Início Site Página 176

Entrevista: Quem é a Octopus e o que a fez liderar ação em prol da luta LGBTQIA+

Criar um projeto que desse voz aos anseios dos seus próprios colaboradores. Foi com esse intuito que a Cervejaria Octopus liderou e foi a responsável pelo surgimento do Brewing Love, um movimento que busca, através da união de diversas marcas, problematizar as situações de preconceito no ambiente cervejeiro e aumentar a conscientização do setor, de acordo com o relato de Walter Costa, designer do projeto visual e analista de marketing da Octopus, em entrevista ao Guia.

Apoiar a temática, em sua visão, foi algo natural para a marca. Criada no Rio de Janeiro, mas hoje sediada em Belo Horizonte, a cervejaria distingue-se de muitas outras por ter seu time de colaboradores majoritariamente formado por mulheres e pessoas LGBTQIA+. Assim, o projeto dá voz à visão da Octopus, que também busca se associar a projetos sustentáveis e musicais.

“Um dia decidimos que tínhamos de transformar isso tudo em uma ideia desenhada e arriscar. Chamar algumas cervejarias que a gente já conhecia e propor uma colaborativa. Ou então um projeto de disponibilizar o rótulo e cada um faz uma cerveja”, explica Walter Costa, destacando a preocupação com inclusão da marca.

Criado pela Octopus, o Brewing Love surgiu em junho, mês em que se celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, e chamou a atenção não só pela importância da causa, mas também pela quantidade de cervejarias participantes.

Atualmente já são 27 marcas confirmadas como participantes do projeto, um bom número, embora reduzido quando comparado a iniciativas semelhantes fora do Brasil. “É gratificante ver que teve uma adesão boa, principalmente além das cervejarias. São muitas cervejarias para nós, que não estávamos pensando em um projeto tão grande, mas não é tanta cerveja assim porque têm muitas no Brasil”, pondera o analista de marketing da Octopus.

Leia também – Em rede de apoio do Science, mulheres denunciam sexismo e assédio no setor

Ao Guia, ele relata a trajetória da Octopus, o surgimento e os detalhes do Brewing Love, além dos seus próximos passos. Confira a entrevista completa de Walter Costa:

A Octopus chamou a atenção agora por liderar o Brewing Love, mas como foi a sua trajetória até chegar a esse momento?
Os sócios começaram no Rio de Janeiro, como uma daquelas microcervejarias que vai para eventos. Até que um dos sócios se mudou para Belo Horizonte e aí resolveram transferir a cervejaria para cá. Então, começaram a lançar mais produtos e a desenvolver a marca. Com o escritório, foram contratando mais pessoas e acabou crescendo. Aqui eles lançaram, por exemplo, a New England Double IPA, uma de nossas cervejas melhor avaliadas. De lá para cá, a gente já lançou mais de 40 rótulos. Tem as colaborativas com cervejarias e outras parcerias, como a Cross Beer, que é nossa parceira desde que a gente começou a vender a produção em maior escala.

E como surgiu a ideia do projeto Brewing Love?
A gente nunca vai saber a razão para esse caminho, mas, até o início deste ano, a maior parte da equipe era principalmente feminina, com exceção aos sócios, e a outra maioria era LGBT. Eram lésbicas, bissexuais e gays. Olhando para trás, no ano passado, a gente viu o Black Is Beautiful, que foi um projeto em que a cervejaria participou. Também teve o All Together e o Manchinha que a gente entrou para dar uma força. Então, a gente entrou em vários projetos para arrecadar fundos, achávamos muito legal e tentávamos estar em tudo que aparecia.

E isso foi mexendo com essa parte da empresa e falávamos: uma hora vai aparecer o projeto LGBTQIA+. Só que não veio e a gente ficou meio frustrado. Era importante, queríamos que acontecesse, mas não acontecia. Inclusive, começaram a aparecer algumas cervejas com arco-íris. E a gente começou a pensar se faria igual, se lançaria uma cerveja com arco-íris e colocava uma referência de música… Até que um dia decidimos que tínhamos que transformar isso em uma ideia desenhada e arriscar. Chamar algumas cervejarias que a gente já conhecia e propor uma colaborativa. Ou então um projeto de disponibilizar o rótulo e cada um faz uma cerveja. Essa ideia toda aconteceu em 48 horas.

Como foi o desenvolvimento do projeto?
No fim das contas, o projeto do zero até a arte finalizada e disponibilização durou mais uma semana. Foi tudo muito corrido, porque a gente decidiu que, se fosse fazer alguma coisa, teria que ser para o mês do Orgulho, que foi junho. E, para poder dar tempo de tudo ficar pronto e ter algumas cervejarias lançando junto com a gente, teria que ser até 28 de junho. No início, a gente só conseguiu 5 cervejarias e as mais próximas. E, para piorar um pouquinho a situação, estávamos planejando o lançamento do nosso e-commerce. Enfim, no dia que lançamos, pedimos para que essas cervejarias também entrassem em contato com outras. Na segunda semana, já não estávamos dando conta porque aparecia muita gente. Ainda não parou porque tem muita gente entrando em contato e perguntando das cervejas, onde compra e como faz para participar.

Hoje vocês estão com quantas cervejarias confirmadas no projeto?
Considerando as que ainda não subiram as logos, são 27. Está em um bom número, obviamente, mas nem chega perto de uma das cervejarias de fora que fez projetos parecidos. Originalmente, a gente tinha cervejarias de fora que estavam querendo participar, mas fomos perdendo o contato, justamente por essa correria. E eu não sei se elas ainda vão entrar.

O setor tem uma concentração masculina e relatos de casos de machismo e sexismo. Para você, essa adesão acaba sendo surpreendente?
Temos um posicionamento interno em debate sempre sobre isso. Primeiro porque tem muita mulher na empresa, isso já dá um peso que acho super importante. E também tem mais LGBT. Para nós, internamente, era muito importante, inclusive, eu vivo falando com os sócios, já estamos tão apegados a isso, temos que continuar nessa pegada. Contratar mais pessoas negras e colocá-las em evidência dentro da equipe. Saíram duas meninas que tiveram de mudar para outra cidade por causa da pandemia e, para poder repor, agora vão ter que colocar uma travesti e uma preta, e ela tem que ser gerente. É o tipo de coisa que a gente tenta conversar todos os dias porque fica muito na nossa pauta. Se estamos levantando, tem que ser interno antes do projeto ou de qualquer coisa. É gratificante ver que teve uma adesão boa, principalmente além das cervejarias. São muitas cervejarias para nós, que não estávamos pensando em um projeto tão grande, mas não é tanta cerveja assim, porque têm muitas do Brasil.

Então você considera que o projeto já deu certo?
Eu sinto que a gente foi abraçado. Isso dá um quentinho no coração. De tudo, o que fica é: ano que vem vai ter de novo e, se Deus quiser, aumentando e agregando mais cervejarias. É um assunto que tem que ser pautado e que está dando resultado. Se a gente conseguir, nas conversas com as cervejarias, que elas comecem a entender que é mais do que arrecadar dinheiro para ONGs, que é muito importante, mas que elas também comecem a contratar pessoas LGBT e comecem a entender as situações de LGBTfobia que acontecem dentro dos estabelecimentos e não são toleráveis.  Lembro que nesta mesma época do ano passado, era a respeito do Black is Beautiful e a gente conseguiu afastar do meio cervejeiro uma galera que estava causando.

Se a gente conseguir fazer uma coisa parecida agora com o Brewing Love, tirar do meio cervejeiro esse pessoal transfóbico, LGBTfobico, seria muito legal. Acho que é uma  limpeza que a gente faz quando a gente se posiciona. A pessoa que não tolera vem e você fala OK, então não venha mais, as portas para você estão fechadas e vão permanecer fechadas até você se consertar, porque está errado. Dá um alívio saber que estamos deixando o ambiente mais seguro

Walter Costa, designer do projeto visual e analista de marketing da Octopus

E como tem sido a receptividade ao projeto da Octopus pelos consumidores?
A gente ficou com muito receio de como lançar no mercado, como falar e como projetar isso, porque a gente sabe que o “hater” vem – e com sangue nos olhos. Também tínhamos muito receio de como responder, porque não temos a prática desse posicionamento na rede social. E aí pensamos em ir alinhando as respostas, mas, surpreendentemente, a gente não recebeu nada. Já as cervejarias participantes receberam bastante, teve algumas que tiveram ataques e a coisa ficou feia, sabe? Falamos que se precisarem de ajuda de posicionamento, de respostas ou de alinhar as cervejarias para fazer um combate, a gente faz. Muitos conseguiram resolver internamente com a sua equipe de comunicação.

O projeto deste ano vai até quando?
Por ele ter sido lançado muito em cima da melhor data possível, a gente decidiu que ficaria aberto. A coisa, naturalmente, vai acalmando. Ainda estamos neste furor de muita gente rodeando e sentimos que ele ainda está precisando dessa atenção. Acredito que dentro de dois meses, no máximo, não vai ter mais ninguém entrando. Mas para o ano que vem, a gente vai lançar de novo e com antecedência.

E a arrecadação se dará até quando?
A gente não determinou uma data porque qualquer entidade que faz a arrecadação não precisa só pontualmente da ajuda, mas precisa o ano inteiro. Então, se a gente sabe que, por exemplo, a nossa arrecadação vai acontecer quando esgotar o nosso estoque, então saberemos qual foi o montante levantado. Eu sei que todas as outras cervejarias estão fazendo por aí e a gente consegue espaçar melhor essas doações, no decorrer dos próximos meses, e ajudar por mais tempo. Acho que esse é um objetivo secundário.

Quais serão as ONGs beneficiadas?
A gente deixou aberto. Algumas eu consegui entrar em contato para falar do projeto, mas deixei por conta das cervejarias porque é complicado. Elas vão ajudar localmente, cada cervejaria foi achando a sua. Sugeri, por exemplo, que a gente não tem até o momento cervejarias do Nordeste ou do Norte e lá têm ONGs que estão precisando de ajuda. Então, mandem para lá. A gente orienta, mas cada um ficou por decidir da melhor maneira.

Ainda dá tempo de cervejarias interessadas se juntarem ao Brewing Love?
Dá, sim. Primeiro porque tem muita cervejaria que tem sido encaixada no cronograma de produção. Que as cervejarias se encaixem nos seus próprios cronogramas com tranquilidade, porque a gente vai ajudar na divulgação. O site vai permanecer aberto, vamos agregar mais cervejarias e essa página vai continuar. Quando perceber que caiu mesmo a quantidade de pessoas aderindo ou tiver a certeza que todas as cervejarias lançaram suas cervejas, então fecho a página até o ano que vem. Para quem quiser participar, lá no próprio site tem o nosso e-mail e telefone, pode entrar em contato diretamente por lá ou pelas redes sociais da Octopus.

Dádiva amplia coleção de estilos clássicos com Kölsch e revisita cerveja premiada

A Dádiva anunciou novidades nos últimos dias que podem ser vistas como a busca por reforçar a proximidade com os seus fãs. Afinal, ampliou a sua série Classic Styles com uma Kölsch, atendendo aos pedidos dos clientes, além de revisitar um rótulo de sucesso, criado em 2017.

A Kölsch, assim, aumenta as opções da série Dádiva Classic Styles, uma linha composta por cervejas tradicionais com receitas simples e bem executadas, que já tinha a Irish Red Ale, a Berliner Weisse, a English Pale Ale, a Altbier, a German Pils e a Dry Stout.

Leia também – Mad Brew e Doutor Duranz ampliam atividades com incorporação e lançamento

E a escolha da Dádiva para fabricar uma Kölsch não foi à toa. Segundo a cervejaria, esse foi um dos estilos mais pedidos na enquete feita pela marca em sua página no Instagram. A Kölsch, bem como os outros rótulos da linha, vem em lata de 310ml e estará disponível em bares, empórios e sites que atendem em todo o país.

O termo Kölsch existe desde o século IX e se refere às cervejas produzidas em Colônia, na Alemanha. Trata-se de uma cerveja muito clara, super cristalina, com um sutil frutado e um leve amargor.

Dark Sour
Outra novidade da marca foi o lançamento da Imperial Dark Sour Blueberry em lote limitado, uma versão mais potente da Dádiva Dark Sour, criada em 2017. É uma cerveja inspirada no estilo Oud Bruin, envelhecida em barrica de carvalho, sendo responsável por um dos prêmios mais importantes dos sete anos de história da marca paulista: Best of Show no Festival Brasileiro da Cerveja de 2018, além de Ouro em sua categoria.

A Dark Sour ganhou mais dois lotes depois do primeiro, um em 2018 com a mesma receita e outro em 2019, com adição de mirtilos. Nesta nova versão, o teor alcoólico é mais alto do que nas versões anteriores (7,5%, frente a 5,2% das últimas). E o mirtilo é fresco, tendo sido cultivado pela produtora Entre Vilas, de São Bento do Sapucaí.

Segundo a marca, suas notas são vínicas e de madeira, além de haver um suave toque de caramelo e toffee dos maltes. A acidez lática e acética está presente, e os mirtilos frescos conferem ainda mais camadas de sabores e aromas à cerveja. Seu lote é limitadíssimo, vindo em garrafas de 375ml com rolhas metálicas.

As estratégias de Heineken e Ambev na Eurocopa e Copa América

Disputadas simultaneamente pela primeira vez na história, Eurocopa e Copa América terminam no próximo fim de semana com a definição de campeões continentais em disputas que viram as duas principais cervejarias do mundo, Ambev e Heineken, adotarem estratégias de marketing distintas.

Parceiras de longa data de competições esportivas, ambas têm trabalhos exitosos de associação de marca com o futebol. Mas, enquanto a Heineken ampliou a sua associação com torneios do Velho Continente ao patrocinar a Eurocopa pela primeira vez, a Ambev optou por não expor as suas marcas na Copa América após a decisão de mudança de sede da competição, realizada no Brasil depois das desistências de Colômbia e Argentina, em função da pandemia do coronavírus.

Leia também – Dossiê: O mercado brasileiro de cervejas de fato cresceu na pandemia?

A Heineken tem mais de 25 anos de parceria como patrocinadora da Liga dos Campeões, mas só agora se associou à Eurocopa, que antes tinha a Carlsberg como a sua cerveja parceira. E o início do acordo se dá em uma competição marcada por ineditismos. Afinal, além de ter sido adiada de 2020 para 2021 em função da pandemia, tem cidades de diferentes países como sedes.

Ao contrário do que acontece na Copa América, em outras competições pela América do Sul e no Brasil, a Eurocopa vem ficando marcada por uma volta gradual à normalidade, com a presença de torcedores nos estádios, ainda que com a capacidade limitada na maior parte deles.

Esse cenário, em uma competição marcada pela congregação de diferentes nações, tem sido muito bem explorado pela Heineken em suas campanhas de marketing, na avaliação de Fernando Trein, professor de marketing esportivo da ESPM Porto Alegre.

“A campanha da Heineken é muito criativa, resgata um pouco das rivalidades antes dos jogos da Eurocopa. Nos comerciais, por exemplo, tem um torcedor de alguma seleção que vai comprar uma pizza de um italiano e na pizza está escrito: ‘Força, Itália’. Ou seja, então, ele está fazendo uma provocação, brincando com a rivalidade. Acho que é um resgate desses momentos do futebol, desses encontros de torcidas. Acho que a Heineken quis aproveitar esse reinício, não só para fortalecer ainda mais sua marca com esse tipo de contrato”, avalia o professor da ESPM ao Guia.

Gerente de marketing do Grupo Heineken no Brasil, Priscila Fins destaca que o objetivo da marca foi, de fato, levar um momento de leveza aos torcedores em meio à pandemia, aproveitando o lado lúdico e de entretenimento do futebol.

“O futebol certamente é um dos esportes que melhor consegue impactar diferentes regiões do mundo, por meio da paixão pelos times, da relevância dos campeonatos, que extrapolam os continentes, e por ser um entretenimento nesse momento difícil que ainda enfrentamos de pandemia”, afirma Fins, para depois acrescentar.

Encontramos nesse patrocínio uma forma de trazer entretenimento e leveza aos nossos consumidores por meio de uma mensagem contextualizada aos jogos, exaltando o lado leve e divertido de uma rivalidade saudável entre seleções

Priscila Fins, gerente de marketing do Grupo Heineken no Brasil

Para Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing, a Heineken tenta replicar, na Eurocopa, a ligação de sucesso que teve com a Liga dos Campeões. A parceria, firmada em 2019 pela Eurocopa com a Uefa, incluiu, também, a ampliação do contrato pela competição de clubes, que passou a ser válido até 2024. Também é o mesmo prazo do acordo pela Supercopa da Europa. E o grupo ainda apoia a Liga Europa e a recém-criada Conference League, ambas através da marca Amstel.

“Foi uma das maiores ativações em termos de marca com o recall envolvendo a Liga dos Campeões. Percebendo que isso está dando frutos, é natural levar isso para outras competições”, enaltece Wolff. “É o resultado de se fazer um patrocínio com inteligência, as pessoas ligam a competição com a marca.”

E a adoção de uma comunicação global pela Heineken, consagrada na Liga dos Campeões, agora se repete na Eurocopa. “Os patrocínios globais são de extrema relevância para nossa marca, que tem um posicionamento unificado em todas as regiões de atuação. Estar conectada a um campeonato dessa relevância, e a uma modalidade esportiva de grande conexão com os consumidores, independente da sua região, é mais uma forma de conseguirmos amplificar nosso posicionamento”, destaca a gerente de marketing do Grupo Heineken no Brasil.

Patrocínio sem exposição
Já a Ambev optou por não aparecer na Copa América. Em um contexto de repercussão negativa da transferência da sede da competição para o Brasil, após recusas de Colômbia e Argentina, a companhia optou por seguir uma postura adotada inicialmente pela Mastercard, não realizando ativações no torneio, embora tenha mantido seu acordo com a Conmebol. Ação parecida foi adotada por outras duas marcas, Diageo e Kwai.

No comunicado divulgado à imprensa em que anunciou a sua decisão, a Ambev reforçou a manutenção do seu apoio estratégico ao futebol brasileiro, com apoio a quase todos os principais times do país. “A Ambev informa que suas marcas não estarão presentes na Copa América. A companhia segue com seu compromisso e apoio ao futebol brasileiro”, informou à época.

Para Wolff, optar por não aparecer em uma competição para a qual pagou pelo espaço de exibição, mas a qual estava sob grande escrutínio em função do elevado número de casos e mortes provocados pelo coronavírus, também pode ser visto como uma ação de marketing, além de um importante posicionamento.

“É um posicionamento mercadológico, de não querer estar associada a uma competição por causa de alguns atributos. O ineditismo foi da Mastercard. A Ambev seguiu esse posicionamento. Viu que havia mais pontos negativos do que positivos para ela naquele momento”, avalia o especialista, destacando que “muitos questionam empresas que ficam no muro”.

Na visão de Trein, por sua vez, pode ter pesado para a Ambev a preocupação com a possibilidade de se ver associada a uma competição que teve, na opinião pública, reprovação para a sua realização no Brasil.

Ela deixa de fazer ativações, de criar alguma promoção, mas ao mesmo tempo ela preserva o seu posicionamento. E considerando que hoje as pessoas estão mais atentas a essas questões

Fernando Trein, professor de marketing esportivo da ESPM Porto Alegre

Resposta de craques
Para quem exibiu suas marcas nos torneios de seleções de 2021, duas ações negativas marcaram entrevistas coletivas de craques. Primeiro, Cristiano Ronaldo trocou a garrafa de Coca-Cola por duas de água. Depois, Paul Pogba fez gesto parecido com a Heineken, retirando a garrafa exposta. Nesse caso, por ser muçulmano, o francês não quis associar a sua imagem a uma fabricante de bebidas alcoólicas, embora se tratasse de um rótulo sem álcool.

“Casos como o ocorrido com Cristiano Ronaldo e com o jogador Pogba são tratados diretamente pela Uefa. Como marca, nossa posição é sempre respeitar a decisão e escolha de consumo de qualquer pessoa”, afirma a gerente de marketing da Heineken.

Leia também – Produção de alcoólicas tem maio modesto em mês de expansão da indústria

A Uefa se posicionou destacando que grande parte dos recursos envolvidos na organização dos seus torneios vem da contribuição de empresas. “A Uefa lembrou às equipes participantes que os patrocinadores são essenciais para a realização do torneio e para garantir o desenvolvimento do futebol em toda a Europa.”

Wolff, porém, contemporiza os efeitos da “anti-propaganda” para as marcas. “Foi um episódio que aconteceu, mas vai ficando para trás. A marca trabalha a sua comunicação, a estratégia, os produtos e isso passa”, finaliza o especialista.

Produção de alcoólicas tem maio modesto em mês de expansão da indústria

A produção de bebidas alcoólicas teve desempenho modesto em maio, segundo apontou a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE. Após cinco meses, o segmento registra uma aceleração acumulada de 16,6% no ano, um índice inferior ao do primeiro quadrimestre de 2020, quando havia ficado em 17,6%.

Além disso, essa expansão precisa ser vista com ressalva, pois se dá após um ano em que parcela relevante da atividade industrial brasileira ficou paralisada em função da pandemia do coronavírus. É este cenário que explica o crescimento de 13,1% da produção de bebidas alcoólicas em maio, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O indicador está em 13,6% quando se soma os últimos 12 meses.

Leia também – Ação da Ambev desvaloriza 4,9% em junho, mas fecha semestre com alta de 7,73%

O desempenho da produção de bebidas alcoólicas se insere em um contexto de alguma recuperação da produção industrial nacional, que saltou 1,4% em maio frente a abril (série com ajuste sazonal), interrompendo três meses consecutivos de queda, quando acumulou perda de 4,7%. Agora, então, atingiu o mesmo nível de fevereiro de 2020, antes da pandemia.

“Há uma volta ao campo positivo, mas está longe de recuperar essa perda recente que o setor industrial teve. Muito desse comportamento de predominância negativa nos últimos meses tem uma relação direta com o recrudescimento da pandemia, no início de 2021, que trouxe um desarranjo para as cadeias produtivas”, explica André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Em relação a maio de 2020, o IBGE informou que crescimento foi de 24%, nona taxa positiva consecutiva e a segunda mais elevada da série histórica, abaixo apenas da registrada em abril (34,7%). No ano, a indústria acumula alta de 13,1% e de 4,9% em 12 meses.

“Precisamos lembrar que os meses de abril e maio do ano passado foram os pontos mais baixos da série histórica. Isso explica essas taxas muito expressivas do ponto de vista da magnitude e esse espalhamento de resultados positivos pelas atividades”, pontua André.

Em meio a esse contexto, a produção nacional de bebidas não-alcoólicas também apresentou crescimento em maio de 2021: o salto foi de 33,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. O desempenho no período fez o setor ter um aumento de 13,4% no acumulado do ano. Já no somatório dos últimos 12 meses, o indicador também está positivo, em 10,5%.

A produção de bebidas no Brasil, por sua vez, cresceu 21,4% no quinto mês de 2021 ante maio de 2020. No acumulado do ano, a variação está em 15,1%. E, nos últimos 12 meses, fechou em 12,1%.

Ex-membro da CIA sucede novo CEO da AB InBev no comando da Anheuser-Busch

A Anheuser-Busch tem novo comando. A AB InBev anunciou a indicação de Brendan Whitworth para o cargo de CEO da empresa, assim como para a presidência da zona da América do Norte da maior cervejaria do mundo, em sucessão a Michel Doukeris.

Nas mudanças de cargos realizadas em julho, a ascensão de Withworth como CEO da Anheuser-Busch completa a troca de postos. Ele, afinal, assumiu as funções de Doukeris, que é brasileiro e as deixou para substituir o compatriota Carlos Brito à frente da AB InBev, multinacional fruto da fusão entre a Anheuser-Busch e a InBev.

Leia também – Heineken compra ações de ex-dirigente da F1 e controla a maior cervejaria da Índia

Whitworth vinha atuando como diretor de vendas da AB InBev nos Estados Unidos e ocupou vários cargos de liderança comercial no país nos últimos 8 anos. E foi elogiado por Doukeris no anúncio da sua ascensão ao comando da Anheuser-Busch e da operação na América do Norte da AB InBev.

“Nos últimos quatro anos, Brendan ajudou a moldar e a conduzir nossa estratégia comercial de 10 anos. Suas percepções de mercado, mentalidade em primeiro lugar para o consumidor e forte liderança têm sido ativos inestimáveis ​​em nossa jornada para liderar o crescimento da indústria”, declarou o novo CEO da AB InBev.

O novo CEO da Anheuser-Busch também recebeu as congratulações de Carlos Brito. “Estendo meus parabéns a Brendan. Ele é um líder excepcional com um histórico comprovado de sucesso e relacionamentos profundos nos Estados Unidos. Sua nomeação se baseará em nosso forte impulso na América do Norte.”

E, no comunicado em que foi anunciada a sua nomeação, a AB InBev destacou alguns dos avanços ocorridos sob a liderança do setor de vendas nos Estados Unidos por Withworth: melhora da tendência de receita da linha “prime” dos EUA em 2,8% de 2017 a 2020; captura de mais de US$ 1 bilhão em receita “além da cerveja” por meio de uma combinação de construção de marca orgânica, aquisições estratégicas e parcerias inovadoras; crescimento da Michelob Ultra, como maior ganhadora de participação de cerveja e segunda em vendas em dólares; implementação das plataformas inovadoras de e-commerce da Anheuser-Busch para melhor atender clientes e consumidores.

Além da experiência como executivo, Withworth possui passagem de oito anos pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e pela CIA, a Agência Central de Inteligência do país.

“Estou muito honrado por ser indicado para liderar nossos negócios na América do Norte, enquanto continuamos a escrever o próximo capítulo de inovação e crescimento para a Anheuser-Busch e a Labatt, dois líderes icônicos do setor. Como alguém com profundas conexões pessoais e profissionais com os Estados Unidos, não poderia estar mais animado para continuar esta jornada ao lado de meus colegas excepcionais”, celebrou Whitworth.

Balcão da Rise Beer: Não somos parte de um balaio, somos parte de uma teia

Balcão da Rise Beer: Não somos parte de um balaio, somos parte de uma teia


Além de amante das boas cervejas, sou também amante das boas palavras. Foi com muita alegria que recebi o convite do Guia para escrever não somente sobre o leque de sabores que podemos encontrar nos copos de cerveja, mas também sobre o leque de experiências que podemos encontrar ao redor deles.

E falando sobre ser amante das boas palavras, é sempre muito poético conhecer o ser amado, não é verdade? Sempre fui apegada aos significados, afinal, uma boa professora deve se atentar ao que, de fato, os aglomerados de letras significam.

Pois bem, lhes trago agora o significado de uma das palavras que mais deve sair da minha boca: democratização.

Democratização significa tornar popular e acessível, e é sobre essa perspectiva que compartilharei com vocês minhas vivências, experiências e alguns goles de conhecimento.

As boas cervejas têm um diferencial muito charmoso, que é a ideia de ser tão especial degustá-las quanto é especial degustar uma boa comida. A minha ideia sempre foi aproximar a cultura cervejeira da casa dos nossos alunos, e foi com esse sonho que fundei uma escola cervejeira.

Falando sobre cultura cervejeira, quando pensamos nela, é provável que surja em nossas mentes a projeção da cultura alemã, por exemplo. Porque nosso imaginário foi formado com essas informações e, de fato, eles têm uma cultura ímpar e riquíssima que contribui incontestavelmente para a história da cerveja.

Mas, agora, lhes convido a ir além do óbvio e, ao invés de viajar para longe, o convite é viajar para perto. Viajar para perto das nossas memórias sensoriais.

Cada um de nós viveu e vive as suas próprias experiências cervejeiras, que se entrelaçam com os regionalismos e as particularidades das festividades, dos climas e dos costumes de cada uma dessas regiões.

Segundo Francisco Porfírio, cultura é um conceito amplo que representa o conjunto de tradições, crenças e costumes de determinado grupo social e que é repassada através da comunicação ou imitação às gerações seguintes.

Quando falamos sobre cultura no Brasil, devemos lembrar que não somente quem está na elite da sociedade, mas também quem está à margem dela, compõe as pluralidades das expressões culturais.

Assim como acontece na música, nos folclores, na literatura e nos sotaques, as características de um povo imprimem seus reflexos no dia a dia desses povos, e fazendo a cerveja parte de tais dias, é comum que também sobre ela se misturem essas expressões culturais. Vou lhes dar um exemplo: para mim não há nada tão saboroso quanto uma Brown Porter harmonizada com carne de sol na nata.

Você pode me citar dezenas de pratos mais sofisticados, mais elaborados, ou, de fato, mais saborosos, mas é na minha biblioteca sensorial que estão as noites de São João, o forró de Dominguinhos e essa belíssima harmonização. Isso faz parte não só da minha cultura, mas das minhas experiências, e é essa combinação que faz essa harmonização ser única para mim.

Além disso, as pessoas podem compartilhar de uma mesma cultura e ter experiências sensoriais absolutamente diferentes, e é por isso que, citando Flávio José, um talentoso sanfoneiro e compositor de minha terra, sempre digo aos meus alunos que “um jogador conhece um jogo pela regra”.

Saber as regras de uma boa harmonização pode fazer com que você faça combinações únicas e alicerçadas, não no que disseram para você harmonizar, mas no que você deseja harmonizar diante de suas preferências gustativas.

Para mim, a melhor harmonização não é aquela que desperta os sentidos, é aquela que, além dos sentidos, desperta o coração.

Se cada um de nós fizermos uma viagem rumo ao nosso legado e nos sentarmos agora juntos em uma mesa de bar para compartilhá-lo, perceberemos que ele pode se encaixar ou não no padrão erudito, pode ser nordestino ou nortista, pode vir dos grandes centros urbanos ou do interior, pode vir das periferias e favelas ou de sertão, e pode ser total e absolutamente diferente e, ainda assim, ter muita coisa em comum. Porque não somos parte de um balaio, somos parte de uma teia.

Dessa forma, quando me refiro à cultura cervejeira, eu quero incutir em nosso imaginário que todas essas experiências que fizeram ou fazem parte de nossa vida e são peculiares de nossas culturas se relacionam com a cultura cervejeira como essa teia, não no sentido de mudar o que já está consolidado, como as escolas cervejeiras, por exemplo, que têm tradição, criatividade, inovação e experimentação na sua história, mas no sentido de dar novas perspectivas, de aumentar o leque de possibilidades.

Que possamos procurar a beleza no que já faz parte de nós, no que já está perto de nós, e no que já emociona e é íntimo aos nossos sensoriais. A corrida não precisa ser só para longe, pode ser para dentro, as memórias afetivas podem nos guardar grandes surpresas, com as cervejas e com a vida.

Um brinde à sua cultura, cervejeiro. Um brinde à sua cultura, cervejeira.


Kylvia Cordeiro é fundadora da Rise Beer, professora da instituição, engenheira química, sommelière de cervejas e especialista em análise sensorial e off-flavor

Especial: Saiba tudo sobre tanques fermentadores, as opções e as demandas

Definições como escolha de ingredientes e insumos, além da receita, são fundamentais para a produção de uma cerveja, mas elas certamente perderão seu efeito e importância se o processo de fermentação da bebida não for realizado do modo correto. E, para o êxito desse processo bioquímico, é necessário escolher os tanques fermentadores que mais se adaptem às necessidades da cervejaria ou mesmo do fabricante caseiro.

Afinal, os tanques precisam ter as características corretas para permitir a maximização dos resultados da produção cervejeira, pois são fundamentais nos processos de mostura, fermentação, maturação, armazenamento e regeneração. São, assim, muitos itens a serem avaliados na montagem da “cozinha” por uma cervejaria ou fabricante caseiro, como aspectos tecnológicos, acessórios, capacidade de pressurização e refrigeração, estabilidades do processo, além de vedação e isolamento térmico.

O primeiro passo, na avaliação de especialistas ouvidos pelo Guia, envolve o entendimento sobre a demanda entre a capacidade produtiva do comprador e a do fermentador. “Primeiramente, o cervejeiro deve ter em mente, para escolher o seu tanque, o volume que ele é capaz de produzir por batelada para definir corretamente o volume mais adequado que o tanque fermentador deve ter”, explica João Barillari, sócio-diretor da TK Tank.

Leia também – Especial: Saiba tudo para fazer cerveja em casa e as novidades das brew shops

Mas o pensamento imediatista pode forçar empresas a realizarem novos investimentos no curto prazo. Para evitar a necessidade de uma substituição precoce dos tanques fermentadores, Saulo Souza, engenheiro de alimentos da Iruam Equipamentos, destaca a importância de a compra ser realizada com a projeção de expectativa de crescimento da cervejaria.

“Precisamos estar atentos ao projeto inicial e a expectativa de crescimento, para termos liberdade de crescimento sem a necessidade de refazer o projeto em curto prazo. Isto vai implicar muito na viabilidade do projeto”, avalia o profissional da Iruam.

Analista de negócios da Palenox, Juliana Bianchi faz um alerta para quem está em busca de tanques para a sua produção cervejeira: o preço deve ser o último aspecto a ser avaliado pelo comprador, sob aspectos de deixar em segundo plano questões fundamentais, como a qualidade do processo de produção.

“Ao escolher qualquer equipamento sempre compare o descritivo técnico; a última coisa que você deve olhar é o valor final”, destaca a profissional da Palenox. “Primeiro discuta tecnicamente para ver se sua necessidade está sendo atendida. Pontos que fazem toda a diferença em qualidade de processo de produção de cerveja e ganho de tempo são acabamento interno dos fermentadores, ângulo do cone, acessórios que acompanham o fermentador e seus itens opcionais. Avalie tudo pois, se você olhar somente preço, sem olhar tecnicamente, pode estar inclusive pagando mais caro pela escolha e só descobrirá isso depois de receber o equipamento.”

Assim, outros pontos muito além do preço também não podem ser negligenciados na aquisição dos tanques. E eles englobam aspectos como conhecimento técnico da empresa fornecedora, a utilização de matérias-primas de qualidade e a oferta de suporte no pós-venda.

Pela complexidade das funções de um tanque, Fernanda Sbeghen, diretora financeira da Eisentec, avalia não ser possível apontar um único item fundamental para a escolha do produto. Por isso, ela aconselha que o cervejeiro avalie questões consideradas fundamentais e diversas, como o cumprimento das normas técnicas, passando por detalhes que envolvem até mesmo a aparência do equipamento.

“Deve ser observada a eficiência do equipamento, adequando as normas técnicas de segurança juntamente à qualidade, agilidade e prazo de entrega. Além disso, deve ser levada em consideração a apresentação do equipamento, principalmente sua aparência física, pois também se trata de um objeto de decoração. Devem ser analisados seus acabamentos internos, se estão enquadrados com as normas técnicas, bem como o polimento do mesmo”, avalia a diretora da Eisentec.

Para Barillari, da TK Tank, o comprador de um tanque deve realizar uma série de questionamentos para entender se aquela opção atende a sua demanda. “Se todas as soldas (especialmente as internas) são totalmente removidas; se o tanque pode ser pressurizado; qual a pressão máxima de trabalho; se é possível realizar o controle de pressão; se é possível realizar o dry hopping pressurizado; qual a dimensão da janela de inspeção do equipamento; se as válvulas são borboleta sanitárias em inox.”

Já a Damek, também com seu histórico de fornecimento de tanques e fermentadores ao universo cervejeiro, aponta o cuidado com os detalhes como estratégia para atender a demanda dos seus clientes.

“Fomos pioneiros em criar diversos produtos exclusivos trazendo a excelência em unir praticidade e qualidade. Como, por exemplo, a base retrátil que se encaixa em todas as geladeiras, trazendo assim melhor custo-benefício para os cervejeiros iniciantes. Criamos também nossa tampa exclusiva, que ouso dizer que é, sim, a melhor do mercado, sendo projetada exclusivamente para facilitar a higienização e manuseio do cervejeiro”, comenta Cristyeny Borgiani, diretora de marketing e vendas da Damek.

Novas demandas
Em um momento de incerteza e crise como o que tem marcado a atividade produtiva nos últimos meses, algumas empresas fornecedoras têm percebido o surgimento de demandas por equipamentos que aceleram a produção cervejeira. É esse, por exemplo, o diagnóstico da Iruam.

“Estamos desenvolvendo alguns equipamentos para otimizar a produção com investimentos menores, reduzindo tempo de produção. Nesta linha, temos bombas elevadoras de pressão, dry hopping dinâmico, filtro de terra diatomácea, além das constantes melhorias em equipamentos da linha de produção”, explica Saulo Souza.

Na avaliação de Barillari, da TK Tank, a pandemia trouxe novas necessidades para as empresas fornecedoras de tanques, com a redução dos prazos de entrega e a busca por equipamentos que realizem diversas tarefas. “A principal demanda na pandemia foi a diminuição dos prazos de entrega e tanques com capacidade de executar processos variados durante a fermentação e maturação.”

O período pandêmico também tem sido de adaptação para as próprias empresas fornecedoras de tanques fermentadores, que têm diversificado suas linhas, como vem acontecendo na Damek. “Acredito que, como todas as empresas, conosco da Damek não está sendo diferente. Diante deste cenário, a cada dia projetamos mais e mais produtos para diversificar. Lançamos diversos produtos, dentre eles nossa linha Rotomek, de fermentadores rotomoldados, e a linha de envase e higienizadora de garrafas”, afirma a diretora de vendas da empresa.

É um cenário parecido ao vivenciado pela Palenox, que vê seus parceiros buscando outros tipos de equipamentos, além dos fermentadores. “Neste período de pandemia a grande maioria das cervejarias mudou a necessidade de fermentadores para equipamentos de envase ou pasteurização. A Palenox possui soluções para todas as etapas de produção de cerveja e estamos sempre dispostos a encontrar a solução e o melhor custo-benefício aos nossos clientes”, relata Juliana.

Reinvenção e adaptação também têm sido desafios encarados pela Eisentec nos últimos meses, o que inclui a busca por não alterar os seus preços. “A necessidade é de se reinventar, no sentido de adequar equipamentos e manter a qualidade. Adequar no sentido de manter o preço sem perder a qualidade do equipamento. Customizar equipamentos dentro da necessidade do cliente ao ponto de obter o produto final dentro da expectativa”, conclui Fernanda.

Conheça mais sobre as principais empresas fornecedoras de tanques do setor cervejeiro:

Damek

Endereço: Rua Aspásia, 410, Vila Silviania, Carapicuíba (SP).
E-mail: atendimento@damek.com.br
Telefones (11) 4207-5994

A Damek é uma indústria de tanques em polipropileno com fabricação de todos os tipos de tanques e reservatórios, como fermentadores e equipamentos para tratamentos de água e reuso. Entre os principais produtos da empresa estão os tanques auto refrigerados e a linha completa de envase e higienizadora de garrafas, além de misturadores indicados para hidromel e kombucha.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é saiba.jpg

Eisentec

Endereço: Rua Expedicionário João Batista Alberton, 448, Pavilhão 01, Tamandaré, Garibaldi (RS).
E-mail: comercial@eisentec.com.br
Telefone: (54) 3553-1001

A Eisentec Equipamentos oferece soluções completas para a produção de bebidas. No setor de vinícola, por exemplo, a empresa atua com fermentadores, reservatórios e equipamentos em geral. Já no segmento cervejeiro, sua especialidade é o fornecimento de fermentadores, chiller e demais equipamentos para produção de cerveja e chope. Ainda trabalha com laticínios, oferecendo resfriadores de leite, tanques agitadores, iogurteiras e tachos para doce de leite e requeijão.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é saiba.jpg

Iruam Equipamentos

Endereço: Estrada União Indústria, área 3, Marmelos, Juiz de Fora (MG).
E-mail: iruam@iruam.com.br
Telefones (32) 98813-0884

A Iruam Equipamentos é fabricante de equipamentos em aço inox para as indústrias alimentícia e química, com foco em cervejarias. Entre os produtos da empresa estão os tanques fermentadores, salas de brassagem e linha completa para montagem turn key de uma cervejaria. A empresa ainda disponibiliza uma equipe de projeto para auxiliar o desenvolvimento de novas cervejarias, ampliações e modernização. Também possui uma cervejaria piloto para desenvolvimento de tecnologia, treinamento de parceiros e produção cigana para auxiliar na produção de clientes durante o tempo de montagem da sua fábrica.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é saiba.jpg

Palenox

Endereço: Rua Joana Guindani Tonello, 3045, Pavilhão 04, Distrito Industrial, Bento Gonçalves (RS).
E-mail: vendas@palenox.com
Telefone: (54) 3451-5130

A Palenox é especializada na fabricação de equipamentos para cervejarias, produzindo fermentadores de 50 litros a 4 mil litros úteis. Pensando no ganho de produção, todos os fermentadores são polidos internamente e possuem ângulo de 60º. Com equipamentos que atendem toda a produção de cerveja, a empresa disponibiliza moinho de malte, brassagens, fermentadores, trocadores de calor, sistema de frio, lavadoras de barril, rinser, enchedoras, filtros a vela e pasteurizadores, entre outros.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é saiba.jpg

TK Tank

Endereço: Rua Luís Otávio, 2.915, Fazenda Santa Cândida, Campinas (SP).
E-mail: contato@tktank.com.br
Telefone: (19) 3308-4431

Entre os destaques oferecidos pela TK Tank para quem pretende produzir a sua cerveja está a BrewHome, uma solução elétrica simples e sofisticada, com kits de receitas e acessórios essenciais para a produção de cerveja. De acordo com a empresa, os produtos não demandam curso, ocupam pouco espaço e precisam de até 4 horas de produção no processo quente.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é saiba.jpg

Mad Brew e Doutor Duranz ampliam atividades com incorporação e lançamento

Integrantes da Rota Cervejeira RJ, a Mad Brew e a Doutor Duranz anunciaram nos últimos dias novidades que representaram a ampliação das suas atividades. Afinal, enquanto a marca de Teresópolis assumiu o controle e as operações da Soul Terê, a cervejaria de Petrópolis aproveitou o período do inverno para realizar mais um lançamento.

Leia também – Parcerias com prefeituras e cadeia produtiva reforçam presença turística da Rota RJ

Pelo acordo, a Mad Brew assumiu a fábrica, as operações e a carteira de clientes da Soul Terê. De acordo com ela, inicialmente será mantida a produção de algumas receitas e rótulos da Soul Terê, embora os planos sejam de que o seu foco se concentre nas próprias cervejas, como Pill Zen, Weisstein, Hot Mind, Freak Lab, Red Alert, Alienation, Hop Obsession e The Walking Mad.

O acerto deve trazer novos negócios para a Mad Brew. “Com essa aquisição, a Mad Brew aumenta sua capacidade produtiva para abastecer a sua própria tap house e seus clientes (PDV’s e revendedores), além de assumir um compromisso com todos os seus parceiros e cervejaria ciganas de uma gestão eficiente, criteriosa, profissional e humana”, destaca a marca.

Lançamento
Já a Doutor Duranz trouxe um lançamento especial para o inverno: a American Pancake: Maple, Cocoa & Vanilla. Esse rótulo, como explicou a marca de Petrópolis, é uma versão da sua Imperial Stout, a Nigredo, com adição de cacau, baunilha e de xarope de bordo, seiva da árvore símbolo da bandeira do Canadá e usada como acompanhamento de panquecas e waffles durante o café da manhã dos norte-americanos. É essa tradição que inspira, assim, o nome do lançamento, que terá edição limitada.

Saiba mais sobre a Rota Cervejeira RJ em nosso Guia do Mercado

“A American Pancake é uma RIS com 10,5% ABV, forte e escura, cremosa e viscosa, ideal para beber durante o inverno na serra, bem devagarinho, aproveitando as notas de café, cacau, baunilha e o sabor da cerveja, principalmente no toque amadeirado liberado pelo xarope de maple”, explica Ricardo Branco, cervejeiro e um dos sócios da Doutor Duranz.

Ação da Ambev desvaloriza 4,9% em junho, mas fecha semestre com alta de 7,73%

Após valorizar 20% em maio, a ação da Ambev teve desempenho modesto na Bolsa de Valores brasileira em junho e fechou o mês cotada a R$ 17,07, o que representou perda de 4,9%. Ainda assim, o papel acumula valorização no primeiro semestre de 2021, assim como nos dois primeiros pregões de julho, tanto que terminou a última semana cotado a R$ 17,43.

Como havia começado 2021 com o preço de R$ 15,75, a ação ordinária da Ambev aumentou o seu preço em 7,73% no primeiro semestre do ano. É um avanço, aliás, bem similar ao do índice Bovespa, o principal da B3, que terminou junho em 126.801,66 pontos, uma alta de 6,54% no primeiro semestre.

Leia também – Dossiê: O mercado brasileiro de cervejas de fato cresceu na pandemia?

A diferença para a ação da Ambev é que o Ibovespa teve alta de 0,46% em junho, um mês marcado pela alta variação do índice. Das suas 81 ações, 54 tiveram queda, incluindo a da Ambev, com 29 altas e uma estabilidade. Além disso, chegou a atingir os 131 mil pontos, mas depois perdeu fôlego.

Essa oscilação, na visão de especialistas, se explica por alguns fatores. Há expectativa positiva em função da aceleração do ritmo da vacinação e com a perspectiva de crescimento do PIB do Brasil e das principais nações do mundo. Porém, o surgimento da variante delta do coronavírus e a preocupação com a possibilidade de recrudescimento da pandemia deixam sinais de alerta. Além disso, houve insatisfação com a proposta de reforma tributária.

A ação da companhia aérea Gol teve a maior desvalorização de junho, de 14,36%, com outras quatro companhias tendo perdas superiores a 10% no período: Cielo, Raia Drogasil, Cemig e Gerdau. Já no semestre, a maior perda foi do Pão de Açúcar, de 34,22%.  

A maior alta em junho foi da Via Varejo, em 21,65%. E o Top 5 da valorização foi completado, em ordem, por Braskem, CVC, Banco Inter e Petrobras. Por sua vez, o papel do Assaí, que fez a sua estreia no mercado em 2021, teve a principal valorização do semestre.

Na Europa
No mercado externo, as ações das duas maiores cervejarias do mundo tiveram desempenho oposto: o papel da AB Inbev desvalorizou em junho, enquanto o da Heineken teve alta. Mas ambas as companhias se valorizaram no primeiro semestre do ano.

A ação da AB Inbev terminou junho cotada a 60,81 euros, baixa de 1,23% em relação aos 61,56 euros de maio. Mas teve uma alta de 6,67% em comparação aos 57,01 euros do fim do ano passado.

Já o papel da Heineken encerrou junho com preço de 102,20 euros. Isso significa uma valorização de 4,69% em relação aos 97,62 euros do término de junho e de 7,02% diante dos 91,22 euros do último pregão de 2020.

Menu Degustação: Chope em troca de agasalhos, clube de assinaturas de IPA…

A semana cervejeira foi repleta de ações que buscam aproximar o consumidor de marcas e estabelecimentos, com iniciativas interessantes. Em uma delas, o Mr. Hoppy da Praça Tiradentes, em Belo Horizonte, vai receber agasalhos e, em troca, presenteará o doador com um chope. A previsão é de distribuir mil litros. Também para ficar mais perto do público, a Suricato abriu as inscrições para um clube de assinaturas focado no estilo IPA. E uma parceria entre Méliuz e Ambev oferece cashback na compra de bebidas, em todo o Brasil.

Leia também – Heineken compra ações de ex-dirigente da F1 e controla a maior cervejaria da Índia

Confira estes e outras novidades da última semana no Menu Degustação do Guia:

Campanha do Mr. Hoppy
De 9 a 16 de julho, o Mr. Hoppy da Praça Tiradentes, em Belo Horizonte, vai receber doações de roupas de frio e repassá-las para instituições de caridade. Em troca, a cervejaria vai oferecer um chope Pilsen 300ml ao cliente que fizer a boa ação. A marca se propôs a distribuir a Pilsen da Verace, eleita a melhor do estilo no Concurso Brasileiro de Cervejas, em Blumenau. A meta é doar mil litros, mas não há limite ou quantidade de chope para esse movimento de solidariedade. Quanto mais donativos forem recebidos, mais chopes serão oferecidos.

Chope grátis do Porks
Também localizado no Parque Tiradentes, o Porks vai sortear um ano de chope grátis na sua loja. Serão três ganhadores. Para participar, basta curtir o post no Instagram oficial do Porks Praça Tiradentes, seguir o perfil do estabelecimento e marcar três amigos. O trio de felizardos vai poder passar todos os dias no Porks Praça Tiradentes e pegar seu chope. O sorteio será entre os dias 16 a 30 de julho.

Clube da Suricato
A Suricato anunciou que já estão abertas as inscrições para o novo clube de assinaturas da cervejaria, batizado de #EhTudoIPA, sendo focado nesse estilo e em suas variações. A Suricato promete entregar na casa dos participantes lotes limitados e exclusivos, para todos que queiram provar em primeira mão as receitas do cervejeiro Estevão Chittó. As duas primeiras receitas exclusivas do clube são uma Hazy IPA com zappa, chinook e el dorado hop hash, e uma Hazy Double IPA com sabro, cryo simcoe e cascade hop hash. Divididas em dois formatos, as assinaturas podem ser semestrais ou anuais.

Madalena com hambúrguer 
A Cervejaria Madalena abriu espaço no bar da fábrica para a retomada das atividades da rede de hamburgueria Busger. Saindo dos seus tradicionais ônibus, a Busger passa a aderir ao estilo dark kitchen, tendo como atrativo combos que combinam as opções do seu menu com as cervejas da casa. Os pedidos podem ser feitos por aplicativos de delivery. “Para nós é muito simbólico o retorno da rede, principalmente sendo dentro do nosso quintal. É o momento ideal para unirmos a qualidade sem igual dos nossos produtos com o vasto cardápio da hamburgueria”, comenta Renan Leonessa, gerente de marketing da Madalena.

Cashback da Ambev
O Méliuz e a Ambev anunciaram uma parceria que oferece cashback em bebidas como Guaraná Antarctica, Pepsi e Gatorade, além de cervejas, como Brahma Duplo Malte, Stella Artois, Budweiser e Colorado Ribeirão. As compras podem ser feitas em qualquer loja física ou pela internet, incluindo aplicativos de delivery em todo o Brasil. A campanha faz parte das ações previstas no programa Além, da Ambev, uma plataforma de co-criação de novos negócios, que gera conexão com startups de todo o país. O Méliuz Nota Fiscal, que tem como objetivo se tornar um novo canal de divulgação e incentivo de vendas dos produtos das empresas parceiras, foi uma das iniciativas selecionadas.

Logística da Império 
A Cervejaria Império desenvolveu uma parceria com a Allis, uma empresa especializada em field marketing, através do aplicativo Allis On Demand, que possui foco no trade varejista e permite a execução de “coleta de validades”. O serviço exige dos promotores o preenchimento das validades de todos os produtos e transforma essas informações em relatórios que devem ser alinhados com o centro de distribuição para fazer a logística das mercadorias. Segundo a Allis, esse investimento resultou na expansão da Império em praças como São Paulo e Pará.