A Ambev anunciou nesta sexta-feira (6) o lançamento da Skol Zero Zero, nova aposta para o segmento de bebidas equilibradas da empresa. Ela estreia a tempo do Carnaval de São Paulo (SP), do qual a marca é patrocinadora. O produto é a primeira cerveja zero açúcar e zero álcool do mercado nacional, segundo a Base de Dados Global de Novos Produtos (GNPD, na sigla em inglês) da Mintel Consulting de 2025. A cerveja também é livre de glúten e possui apenas 12 calorias por lata de 350 ml.
Dani Waks, Vice-presidente de Marketing da Ambev, diz que a criação do produto parte de um olhar interno e externo. “Externo, acompanhando a tendência crescente de consumidores que buscam escolhas mais equilibradas, inclusive na hora de apreciar uma cerveja. E interno, reafirmando a essência de Skol em ser uma marca inovadora, que é sobre diversão, sobre aproveitar os momentos, sobre socialização e brindes. Então, Skol Zero Zero chega para que todos esses momentos aconteçam em mais ocasiões e que sejam ainda mais redondos”.
Onde encontrar
A inovação foca no público que busca moderação sem abrir mão do sabor tradicional da marca. O lançamento ocorre estrategicamente durante o Carnaval paulistano, onde a Skol atua como patrocinadora oficial.
O produto já está disponível nos principais pontos de venda da capital paulista e nos circuitos oficiais da folia de rua de São Paulo. A distribuição nacional deve ocorrer gradualmente após o período carnavalesco.
A novidade amplia o portfólio de escolhas equilibradas da Ambev, que registrou crescimento de 65% no terceiro trimestre de 2025. No segmento específico de cervejas sem álcool, o crescimento foi superior a 20%. A Skol Zero Zero se junta a outros rótulos sem álcool da fabricante, como Brahma Zero, Budweiser Zero e Corona Cero.
Skol Zero Zero: cerveja zero açúcar
A cerveja chama atenção por se encaixar em várias tendências atuais de consumo e utilizar várias técnicas sucessivas de fabricação.
Para gerar uma cerveja zero açúcar, os mestres cervejeiros “forçam” os açúcares da cerveja a se tornem fermentescíveis. Assim, a levedura pode convertê-los em álcool. Em geral, parte desses açúcares “sobram” na cerveja final porque a levedura não dá conta de transformá-los.
“O açúcar é parte natural do processo de produção de toda cerveja e vem dos cereais que são usados em cada receita. Durante a fermentação, esses açúcares são consumidos pelas leveduras, transformando-os em álcool e gás carbônico presentes na cerveja. Em Skol Zero Zero, nosso time de mestres cervejeiros conseguiu aperfeiçoar a técnica de produção para garantir que esses açúcares sejam totalmente transformados em álcool”, explica Valdecir Duarte, Vice-presidente de Supply da Ambev.
Cerveja zero álcool e sem glúten
Depois da cerveja pronta e sem açúcares residuais, os cervejeiros submetem ela a um processo de desalcalização, normalmente feito em equipamentos com câmara de vácuo. Lá, o produto passa por um aquecimento moderado e evapora o álcool. Isso dá origem à cerveja zero que, pela legislação brasileira, deve ter menos de 0,05% — uma quantidade ínfima.
A bebida também é sem glúten. Para chegar nisso, os cervejeiros adicionam enzimas especiais capazes de “quebrar” essa proteína, tornando-a irreconhecível para o organismo de celíacos, intolerantes e alérgicos. Para garantir esse status sem glúten, a bebida deve ter menos de 20 ppm (partes por milhão) dessa molécula.
Como tudo isso, a Skol Zero Zero atinge de 3 calorias por cada 100 ml. Ou seja, 12 calorias por lata de 350ml. O que a posiciona também dentro do segmento de cervejas funcionais como low carb e de baixa caloria.
O Grupo Heineken selou uma parceria de peso para o calendário de rock de 2026: a marca Eisenbahn será a patrocinadora oficial da aguardada passagem do AC/DC em São Paulo. As apresentações da banda de hard rock australiana na POWER UP Tour acontecem nos dias 24 e 28 de fevereiro, além de 4 de março, no Estádio MorumBIS na capital paulista. Será a primeira parada da plataforma da marca Eisen Rock Station em 2026. Ano passado, uma ativação dela trouxe uma série experiências imersivas no The Town em uma estrutura de 225 metros quadrados.
Giovanna Abreu, gerente sênior de marketing da Eisenbahn e Sol no Grupo Heineken, conta que os planos para 2026 envolvem ainda mais impacto. “2025 foi um ano com excelentes resultados e projetos inéditos para a marca. Além da presença no The Town, demos passos muito importantes no território do rock, com atuação no João Rock pelo segundo ano consecutivo e em turnês icônicas como The Offspring e Guns N’ Roses. A recepção da marca pelos espectadores e fãs tem sido muito positiva, e em 2026 teremos experiências ainda mais impactantes”, afirma.
AC/DC em São Paulo
O anúncio do retorno do AC/DC em São Paulo em 2026 foi recebido com um misto de euforia e desespero pelos fãs. Inicialmente, a divulgação de apenas uma data oficial para o dia 24 de fevereiro gerou uma corrida sem precedentes aos canais de venda. Em questão de minutos, a fila virtual acumulou centenas de milhares de pessoas, provando que o hiato de 17 anos só fez aumentar a sede dos brasileiros pelo bom e velho rock n’ roll.
Diante do esgotamento relâmpago, a produção não demorou a agir. O que era para ser uma noite solitária de celebração transformou-se em uma residência prolongada na capital paulista. Foram anunciadas duas datas extras: 28 de fevereiro e 04 de março. Essa estratégia de “back-to-back” no MorumBIS consolidou a capital como o epicentro da POWER UP Tour na América Latina.
AC/DC no Brasil
Falar de AC/DC no Brasil é revisitar momentos que definiram o entretenimento no país. A relação se estreitou em 1985, quando a banda foi um dos destaques da primeira edição do Rock in Rio. Naquela ocasião, o grupo trouxe para o Rio de Janeiro a estrutura faraônica de seus shows internacionais, incluindo o icônico sino de bronze, marcando para sempre a memória de quem estava na Cidade do Rock.
Após a estreia triunfal, a banda retornou em 1996 com a Ballbreaker Tour, apresentando-se em Curitiba e no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. No entanto, foi em 2009 que o Morumbi testemunhou o que muitos consideravam a “despedida” perfeita: a Black Ice World Tour. Sob uma chuva persistente, 70 mil pessoas criaram um mar de chifres luminosos, uma imagem que se tornou cartão-postal da banda.
Power Up em 2026?
O motivo por trás da atual turnê é o álbum Power Up, lançado no final de 2020. Mas por que excursionar com ele apenas em 2026? O disco foi concebido como um tributo póstumo a Malcolm Young, guitarrista rítmico e mentor da banda, utilizando ideias e riffs que ele deixou guardados. É um trabalho de “sangue, suor e lágrimas”, que marcou o retorno milagroso do vocalista Brian Johnson, recuperado de graves problemas auditivos que o afastaram dos palcos antes.
A pandemia de COVID-19 forçou o congelamento dos planos de turnê mundial logo após o lançamento. Contudo, o AC/DC optou por não descartar o conceito de Power Up. Para Angus Young e companhia, não se tratava apenas de promover novas músicas, mas de realizar a turnê de uma reunião que parecia impossível em 2016. Ao chegar ao Brasil em 2026, a banda traz uma produção que amadureceu na estrada e que carrega o peso emocional de ser, possivelmente, a última grande volta ao mundo desses gigantes do rock.
Para fechar este guia especial, consolidamos abaixo as informações cruciais para que o fã não perca nenhum detalhe da passagem do AC/DC em São Paulo. Em uma turnê de tamanha magnitude, a organização é a melhor aliada para aproveitar o espetáculo sem contratempos.
Serviço:
Com os portões abrindo pontualmente às 15h, a recomendação é chegar cedo para evitar os picos de trânsito e as filas de revista, que prometem ser rigorosas.
Cronograma: Abertura da casa às 15h; show de abertura às 19h; AC/DC às 21h
Ingressos: À venda no Ticketmaster. A conferência é 100% digital via aplicativo Quentro. Certifique-se de que o ingresso está carregado no celular antes de chegar às imediações do estádio.
A melhor estratégia para chegar aos shows do AC/DC em São Paulo continua sendo o transporte público. A estação São Paulo-Morumbi (Linha 4-Amarela) funcionará como o hub principal de fãs. A caminhada de aproximadamente 1,5 km até o estádio é o trajeto mais seguro e rápido.
Para quem utiliza aplicativos de transporte, a dica de ouro é se afastar do perímetro imediato do estádio, onde o sinal de internet costuma oscilar e o tráfego de veículos é restrito pela CET.
Há muitos estilos e tipos de cerveja no mundo. São tantos que é comum montar listas para o verão, para o inverno, para quando se chega em casa de um dia cansativo, quando se viaja para a praia ou até mesmo quando o dedão do pé está doendo. São seleções por características comuns que fazem sentido naquele ambiente ou ocasião. Então, como seria uma lista de cervejas para o Carnaval?
O primeiro e mais importante critério é, sem dúvida, a refrescância. E tem tudo a ver com o clima. O Carnaval acontece em pleno verão e “pulando como pipoca” atrás do bloquinho, a temperatura sobe ainda mais. É aí que a mágica acontece. Esse frescor de alguns tipos de cerveja entra como um contraponto. Quando você bebe, chega a ter a sensação que deu um mergulho numa piscina geladinha.
Mas para atingir esse efeito, o mestre cervejeiro elabora a bebida com uma série de características. Uma delas é a leveza. Há tipos de cerveja mais e menos densos, que fazem maior ou menor peso na língua. Nesse caso, tem que ser leve e suave.
Depois, o álcool traz uma sensação de aquecimento quando ingerido. Então, para não gerar esse efeito, o tipo de cerveja ideal é que o teor alcoólico seja baixo. Além disso, como são muitas horas dançando atrás dos trios elétricos, pegar leve no teor alcoólico é o melhor jeito de curtir a festa até o final.
E estar bem geladinha, é claro, conta muito!
Porém, se as cervejas artesanais ensinaram algo, é que não é necessário abrir mão do sabor para ter tudo isso. Há, sim, tipos de cerveja que conciliam refrescância com aromas e sabores mais interessantes.
Lagers e Pilsens
São as cervejas regulares, encontradas nos mercados. E as mais populares do mundo justamente por reunir essas características de maneira exemplar. Mas também são muito delicadas e sofrem muito com condições de transporte e armazenamento inadequados. Se você puder escolher, procure pelas mais frescas — com datas de validade mais distantes.
A marca é a cargo do freguês. Brahma, Amstel ou, se você é das artesanais, a Banho de Mangueira da Cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista (SP). Ela é uma Hoppy Lager, uma versão com mais lúpulo de aroma, tem só 3,9% de álcool e foi lançada no mês passado.
Cervejas de trigo Witbier
Entre os tipos de cerveja mais conhecidos, estão aquelas feitas com trigo. A versão alemã, estilo conhecido como Weizebier ou Weissbier, tende a ser mais encorpada e até adocicada. Já a versão belga, chamada de Witbier, é mais leve e tem notas de cascas de laranja e sementes de coentro, que turbinam a refrescância.
Hoegaarden e Blue Moon são marcas fáceis de encontrar nos mercados, mas várias microcervejarias têm ótimas opções também. A Bodebrown, da capital paranaense, tem a Blanche de Curitiba, por exemplo.
Cervejas saborizadas
Saborizada com limão, cerveja Fliyng Fish é nova aposta da Ambev (Crédito: Divulgação)
São uma tendência bem atual. Marcas como a Flying Fish e Heineken Lager Spritz trouxeram o conceito para o grande público no ano passado, a primeira com limão na receita e a segunda com botânicos. Entre as artesanais, é algo já explorado com frutas, ervas, condimentos in natura ou via extratos há um bom tempo. A Cervejaria Alpendorf, de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, tem a premiada Margherita Gose, cerveja ácida feita com sal rosa, tomate e manjericão — como a pizza.
Cervejas sem álcool
Esse segmento está na moda. Segundo o Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ele cresceu mais de 530% em 2024 e ocupa hoje 4,9% do mercado nacional. Em parte porque o público está mais preocupado com a saúde, mas também por conta das novas tecnologias de produção que trouxeram um sabor melhor do que no passado.
Hoje elas representam uma opção, não uma restrição. Não se limitam a quem está dirigindo ou tem questões de saúde. Passaram a constituir uma alternativa honesta para qualquer momento ou ocasião, inclusive o Carnaval. Um exemplo é o que especialistas estão chamando de consumo zebra — você alterna entre cervejas convencionais e versões sem álcool. Assim, controla melhor o consumo e diminui a quantidade de álcool ingerida, além de se manter hidratado, algo sempre recomendado.https:https://guiadacervejabr.com/13-cervejarias-em-sao-paulo/
Sim! Cerveja Melancia Sour n’ Salt: cerveja brasileira premiada na categoria sem álcool no World Beer Cup, considerada a maior competição mundial (Crédito: Sim! Cerveja / Divulgação)
Heineken 0.0 e Corona Cero são rótulos fáceis de encontrar. A Sim! Cerveja é uma marca artesanal especializada somente nesse tipo de bebida. Foi uma das medalhistas brasileiras em 2025 no principal concurso de cervejas do mundo, o World Beer Cup, realizado nos Estados Unidos. O rótulo Melancia Sour n’ Salt ganhou medalha de ouro em sua categoria. Trata-se de uma cerveja ácida e salgada, do estilo Contemporay Gose, com adição de melancia, trazendo um sabor muito peculiar e muito refrescante. Vale a pena provar.
Cervejas sem glúten
Estão nessa lista por terem corpo ainda mais leve que as convencionais. Isso porque o processo pelo qual passam para “quebrar” o glúten também diminui o “peso” da bebida. Experimente a Amstel Ultra ou Stella Artois Pure Gold. Ano passado, a Salva Craft Beer, sediada em Bom Retiro do Sul (RS), transformou todos os seus rótulos em versões sem glúten. Ou seja, não são só as tipo Pilsen. Há uma grande variedade de estilos à disposição.
O segmento sem glúten cresceu 136,1% no país entre 2023 e 2024. E hoje ocupa 0,46% do total da produção nacional de cerveja, também segundo o Anuário da Cerveja.
Catharina Sour
Campinas IPA zero, multipremiada cerveja sem álcool do estilo India Pale Ale (Crédito: Divulgação)
O primeiro estilo de cerveja brasileiro a constar nos guias internacionais também é uma escolha inteligente para a folia. A cerveja Catharina Sour é ácida, leve, sequinha e refrescante, sempre feita com frutas. Dependendo da escolha, elas também podem impulsionar ainda mais o combate ao calor. A Unika, de Rancho Queimado (SC), faz ótimos rótulos desse estilo. A Morangueira, feita com morango e goiaba, recebeu medalha de prata no Concurso Brasileiro da Cerveja 2025.
Session IPA
As India Pale Ales (IPAs) tem lá sua refrescância, mas o teor alcoólico elevado pode atrapalhar. O estilo permite variação entre 6% e 7,5% de álcool. Então, a melhor solução para os fãs do seu amargor assertivo são as Session IPAs — versões com menos de 5% de álcool. Terezópolis Session IPA, Goose Island Midway e Lagunitas DayTime são boas escolhas fáceis de encontrar.
A Leopoldina Session IPA, de Bento Gonçalves (RS), é também uma excelente artesanal com apenas 4% de álcool. Foi medalhista nos dois últimos Concursos Brasileiros da Cerveja, faturando prata em 2025 e ouro em 2024.
Se a questão é o teor alcoólico, versões sem álcool estão mais do que liberadas. A Campinas IPA Zero, de Campinas (SP), é uma opção bem avaliada pelos críticos. Entre outros prêmios, conquistou ouro e o título “Country Winner Brazil” na etapa nacional do concurso britânico World Beer Awards em 2021 e 2022.
A cervejaria OPA Bier, de Joinville, fechou a aquisição da marca Bierland, associada a Cervejaria Bierland, de Blumenau — ambas de Santa Catarina. O negócio foi concluído em setembro de 2025. Com isso, um plano de reposicionamento da marca já está sendo colocado em prática, com o primeiro lançamento previsto para março deste ano. A empresa de Joinville confirmou as informações em primeira-mão à reportagem do Guia da Cerveja nesta quarta-feira (4).
A operação envolveu exclusivamente a cessão dos direitos da marca Bierland. Segundo a OPA Bier, ficaram de fora do negócio equipamentos, estrutura produtiva, contratos operacionais e passivos da antiga empresa.
Bierland lançou o rótulo Blumenau originalmente em 2012 (Crédito: Divulgação / OPA Bier)
A empresa também desmentiu os boatos de que passaria a fabricar parte dos seus rótulos nas antigas instalações da Bierland. “Todos os produtos sob responsabilidade da OPA Bier seguem sendo integralmente produzidos em sua unidade industrial própria, localizada em Joinville (SC)”, diz a nota oficial assinada pelo diretor industrial Francisco Schmitz. A planta da cervejaria tem capacidade instalada de envase de até 4 milhões de litros por mensais.
Bierland Blumenau, por OPA Bier
O primeiro rótulo da marca que a OPA Bier vai desenvolver, produzir e comercializar já está definido. A Bierland Blumeneu será relançada em latas de 350 ml em março, focando no varejo do segmento puro malte. Esse será o primeiro passo do reposicionamento da marca.
A Bierland lançou a Blumenau originalmente em 2012 em homenagem à cidade. A imagem do rótulo fazia várias referências ao município e o texto contava que ela era baseada em uma antiga receita dos imigrantes alemães que colonizaram a região no século 19.
Uma das marcas mais tradicionais do Brasil
A Bierland interrompeu a produção em novembro de 2024, sendo colocada à venda. Os sócios alegaram motivos particulares, mas admitiram à imprensa na época que o momento desafiador do mercado cervejeiro também pesou na decisão.
A participação da cervejaria na Oktoberfest 2025, no entanto, reacendeu a esperança nos blumenauenses de que a cervejaria voltasse a operar. Ela participou em um dos estandes destinados às cervejarias artesanais da região na 40ª edição da festa.
A cervejaria Bierland é uma das mais antigas marcas do renascimento das cervejas artesanais do Brasil. Ela foi fundada em 2003, apenas um ano depois da também blumenauense Eisenbanh, marca mais conhecida da cidade e hoje parte do portfólio do Grupo Heineken.
Eficiência é um termo amplamente utilizado na administração de empresas. Consiste em fazer melhor o que já se faz, obter maior rendimento com o mínimo de desperdício. E parece que será uma das grandes palavras de ordem em muitas fábricas em 2026. O contexto pede isso, já que as margens estão apertadas de um lado pelos custos fabris e de outro pela baixa capacidade do bolso do consumidor. Mas há também que prefira apostar em novas frentes de atuação como solução para o problema.
De qualquer forma, este ano muitas cervejarias decidiram olhar para dentro, focando em estruturar rotinas consistentes e fortalecer a disciplina operacional para garantir a sustentabilidade do negócio. Essas previsões apareceram no levantamento que o Guia da Cerveja fez no final do ano passado com 21 executivos de cervejarias artesanais brasileiras. Além de pedir um balanço de como foi 2025, a reportagem perguntou sobre as perspectivas para o novo ano.
Eficiência e gestão de longo prazo
Entre as estratégias, a carioca Hocus Pocus, por exemplo, busca aprofundar a combinação entre inovação e excelência, investindo na construção de uma “máquina de vendas” mais eficiente e processos de fabricação mais rigorosos. O objetivo central, segundo o fundador Vinicius Kfuri, é converter o propósito da marca em resultados financeiros sólidos por meio de uma gestão de longo prazo.
“Para 2026, nossa expectativa é aprofundar ainda mais essa combinação entre propósito, inovação e excelência operacional”, diz Kfuri. “Seguiremos com forte foco em disciplina e processos, no fortalecimento do time e na construção de uma máquina de vendas mais eficiente. Ao mesmo tempo, em que estruturamos rotinas cada vez mais consistentes na fábrica”, afirma. “A inovação continua sendo a raiz do nosso negócio. E o amor pela cerveja seguirá guiando nossas decisões, ao mesmo tempo que buscamos sustentabilidade e eficiência de longo prazo”, completa.
Cervejas da Hocus Pocus. (Foto: Divulgação)
Expansão de pontos de venda
Essa busca por rentabilidade também é compartilhada pela cervejaria Quatro Poderes, de Brasília. Ela definiu como meta principal para 2026 o aumento do lucro líquido através da otimização de custos e da expansão estruturada de pontos de venda. “Para 2026 a meta é focar na eficiência operacional para aumentar o lucro líquido e continuar crescendo a base de PDVs e vendas a clientes finais de forma consistente e estruturada”, afirma Marcelo Naves, CEO e fundador.
Entre os que apostam em novas frentes estão marcas como a Mãttu, de São Luiz (MA), que opta por um posicionamento high-end, no qual a identidade e a excelência sensorial valem mais do que o volume produzido.
Para o sócio Daniel Palhano Mourão Lopes, o ano de 2026 será focado em reputação e estratégia, mantendo o modelo de produção cigana (por meio do aluguel de cervejarias para a fabricação da marca). Porém, com uma presença técnica muito mais ativa, além de eventos voltados ao público apreciador.
“Para 2026, mantemos uma perspectiva conservadora na economia, mas otimista no projeto. Seguiremos na ciganagem, estruturando a Mãttu como uma marca high-end, voltada para experiências sensoriais, lançamentos consistentes e presença técnica mais ativa no cenário artesanal”, afirma Lopes.
Segundo ele, a expectativa é ampliar a relevância por meio da participação de debates no setor. Além disso, os planos da cervejaria para 2026 incluem dar os primeiros passos para abrir um bar de artesanais focados em qualidade. “Acreditamos que 2026 será um ano de reputação, estratégia e posicionamento — menos sobre volume, mais sobre identidade e excelência”, afirma.
Expansão de renda
Outras cervejarias buscam estratégias para expandir a renda. A cervejaria Cosvesi, de Hortolândia (SP), por exemplo, planeja se estabelecer na região em 2026. E desenvolver estratégias para aumentar a base de clientes e criar novos canais de venda, de acordo com Lucas Costa, sócio da empresa. A Confraria das Véia, de Marília (SP), pretende expandir a realização de eventos, para aumentar a renda, segundo Denis Silva, proprietário.
Para 2026, a Duas Torres, cervejaria medieval de Petrópolis (RJ), afirma que irá trabalhar para ultrapassar as metas estabelecidas, conforme o sócio Vinicius Agostinho. “Acreditamos que o crescimento e reconhecimento da marca esteja em uma linha crescente. Já traçamos uma meta para 2026 e, paralelamente a ela, iremos trabalhar com novas ações e projetos com o intuito de atingir ou ultrapassar as metas estabelecidas”, diz.
A publicação do Decreto 12.709/2025 no início de novembro do ano passado marca o início de uma nova era para a fiscalização de bebidas no Brasil: a era do autocontrole. O ato, que já está em vigor, também unifica 30 anos de regras que estavam dispersas em dez decretos, para modernizar a fiscalização. Agora, as bebidas e outros itens dessas normas estão sob um único guarda-chuva: o de produtos de origem vegetal.
“O novo regulamento representa a maior modernização já feita na inspeção de produtos de origem vegetal”, explica o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Hugo Caruso, em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja.
“A principal razão para a edição do novo decreto foi a necessidade de regulamentar a Lei 14.515/2022, que modernizou todo o sistema de defesa agropecuária ao instituir o autocontrole como eixo central. Essa lei revogou dispositivos importantes de legislações anteriores e alterou profundamente a forma como o setor produtivo e o Estado devem organizar seus mecanismos de controle”, diz.
Além da entrevista, o Guia contou com a colaboração engenheira química e sommelière de cervejas Chiara Barros e do advogado André Lopes para explicar detalhadamente o que já se sabe das novas regras. Afinal, o novo decreto foi só o começo da mudança. Nos próximos meses, se inicia uma grande fase de normatização complementar que deve trazer muito mais detalhes.
“O antigo decreto já não acompanhava a realidade da indústria, marcada pela expansão do mercado artesanal, pelo surgimento de categorias híbridas, pela pressão por maior transparência e, claro, pela necessidade de harmonizar definições e requisitos com práticas internacionais”, avalia Chiara Barros.
Confira os impactos para a indústria cervejeira e o que será preciso fazer daqui para frente.
A Lei do Autocontrole
A grande novidade do decreto está na mudança de lógica da defesa agropecuária. Agora o produtor é o responsável principal por garantir e provar a qualidade e segurança de seus processos, enquanto o Estado foca a sua fiscalização por meio da análise de risco.
A lógica não é nova e vem da Lei do Autocontrole (14.515/2022), que foi sancionada em 29 de dezembro de 2022. Mas faltava a regulamentação e os ajustes do setor, que vieram em parte com o novo ato.
O modelo de fiscalização novo também vai valorizar quem trabalha certo, explica Caruso. “A fiscalização orientada por risco significa que estabelecimentos com histórico de não conformidade poderão ser priorizados nas auditorias. Ou seja, transparência e consistência serão ainda mais valorizadas”.
“Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante manter-se rigorosamente em dia com todas as obrigações legais e regulamentares junto ao MAPA. Além de reduzir a probabilidade de ser priorizado em fiscalizações orientadas por risco, a condição de primariedade impacta diretamente na dosimetria das sanções, permitindo a aplicação de penalidades menos gravosas e, nos casos de infrações leves, a substituição da multa por advertência, benefício reservado exclusivamente a quem não é reincidente”, pontua André Lopes.
Rastreabilidade rigorosa
A rastreabilidade deixa de ser “boa prática” e vira obrigação legal auditável, motivada pelas recentes crises de segurança alimentar. Segundo André Lopes, o decreto dedica uma seção inteira à rastreabilidade (Art. 122). A regra de ouro é: todos os registros de produção, movimentação e insumos devem ser mantidos e auditáveis por 18 meses.
No caso da cerveja, isso exige maior controle sobre ingredientes, processos e lotes. A ênfase é no combate à fraude, explica Hugo Caruso. “Todas as cervejarias — pequenas, médias ou grandes — terão de demonstrar de maneira mais robusta o controle de seus processos”.
“A rastreabilidade passa a ocupar papel central na rotina das cervejarias, que devem manter organizada e acessível toda a documentação relativa à aquisição de insumos e à sua procedência, priorizando fornecedores confiáveis e capazes de comprovar a origem dos produtos. Diante desse cenário, não apenas o controle, mas também o registro documental de todas as etapas de produção e pós-produção ganha relevância, preferencialmente acompanhado de laudos que atestem a qualidade e a conformidade dos produtos”, observa André Lopes.
O Art. 117 do novo decreto exige claramente programas sistematizados e auditáveis. Chiara Barros esclarece o que deve constar em um programa de autocontrole: “avaliação de riscos, fornecimento de matérias-primas, monitoramento e verificação dos fornecedores, a gestão e controle de documentos, dentre outros itens”.
Definições, inovação e rotulagem
Mas houve mudança na definição de cerveja, no que pode ou não conter nela? Nesse momento, não. A definição clássica se mantém e os Padrões de Identidade e Qualidade (PIQs) continuam os mesmos.
A nova lógica do decreto, no entanto, reduz “áreas cinzentas” de interpretação, abrindo espaço para categorias híbridas e inovadoras, como fermentados de vegetais — como bebidas baseadas no caium, de mandioca —, bebidas mistas e outros, diz Chiara Barros.
Hugo Caruso esclarece que as categorias inovadoras, como novos fermentados vegetais, poderão ser regulamentadas conforme demanda tecnológica, científica e de mercado. “Esse detalhamento começará a ser feito na fase pós‑decreto, em diálogo com o setor produtivo e com base em referências nacionais e internacionais”.
André Lopes destaca ainda que há a exigência de maior clareza dos rótulos para evitar erro do consumidor. “Os rótulos precisarão ser claros, legíveis, em língua portuguesa e com informações corretas e completas. Elementos gráficos que possam induzir o consumidor ao erro — como imagens que sugiram propriedades terapêuticas — estão expressamente proibidos”. As alterações do decreto entraram em vigor na data da publicação, mas há prazo de 730 dias para adequação das informações de registro de bebidas que tiverem alteração de denominação.
Multas e declaração de produção
As penalidades mudaram e ficaram mais elásticas, dependendo do tamanho da cervejaria. O valor base, por exemplo, era R$ 2 mil. Agora, pela Lei do Autocontrole, começa em R$ 100. Mas o teto subiu para R$ 150 mil, aplicado proporcionalmente ao porte da empresa, explica o advogado.
Já a Declaração de Produção perdeu a rigidez da data limite de entrega em “31 de janeiro” no texto do decreto. Se atrasar, é considerada uma infração moderada. No entanto, ela continua sendo um instrumento importante para as estatísticas do setor, como as publicadas no Anuário da Cerveja do Mapa.
Programa de Incentivo e novas normas
Nos próximos meses, se inicia uma grande fase de normatização complementar, com o Mapa publicando portarias que vão detalhar vários aspectos, como autocontrole, rastreabilidade, recall, rotulagem e padrões específicos para produtos e categorias, além da atualização dos Padrões de Identidade e Qualidade (PIQs).
O decreto também prevê a criação de um Programa de Incentivo à Conformidade, que deve estimular boas práticas e reconhece empresas que adotam processos robustos e transparentes. Segundo Caruso, ele terá sua regulamentação própria, definindo critérios de adesão e formas de reconhecimento.
O acordo Mercosul-UE pode redesenhar a dinâmica da indústria cervejeira nas próximas décadas ao trazer desafios e oportunidades para o setor. O tratado pretende liberar de taxas de importação e exportação um mercado composto por 720 milhões de pessoas — 450 milhões na União Europeia e cerca de 295 milhões no Mercosul — gerando um misto de cautela e otimismo na indústria brasileira de bebidas.
Para o setor cervejeiro, o impacto não será imediato, mas exigirá uma adaptação estrutural profunda de grandes indústrias e produtores artesanais, segundo especialistas consultados pela reportagem do Guia da Cerveja.
Mercosul-UE: quase três décadas de negociações
O acordo Mercosul-UE foi assinado em 17 de janeiro, no Paraguai, após 26 anos de negociações. Mas, para entrar em vigor, precisaria passar por aprovações nos parlamentos locais, incluindo o Congresso brasileiro.
Em 21 de janeiro, o Parlamento Europeu remeteu o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para verificar a legalidade dos termos — alguns países temem a competitividade com as commodities brasileiras e os detalhes do acordo, como salvaguardas caso os produtores locais sejam prejudicados, precisaram ser revistos.
Na prática, isso paralisou a tramitação até que os juízes emitam um parecer sobre o documento.
Enquanto o mercado aguarda o desenrolar dessas novas etapas, especialistas já traçam possíveis ganhos para a indústria cervejeira nacional quando as tarifas forem reduzidas. Seja pelo ganho de competitividade, pelo acesso a insumos mais baratos ou pela oportunidade de exportar “brasilidades” cervejeiras e despontar neste mercado tão competitivo.
O longo caminho para a tarifa zero
O acordo Mercosul-UE estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, integrando mercados que representam cerca de um quarto do Produto Interno Bruto global.
Para setores considerados sensíveis, como o de bebidas, o cronograma prevê uma transição gradual que pode durar até 15 anos, permitindo que a indústria nacional se adapte ao novo ambiente competitivo antes da isenção total de impostos.
Jackson Campos, especialista em comércio exterior, explica que as taxas de importação e exportação vão diminuir progressivamente, até atingirem o zero. O prazo estimado é de algo em torno de 15 anos, o mesmo para o mercado de vinhos e outras bebidas. No entanto, isso aconteceria após o acordo entrar em vigor oficialmente, ou seja, tramitar pela Justiça Europeia e passar pelos parlamentos dos países envolvidos, processo que pode demorar alguns anos.
Essa lenta transição funciona como uma salvaguarda indireta para a indústria nacional, segundo Campos, que poderá se preparar para a entrada de novos produtos e também se organizar para exportar.
“Isso significa que a concorrência para a cerveja nacional tende a crescer, mas não tanto a ponto de acelerar o processo, pois se abre em fases e ao longo de vários anos”, afirma.
Gargalos brasileiros
No entanto, Campos destaca que o acordo revisita fraquezas estruturais claras, como a enorme carga tributária interna e gargalos logísticos. Além disso, em um contexto de consumo reduzido, o aumento da concorrência deve pressionar as margens e forçar um reposicionamento das marcas brasileiras.
“O acordo apresenta tanto desafios quanto oportunidades para a indústria brasileira. É um desafio porque revisita fraquezas estruturais claras no setor em questão, como uma enorme carga tributária interna, logística e eficiência reduzida em certos elos da cadeia. Por outro lado, é uma oportunidade, porque faz o setor acelerar ganhos de produtividade, desenvolvimento de portfólio, até mesmo diferenciação de marca, o que tantas cervejarias nacionais, incluindo as artesanais já fizeram”, afirma.
Gargalos na estrutura podem atrapalhar a indústria nacional no novo acordo Mercosul-UE (Crédito: Paul Teysen / Unsplash)
Segundo Campos, o prazo para a eliminação total das tarifas sobre a cerveja é provavelmente no intervalo mais longo do acordo Mercosul-UE, próximo a 15 anos, semelhante ao utilizado para vinhos e outros produtos considerados sensíveis. O especialista afirma não haver evidências de que a cerveja terá um período mais curto ou um tratamento preferencial, nem evidências de que será excluída da liberalização final.
Identidade brasileira
Se, por um lado, a importação de rótulos europeus deve crescer, especialmente no segmento premium, por outro, abre-se uma porta para o Brasil levar sua “assinatura” ao Velho Continente.
O sucesso na Europa, contudo, não virá pela disputa de preço ou volume em estilos tradicionais, mas pela diferenciação. Carol Sanchez, analista da Levante Inside Corp aponta que o mercado europeu é maduro e possui uma cadeia extremamente eficiente. Mas pode abrir espaço para o exótico, desde que os produtos tenham história, origem e identidade.
Segundo a analista, o caminho para o sucesso internacional passa por três pilares: o uso de ingredientes tropicais e regionais, a aposta em cervejas leves premium com potencial de escala e o investimento na categoria de baixo teor alcoólico ou sem álcool, que atende à tendência global de moderação.
“Se a cerveja chega lá com um padrão alto, com uma proposta clara, com uma boa distribuição, dá para construir essa presença. Principalmente em bares especializados, lojas premium, eventos de cerveja artesanal”, afirma.
Ganhos na cadeia de suprimentos
Apesar da pressão competitiva na prateleira, a indústria pode colher frutos significativos na parte de trás da fábrica. A redução gradual de tarifas sobre máquinas, equipamentos, garrafas e rótulos tende a reduzir os custos de modernização e expansão. Esse ponto é especialmente vital para as pequenas e médias cervejarias, que hoje lidam com equipamentos importados caros e altamente tributados.
Para Jackson Campos, o saldo geral do acordo Mercosul-UE deve fortalecer uma cadeia mais integrada e voltada à qualidade. “O acordo remove obstáculos, mas o sucesso depende da estratégia das empresas”. Embora a ameaça de rótulos europeus mais baratos no segmento premium exista, a concorrência é vista como um motor para elevar o nível técnico e a inovação do mercado local.
Desafio: taxação sobre o álcool
Embora o acordo abra portas significativas para a indústria nacional, Carol Sanchez alerta para a taxação sobre bebidas alcoólicas na Europa. Segundo a analista, existe uma carga tributária relevante sobre álcool — diferente da taxa de importação, que é o foco do acordo.
Ela afirma haver impostos especiais, além de exigências regulatórias específicas do setor. “Eu diria que o acordo melhora o cenário, abre portas, mas a exportação não deveria explodir só por conta disso”, afirma.
Enquanto o acordo Mercosul-UE tramita na Justiça europeia e deve passar pela regulamentação nos países envolvidos, a indústria pode aproveitar para se preparar para este novo cenário que, cedo ou tarde, se tornará uma realidade para o bloco.
Categoria de Cerveja
Potencial de Exportação (UE)
Desafios Principais
Ativos de Competitividade
Estilos clássicos (Lagers/Ales)
Baixo
Concorrência direta com grandes grupos europeus consolidados e escala produtiva superior.
Eficiência produtiva e baixo preço para consumo de massa.
Artesanais com identidade brasileira
Muito alto
Manutenção de padrão de qualidade, regularidade de lotes e adequação a normas sanitárias rígidas.
Uso de frutas nativas, leveduras regionais, biodiversidade e narrativa de origem.
Baixo teor alcoólico ou zero álcool
Crescente
Necessidade de alta tecnologia para manter o sabor e equilíbrio sensorial sem o álcool.
Alinhamento com a tendência global de saudabilidade e moderação de consumo.
Segmento Premium / Super Premium
Médio
Pressão de margem devido aos custos logísticos, tributários e variação cambial.
Valor agregado, diferenciação de marca e apelo sensorial superior.
Durante muito tempo, a gestão de risco na indústria de bebidas foi tratada como um conceito abstrato, frequentemente confundido com listas de verificação, auditorias pontuais ou exigências de certificações específicas. No entanto, o cenário atual no Brasil indica uma mudança clara: gestão de risco deixou de ser uma boa prática opcional e passou a ser uma expectativa regulatória concreta, especialmente no contexto dos Programas de Autocontrole exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Essa mudança não ocorre de forma isolada. Ela está alinhada tanto a eventos recentes envolvendo falhas graves na cadeia de bebidas quanto a um movimento regulatório mais amplo reforçado por atualizações normativas como o Decreto nº 12.709 de 2025, que reorganiza e fortalece o marco regulatório do setor de bebidas no Brasil.
Entendendo o escopo da gestão de risco
E na prática, o que significa a gestão de risco em bebidas?
Gestão de risco não se resume a identificar perigos isolados, mas a avaliar sistematicamente onde e como o processo pode falhar, quais seriam as consequências dessas falhas e quais controles são necessários para evitá-las ou mitigá-las. No contexto da indústria de bebidas, isso envolve riscos de diferentes naturezas:
riscos à segurança do produto (químicos, microbiológicos e físicos);
O ponto central é que nem todos os riscos têm a mesma probabilidade ou impacto, e é exatamente essa priorização que diferencia uma gestão de risco madura de um conjunto genérico de procedimentos.
O programa de autocontrole e o rigor regulatório
E agora preciso abordar um assunto que deveria fazer parte da rotina das cervejarias, porém pouco discutido e colocado em prática: o Programa de Autocontrole (PAC). Mais do que a simples existência documental, o MAPA tem exigido que os programas:
sejam coerentes com a realidade operacional da planta;
demonstrem lógica de risco na definição de controles;
apresentem registros consistentes e verificáveis;
estejam integrados às decisões operacionais da empresa.
Na prática, isso significa que programas genéricos, copiados ou desconectados do processo real têm se mostrado insuficientes. A lógica do autocontrole é clara: a responsabilidade primária pela segurança e conformidade do produto é da empresa, e não do órgão fiscalizador!
A publicação da Lei nº 14.515 de 2022 consolidou esse entendimento ao estabelecer que a fiscalização oficial deve atuar de forma mais estratégica e baseada no risco, avaliando a probabilidade e a severidade.
O PAC deve estar documentado com a política de qualidade, boas práticas, registros auditáveis de todo processo, monitoramento e ações corretivas e preventivas , treinamento de funcionários, frequência analítica, plano de recolhimento de produtos, gerenciamento de resíduos e avaliação dos perigos para mitigação. (BRASIL, 2022)
Para o setor de bebidas, essa lei reforça um ponto fundamental: não basta cumprir requisitos mínimos, é necessário demonstrar capacidade técnica de controle.
Essa abordagem aproxima o Brasil de modelos já consolidados em outros mercados, onde a fiscalização se concentra nos pontos de maior vulnerabilidade, e não em inspeções aleatórias ou reativas.
O Decreto nº 12.709 de 2024 não introduz o conceito de gestão de risco de forma explícita, mas o pressupõe em toda a sua estrutura. Ao reforçar responsabilidades, critérios de registro, classificação e controle, o decreto exige que as empresas tenham domínio técnico sobre seus processos.
Maturidade técnica e tomada de decisão estratégica
Na prática, cumprir o decreto sem uma abordagem estruturada de gestão de risco torna-se cada vez mais difícil. A correta classificação de produtos, o atendimento aos padrões de identidade e qualidade, a rastreabilidade e a consistência dos registros dependem diretamente da capacidade da empresa de identificar e controlar seus pontos críticos. (BRASIL, 2025)
Embora ferramentas como o APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) continuem sendo fundamentais, são praticamente inexistentes em cervejarias. Contudo, a gestão de risco moderna vai além do APPCC. Ela incorpora uma visão mais ampla que integra:
análise de perigos clássica;
avaliação de falhas operacionais recorrentes;
riscos associados a fornecedores e matérias-primas;
impacto de mudanças de processo ou de receitas;
vulnerabilidades humanas e organizacionais.
“Em última análise, a transição para uma gestão de risco robusta não é apenas uma resposta à pressão regulatória, mas o alicerce estratégico para a segurança, a qualidade e a longevidade de qualquer indústria de bebidas no cenário atual”
Essa abordagem integrada é especialmente relevante em cervejarias e indústrias de bebidas de pequeno e médio porte, onde decisões técnicas e operacionais muitas vezes se concentram em poucas pessoas. A ausência de uma visão estruturada de risco aumenta a dependência de conhecimento tácito e reduz a resiliência do sistema.
Um dos ganhos menos discutidos da gestão de risco é seu papel como ferramenta de decisão. Quando se compreende quais riscos são mais críticos, a empresa consegue priorizar investimentos, definir treinamentos estratégicos e evitar soluções improvisadas.
No contexto atual, em que o MAPA tem intensificado a cobrança por autocontroles efetivos, essa clareza se torna um diferencial competitivo. Empresas que demonstram domínio técnico de seus riscos tendem a enfrentar menos não conformidades, menos autuações e menos interrupções operacionais.
A gestão de risco na indústria de bebidas deixou de ser um conceito teórico ou uma exigência distante. Ela se consolidou como um elemento central da conformidade regulatória, especialmente após o fortalecimento dos Programas de Autocontrole exigidos pelo MAPA.
Mais do que atender à legislação, adotar uma abordagem estruturada de gestão de risco significa construir processos mais robustos, previsíveis e seguros. Em um setor cada vez mais pressionado por exigências legais, fiscalização baseada em risco e maior exposição pública, essa maturidade técnica não é apenas desejável, é essencial!
Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.
* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.
O Great American Beer Festival (GABF) terá uma mudança histórica em 2026 ao trocar o centro de convenções pelo ambiente do Levitt Pavilion, em Denver (EUA), um anfiteatro ao ar livre. O evento será realizado nos dias 10 e 11 de outubro das 12h às 16h, marcando uma nova era para a maior celebração da cerveja artesanal do país — e uma das maiores do mundo. É a primeira vez em 43 anos de história que ele será realizado em espaço aberto.
Segundo Ann Obenchain, vice-presidente da Brewers Association, levar o festival para o exterior permite reimaginar a experiência com uma energia renovada e tipicamente coloradense. “O Great American Beer Festival sempre refletiu a direção que a cerveja artesanal americana está tomando”, diz.
A nova sede, localizada no bairro de Ruby Hill, oferece amplos espaços verdes, vistas panorâmicas da cidade e um anfiteatro que integrará música ao vivo às degustações. A mudança atende aos pedidos do público por um evento mais imersivo, onde amigos possam se reunir no gramado para descobrir novos rótulos.
Mesmo com o novo cenário, o Great American Beer Festival mantém sua essência, segundo a organização, com centenas de cervejarias e milhares de bebidas premiadas em exibição. O evento também contará com uma versão evoluída do PAIRED, seu famoso braço de gastronomia e harmonização. Os ingressos começam a ser vendidos em junho de 2026, com preços a partir de 60 dólares, e os interessados podemse cadastrar para alertas no site oficial.
CBCTEC encerra inscrições com valores promocionais neste sábado
O Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC) entra em sua reta final e encerra o período de inscrições com valores promocionais neste sábado (31). O evento, que integra a programação da Brasil Brau 2026, será realizado de 9 a 11 de junho no São Paulo Expo, em São Paulo (SP), consolidando-se como um dos principais fóruns de discussões técnicas do setor na América Latina.
Com curadoria da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), a programação deste ano destaca-se pelo forte peso internacional, trazendo especialistas renomados como Bob Pease, da Brewers Association, que abordará a resiliência do mercado americano, e Kyle Roderick, com foco em tecnologia e engajamento digital. Entre os destaques globais estão ainda Laura Burns, discutindo a genética de leveduras para turbidez de Hazy IPAs, e Tin Kocijan, que apresenta estudos avançados sobre microbiologia em envelhecimento em barris. A diversidade cultural também ganha palco com Apiwe Nxusani-Mawela, que traz da África do Sul a história da Tolokazi, e Marcelo Cerdan, apresentando inovações em leveduras secas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis no site oficial.
Cerveja Praya e Pacto Global da ONU contra poluição
A Cerveja Praya, do Rio de Janeiro (RJ), anunciou parceria com o programa Blue Keepers do Pacto Global da ONU para combater a poluição marinha. A marca apoiará o Inventário Nacional de Resíduos para gerar dados sobre o lixo em bacias hidrográficas. A iniciativa integra a plataforma Proteja Sua Praya, que também auxilia reservas de surf no litoral brasileiro. Segundo o CEO Felipe Della Negra, a ação reflete o compromisso de preservação da marca que nasceu inspirada no oceano. A cerveja Praya pertence ao portfólio da Better Drinks, ecossistema de negócios de impacto do Grupo Heineken.
Heineken questiona bolhas digitais em nova campanha
A Heineken lançou em São Paulo (SP) a campanha Algoritmo para incentivar as pessoas a saírem de suas zonas de conforto digitais. O filme publicitário utiliza o humor para mostrar como encontros inesperados na vida real superam a previsibilidade das redes sociais. A marca reforça o compromisso com conexões humanas genuínas fora das telas. Nabil Nasser, executivo global da marca, afirma que o objetivo é estimular a descoberta de lugares e pessoas diferentes.
Festival All Beers Sessions chega ao Alto da Boa Vista
O Espaço Escandinavo, em São Paulo (SP), recebe a edição de verão do All Beers Sessions no sábado (7). O festival open bar terá mais de 60 cervejarias nacionais e internacionais com chopes, garrafas e latas. O evento conta com opções gastronômicas variadas, como hambúrgueres e ostras, além de discotecagem do DJ Pilha. Os ingressos de lote único incluem copo personalizado e estão disponíveis para venda online.
Estrella Galicia assume naming rights do GP do Brasil
A Estrella Galicia 0,0 será a patrocinadora oficial do Grande Prêmio do Brasil de MotoGP, que retorna ao país após 22 anos. A etapa será realizada no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO), marcando a estreia do brasileiro Diogo Moreira na categoria principal. O presidente Ignacio Rivera destaca que o Brasil é um mercado estratégico para a expansão internacional da cervejaria espanhola. Uma promoção nacional levará fãs para uma experiência VIP com acesso aos bastidores. Confira o regulamento no site oficial.
A Amstel Ultra marcou seu retorno ao Big Brother Brasil em São Paulo (SP) assinando a segunda prova do líder da edição. A dinâmica na gangorra destacou os atributos da cerveja, que possui 30% menos calorias e não contém glúten. A estratégia foca no público que busca um estilo de vida ativo sem abrir mão da socialização. Fernanda Saboya, diretora do Grupo Heineken, explica que o reality é uma vitrine essencial para apresentar inovações de consumo.
Joy Project Brewing realiza esquenta para Zombie Walk
A Joy Project Brewing promove neste sábado (31) um evento gratuito em seu bar da fábrica, em Curitiba (PR), com shows de rock, gastronomia e o anúncio da Living Dead, West Coast IPA oficial da 17ª Zombie Walk Curitiba. A programação começa às 14h com as bandas Expresso 42 e Live Transmission, oferecendo o segundo chope de presente para adultos fantasiados e espaço kids para as famílias. O novo rótulo, com 7,2% de teor alcoólico, será lançado oficialmente durante a Zombie Walk Curitiba no dia 15 de fevereiro.
Bodebrown celebra rock e premiada Wee Heavy no Growler Day
A Bodebrown encerra a programação de janeiro neste sábado (31) com o Growler Day em sua fábrica no Hauer, em Curitiba (PR), apresentando o lançamento da nova safra da premiada Wee Heavy, ícone do estilo Strong Scotch Ale. O evento gratuito ocorre das 9h às 18h e conta com shows de Marcela Juk e Bon Jovi Cover Brasil, além de um cardápio inspirado na gastronomia belga e o tradicional Café da Manhã Solidário mediante doação de alimentos. Os interessados podem ainda realizar visitas guiadas com degustação direto da fonte.
Aventura barbecue agita Brotas com churrasco e cerveja artesanal
A cidade de Brotas (SP) recebe no sábado (7) o “Aventura Barbecue – Onde o Lúpulo encontra o Fogo” na Villa Vicentina, das 14h às 22h. O evento oferece quatro horas de open churrasco com técnicas de fogo de chão e defumação preparadas por chefs como Rodrigo Leandro e Adriano Geleia. O público também aproveita oito horas de open chope com rótulos de cinco cervejarias, incluindo a Aventura Líquida, realizadora do evento, além de Brota Beer, Cultiva, Cia 6 e Vitruviana. A programação musical conta com cinco bandas e uma atração surpresa para animar os visitantes. Os ingressos estão disponíveis no site oficial.
Amstel e Águia de Ouro celebram Carnaval de São Paulo
A Amstel se uniu à escola de samba Águia de Ouro para o Carnaval de São Paulo (SP) em 2026, com um enredo que homenageia a liberdade de Amsterdã. Cecília Bottai, do Grupo Heineken, afirma que a parceria reconhece o samba como território legítimo de identidade e união. Jaqueline Meira, diretora da escola, ressalta que a comunidade nasceu da criatividade e do espírito coletivo, assim como a cidade homenageada. Os ensaios ocorrem todos os domingos na quadra da Pompéia até este domingo (25).
Brewteco lança edital para apoiar blocos de rua no Rio de Janeiro
A rede de bares Brewteco estruturou um edital inédito para apoiar blocos de rua independentes no Rio de Janeiro (RJ) durante o Carnaval. Em parceria com a Estrella Galicia, a iniciativa selecionou grupos como Chame Gente, Sinfônica Ambulante e Urubuzada para valorizar a cultura popular carioca. O objetivo é estabelecer um modelo transparente de patrocínio que fortaleça os laços com os organizadores locais e o cotidiano dos bairros. A marca busca uma conexão orgânica com o território, transformando a festa em uma plataforma contínua de relacionamento cultural. O movimento sinaliza uma nova tendência de apoio privado às manifestações artísticas da cidade.
Falta cerca de um mês para o Festival Brasileiro da Cerveja 2026 em Blumenau (SC), o mais tradicional evento do setor no Brasil. E os preparativos estão acelerados para receber o público entre 4 e 7 de março no Parque Vila Germânica. Este ano, as novidades vão de novos nomes à reorganização da gestão, mas tudo num espírito de continuidade do que já foi plantado em 2025. E com direito a um resgate daquele clima dos bons tempos do evento.
“A atmosfera remonta aos primeiros anos do encontro em Blumenau”, diz Carlo Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) ao descrever o Degusta Cervejas do Brasil, do qual é um dos organizadores. Esse é o novo nome do evento que segue o modelo de degustação livre inaugurado ano passado. Ele foi inspirado em grandes eventos internacionais, como o Great American Beer Festival (GABF), dos Estados Unidos, no qual o participante paga o ingresso e degusta uma grande variedade de cervejas em estandes padronizados das cervejarias. E com a oportunidade de trocar experiências com os donos de cervejarias e cervejeiros, lembrando os primeiros eventos de cerveja artesanal na cidade.
E este ano o Degusta promete ser grande também. Ele vai contar com 200 cervejarias de 15 estados, somando cerca de 900 rótulos diferentes. “É o maior encontro cervejeiro da América Latina, sem a menor sombra de dúvidas”, diz Bressiani.
Há novidades também no Concurso Brasileiro da Cerveja, que já recebeu até agora 80% mais inscrições que no ano passado. A primeira é a inclusão da Manipuera Selvagem entre os estilos brasileiros da competição. A segunda é o aprofundamento da parceria com o concurso britânico World Beer Awards (WBA).
Na entrevista abaixo, Bressiani também fala da nova organização na gestão dos eventos. O Festival Brasileiro da Cerveja, a grande festa com shows e cervejas compradas por doses, fica sob a batuta da Prefeitura Municipal de Blumenau, que já tem a expertise da Oktoberberfest no currículo. A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) e a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja (ABCBC) ficam focadas nos eventos mais dedicados tecnicamente ao mercado cervejeiro.
As inscrições para o 14º Concurso Brasileiro de Cervejas estão chegando ao final. Como está o saldo até agora?
As inscrições estão 80% acima dos números do ano passado, no mesmo espaço de tempo. Sabemos que muitas cervejarias acabam deixando para os últimos dias, então nossa expectativa é de uma reta final com muita demanda — e estamos com o time preparado para atender os profissionais que precisarem de suporte nestes próximos dias.
O último lote encerra no sábado, dia 31 de janeiro. Mais informações e inscrições estão disponíveis no site oficial. Lá também é possível encontrar a Galeria dos Campeões, uma novidade que organizamos este ano e que honra as cervejarias que fizeram história nas 13 edições anteriores do Concurso.
Quais são as novidades para a competição esse ano?
Temos duas grandes novidades. A primeira é o aprofundamento da parceria com o WBA. Já tínhamos estreitado os laços com eles na edição de 2025 e agora teremos ainda mais vantagens para as marcas brasileiras no maior concurso do mundo, que apoia oficialmente o Concurso Brasileiro de Cervejas. A segunda é a inclusão da Manipueira Selvagem como um estilo brasileiro que será avaliado pelos jurados.
Penso que tão importante quanto o que temos de novo é o que se mantém e se aprimora. Neste sentido, nós temos a continuidade do nosso Conselho Consultivo, que é um dos nossos maiores motivos de orgulho, porque mostra nossa transparência em relação a todas as decisões tomadas no concurso. Isso vale desde a escolha de juízes, que passa pelo conselho, até a inclusão de novos estilos.
Qual o grande diferencial do concurso em relação às demais competições do mercado?
Entendo que o primeiro grande diferencial é da porta para dentro, com a transparência na organização. Nós temos a transparência como um valor muito importante. O Concurso Brasileiro de Cervejas é, desde que foi lançado, um marco muito importante para o mercado cervejeiro brasileiro e nós queremos que ele siga assim. Por isso ele é construído a tantas mãos, com o mercado muito presente e atuante.
E mercadologicamente falando, o Concurso Brasileiro de Cervejas é o mais tradicional, antigo e reconhecido do Brasil. Conquistar uma medalha em Blumenau vale muito e o mercado sabe disso.
O festival sofreu uma reorganização este ano. Como fica o evento principal e os secundários a partir de agora?
Nós temos um grande guarda-chuva que chamamos de Festival Brasileiro da Cerveja. Dentro dele, temos o evento que iniciou toda essa programação, que é o Festival Brasileiro da Cerveja. Ele retorna esse ano para a organização da Prefeitura Municipal de Blumenau e ao formato que consolidou sua realização: serão cerca de 40 cervejarias, música e gastronomia. O ingresso dá acesso ao local e o consumidor pode escolher o que comprar. Estamos muito felizes com isso porque a organização será a mesma de eventos como a Oktoberfest, que está apresentando um nível de experiência aclamado pelo público. Temos certeza que isso vai reverberar também na comunidade cervejeira.
Já o Degusta Cervejas do Brasil estreia com esse nome em 2026, mas, na prática, é o modelo de evento que testamos em 2025 com muito sucesso. São cerca de 200 cervejarias, com no máximo quatro estilos. É o maior encontro cervejeiro da América Latina, sem a menor sombra de dúvidas. Com um ingresso, o consumidor tem a degustação livre de cerca de 900 rótulos diferentes.
O Concurso Brasileiro de Cervejas segue com o mesmo padrão de 2025. A Feira da Tecnologia Cervejeira é bianual, então volta a acontecer em 2027.
Temos ainda o Seminário Técnico Internacional, com vendas de ingressos abertas o site oficial e tem como tema Cerveja do Futuro. Temos algumas trilhas em que conversamos sobre assuntos que impactam o mercado hoje e vão repercutir ainda mais no futuro.
Por fim, no Circuito Cervejeiro, temos uma agenda de programações que acontecem na cidade, conectadas com o tema e com os eventos, mas com organização independente. A ideia aqui é que, quem vier para a cidade para o evento, possa ter acesso a uma programação técnica (com provas para certificações, por exemplo) e também de entretenimento (como brassagens, harmonizações e degustações).
Quais os motivos dessa mudança no Festival Brasileiro da Cerveja?
“A atmosfera remonta aos primeiros anos do encontro em Blumenau. Mas também amplia essa percepção a uma nova experiência com a degustação livre. É realmente uma celebração à cerveja brasileira”
Carlo Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte as respeito do Degusta Cervejas do Brasil
Em relação ao retorno da organização do Festival Brasileiro da Cerveja para a prefeitura de Blumenau, o grande motivo é a expertise. Com cases de sucesso inegável, como a Oktoberfest, nós entramos em um consenso de que um evento com o perfil mais popular como o Festival Brasileiro da Cerveja seria melhor gerido desta forma. E a ESCM e a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja focam nos eventos mais dedicados tecnicamente ao mercado cervejeiro.
O que o público pode esperar do Festival Brasileiro da Cerveja 2026 e do Degusta?
O Festival Brasileiro da Cerveja 2026 será um evento como nunca tivemos antes. A Prefeitura de Blumenau planeja um palco inédito, bandas de rock, gastronomia internacional e muitas cervejarias incríveis para o público poder degustar conforme seu desejo.
Já o Degusta vai ser uma experiência incrível, como já foi em 2025 e com várias melhorias de estrutura já pensadas para este ano. É um evento único na América Latina. Poder degustar rótulos produzidos em todas as regiões do país (15 estados diferentes já foram confirmados) em um ambiente pensado para isso, com outros cervejeiros, trocando sobre a bebida, é uma vivência que fica difícil de descrever. A atmosfera remonta aos primeiros anos do encontro em Blumenau. Mas também amplia essa percepção a uma nova experiência com a degustação livre. É realmente uma celebração à cerveja brasileira.
Fica o nosso convite para que, quem já esteve em Blumenau, retorne para essas novas experiências. E para quem ainda não conheceu a cidade, que venha. É uma época realmente muito especial para quem produz, consome e ama a cerveja brasileira.