiros. Hoje mora em Budapeste.