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Menu Degustação: Cursos de tributação, Belgian da Ouropretana, festival em SP…

Festival em SP
Comemorando o aniversário da maior cidade do país, o Festival das Cervejarias Paulistanas ocorre dias 24, 25 e 26 de janeiro, com a participação de 13 marcas de São Paulo. São elas: Avós, Capitão Barley, Caravan, Central, Croma, Dogma, Goose Island, Kinke, Nacional, Tarantino, Van Der Ale, Vórtex e WOT. O evento terá food-trucks e atrações musicais como a banda Frango Vegano e o Bloco Urubó. Com foco no conceito de sustentabilidade, os participantes deverão comprar um Eco Copo por R$ 5 ou levar o seu próprio de casa. A entrada é gratuita. Na sexta o horário será das 16h às 22h, no sábado das 12h às 22h e no domingo das 12h às 20h. O evento acontece na Tarantino, na rua Miguel Nelson Bechara, 316. Mais informações no Facebook do evento.

11 anos da Paulistânia
No próximo dia 25 haverá a comemoração de 11 anos da cervejaria Paulistânia, na zona Sul de São Paulo. A festa terá chopes da marca e da Erdinger, além de um outlet de cervejas especiais para quem quiser levar garrafas para casa. A entrada é gratuita, mas os participantes podem colaborar com 1kg de alimento não perecível para o projeto social do grupo de motociclistas Insanos MC. O evento, que ainda terá música ao vivo, acontecerá das 12h às 19h na avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 1469. Detalhes no Facebook.

Cursos de tributação
Com o objetivo de ajudar as artesanais a entenderem melhor o complexo cenário tributário, a Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) promoverá cursos de tributação cervejeira. No primeiro semestre serão quatro oportunidades: em Florianópolis, dia 30 de março, em Fortaleza, dia 13 de abril, no Rio de Janeiro, em 25 de maio, e em Vitória, no dia 8 de junho. As aulas terão duração de oito horas e serão ministradas pela advogada tributarista Elizabeth Bronzeri. As inscrições serão abertas em breve no site da Abracerva e custarão R$ 300 para o público em geral e R$ 150 para os associados da entidade.

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Estrangeiros no Brasil
Os 14 cursos concentrados de janeiro da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), que começam nesta segunda-feira, em Blumenau, irão receber 300 alunos do Brasil e também de outros países, como Argentina, Angola, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai. Além dos cursos em formato intensivo, com aulas de manhã e à tarde, haverá dinâmicas extracurriculares, como visitações em fábricas da região. “São três semanas que movimentam não só a escola, mas também hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos da cidade”, comenta Carlos Bressiani, diretor da ESCM. Só em 2019, a presença dos estudantes gerou mais de R$ 4,5 milhões para a economia local, segundo estudo realizado pela instituição. A estimativa é que neste ano chegue a R$ 5 milhões.

Mascavo da Ouropretana
A marca mineira acaba de apresentar uma novidade: o chopp Mascavo Belgian Blonde, receita sazonal que está disponível nos bicos da Loja da Fábrica, em Ouro Preto. Em sua composição, a cerveja leva açúcar mascavo artesanal de um engenho de cana da região. A Ouropretana tem, como fornecedores, produtores que trabalham com produtos sustentáveis, incentivando a microeconomia local e o crescimento regional.

Festa da Landel
Aconteceu neste sábado o aniversário de um ano do Tap House da Landel, localizado no Taquaral, em Campinas. Para comemorar a cervejaria lançou novos drinks com cerveja: a CaipirIpa e a Pilserinha, caipirinhas com Session IPA e Mandarina Lager, respectivamente. Neste primeiro ano de existência, o local colecionou boas histórias, recebeu inúmeros food trucks e promoveu eventos como os encontros de colecionadores de tampinhas de garrafas, de copos e de bolachas de chope. A Landel é a mais antiga cervejaria artesanal de Campinas, completando 6 anos em 2020.

Caso Backer: Entenda a polêmica, o que é o dietilenoglicol e a visão do mercado

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A Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão investigando como uma substância tóxica – o dietilenoglicol – foi parar na Belorizontina, da cervejaria Backer. A apuração começou após dez pessoas serem internadas com sintomas de uma síndrome desconhecida – um homem de 55 anos faleceu.

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A investigação da vigilância sanitária, então, identificou que todos os pacientes consumiram a mesma marca de cerveja no mesmo bairro de Belo Horizonte, fato que chamou a atenção e colocou a Belorizontina como principal suspeita de ter causado dores abdominais, náuseas, vômitos, insuficiência renal e problemas neurológicos, como perda de visão e paralisia facial.

Amostras da cerveja na casa dos pacientes foram recolhidas e enviadas para uma perícia técnica no Instituto de Criminalística da Polícia Civil. E o resultado, divulgado na quinta-feira, apontava para a presença da substância dietilenoglicol.

“Informo que nas duas amostras de cerveja encaminhadas pela vigilância sanitária do Município de Belo Horizonte (cerveja Pilsen marca Belorizontina, lotes L1 1348 e L2 1348) foi identificada a presença da substância dietilenoglicol em exames preliminares. Ressalto que estas garrafas foram recebidas lacradas e acondicionadas em envelopes de segurança da vigilância sanitária municipal n. 0024413 e 0021769, respectivamente, informou a Polícia Civil.

Na sexta-feira, diante do ” risco iminente à saúde pública”, o Mapa interditou a cervejaria, determinou o recolhimento de todas as garrafas de Belorizontina que estão no mercado e ainda apreendeu 16 mil litros da bebida que estavam na Backer.

A substância e a contaminação
O dietilenoglicol é usado como anticongelante em sistemas de refrigeração ou como diluidor de algumas substâncias químicas. Uma cervejaria, por exemplo, poderia colocá-lo na água para resfriar o mosto e para manter baixa a temperatura dos tanques durante a fermentação e a maturação.

Segundo o mestre-cervejeiro Luiz Signoretti, gerente de processos da Dortmund, de Serra Negra, em nenhum dos casos a substância entra em contato com a cerveja. “Para que haja uma contaminação tem que haver algum tipo de falha nas soldas internas dos tanques”, esclarece Signoretti, que possui 25 anos de profissão.

Já Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), diz que é muito raro um vazamento nas serpentinas do sistema de refrigeração. Mesmo que aconteça, acrescenta ele, a solução não vai para dentro dos tanques pois ela é aplicada em uma camada externa, sem contato direto com a cerveja.

“Vazamento para dentro do tanque é uma coisa muito rara, eu particularmente não tenho notícia desse tipo de contaminação em nenhuma cervejaria do mundo”, ressalta o presidente da Abracerva.

Há, ainda, segundo Lapolli, outra questão importante: para fazer mal dessa forma ao ser humano, a concentração de dietilenoglicol teria que ser extremamente alta na cerveja. “Ele é usado de forma diluída e, mesmo que houvesse um vazamento, ele seria ainda mais diluído nos milhares de litros de cerveja no tanque e não causaria dano”, avalia.

O uso nas cervejarias
Outro ponto que chama a atenção é que o dietilenoglicol, em geral, não costuma ser usado pelas cervejarias por ser muito caro. A prática do mercado é usar etanol diluído em água para agir como anticongelante, que é bem mais barato.

Em comunicado, a própria cervejaria Backer diz que não utiliza o dietilenoglicol em nenhuma etapa do processo de produção. “A Backer reforça que a substância dietilenoglicol não faz parte de nenhuma etapa do processo de fabricação de seus produtos, inclusive da Belorizontina. E reitera que continua colaborando com as autoridades e que se solidariza com as famílias envolvidas.”

Fato é que o caso ainda tem muitas questões a serem respondidas pela investigação, como aponta Luiz Signoretti, da Dortmund. “Devemos esperar por mais avaliações, feitas por mais de um laboratório, para evidenciar se de fato a substância está na cerveja. E, estando, ainda tem que se provar que de fato esse produto veio da cervejaria. Acredito que é muito prematuro fazer qualquer julgamento.”

Impacto no mercado
A repercussão, porém, já começa a causar impacto no pujante mercado de cerveja artesanal brasileiro. A cervejaria Mago do Malte/Landbier, de Presidente Prudente, teve nesta sexta-feira dois pedidos de venda cancelados depois da repercussão.

“Acho que, em um primeiro momento, ocorrerá uma queda de credibilidade nas cervejas artesanais. À medida das conclusões investigativas, porém, a credibilidade voltará”, projeta Luiz Carlos Freitas, proprietário da cervejaria.

Mesmo antes da determinação do Mapa, a Backer estava recolhendo do mercado os lotes citados no laudo. A cervejaria ainda disponibilizou um número de telefone para que os consumidores que tenham garrafas desses lotes agendem a retirada. O número exclusivo para esse serviço é o (31) 99536-4042.

Caso Backer: Mapa fecha fábrica e determina recolhimento da Belorizontina

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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou na tarde dessa sexta-feira o fechamento da Cervejaria Backer, sediada em Belo Horizonte (MG), como medida preventiva diante de “risco à saúde pública”.

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A determinação ocorre após laudos realizados pela Polícia Civil do Estado de Minas Gerais terem identificado a presença de dietilenoglicol em amostras da cerveja Belorizontina Pilsen, nos lotes L1 1348 e L2 1348. O órgão determinou, ainda, o recolhimento de todas as unidades do rótulo disponíveis no mercado.

Segundo a Polícia Civil, a substância tóxica foi encontrada em garrafas da bebida consumidas em dezembro por pessoas que apresentaram problemas de saúde e seguem internadas. Até o momento, a força-tarefa que investiga os possíveis casos de contaminação contabilizam dez vítimas, sendo uma pessoa morta e nove internadas.

“Diante do risco iminente à saúde pública, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou, como medida cautelar, o fechamento da Cervejaria Backer, fabricante da cerveja Belorizontina. Na mesma oportunidade, foram determinadas ações de fiscalização para a apreensão dos produtos que ainda se encontram no mercado”, aponta o Ministério em comunicado.

A nota do Mapa acrescenta, ainda, que auditores fiscais federais agropecuários continuam engajados na apuração das circunstâncias em que ocorreram a contaminação.

“Análises laboratoriais seguem sendo realizadas nas amostras coletadas pela equipe de fiscalização das Superintendências Federais de Agricultura. Além disso, mais de 16 mil litros de cervejas foram apreendidos cautelarmente. Novas informações serão prestadas após os resultados das análises laboratoriais feitas pelo Mapa”, acrescenta o Ministério.

A Backer, em nota, afirma que o dietilenoglicol não faz parte de seu processo de produção. Aponta também que está recolhendo os lotes L1 1348 e L2 1348 do mercado e que está disposta a colaborar com as investigações para a apuração do caso.

Abracerva cria núcleo para mostrar que inclusão “não é pena, mas oportunidade”

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O ano de 2020 promete trazer uma importante iniciativa com o intuito de ampliar a diversidade e a inclusão no setor cervejeiro: a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) vai implementar em sua estrutura um “braço” para discutir essa temática de modo mais planejado.

A inspiração para a iniciativa da Abracerva veio da Brewers Association, dos Estados Unidos. Por lá, em 2017, uma comissão foi criada para promover a inclusão e a diversificação na comunidade cervejeira. Desde então, produziu material sobre boas práticas de diversidade e inclusão e criou um programa para subsídios de eventos que promovam essas políticas.

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Além disso, a Brewers Association contratou uma embaixadora que viaja pelos Estados Unidos para conversar com os responsáveis pelas cervejarias sobre as temáticas do comitê, abordando assuntos relativos à igualdade e à inclusão.

A ideia da Abracerva será replicar essas ações, trazendo-as para a realidade do setor cervejeiro do Brasil, como explica Nadhine França, consultora cervejeira, fundadora da Maria Bonita Beer e responsável pelo núcleo de diversidade da associação.

“A gente está tentando fazer isso do modo mais sistemático e mais fácil para as cervejarias, com um núcleo dentro da Abracerva, que vai trazer essa discussão em 2020, tomando como exemplo o que a Brewers Association fez em 2017 com a criação do comitê de diversidade”, explica Nadhine ao Guia.

“A Brewers Association tem uma embaixadora que dá palestras e fez manuais para cervejarias tomarem isso como uma parte estratégica da empresa, porque é importante reforçar essa situação”, acrescenta Nadhine.

A ideia do núcleo, portanto, será demonstrar que a diversidade e a inclusão trazem benefícios para as cervejarias que vão além dos sociais. A partir disso, há uma perspectiva de crescimento da participação de mulheres, negros e LGBTs no setor, pois isso atrai mais talentos, impulsiona a inovação e também amplia o público-alvo.

Nadhine diz acreditar que um comitê de diversidade será importante para incutir nas cervejarias a ideia de que a busca por igualdade e inclusão é uma importante estratégia para o sucesso do negócio.

“A diversidade não é pena, algo feito para ajudar. É bom para o seu negócio. É bom começar a pensar de forma diferente e espero que 2020 ajude a mais cervejarias a pensarem assim”, conclui a fundadora da Maria Bonita Beer.

Indústria cai no Brasil, mas produção de bebidas alcoólicas sobe pelo 3º mês

A produção de bebidas alcoólicas no Brasil registrou crescimento pelo terceiro mês consecutivo. A elevação em novembro foi de 5,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

O resultado se deu no sentido oposto ao da produção industrial brasileira, que recuou 1,2% na comparação com o mês imediatamente anterior com ajuste sazonal.

“A queda verificada em novembro eliminou uma parte importante do crescimento atingido nos meses anteriores, sendo que 16 categorias, dentre as 26 avaliadas, tiveram queda”, ressalta André Macedo, gerente da pesquisa.

Mas, segundo os dados do IBGE, a produção de bebidas alcoólicas no Brasil permaneceu em crescimento em 2019, agora de 5,1% até novembro. Já o aumento no período de 12 meses é de 4,9%.

O cenário de crescimento em novembro se repete na indústria de bebidas em geral. Houve elevação de 6,7% no 11º mês do ano, com os dados também sendo positivos em 3,9% no somatório de 2019 e em 3,2% nos últimos 12 meses.

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O mesmo panorama se repete com a produção de bebidas não-alcoólicas: a elevação foi de 7,8% na comparação com o mesmo período de 2018, sendo de 2,4% nos 11 primeiros meses de 2019 e de 1,4% no acumulado dos últimos 12 meses.

Balcão do Tributarista: A redução do ICMS para cervejarias no RS

Balcão do Tributarista: A redução do ICMS para cervejarias no RS

A última sexta-feira de 2019 foi de boas notícias para o setor cervejeiro do Rio Grande do Sul, com a publicação de um decreto que estabelece a redução da alíquota do ICMS – Substituição Tributária para as microcervejarias gaúchas.

Ao todo, foram publicados cinco diferentes decretos que, além de beneficiar o setor cervejeiro, preveem reduções de alíquotas e outros benefícios também para os setores coureiro-calçadista e de cereais, bem como para fabricantes de estruturas metálicas, de transformadores de grande porte e de placas eletrônicas.

No que se refere às microcervejarias, o Decreto Estadual nº 54.966, publicado no Diário Oficial do Rio Grande do Sul de 27/12/2019, modifica o regulamento do ICMS (RICMS) para reduzir a alíquota utilizada no cálculo da substituição tributária de 27% para 13% no período de 1º de abril a 31/12/2020.

O decreto traz alguns pontos que precisam ser observados com atenção pelos empresários do setor. Um exemplo é o alcance da redução: enquanto a Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM) considera como microcervejarias aquelas que produzem até 500 mil litros por mês, o decreto limita o alcance do benefício a uma produção de até 200 mil litros mensais.

Outra questão é que o decreto expressamente classifica como cerveja e chope artesanais “os produtos elaborados a partir de mosto cujo extrato primitivo contenha, no mínimo, 80% (oitenta por cento) de cereais maltados ou extrato de malte”.

Ainda, esta medida reforça a importância de um boa assessoria e da correta escolha do regime de tributação, conforme já abordamos anteriormente. É que a redução somente irá beneficiar os optantes do Regime Geral, não abrangendo quem opta pela sistemática do Simples Nacional. Então, é preciso aproveitar o prazo ainda disponível para fazer a opção pelo regime tributário para verificar se, com essa redução do ICMS, o Regime Geral não passa a ser mais vantajoso para quem está atualmente enquadrado no Simples.

Sem dúvida, é uma importante medida do governo gaúcho, representando um significativo ganho para o setor, uma vez que haverá uma notável redução da carga tributária e, consequentemente, uma possível diminuição do preço final das cervejas artesanais, tornando-as ainda mais competitivas. Assim, ganham as cervejarias e ganham os consumidores.


Clairton Kubaszwski Gama é advogado, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBET) e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Etambém, cervejeiro caseiro

10 especialistas projetam o 2020 cervejeiro

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O ano de 2019 ficou para trás e encerrou a segunda década dos anos 2000. E, agora, é momento de pensar no 2020 cervejeiro. Se os últimos anos foram de consolidação do mercado de artesanais, é preciso ponderar que todo crescimento vem acompanhado de desafios profundos. Transformar um mercado amador e de nicho em uma cadeia profissionalizada requer ações concomitantes e difíceis de serem implementadas.

Entre os grandes desafios dos empreendedores cervejeiros estão melhorar a produtividade das suas empresas, aumentar a qualidade dos produtos, conquistar novos consumidores e se adequar às novas normas técnicas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Em busca dessa reflexão, o Guia ouviu dez especialistas de diferentes áreas, que projetaram os desafios do setor para 2020. Confira.

Bia Amorim, sommelière, editora da Farofa Magazine e jurada do Eisenbahn Mestre Cervejeiro
O ano de 2020 vai ser um desafio pois, com o otimismo na economia, o crescimento chega, mas estarmos prontos é outra prateleira. (…) O desafio da nova rotulagem vai ser algo a ser observado, assim como as consequências das novas mudanças na liberdade de ingredientes a serem colocados nas receitas. (…) O país está em foco e muitas cervejarias estão concentrando esforços por aqui. Mas, com a alta do dólar, só ganha quem produzir “in loco”. (…) Estou curiosa para ver uma melhora no conteúdo postado pelas redes sociais das marcas – e não apenas recebido de influenciadores. (…) Mas a minha maior torcida talvez seja comprar menos cerveja oxidada, com contaminação, diacetil e erros crassos com o mesmo preço de cerveja bem-feita e agradável.

Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva)
Além da recuperação econômica, estamos de olho em 2020 na reforma tributária que está no Congresso. A preocupação é que o chamado imposto seletivo não impacte nas pequenas cervejarias, por isso estaremos acompanhando de perto a evolução da reforma tributária em Brasília.

Clairton Kubaszwski Gama, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBET), e Daniela Froener, especialista em Propriedade Intelectual pela World Intellectual Property Organization (WIPO)
Todas as questões (jurídicas de 2019) deixam clara a importância de se estar bem assessorado em todos os aspectos que envolvem o negócio. Não apenas na parte técnica ou financeira, mas uma assessoria também na parte jurídica se mostra fundamental para que o crescimento possa ser realizado com a maior segurança jurídica possível, evitando litígios que, invariavelmente, podem acabar resultando em prejuízos financeiros.

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Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo
Os resultados satisfatórios da cevada em 2019 permitem prever que, para a safra de 2020, a área cultivada seja no mínimo igual a presente, com boas possibilidades de aumento.

Humberto Saldívar, presidente do concurso Aro Rojo, no México
Sabemos que o desafio será grande na América Latina e, por isso, acreditamos no potencial do concurso cervejeiro como um aliado no fortalecimento do mercado. Temos grandes expectativas.

Nadhine França, consultora cervejeira, fundadora da Maria Bonita Beer e responsável pelo braço de diversidade da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva)
Espero que para 2020 mais cervejarias – hoje a gente tem algumas que já pensam assim – e negócios cervejeiros pensem na importância social e comercial, mercadológica mesmo, de ter uma diversidade dentro do seu negócio, mesmo que seja uma parte do negócio. Trazer artistas mulheres para fazer as artes dos rótulos, pensar em contratar empresas femininas para fazer trabalho de mídia social.

Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel)
As cervejas especiais e premium continuam crescendo no portfólio de cervejas e o gosto do público em bares e restaurantes continua o mesmo: preferência por cerveja, apesar de alguns destilados, como o gin, terem sido destaque no ano passado.

Rodrigo Jordão Rosa, presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais Paulistas (Acerva Paulista)
Nossa associação está mais forte, com uma estrutura melhor e maior engajamento dos associados. A Acerva Brasil também está se organizando com um importante movimento nacional para integrar os cervejeiros caseiros de todo o país, e isso trará benefícios para quem faz sua própria cerveja.

Sady Homrich, cervejeiro, sommelier, jurado do consurso Mestre Cervejeiro da Eisenbahn e baterista do Nenhum de Nós
Em 2020 haverá um filtro em relação ao custo-benefício. Algumas cervejarias já conseguem ser competitivas mantendo a qualidade. 2020 será o ano do “beba local”, pois a carga tributária e a pulverização das microcervejarias pelo país privilegiam o consumo local.

Taiga Cazarine, jornalista e beer sommelier
No mundo todo você vê cervejarias pequenas lutando para sobreviver e pagar as contas – e usando a criatividade para isso. Nos EUA, que é uma referência de mercado maduro para nós, também acontece a mesma coisa que acontece no Brasil: os cervejeiros enfrentam muitos desafios e ainda possuem dificuldades para levar o conhecimento dos estilos aos consumidores. É assim na Espanha, na Itália e em Portugal. Isso mostra que o Brasil está no caminho certo: as dificuldades sempre existirão, mas as cervejarias brasileiras estão evoluindo.

“Janeiro seco” movimenta mercado cervejeiro nos EUA e Reino Unido

É normal testemunhar ou mesmo protagonizar resoluções de ano novo que incluam a diminuição do consumo de álcool, como não beber até o carnaval, passar janeiro sem álcool ou desenvolver regras próprias para começar o ano bebendo menos. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, essa prática ganhou um apelido e se populariza a cada ano. Em 2020, é a vez de grandes cervejarias, como Heineken, e médias, como a Brewdog, se engajarem no Dry January, o Janeiro Seco.

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Esse movimento de zerar o consumo de álcool em janeiro teve origem na Finlândia, em 1942. Já em 2011 Emily Robinson, CEO da Alcool Concern, uma organização britânica voltada à causa do alcoolismo, ficou o mês sem beber para se preparar a uma prova de meia maratona, publicou sua experiência e incentivou pessoas a fazerem o mesmo no ano seguinte.

Em 2013, por fim, o Dry January foi estabelecido oficialmente como campanha, endossada por diversas entidades ligadas à causa. Segundo pesquisa da organização, 4,2 milhões de britânicos aderiram ao desafio em 2018.

E os efeitos da preocupação com o consumo excessivo já têm mexido com o mercado. Nos últimos dois anos, a venda de cervejas com teor alcoólico de 1.2% ou menor aumentou drasticamente no Reino Unido.

Segundo a consultoria Mintel, 28% das pessoas que se declaram consumidores de bebidas alcoólicas afirmam estar cortando o volume consumido por conta de preocupações com a saúde, enquanto dados da EeBria Trade mostram que as vendas de cerveja sem álcool aumentaram 381% desde 2017.

De carona na tendência do Janeiro Seco, a cervejaria escocesa Brewdog abriu nesta segunda seu primeiro bar dedicado unicamente às cervejas sem álcool em Londres. São 15 torneiras de rótulos não-alcoólicos (ABV abaixo de 0,5%) da marca. Além disso, a cervejaria promove “refil grátis” de cervejas sem álcool em sua rede de bares pelo mundo.

Nos EUA, pesquisa de 2019 mostrou que 23% das pessoas planejavam passar um mês sem beber. Embarcando nessa onda, a Heineken promoverá, durante o mês de janeiro, a entrega de “kits” para que os consumidores aproveitem o mês sem álcool, mas também sem deixar de aproveitar sua cervejinha diária.

Assim, caixas com 31 garrafas long neck de Heineken 0.0 e um calendário foram distribuídos em Nova York, Los Angeles, San Francisco, Filadélfia, Boston, Las Vegas e Washington DC.

“Com mais de 20% das pessoas que bebem aderindo ao Dry January, achamos que a Heineken 0.0 pode liderar as vendas e lucros ao engajar aqueles que ainda querem uma cerveja, mas estão resolvidos a deixar a bebida por um tempo”, afirma Meredith Kiss, gerente da marca.

Ainda nos EUA, a MolsonCoors aproveitou o momento para uma “releitura” da proposta, sugerindo um janeiro nem totalmente seco, nem exagerado, mas com o consumo de sua marca Miller64, que tem 64 calorias e apenas 2,8% ABV.

Cevada supera problemas climáticos e tem ano positivo, aponta especialista

Os produtores de cevada conseguiram superar um cenário de clima adverso para que 2019 terminasse sendo positivo para a sua safra. Essa é a avaliação de Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo, apontando uma produtividade de cerca de 3.500 kg/ha, valor alcançado mesmo com as dificuldades encontradas na região Sul, onde se concentra a produção do cereal cervejeiro no Brasil.

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“A safra de cevada pode ser considerada positiva considerando-se o clima desfavorável, com seca prolongada no Paraná e excesso de chuvas na colheita no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A produtividade nacional média deve ficar ao redor de 3.500 kg/ha, que pode ser considerada boa diante das adversidades climáticas”, afirma Minella ao Guia.

O pesquisador destaca, porém, que o excesso de chuva afetou a colheita no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com uma parcela da safra não conseguindo atingir o padrão de qualidade exigido para ser utilizada pela indústria cervejeira. Com isso, parte da produção precisou ser descartada, provocando prejuízos aos produtores desses estados.

“Enquanto no PR, SP, MG e GO a qualidade da colheita foi boa, no RS e SC cerca da metade não atingiu o padrão cervejeiro, sendo destinada a outros usos, principalmente alimentação animal. Os motivos para descarte foram perdas de poder germinativo e contaminação por micotoxinas causada por Fusarium graminearum”, explica o especialista.

Nesse cenário, Minella aponta que a produtividade média da cevada no último ano foi, respectivamente, de 2.000, 3.000, 3500, 4.500 e 4.700 kg/ha em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Paraná, em São Paulo e conjuntamente em Goiás e Minas Gerais.

São dados que, em sua avaliação, indicam um cenário positivo para a produção do cereal cervejeiro no ano recém-iniciado. “Os resultados satisfatórios permitem prever que, para a safra de 2020, a área cultivada seja no mínimo igual a presente, com boas possibilidades de aumento”, conclui Minella.

Lohn Bier celebra prêmios da Carvoeira e identidade com Lauro Müller

A Carvoeira manteve o status de referência no mercado de cervejas artesanais em 2019. Rótulo da catarinense Lohn Bier, a cerveja recebeu dez medalhas em concursos nacionais e internacionais, se declarando como o rótulo brasileiro que mais foi premiado no último ano.

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Entre os destaques está a medalha de prata conquistada no European Beer Star, na Alemanha. Na South Beer Cup, duas versões da Carvoeira levaram ouro e bronze: a Carvoeira Pimenta e a Stout com Funghi Secchi e Cumaru, respectivamente.

“Atingir a marca de cerveja mais premiada do Brasil, pelo terceiro ano consecutivo, é motivo de muito orgulho, pois comprova que quando a cerveja é realmente especial e a equipe é competente, todo esforço vale a pena”, afirma a Lohn Bier.

Em seus cinco anos de existência, a cervejaria contabiliza o expressivo número de 100 medalhas, sendo 28 somente para a Carvoeira. Esses números dão dimensão da exposição da Lohn Bier. Afinal, trata-se de uma cervejaria originária da cidade de Lauro Müller, em Santa Catarina, com cerca de 15 mil habitantes, mas que tem conseguido levar o seu nome para outras regiões através de seus rótulos, como a Carvoeira.

O rótulo, aliás, é uma cerveja Russian Imperial Stout na sua base, mas com o acréscimo de três especiarias: candy sugar, funghi secchi e cumaru (chamada de baunilha brasileira).

“Nossa felicidade é ainda maior por termos a convicção de que estamos levando longe o nome de Lauro Müller e de Santa Catarina, representados da melhor forma possível no cenário cervejeiro, com qualidade e criatividade. Aliás, mostrar quem somos e de onde viemos é com a gente mesmo! A própria Carvoeira está aí para comprovar que temos muito orgulho da atividade econômica que tanto lembra a nossa região”, complementa a Lohn Bier.