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Como a política pode tornar o setor mais inclusivo: especialistas debatem

Em menos de dez dias, a população brasileira irá às urnas para eleger representantes em cinco cargos: presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. E serão dos escolhidos na disputa política que a população deverá cobrar a implementação de pautas urgentes, como a redução da desigualdade racial, a inclusão dos negros e a igualdade de oportunidades.

Em termos de representatividade, ainda é baixa a participação dos negros na política, palco importante para construção de novos processos, além da criação e implementação de políticas públicas. Pensando nisso e dando sequência à série de reportagens sobre as eleições, o Guia ouviu de especialistas quais são as demandas do movimento negro em busca de uma sociedade e de um setor cervejeiro mais democrático. Além disso, eles apontaram como isso pode se dar e ser implementado.

“Há de se ter muita discussão, pois é na arena pública, no debate e na dialética que ela acontece. A política atua no campo da objetividade, em que pese as particularidades e especificidades de cada comunidade, cidadãs e cidadãos a que se dirige. A política não é somente vertical, não é de cima para baixo, não apenas institucionalizada, mas é horizontal”, afirma a sommelière Sara Araujo.

A população negra, ainda que em proporção bem inferior ao da sua representatividade, sempre foi parte ativa no processo democrático, como por exemplo, com a atuação de Abdias Nascimento, que foi deputado federal e senador, e Carlos Alberto Oliveira, conhecido como Caô, autor do projeto de lei que define os crimes em razão de preconceito e discriminação de raça ou cor, além de outros representantes, como lembra a sommelière.

 “Não podemos esquecer de Benedita da Silva, que, junto com Lélia Gonzalez, militou no âmbito institucional pela vida das pessoas negras, Benedita, foi a relatora da PEC das Domésticas, o que culminou na Emenda 72, alterando a Constituição Federal, garantindo piso salarial, férias e 13º salário às trabalhadoras domésticas”, pontua Sara.

Ainda assim, os negros sofrem com a baixa representatividade no sistema político, raramente vendo suas demandas sendo atendidas. Foi o que lembrou, ao Guia, o publicitário, escritor e especialista em criação de conteúdo Eduardo Sena, apontando a falta de políticas voltadas à população negra no Brasil, inclusive nos programas de governo e debates eleitorais.

“O primeiro debate entre presidenciáveis não trouxe diversidade, não tinha jornalistas pretos, nem a pauta foi citada. A mulher foi desrespeitada mais de uma vez sem que outros candidatos se manifestassem. Economia e soluções para tirar o país desse buraco não apareceram. Meio ambiente, então, nem chegou perto da pauta”, afirma.

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Diante desse desafio, o Guia ouviu profissionais do setor cervejeiro em busca das demandas e necessidades do movimento negro. Eles apontam caminhos para a inclusão acontecer. Confira: 

1 – É preciso fortalecer o movimento
Para Eduardo Sena, o movimento negro e seus aliados precisam atuar unificados, nas cobranças às marcas e instituições, para que ações inclusivas sejam realizadas, fortalecendo a luta por diversidade. Ele cita, inclusive, o trabalho da Central Única das Favelas (Cufa) como inspiração.

“Sinto que precisamos nos organizar mais, ter mais força política, agir em bloco e com propósito claro, ao invés de só esperar as empresas. A Cufa nasceu dessa forma e hoje impacta a vida de pessoas nas favelas do país todo e também fora dele. Sinto que dessa forma poderemos realmente olhar para as demandas do movimento dentro do nicho, pois elas sempre existiram e são muitas, mas, infelizmente, ainda dependem de pessoas não negras interessadas em mudança para que entrem na pauta”, diz.

2 – Colocar a política na vida das pessoas
Para Eduardo Sena, a política deve ser feita no dia a dia das pessoas, assim como discutida em conversas entre amigos e em publicações nas redes sociais. “Política é uma arte, porque é um reflexo da vida. Nem precisa ir muito longe, um casamento só sobrevive graças à política. Sem ela, duas pessoas de sexo, interesse, origem, raças, religiões, times ou até nacionalidades diferentes não viveriam um projeto de vida juntas. Política é fundamental para que posições antagônicas possam nivelar interesses e chegar a um consenso”.

3 – Fazer política dentro do setor cervejeiro
Se a política deve fazer parte da vida das pessoas, como defende Eduardo Sena, ela deve ser exercida, também, dentro do setor cervejeiro, abrindo espaço para a diversidade.

É preciso que haja mais política genuína entre empresas, instituições, associações e profissionais cervejeiros. O mercado precisa se alinhar entre si, fazer política real, puxar entidades e grupos minorizados para a mesa, mapear as demandas que levarão todos para um futuro melhor e, como um grupo organizado e forte, cobrar governos que virão

Eduardo Sena, publicitário, escritor e especialista em criação de conteúdo

4 – Eleger candidatos que representem os negros e lutem pela representatividade
A população negra sempre esteve na arena política lutando por políticas públicas e direitos de toda ordem, mas o que ocorre no Brasil é que a maioria da população negra não tem representatividade condizente no Legislativo. “Quando não se tem deputados e deputadas, senadores e senadoras comprometidos/as com o social, a população sofre, sobretudo, aqueles minorizados politicamente, que, infelizmente, no Brasil, a maioria tem cor, e a cor dos que mais sofrem pela falta de políticas pública é negra”, diz Sara Araujo.

Por isso, ela destaca a importância de se eleger representantes negros, assim como de outros grupos minorizados, como os indígenas e os LGBTQIA+, para que essas vozes sejam ouvidas na política.

“O espectro da cerveja artesanal não está descolado dessa realidade macro. Um exemplo, a Instrução Normativa (IN) 65, que rege o campo da cerveja, para ser aprovada passou por ‘lobistas’ até conseguir suas mudanças. Por fim, a política institucional é necessária para viabilizar o bem comum, e quanto mais diversidade tiver, mais populações serão contempladas em suas demandas”, diz.

5 – A importância das ações diretas
Para Paulão Silva, criador do Brassaria Brasília e membro do coletivo AfroCerva, ter um setor cervejeiro democrático e mais inclusivo depende muito mais dos atores que compõem esse ecossistema do que das ações de políticos. “De atores que realmente queiram mudar o setor, e não apenas pessoas que usam as pautas inclusivas apenas para benefícios próprios, que podemos chamar de ‘ativismo de conveniência’”, pondera.

6 – Debater e incluir minorizados em eventos e ações
Paulão destaca que o setor precisa de iniciativas que coloquem pessoas pretas e mulheres como protagonistas no setor. E isso pode acontecer nos eventos, com a realização de painéis e debates sobre inclusão, diversidade e equidade fazendo parte da programação principal. Além disso, destaca que grandes marcas já se atentaram para a importância da diversidade, uma pauta que precisa ser seguida pelas artesanais.

“Da mesma forma que algumas cervejarias maisntream têm chamado para a discussão e incluído em seus portfólios de publicidade das marcas players negros, negras e mulheres, o setor de cervejarias artesanais deve se atentar a este movimento ou vai ficar para trás e continuar apenas reclamando das ‘grandes’”, completa Paulão.

Desabastecimento e inflação pressionam bares e “mudam” menus

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A inflação e o desabastecimento têm sido grandes desafios para bares e restaurantes do Brasil. Uma pesquisa com 830 empresas, ouvidas entre 11 e 30 de agosto, constatou que 62% desses estabelecimentos precisaram promover mudanças em seus cardápios entre maio e julho por causa desses problemas.

O estudo faz parte da série Covid-19 e foi divulgado pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR), que o promoveu em conjunto com a Galunion, consultoria especializada no mercado de serviços alimentícios, e o Instituto Foodservice Brasil. Anteriormente, uma investigação desta série, realizada em abril, indicou que a inflação é o maior desafio para oito de cada dez bares, em projeção feita para 2022.

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As mudanças nos cardápios ocorreram no mesmo trimestre em que o preço médio de alimentos e bebidas registrou variações expressivas de custo, de 2,58%. O IBGE confirmou que o setor de alimentação e bebidas teve elevação nos preços de 1,30% em julho, após altas de 0,80% em junho e 0,48% em maio. Inserida neste universo, a cerveja consumida fora do domicílio também apresentou aumentos de 0,65% em julho e de 0,36% em maio, enquanto em junho registrou deflação de 0,20% no seu custo.

Em meio a este cenário, a pesquisa divulgada pela ANR, entidade que representa mais de 15 mil estabelecimentos do país, também indicou que a elevação dos preços dos insumos motivou 63% dos proprietários de bares e restaurantes ouvidos a revelarem preocupação em reduzir desperdícios. Já 57% admitiram que passaram a comprar produtos oferecidos aos seus clientes com novos fornecedores para diminuir os custos e assim poderem continuar tendo rentabilidade com os negócios.

No período entre maio e julho, 67% dos participantes da pesquisa disseram que começaram a testar a compra de produtos de novas marcas de fornecedores, sendo que 73% deste grupo de empresas reconheceu que a decisão foi motivada pela oferta de preços mais acessíveis e 40% justificaram a procura devido a problemas enfrentados com as fontes de abastecimento.

Inflação é principal desafio do ano para 68% dos bares
O estudo da ANR também revelou que a inflação é o principal desafio a ser vencido neste ano para 68% dos estabelecimentos ouvidos. A segunda maior preocupação das empresas do setor para 2022 é com a necessidade de atrair clientes, além de manter e aumentar os seus índices de vendas, com 53% dos participantes revelando essas metas como as mais importantes para o segundo semestre.

“Ainda que o setor siga sua recuperação depois dos piores anos da história (2020 e 2021, com a pandemia), tem sido um desafio imenso lidar com a inflação de alimentos. Sem poder repassar esses custos, as empresas penalizam margens que por vezes estavam justas e comprometidas com o passivo da pandemia”, diz Fernando Blower, diretor-executivo da ANR.

A redução da carga tributária sobre o setor de bares e restaurantes também foi abordada por Blower, cuja entidade havia manifestado que esse tema é a principal demanda a ser apresentada pela associação aos vencedores da eleição de outubro.

“Para uma melhora consistente em todo o setor, seguiremos defendendo a redução da carga tributária, uma reforma tributária que desonere a folha de pagamento dos funcionários, o estímulo ao crédito, em especial para pequenas empresas, o fomento ao primeiro emprego no setor de alimentação e o aumento do teto do Simples Nacional”, completa o líder da ANR.

Na pesquisa, 55% dos estabelecimentos admitiram dificuldades em contratar e reter colaboradores, sendo que 31% das empresas reconheceram que usaram premiações por metas atingidas entre as suas estratégias para segurar seus funcionários. Já em relação a benefícios e mudanças de gestão, o oferecimento de treinamentos internos e externos foi método adotado por 29% dos entrevistados, enquanto apenas 17% disseram ter apresentado plano de carreira como incentivo para manter por mais tempo os seus subordinados.

Faturamento no 1º semestre foi maior para 57% das empresas
Das 598 empresas independentes e 232 redes de bares e restaurantes ouvidas na pesquisa, 57% confirmaram ter obtido faturamento maior nos primeiros seis meses deste ano na comparação com o semestre inicial de 2021. Já entre os restaurantes com mais de 10 anos de atuação, 70% disseram ter faturado mais na primeira metade de 2022 do que no mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, 37% dos estabelecimentos ouvidos reconheceram ainda estarem com dívidas e pagamentos em atraso, sendo que 78% dos entrevistados dentro desta faixa de endividados acreditam que vão demorar até dois anos para quitar os débitos.

Augusto Balieiro, fundador da Walfänger, morre aos 65 anos; veja homenagens

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O setor cervejeiro brasileiro perdeu um importante empreendedor. Augusto César Balieiro, sócio-proprietário da Cervejaria Walfänger e um dos idealizadores do Polo Cervejeiro de Ribeirão Preto (SP), faleceu no início da madrugada de quarta-feira (21). Ele também era diretor do bar Seo Tibério, localizado no estádio Santa Cruz, do Botafogo-SP.

Augusto Balieiro tinha 65 anos e era casado com Ana Vera Balieiro, também deixando os filhos Raoni e Caio, que trabalhavam com ele na operação da Walfänger. “O dia amanheceu chuvoso como se Ribeirão Preto se despedisse conosco do homem que foi muito mais do que um patriarca para nossa família. Esposo, pai, avô, fundador da Walfänger, idealizador do Polo Cervejeiro e alicerce dos nossos sonhos. Não há palavras que expressem o quanto somos e seremos eternamente gratos aos ensinamentos que fundamentaram nossa família nos 65 anos em que tivemos a honra de sua presença constante, e ajudaram a construir a sociedade cervejeira de Ribeirão Preto”, publicou a Walfänger em seu perfil no Instagram.

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Em contato com a reportagem do Guia, Caio, um dos filhos de Augusto Balieiro e sócio-diretor da Walfänger, prometeu dar sequência aos sequência aos sonhos do pai no setor cervejeiro. “Tive muita sorte de tê-lo como pai, mentor e sócio. Ele foi muito importante na minha vida e na vida de muita gente. O legado dele vai continuar. Vamos levar os ensinamentos dele para sempre e fazer o que ele sempre sonhou”, diz.

A sommelière de cervejas Bia Amorim destacou a importância de Augusto Balieiro para o setor cervejeiro de Ribeirão Preto e para os eventos na cidade e região. Na sua trajetória, ele também participou da organização de feiras como Fenasucro e Agrocana.

Augusto Balieiro foi um empresário muito importante para a cidade de Ribeirão Preto. Antes da cerveja, movimentou o mercado de eventos e depois, construiu com os filhos, a cervejaria Walfänger no distrito de Bonfim Paulista (SP). Com um olhar muito focado nos negócios, foi um dos fundadores do Polo Cervejeiro de Ribeirão e trouxe muitos benefícios para o setor cervejeiro da região. Esposo, pai e avô querido, deixa um grande legado com suas histórias e as cervejas. Um brinde ao Augusto

Bia Amorim, sommelière de cervejas

A morte de Augusto Balieiro provocou manifestação de pesar, através de nota, do prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira. “É com imenso pesar que recebo a notícia de falecimento do empresário e amigo, Augusto Balieiro. Fundador da Cervejaria Walfänger e diretor do Seo Tibério, ícones da nossa Ribeirão Preto, deixa um legado de grande importância para construção da nossa história”, diz, citando o legado deixado pelo fundador da Walfänger.

“Balieiro foi responsável pela aprovação do Polo Cervejeiro de Ribeirão Preto o que permitiu aos pequenos e médios produtores de Ribeirão Preto ter acesso a linhas de crédito, redução de alíquotas e incentivo à estrutura e promoção da atividade. Assim, contribuiu para a movimentação da economia, geração de oportunidade e para levar o nome da nossa cidade para o restante do país. Nesse momento de dor, aos familiares deixo meu profundo sentimento”, acrescenta.  

O Polo Cervejeiro de Ribeirão Preto é um órgão ligado à Acirp, a associação comercial e industrial da cidade, reunindo cervejarias artesanais da região, com o intuito de promover eventos e fomentar o setor no interior paulista. E lamentou a perda de um dos seus idealizadores.

“Augusto Balieiro, fundador da cervejaria Walfänger, contribuiu para o fortalecimento da cultura cervejeira em nossa região. Além de fundar uma cervejaria mundialmente reconhecida pela qualidade exemplar, Augusto foi um dos principais responsáveis pela aprovação do Polo Cervejeiro de Ribeirão Preto como um APL”, destaca o polo cervejeiro.

Walfänger e Polo Cervejeiro
A morte de Augusto Balieiro acontece apenas alguns dias depois da realização de um grande evento cervejeiro organizado pelo Polo Cervejeiro de Ribeirão Preto, que teve a Walfänger com um dos seus destaques: o Craft Beer Ribeirão, que aconteceu de 9 a 11 de setembro, contando com festival cervejeiro, meeting e duas competições, a South Beer Cup e a Copa Paulista de Cerveja.

Em ambas as disputas, a Walfänger conquistou medalhas, sendo a melhor marca do Brasil na competição sul-americana, com um ouro e uma prata. E ainda foi a cervejaria mais premiada na disputa paulista.

O resultado é um dos destaques da trajetória da Walfänger, fundada por Augusto Balieiro no final de 2012, carregando o slogan “Um Pedaço da Alemanha no Brasil”. Instalada em Bonfim Paulista, na região de Ribeirão Preto, a cervejaria tem sete estilos fixos em seu portfólio e outros sazonais. E afirma que a sua planta industrial possui capacidade para 100 mil litros.

Em 2017, a Walfänger ampliou a sua atuação ao fundar a Cerveja 12, uma marca criada em parceria com o ex-goleiro Marcos. E vem buscando expandir a sua presença, tanto que hoje conta com um espaço próximo ao Allianz Parque, onde promove a cerveja do parceiro e ídolo do Palmeiras.

Já o Polo Cervejeiro de Ribeirão Preto, com a atuação direta de Augusto Balieiro, foi criado em novembro de 2015. Com o intuito de realizar ações em conjunto, reúne, hoje, 11 cervejarias da região: Alquimia, BR Brew, Experiência, Invicta, Lund, Maltesa, Martinica, SP 330, Walfänger, Weird Barrel Brewing Co. e Wolfes Bier, com todas fazendo parte do Programa Empreender da Acirp.

Dossiê Cade: entenda acusação sobre exclusividade que opõe Ambev e Heineken

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Uma investigação sobre acordos de exclusividade em pontos de venda tem movimentado o setor cervejeiro brasileiro. O processo foi iniciado em março, quando o Grupo Heineken apresentou acusação contra a Ambev junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e prossegue, com a autarquia tendo solicitado posicionamentos das duas empresas, assim como dos concorrentes Grupo Petrópolis e Estrella Galicia, sobre as suas estratégias no mercado.

O inquérito administrativo em que o Grupo Heineken acusa a Ambev de concorrência desleal pelo modo como consegue contar com pontos de venda premium exclusivos teve, até agora, o seu principal desdobramento no fim de julho.

Naquele momento, a Superintendência Geral do Cade negou pedido de medida preventiva solicitado pela multinacional de origem holandesa para impedir a Ambev de firmar novos contratos de exclusividade com estabelecimentos comerciais classificados como premium por meio de acordos que considera serem lesivos à concorrência.

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Ainda assim, o Cade acolheu o posterior pedido do Grupo Heineken para dar sequência à investigação do caso, solicitando novos posicionamentos para a multinacional de origem holandesa, assim como para a Ambev. Além disso, pediu que o Grupo Petrópolis e a Estrella Galicia apresentassem suas visões sobre políticas de exclusividade em pontos de venda.

A existência de contratos de exclusividade é conhecida na relação entre a indústria de bebidas e os bares. Eles costumam envolver o pagamento de luvas, a oferta de descontos de acordo com os produtos adquiridos, além da cessão de mesas, cadeiras e geladeiras. Mas há questionamentos sobre sua validade, pois a exclusividade reduz as opções de compras do consumidor, algo mais difícil de acontecer no varejo, diminuindo drasticamente a concorrência.

Diante da importância do caso, que pode até mesmo provocar mudanças nas políticas de acordos de exclusividade de grandes cervejarias com estabelecimentos comerciais, o Guia preparou um material especial sobre o inquérito administrativo.

A denúncia da Heineken e a decisão inicial do Cade
Em março, o Grupo Heineken protocolou ação no Cade alegando que a Ambev fechou uma parte do mercado às concorrentes através de contratos de exclusividade. Para comprovar a acusação, a empresa apresentou estudo indicando que parcela relevante de bares premium de bairros importantes de 11 grandes cidades brasileiras só vendiam rótulos da concorrente.

A multinacional apresentou um mapeamento em que 90% dos estabelecimentos comerciais procurados “afirmaram (à empresa) ter contratos de exclusividade, escritos ou não, com a Ambev”.

“Mediante o oferecimento de pagamentos de luvas, concessão de descontos não lineares, oferta de materiais e outras bonificações, a Ambev exige exclusividade de venda dos produtos Ambev, fechando o acesso de seus concorrentes a inúmeros PDVs Premium. Como resultado, há uma limitação substantiva do processo competitivo e da liberdade de escolha dos consumidores”, afirma o Grupo Heineken.

A argumentação, porém, não foi aceita pelo Cade para a aplicação de uma decisão liminar, como solicitado pela empresa. Para isso, a autarquia alegou não ser possível comprovar o ilícito concorrencial, apontando a necessidade de aprofundamento da investigação.

Um dos argumentos apresentados pelo Cade foi, inclusive, a força exibida pelo Grupo Heineken no segmento premium brasileiro. “Cabe considerar que a Heineken possui participação de mercado superior a 20% no mercado nacional de PDVs premium e tem registrado crescimento de sua participação nos últimos anos”, diz, em um trecho da decisão.

Além disso, o Cade destaca que a própria multinacional holandesa possui seus acordos de exclusividade. “A atuação da empresa é mais forte justamente no segmento high-end, formado por marcas de preço mais elevado e maior percepção de qualidade, o que é mais um indicativo de que a Representante possui forte penetração nos PDVs alvos da prática denunciada, lembrando que ela também celebra acordos de exclusividade de vendas”, afirma.

E ao menos em sua manifestação inicial, o Cade argumentava sobre riscos envolvidos em determinar o fim dos acordos de exclusividade com bares ou restaurantes, seja para as cervejarias, os próprios estabelecimentos ou mesmo os consumidores.

A cessação dos acordos de exclusividade de venda vigentes ou mesmo a proibição de celebração de novos acordos poderia criar dificuldades financeiras significativas para bares, restaurantes e casas noturnas, que possuem um modelo de negócio baseado em altos investimentos em publicidade, na ambientação do lugar e no compartilhamento dos gastos com fornecedores. Como visto, a prática de exclusividade de vendas gera eficiências para ambas as partes contratantes e também para o consumidor final. No caso, o consumidor final poderia ser prejudicado pela diminuição de seu bem-estar, na forma de uma redução na oferta de estabelecimentos comerciais diferenciados

Cade

Cervejarias se manifestam novamente
Diante da decisão do Cade de indeferir a concessão de medida preventiva solicitada, o Grupo Heineken apresentou novo recurso. A empresa alegou, mais uma vez, que a Ambev detém posição dominante no mercado, destacando que os PDVs premium são chave para a competição. Além disso, defendeu que há evidências suficientes de que a exclusividade praticada pela concorrente fecha parcela substantiva dos PDVs premium, em conduta que gera efeitos anticompetitivos importantes.

O Grupo Heineken ainda apontou que a demora do Cade para uma decisão pode levar a Ambev a ampliar as suas estratégias de exclusividade, assim como provocar o “arrefecimento da capacidade dos concorrentes da Representada em acompanhar ou ter capacidade de competir contra o abuso de posição dominante e poder econômico na concessão de vantagens financeiras ao setor de bares e restaurantes”.

E ao aceitar o recurso do Grupo Heineken para continuar avaliando a denúncia, o Cade fez cinco pedidos às cervejarias envolvidas, indicando interesse em aprofundar o seu entendimento sobre os impactos dos contratos de exclusividade. Foram eles:

  • Indicar quais programas de exclusividade possui em andamento, notadamente em relação aos Bares e PDVs do segmento Premium, de acordo com o padrão de classificação da Nielsen, podendo, se for esse caso, prestar seus esclarecimentos e considerações quanto à delimitação do referido mercado;
  • Apresentar o detalhamento dos referidos programas e os dados e estudos econômicos que justifiquem a eficiência econômica destes programas, se houver;
  • Esclarecer quanto à sua política de preços e descontos, indicando se concede descontos não lineares, descontos por lump sum ou se efetua o pagamento de bonificações de exclusividade;
  • Explicar se faz vendas de seus em pacote (bundling), em pacotes de venda casada ou se condiciona a compra de refrigerantes ou de determinadas marcas de cerveja à compra de outros produtos ou serviços de seu portfólio; e
  • Esclarecer no que os programas e políticas de preço ora em vigor se diferenciam dos programas objeto de TCC anteriormente firmado com este Conselho, se houver alguma diferença significativa.

Nas contrarrazões ao recurso, entre outros argumentos, a Ambev questiona a metodologia da pesquisa realizada e incluída pelo Grupo Heineken na ação apresentada ao Cade.  A empresa alegou a “existência de viés de seleção no mapeamento realizado, já que foi feito exclusivamente com PDVs (pontos de vendas) que não pertencem à base de clientes da representante”.

Além disso, a Ambev apontou já existir forte concorrência no mercado premium, negando o seu domínio, citado pelo Grupo Heineken. “Ambev e HNK são dominantes no mercado de cerveja, sendo que a HNK lidera o mercado em relação a produtos high-end, indicando a inexistência de barreiras artificiais à distribuição”, diz.

A companhia, inclusive, tem, em seu documento, como uma espécie de epígrafe, uma declaração do CEO do Grupo Heineken no Brasil, Maurício Giamellaro, à Isto É Dinheiro. “Hoje a gente está feliz com nossa estratégia, que tem sido liderar o premium, e a gente tem mais do que o dobro do segundo colocado, acabamos de assumir no mercado craft e já temos a liderança do economy e do mainstream puro malte”.

E o documento ainda faz um pedido para que o Cade investigue os acordos de exclusividade do Grupo Heineken. “Em caráter subsidiário, requer-se que se digne V.S.ª a determinar a instauração de inquérito administrativo com a finalidade de investigar as práticas de exclusividade adotadas pela HNK, líder no segmento high-end, que indicou em sua própria Representação praticar contratos de exclusividade de forma bastante abrangente e sem vislumbrar benefícios aos PDVs”.

Guia ouve as indústrias
Em meio ao processo, o Guia entrou em contato com as quatro empresas cervejeiras em busca de posicionamentos sobre o caso. À reportagem, o Grupo Heineken avaliou como positiva a decisão do Cade de solicitar o posicionamento das principais indústrias cervejeiras que atuam no mercado brasileiro. E diz que seria favorável a uma decisão da autarquia que, a partir de agora, vetasse a assinatura de acordos de exclusividade com bares pela indústria de bebidas.  

“Está em linha com a nossa demanda: queremos, justamente, avaliar o que é mais benéfico para o ambiente de negócios como um todo”, destaca o Grupo Heineken, em nota oficial.

Seguimos colaborando com o Cade e confiantes de que, ao final do processo, o órgão tomará a melhor decisão para o mercado e para os consumidores. Nesse cenário, como já manifestamos ao Cade, estamos dispostos a deixar de celebrar acordos de exclusividade de vendas de produto no canal frio, caso a autoridade decida nesse sentido em relação à nossa maior concorrente e líder de mercado

Grupo Heineken

A empresa também diz que “iniciou o processo junto ao Cade por acreditar em uma prática concorrencial justa e na liberdade de escolha do consumidor”. “Acordos de exclusividade no setor de bebidas são estratégias de negócio juridicamente aceitas, mas que vêm sendo adotadas de forma abusiva pela líder do mercado de cerveja, principalmente entre estabelecimentos considerados premium – frustrando o ambiente concorrencial, reprimindo o crescimento de novas marcas e limitando a oferta de produtos ao consumidor”.

Já a Ambev nega a prática de qualquer conduta irregular em suas estratégias comerciais dentro do país, garantindo respeitar a legislação concorrencial brasileira. E cita, inclusive, um termo de ajuste de conduta firmado com o Cade em 2015, no qual se comprometia a não ultrapassar em 8% a parcela dos pontos de venda com contrato de exclusividade.

Em 2020, o Cade atestou que o termo de ajuste de conduta acordado em 2015 estava integralmente cumprido. Mesmo sem ter a obrigação, continuamos monitorando os mesmos indicadores em todas as regiões do país e eles seguem dentro do acordado anteriormente. Na Ambev seguimos com nosso compromisso de manter um ambiente concorrencial justo e para isso contamos, há mais de uma década, com um comitê formado por membros externos que acompanham nosso programa de compliance concorrencial

Ambev

Em posicionamento enviado à reportagem do Guia, o Grupo Petrópolis se disse prejudicado pelas estratégias da líder do mercado brasileiro de cervejas para obter exclusividade em pontos de venda. A cervejaria alega que “vem sendo vítima do comportamento praticado pela Ambev, que abusa do seu poder econômico e fere a livre concorrência do mercado de cervejas”.

O Grupo Petrópolis, inclusive, relembrou um caso de condenação da Ambev pelo Cade, com a empresa tendo de pagar multa de R$ 229,1 milhões, em punição determinada em 2015. Neste processo, encerrado há sete anos, a companhia fechou acordo judicial com o pagamento deste valor depois de, em agosto de 2009, ter sido inicialmente multada em quase R$ 353 milhões pela autarquia.  Na época, por causa de uma prática por meio do programa de fidelidade “Tô Contigo”, a companhia foi sentenciada pelo órgão por exigir exclusividade ou redução na comercialização de produtos concorrentes

 “Não é a primeira vez que a Ambev é processada pelo abuso de seu poder econômico. Em 2015, o Cade já condenou a cervejaria pela prática de infrações contra a livre concorrência”, recorda o Grupo Petrópolis.

Também procurada pelo Guia, a Estrella Galícia se limitou a dizer que atendeu à solicitação do Cade de explicar suas estratégias de exclusividade em pontos de vendas, preferindo se manifestar somente perante as autoridades.

Em breve comunicado, a empresa informa que “respondeu ao inquérito administrativo em andamento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), onde entende ser um fórum adequado para discussão sobre questões concorrenciais e de defesa da ordem econômica”.

Especialista vê chance de caso ir aos tribunais
Tramitando na alçada administrativa, o caso envolvendo a acusação de concorrência desleal pode mudar de esfera, ocorrendo uma judicialização da matéria se o veredicto, a ser dado pelo Cade, não for satisfatório para alguma cervejaria. Essa foi a opinião apresentada à reportagem pelo advogado Fernando Capano, doutor em Direito pela USP.  

“Embora não seja praxe, as empresas competidoras que estão a considerar prejuízo competitivo, se insatisfeitas com a solução de âmbito administrativo que o Cade irá oferecer, ainda poderão, por exemplo, judicializar a matéria”, analisa.

Já a respeito da decisão a ser tomada pelo Cade, Capano pondera que acordos de exclusividade não são ilegais. Mas destaca que a decisão da autarquia certamente precisará levar em consideração se esse tipo de contrato lesa ou não o consumidor.

“O direito concorrencial geralmente irá considerar, mesmo a partir da existência de acordos de exclusividade, o que gerará melhor resultado do ponto de vista do consumidor. Esta é a razão pela qual, no crivo da lei, tais acordos não são necessariamente ilegais ou prejudiciais ao mercado competitivo”, conclui.

Com incerteza sobre cerveja na Copa, Bud lança campanha e deve apostar na Zero

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Vai ter cerveja na Copa do Mundo do Catar. Embora oficialmente a Fifa e os organizadores locais do torneio ainda não tenham anunciado como se dará a venda e a liberação do consumo da bebida durante a competição, movimentos envolvendo esse processo já se iniciaram. E a Budweiser lançou recentemente uma campanha que funciona como um marco do início das suas ativações para a Copa em todo o planeta.

O impasse envolvendo a comercialização de cerveja durante a competição se dá em função de o torneio ser realizado em um país muçulmano com restrições ao consumo de álcool. Mas esse desafio tem sido encarado, também, como uma oportunidade para os executivos da AB InBev para a promoção da Budweiser Zero no período da Copa.

A cerveja sem álcool da marca de origem norte-americana foi lançada inicialmente em julho de 2020, no mercado dos Estados Unidos, em uma iniciativa que envolveu o ex-jogador de basquete Dwyane Wade e em que a empresa chamava a atenção para o baixo teor calórico.

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Depois, o rótulo começou a ser apresentado em outros países, incluindo o Brasil. Por aqui, a Budweiser usou o festival de música Lollapalooza, realizado no fim de março, para apresentar a sua versão zero, destacando ter apenas 65 calorias na long neck, de 330ml, e 69 calorias na latinha de 350ml.

Ainda assim, há um longo caminho a ser percorrido pela cerveja sem álcool da Budweiser.  Afinal, balanço divulgado pela AB InBev no início de 2022 apontou que a cerveja sem álcool ou com baixo teor alcoólico representa pouco menos de 7% das vendas do seu portfólio. E a companhia tem a meta de que a participação atinja os 25% das suas opções de cerveja em 2025.

A Copa do Mundo, assim, pode ser um caminho para ajudar nessa expansão da Budweiser Zero. E é certo que não haverá restrições para o consumo de bebidas sem álcool dos patrocinadores da Fifa e da Copa do Mundo nas arquibancadas dos estádios do Catar, nos seus arredores e na Fan Fest.

Existem, portanto, diversas possibilidades de ativação envolvendo a Bud Zero durante o torneio no Catar. E isso foi reconhecido pelo diretor de marketing global da AB InBev, Marcel Marcondes, em entrevista ao Wall Street Journal. “Haverá milhões de pessoas vendo os jogos, então é uma oportunidade de teste considerável, com certeza”, disse.

O consumo de cerveja no Catar não é proibido, mas a sua venda é restrita a alguns locais, como hotéis cadastrados. A Fifa, os organizadores da Copa e a empresa patrocinadora trabalham em um acordo para que essas medidas sejam flexibilizadas durante o período de disputa do torneio, de 20 de novembro a 18 de dezembro, mas o consumo nas arquibancadas não será liberado.

“Estamos trabalhando com as autoridades locais para garantir que estaremos em total conformidade com todas as especificidades das regras”, relata Marcondes, sem dar maiores detalhes sobre espaços onde a comercialização e o consumo serão permitidos, além dos preços que serão cobrados pela cerveja na Copa do Mundo.

De acordo com informações obtidas pela agência de notícias Reuters, a venda de cerveja será realizada nas 3 horas que antecederem os jogos e na hora seguinte ao apito final, dentro do perímetro dos estádios, mas em áreas reservadas e nunca nas arquibancadas. Além disso, o consumo na Fan Fest, em Doha, poderá ocorrer entre 18h30 e 1h locais.

Também há dúvidas sobre o que irá ocorrer na primeira sexta-feira da Copa do Mundo, 25 de novembro. O dia, para os muçulmanos, é marcado por orações em mesquitas, com restaurantes e comércios ficando fechados. Para esta data, porém, está agendado um jogo iniciando às 13 horas locais, entre País de Gales e Irã, seguido por outros três compromissos, às 16h, às 19h e às 22h.

A campanha da Budweiser
Apresentada na última semana, a campanha global da Budweiser envolve três potenciais estrelas da Copa do Mundo, o brasileiro Neymar, o argentino Messi e o inglês Sterling, tendo como mote “A Copa Mundo é o Nosso Palco”. E conta com a música “Everybody Wants to Rule the World”, do Tears for Fears, em uma nova versão.

A campanha foi criada pela agência de publicidade Wieden+Kennedy, nos Estados Unidos, tendo sido lançada simultaneamente em mais de 70 países. “Nos últimos anos vivemos momentos super duros enquanto sociedade e depois de quatro anos e uma pandemia, nós finalmente poderemos curtir a grande festa mundial que é a Copa do Mundo. Por isso, nós, de Budweiser, vamos trazer uma mensagem de otimismo e determinação, a qual celebra a importância da jornada das pessoas até a realização de seus sonhos”, afirma Carolina Caracas, chefe de marketing da Budweiser no Brasil.

Outras controvérsias
A disputa da Copa do Mundo no Catar tem outras nuances – e mais complicadas – do que apenas restrições ao consumo de álcool no país. A nação conta com leis LGBTfóbicas e organizadores já declararam que vão vetar a exibição de bandeiras LGBTQIA+ nos estádios.

Além disso, há acusações de maus-tratos e exploração dos trabalhadores, muitos deles imigrantes, envolvidos na construção dos estádios da Copa do Mundo. O próprio governo local reconheceu que ocorreram mortes nas obras, afirmando que, entre 2014 e 2020, houve 37 óbitos entre funcionários envolvidos nas construções, embora declarando que 34 destes não estavam relacionados ao trabalho.

O que desafia brasileiros em campeonatos de sommeliers? Participantes opinam

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De volta ao calendário de eventos após um período de três anos, o Mundial de Sommelier de Cervejas teve os representantes nacionais como coadjuvantes de uma festa europeia. Afinal, nenhum sommelier do Brasil presente à disputa – eram 10, no total – conseguiu a classificação à final da competição, realizada em Munique, na Alemanha, e organizada pela Doemens Academy.

Para alguns dos presentes ao campeonato, o resultado reflete a distância entre os sommeliers do Brasil e os estrangeiros, especialmente daqueles países onde existe tradição cervejeira milenar, nos quais a apreciação da bebida faz parte da rotina das pessoas, como observado por Bianca Telini, que fez a sua primeira participação em um Mundial de Sommelier.  

Leia também – Conheça os três primeiros sommeliers de cerveja brasileiros Surdos

“Eu me senti muito satisfeita com a minha participação, sendo meu primeiro campeonato, mas o caminho é muito mais longo. Vendo os participantes que são da Europa, percebemos o abismo que existe tanto em qualidade de acesso às cervejas quanto ao próprio conhecimento. Percebemos como os muitos anos à nossa frente de tradição cervejeira fazem diferença. São profissionais completos, eles vivem isso no dia a dia. O acesso a cervejas muito frescas faz muita diferença”, explica, à reportagem do Guia.

Além disso, outro aspecto citado pelos profissionais brasileiros envolve a preparação para o campeonato. Presentes ao Mundial de Sommelier de Cervejas, eles viram representantes estrangeiros unidos como um time, em aspectos que vão da vestimenta utilizada até a presença de técnicos e a realização de treinamentos em conjunto.

“Na delegação brasileira, todos somos muito competentes, mas sentimos uma defasagem em relação às outras. Falta um pouco de organização, de planejamento e de unidade, de ter um programa com o objetivo de colocar um brasileiro no pódio ou pelo menos ter alguma regularidade”, afirma Guilherme Rossi, o atual vencedor do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas.

O ganhador do torneio nacional pontua, ainda, que após o campeonato, que classificou dez sommeliers do Brasil para a disputa do Mundial, não houve uma preparação coletiva para a disputa na Alemanha. “Depois do Campeonato Brasileiro, ficamos um pouco sem referência. Talvez falte aos próprios sommeliers brasileiros, regionalmente, organizarem comitês de estudo”, diz.

A importância de trabalhar em equipe também é destacada por Bianca, apontando que os treinamentos com a participação de outros sommeliers poderiam fazer a diferença no resultado em uma competição de altíssimo nível.

“Percebemos uma união muito grande dentro das delegações. Não tinham só um uniforme, mas também treinador, fizeram treinamentos juntos, algo que não tivemos no Brasil e pode ser mais complicado, até pelo tamanho do país. Mas é algo importante. Temos que pensar com uma equipe, para levar algum brasileiro à final. Treinamos individualmente e isso faz muita falta”, afirma.

O campeonato
Para definir os classificados à final, o campeonato contava com uma prova prática em que os participantes precisavam identificar flavours em dez cervejas e seus estilos. Avançaram para a disputa do título aqueles que conseguiram entre 14 e 10 acertos, com a prova escrita servindo como critério de desempate.

“A dinâmica da prova foi bem difícil. Na prova de estilos, a paleta de cores era muito parecida”, diz Rossi. “É muito fácil você confundir. Eu mesmo inverti duas vezes os estilos no momento de identificá-los”, acrescenta.

E entre os 82 representantes de 18 países, avançaram oito nomes de cinco países: Suíça, Alemanha, Áustria, Portugal e Holanda. A disputa decisiva envolveu apenas uma mulher, a alemã Mareike Hasenbeck, em um desafio para se ter equidade de gênero no setor, tanto que repetiu o que aconteceu no Campeonato Brasileiro, em que Bianca foi a única representante feminina na final.

“Tem muito chão ainda para as mulheres. Ainda é um ambiente muito excludente, só tinha duas mulheres latinas e nenhuma negra no campeonato. Temos um caminho grande a percorrer, algo que já temos feito a passos lentos. Pretendo fazer algo nesses próximos dois anos, para que tenhamos mais representatividade”, afirma.

Conheça o campeão do Brasileiro de Sommelier de Cervejas

Entre os sommeliers do Brasil, Guilherme Rossi, Vinicius Cuozzo e Luis Henrique Volkart tiveram os melhores desempenhos, todos com oito acertos.

É tudo uma questão de detalhe, porque todo mundo sabe muito. O que faz a diferença na hora são as cervejas que você tem mais ou menos familiaridade e a postura emocional, se você está mais ou menos nervoso na prova

Guilherme Rossi, sommelier de cervejas

A final
Na final, houve uma avaliação às cegas de uma cerveja que precisava ter suas características apresentadas em até 5 minutos. E a organização optou por rótulos conhecidos mundialmente, como a Sierra Nevada Torpedo, a La Trappe Quadrupel, a Fullers ESB, Samuel Smith Imperial Stout e a Paulaner Salvator. Curiosamente, todas estavam à disposição dos participantes no jantar de recepção, oferecido pela Doemens na véspera do campeonato.

De fora da disputa, os representantes brasileiros puderam acompanhar as apresentações dos finalistas. O vencedor acabou sendo o suíço Giuliano Genoni, que fez uma apresentação sobre a Paulaner Salvator. O austríaco Felix Schiffner foi o segundo colocado, com Léon Rodenburg, da Holanda, na terceira posição.

“O terceiro colocado foi um holandês que fez uma apresentação super segura, estava de terno e gravata, foi bem técnico. Talvez tenha sido a apresentação que mais gostei. O segundo colocado foi um austríaco, um habitué no campeonato, um showman. Para você ter uma ideia, ele pegou um sabre e sabrou a garrafa em cima do palco, sendo visto por 300 pessoas. E o vencedor foi um suíço, da parte italiana do país. Ele fez a apresentação com da Paulaner Salvator, toda em italiano”, relata Rossi. “O primeiro colocado, que foi o participante da Suíça, foi um show fantástico. Ele estava falando para o público sobre a cerveja e não sobre ele”, acrescenta Bianca.

Balcão do Advogado: A importância do registro de marca pelas cervejarias

Balcão do Advogado: A importância do registro de marca pelas cervejarias

Para ter exclusividade sobre o nome de um serviço ou produto, ou ainda um logotipo que o identifique, a cervejaria precisa registrar a marca no INPI. Antes disso, é essencial verificar, no sistema de busca de marcas no site do INPI, se a marca desejada não foi protegida antes por terceiros. O ideal é que o registro da marca seja feito por um especialista, que acompanhará todo o trâmite e atuará no processo quando necessário.

Infelizmente, a tônica na cena cervejeira nacional segue sendo a de não priorizar o registro de marcas e rótulos no INPI, o que tem gerado muitos conflitos entre cervejeiros.

Abaixo seguem alguns casos internacionais famosos envolvendo a propriedade intelectual no mercado cervejeiro. Eles demonstram a importância do registro de marca por quem empreende com cerveja.

NOA e Yellow Belly
A Omnipollo, cervejaria cigana sueca conhecida mundialmente, foi obrigada a cessar o uso do nome de dois dos seus principais rótulos: a Imperial Stout carregada de adjuntos NOA e a Yellow Belly, produzida em colaboração com a cervejaria Buxton.

Ambos os rótulos foram registrados por outras empresas – uma do ramo de bebidas, e a outra por uma cervejaria –, as quais enviaram notificações à Omnipollo para que cessasse o uso das marcas.

A cervejaria da Suécia atendeu aos pedidos das notificações, mudando o rótulo da cerveja NOA para AON e descontinuando a linha Yellow Belly. O mestre-cervejeiro e sócio da Omnipollo, Henok Fentie, disse que prefere gastar dinheiro colocando mais lúpulo na cerveja do que travando uma batalha judicial para tentar manter os rótulos.

Bokkereyder
A cultuada cervejaria belga Bokkereyder, criada em 2013 e considerada uma das mais promissoras produtoras do estilo Lambic, foi obrigada a mudar de nome. Em 2018, outra cervejaria belga, a Cornellisen, acionou a Justiça por entender que um de seus rótulos, chamado Bokkereyer, era muito semelhante ao nome da cervejaria Bokkereyder, marca essa que não havia sido registrada.

A Corte belga deu ganho de causa à Cornellisen, determinando que a cervejaria Bokkereyder mudasse de nome. Após a decisão, a Bokkereyder passou a se chamar apenas “Bokke”. O masterblender e proprietário da Bokke, Raf Soef, disse que, ao abrir a cervejaria, estava muito mais preocupado com a produção e admitiu que falhou em não registrar a marca.

Stone Brewing
Mais um caso que demonstrou que o registro de marca é essencial!

Em resumo, a cervejaria californiana Stone Brewing ajuizou ação contra o conglomerado cervejeiro MillerCoors, por estar utilizando indevidamente a marca registrada Stone® na apresentação da lata Keystone Light.

O júri entendeu que, ainda que não intencional, ocorreu a violação marcária pela MillerCoors, condenando o conglomerado a pagar à Stone Brewing US$ 56 milhões pelos danos causados.

Não tivesse a Stone Brewing realizado o registro da marca “Stone”, sequer poderia acionar outra empresa na Justiça por violação de propriedade industrial.

Por esses motivos, relegar o registro de marcas é o mesmo que andar de bicicleta todos os dias e estacioná-la em qualquer lugar sem cadeado: cedo ou tarde alguém poderá se apropriar do seu bem e não haverá muito o que fazer senão arcar com os prejuízos. Portanto, registrar a marca e os rótulos da cervejaria é imprescindível. 

Marca registrada é marca protegida. Tem dúvidas sobre registro de marca? Quer registrar um rótulo? Quer saber se pode utilizar uma marca? A Brew Brands cuida disso para você! Entre em contato pelo WhatsApp aqui e tire todas as suas dúvidas gratuitamente.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro.

Oktoberfest volta a ser realizada em Munique com cerveja 17% mais cara

A Oktoberfest está de volta para sua casa. Neste sábado (17), a festividade inicia mais uma edição em Munique, que não pôde receber a celebração cervejeira em 2020 e 2021 em função da pandemia do coronavírus. E a retomada é com uma má notícia para os consumidores: a cerveja está mais cara na Oktoberfest em 2022.

O evento vai começar às 12 horas (7h, em Brasília), em Munique, pelo prefeito Dieter Reiter, o responsável por abrir o primeiro barril da Oktoberfest de 2022, anunciando, como a autoridade máxima da cidade fazia em todos os anos, “O’zapft is” ou “o barril está aberto”, no dialeto bávaro.

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“Depois de três anos sem Oktoberfest, é hora de viver uma um pouco de normalidade e mostrar que você pode comemorar alegremente por algumas horas na Oktoberfest”, convida o prefeito de Munique.

A partir dessa cerimônia, e até 3 de outubro, homens, muitos deles trajando roupas típicas, com shorts de couro, e mulheres, boa parte delas em vestidos decotados e tradicionais, disputarão espaço para celebrar a retomada da festividade em Munique com pretzels, joelho de porco e, claro, muita cerveja.

E, para a edição de 2022 da Oktoberfest, a bebida ficou mais cara. Quando forem consumir a cerveja nas tradicionais canecas de 1 litro, os visitantes terão de desembolsar entre 12,60 e 13,80 euros. O valor representa uma alta de, aproximadamente ,17% em relação à edição anterior da festa, que aconteceu em 2019, com preços variando entre 10,80 e 11,40 euros.

A alta dos preços da cerveja para Oktoberfest em 2022 também é sinal da inflação que a cadeia produtiva alemã tem enfrentado. É um cenário provocado pela volta da demanda, com o abrandamento da pandemia do coronavírus, mas, principalmente, por efeitos causados pela guerra na Ucrânia, especialmente sobre a energia, que ficou muito mais cara, especialmente após a Rússia interromper o envio de gás natural.

Indústria que tem grande demanda por matéria-prima e energia nos processos produtivos, o setor cervejeiro sofre ainda mais com uma inflação que chegou aos 7,9%, anualizada, na Alemanha, em agosto, e aos 9,1% nos países que utilizam o euro.

Assim, a Oktoberfest acaba sendo um impulso em meio a um cenário difícil para a indústria cervejeira, bem como para o segmento de food service. E eles estarão muito representados: a festa contará com 487 espaços para atender o consumidor, seja para quem quiser se alimentar ou beber. Serão 17 grandes tendas de festa e outras 21 menores, com 120 mil lugares, em um terreno de 34 hectares.

Nesta retomada, o horário de funcionamento dos espaços será maior. Em 2022, as primeiras barracas de cerveja da Oktoberfest serão abertas às 9 horas, fechando às 22h30. E os últimos pedidos poderão ser realizados até as 21h30.

Em 2019, na última edição realizada, a Oktoberfest reuniu 6,3 milhões de pessoas com um consumo total de 7,3 milhões de litros de cerveja. Esses números tentarão ser superados em mais uma edição da tradicional festa, iniciada em 1810, então criada para celebrar o casamento do Rei Luís I, também conhecido como Rei da Baviera, com a Princesa Teresa da Saxônia.

Menu Degustação: Aniversário do Torneira Bar e da Slod, passeio de trem…

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A agenda repleta de eventos cervejeiros nesta e nas próximas semanas contemplará a celebração de alguns aniversários. É o caso do Torneira Bar, que vai comemorar o seu primeiro ano de funcionamento em São Paulo com o lançamento de três rótulos colaborativos em seu aniversário, e da Slod, que festejará seus 4 anos com festa para o público em Nova Lima (MG).

Também não vai faltar cerveja na tradicional Oktoberfest de Blumenau. Para esta celebração, a Ambev anunciou os rótulos e as marcas que estarão disponíveis para os participantes, que terão opções de 12 cervejarias que fazem parte do Vale da Cerveja. E, neste fim de semana, o público de Cuiabá poderá participar da Oktoberfest na Arena Pantanal.

Já para quem prefere unir turismo com cerveja, uma dica é participar do Beer Train, passeio de trem promovido pela Bodebrown, na Serra do Mar, de Curitiba até Morretes (PR).

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Confira essas e outras ações das cervejarias no Menu Degustação do Guia:

Vale da Cerveja na Oktoberfest Blumenau…
A Oktoberfest Blumenau terá 12 marcas do Vale da Cerveja disponíveis durante a sua realização, de 5 a 23 de outubro. Em um novo edital, o consórcio selecionado pelos organizadores continha as marcas Balbúrdia Cervejeira, Berghain, Borck, Oma’s Haus e Segredos do Malte. Somam-se a essa lista as marcas Bierland, Cerveja Blumenau, Glasvoll, Holzbier, Scholer’s Bier, Schornstein e Wunder Bier, que tinham sido escolhidas no edital divulgado em agosto, quando foram definidos pontos de venda individuais.

…e Ambev também
Já a Ambev anunciou que estará presente com 14 rótulos de cerveja na festividade alemã em Blumenau. Além de Spaten como cerveja oficial, a companhia também vai disponibilizar opções da Colorado, Goose Island, Hoegaarden e Patagonia.

Oktoberfest em Cuiabá
A Oktoberfest Louvada 2022 acontecerá neste sábado (17), das 17h às 23h, na Arena Pantanal, em Cuiabá. Serão 11 estilos de chope, entre eles, a Louvada Märzen, uma receita tradicionalmente alemã e produzida apenas uma vez ao ano, especialmente para a Oktoberfest. Na praça de alimentação, serão nove estandes com opções gastronômicas. Quem comparecer ao local ainda poderá acompanhar o show de 40 anos de estrada da banda Barão Vermelho.

Negroni Week no Esconderijo…
O Esconderijo promove até domingo (18) a Negroni Week, que traz a versão tradicional e mais seis variações do drinque, como o boulevardier e outras opções inéditas do coquetel, desenvolvidas pelo bartender Felipe Damázio. Entre as cervejas disponíveis no bar paulistano há uma novidade da Juan Caloto, a La Vendeta de Karina Cristina, uma Juicy Doble IPA tropical e cítrica com reforço dos lúpulos Riwaka, Ekuanot, Citra e Mosaic.

…e na Avós
Também aproveitando a Negroni Week, a Cerveja Avós brinda o período com duas receitas exclusivas, desenvolvidas em colaboração com o premiado bartender Alexandre D’Agostino. A primeira versão é uma reedição da Baltic Negroni, uma Strong Lager. Já na segunda receita, além do Negroni, foi adicionado à cerveja um blend de cafés especiais. Foram usados o Catuaí 2SL, o Natural, com notas que remetem a caramelo, e o Natural Fermentado, que confere aromas que lembram tutti frutti. A Cerveja Avós fica no bairro Vila Ipojuca, em São Paulo.

Aniversário do Torneira Bar
O Torneira Bar celebrará seu primeiro aniversário em 1º de outubro, com o lançamento de três rótulos colaborativos de cerveja. São eles: “Baronesa”, em parceria com a Implicantes, “Chupa que é de Uva”, com a Brework, e “Primeiro Grafite”, com a Tarantino. Além disso, realizará um evento em comemoração ao seu primeiro ano de vida. A celebração do aniversário do Torneira Bar contará com o apoio do Pride Bank, primeiro banco digital desenvolvido para a comunidade LGBTQIAP+ e da Pride Sunglasses, uma ótica focada em atender essa comunidade. O bar fica no bairro Vila Madalena, em São Paulo.

Quarto ano da Slod
Localizada no polo das cervejas artesanais de Nova Lima (MG), no Jardim Canadá, a Slod vai comemorar 4 anos em 8 de outubro, em sua fábrica, com uma grande estrutura sendo montada para essa celebração. Todos os chopes da Slod serão servidos em 4 estações. A festa terá ainda espaço kids e será pet friendly, além de contar com um estacionamento exclusivo para motociclistas e suas diversas tribos. Os ingressos poderão ser adquiridos pelo Sympla.

Beer Train
O Beer Train, passeio pela Serra do Mar com saída da Rodoferroviária de Curitiba e destino a Morretes, com degustação das cervejas especiais da Bodebrown a bordo, terá a 46ª edição neste sábado. Fazem parte do programa cinco rótulos de cervejas servidas à vontade, comidinhas para harmonizar e, na chegada, almoço com barreado em restaurante tradicional da cidade litorânea. A volta é realizada de ônibus fretado. O preço por pessoa, já incluindo o desconto de 20%, é de R$ 391,20. Nele, estão inclusos a passagem de trem, retorno em ônibus de turismo, cervejas, água mineral e almoço com barreado em Morretes. Mantido em parceria com a Serra Verde Express, o Beer Train teve sua primeira edição em 2012.

Brazilian Beer Project
O projeto Brazilian Beer Project foi lançado com o objetivo de unir marcas de todo o país para produzir rótulos de cervejas brasileiras para fomentar a produção de bebidas com insumos e ingredientes nacionais. A iniciativa do Science of Beer é destinada a cervejarias de Santa Catarina devidamente registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O projeto é conjunto à adição inédita da categoria Brazilian Beer na edição de 2022 do concurso Brasil Beer Cup, que se integra ao estilo Catharina Sour.

Cerveja da Brewdog no Brasil
A Interfood trouxe mais um rótulo da cervejaria escocesa Brewdog ao Brasil. A novidade é a The Vermont Sessions, disponível na TodoVino, e-commerce da importadora, sendo fabricada em parceria com a inglesa Northern Monk, que presta homenagem às reconhecidas New England IPAs de Vermont, nos Estados Unidos. O rótulo, de origem escocesa e embalagem de 440ml, possui um paladar leve e de baixo amargor, com textura cremosa e final fresco e frutado.

Circuito Etílico
O Circuito Etílico do Prado reunirá cervejarias do bairro Prado, em Belo Horizonte, no dia 8 de outubro. O evento começa pelo credenciamento na Cervejaria Harpearia. Depois haverá a abertura de um barril no local. Na sequência, a turma vai para o Mr. Hoppy do Prado, onde terá mais um barril esperando. E às 17h, todos irão ao Espaço Artéza, para conferir o terceiro barril. Para fechar a festa, a banda La Bière fará um show.

Confra-Ria
Vem aí a primeira edição do Confra-Ria, um projeto que apresenta gastronomia, cerveja e humor. Será em 6 de outubro, no Espaço Artéza do Prado. A proposta é realizar uma confraria de cervejas artesanais harmonizadas com petiscos, sobremesa, música e comédia. O convite dá direito a quatro cervejas artesanais, dois petiscos e uma sobremesa, em um menu harmonizado. Os rótulos definidos são a Triple Malte, a Wit e a Stout da Lagoon, além da GoiAPA da Artéza.

Resultado da Champions Beer
A Cervejaria Madalena conquistou o título de melhor cerveja artesanal na 6ª edição do Champions Beer, evento consolidado como um dos maiores e mais importantes do estado de São Paulo para o segmento de cervejas artesanais. A edição, que foi realizada entre os dias 2 e 4 e 6 e 11 de setembro, em Campinas, reuniu 14 microcervejarias paulistas.

Truco na Madalena
A Cervejaria Madalena recebe, no domingo (18), a 6ª edição do Torneio de Truco Copag em sua fábrica-bar. Durante a disputa, os participantes poderão aproveitar a gastronomia do local, com cardápio variado, além dos diversos estilos de cerveja e chope premium Madalena disponíveis nas mais de 25 torneiras da casa. Para participar é necessário ter mais de 16 anos.

Cerveja do padre: Convento em Minas usa maquinário centenário e produz 3 estilos

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Criada em 1894 por religiosos holandeses da Congregação Redentorista, uma cervejaria localizada dentro do convento da Igreja de Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora (MG), continua honrando a sua tradição ao produzir a bebida ainda com o maquinário original. Mais do que isso, a aceitação das cervejas fabricadas por padres no local permitiu que pudessem passar a ser vendidas e produzidas em maior escala a partir de 2021, fato importante para ajudar a sustentar a instituição, também destinando parte da receita obtida para as ações sociais promovidas pelos sacerdotes.

Com o nome Hofbauer, escolhido em homenagem ao santo austríaco da Congregação do Santíssimo Redentor, São Clemente Maria Hofbauer, a bebida estampa o slogan “A Cerveja do Convento” em seu rótulo, sendo disponibilizada em três estilos: Belgian Pale Ale, Weissbier e Pilsen.

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“A nossa Pale Ale é uma cerveja com três tipos de malte: o caramelizado, o torrado e o Pilsen, que lembra muito a escola cervejeira da Bélgica, com um toque de toffee e um dulçor. Produzimos também uma Weiss, uma cerveja de trigo com o toque cítrico, com uma cidra produzida na nossa horta. E uma Pilsen, que tem uma receita bastante conhecida por todo mundo, para agradar as pessoas de uma forma geral”, relata o padre Jonas Pacheco, em entrevista ao Guia.

Porém, se hoje consegue produzir três estilos de cerveja, a fábrica de Juiz de Fora precisou superar uma perda precoce para não encerrar uma tradição centenária. Líder da retomada da cervejaria do convento a partir de 2009, o padre Flávio Campos faleceu com apenas 44 anos, em agosto de 2020, ao sofrer um infarto. Mestre-cervejeiro, ele integrava o Convento Redentorista de Belo Horizonte, onde foi encontrado morto. Antes disso, viajava da capital mineira até a cidade da Zona da Mata duas vezes por ano para produzir a Hofbauer ao lado dos companheiros de congregação.

Flávio havia sido o responsável pela retomada da atividade cervejeira no convento, que ficou paralisada por 15 anos. Ele também liderou a organização do Forest Beer, o Festival de Cerveja Artesanal de Juiz de Fora, realizado em junho de 2019, quando a Hofbauer, antes fabricada apenas para o consumo interno no convento, foi vendida pela primeira vez ao público.

Passar a vender a bebida apenas 125 anos após a fundação da cervejaria do convento em Juiz de Fora também reforçou a curiosidade pelo que se produzia na Hofbauer, como destaca Mário Ângelo Sartori, sócio-proprietário da Timboo, uma outra cervejaria de Juiz de Fora. “Isso acabou virando uma lenda, pois todo mundo queria tomar a cerveja do padre, mas não conseguia. Por isso, manter essa tradição cervejeira é muito importante”, opina.

Mas pouco depois desse marco, a Hofbauer viria a perder o seu principal incentivador. Sartori, então, prestou consultoria aos amigos religiosos para ajudar a aperfeiçoar a fabricação das bebidas.

“Nós, preocupados com a qualidade e em manter uma cerveja de alto padrão, solicitamos o auxílio do Mário (Ângelo), que em abril de 2021 colaborou com o nosso projeto para poder nos ajudar a desenvolver receitas, que até então nós não tínhamos, e para agregar à produção com técnicas e parâmetros mais atuais, além de auxiliar em questões de higienização mais específicas do ramo cervejeiro”, destaca Pacheco.

“Por ser amigo da congregação e cervejeiro mais antigo da cidade, eles sentiram confiança em mim e eu ofereci essa proposta de trabalho, de melhorias dos processos e desenvolvimento de novas receitas. A gente chegou a brassar cerveja de receita antiga, que eles fazem hoje de forma rotineira. Ajudei por nove meses e hoje eles têm a autonomia de produzir sem a minha presença”, enfatiza Sartori.

As modernizações, porém, não alteraram o método de fabricação implementado no fim do século XIX, cuja manutenção dá continuidade a uma tradição trazida a Juiz de Fora pelos religiosos holandeses Matias Tulkens e Francisco Lohmeyer. Eles estabeleceram a primeira comunidade redentorista no Brasil em 1894, quando a rotina da produção cervejeira começou no convento por meio dos irmãos da congregação. Na hierarquia desta ordem religiosa, também composta por missionários e padres, eles eram incumbidos da tarefa que antes cumpriam na Europa.

“Para os holandeses, a cerveja era algo muito comum e fazia parte do cotidiano tanto da sociedade quanto da vida interna dos mosteiros. E assim que eles chegaram ao Brasil, já cuidaram de montar em Juiz de Fora a cervejaria, cuja estrutura também era algo próprio de cada casa da congregação na Holanda. Então a fábrica, de uma certa forma, com suas várias peças, veio toda de navio. E quem cuidava dela e de produzir a cerveja era um irmão, sendo que os holandeses foram passando essa tradição de geração em geração até que ela chegou no último irmão brasileiro que produziu: o irmão Geraldo”, recorda o padre.


Tradição e responsabilidade social
A congregação redentorista foi fundada na Itália em 1732, por Santo Afonso, e depois se espalhou pela Europa, trazendo com a doutrina religiosa a tradição cervejeira honrada em Juiz de Fora, onde agora os padres dividem o ofício religioso com o da produção da bebida.

“Em 2009, o padre Flávio retomou essa arte de produzir a cerveja no convento da Igreja da Glória e contou com a colaboração de algumas pessoas. E de 2009 até o momento a cervejaria continua funcionando. Vale lembrar também que 2009 foi ano do centenário da canonização de São Clemente Maria Hofbauer, e aí o homenageamos, batizando a cerveja com seu último sobrenome, pois até então ela não tinha um nome”, diz Pacheco.

Para além da manutenção da tradição secular, a produção da Hofbauer também é justificada pelos recursos financeiros obtidos com a venda das cervejas, o que contribui para a realização de ações sociais.

“Temos um certo retorno financeiro com a disponibilização da cerveja para as pessoas e com esse retorno queremos manter as nossas obras sociais, principalmente a de Juiz de Fora, que atende 70 crianças e tem um gasto. A nossa ideia é que esse retorno seja maior ao longo dos anos para que ele possa, de fato, cobrir os nossos gastos com as obras sociais”, projeta o padre.

Planos para o futuro
Para o futuro, os padres responsáveis pela Hofbauer esperam aumentar a capacidade de produção e passar a fabricar uma cerveja envelhecida em uma adega que também faz parte da estrutura do convento. Além disso, querem realizar um novo festival para colocar as bebidas da marca em evidência em Juiz de Fora.

Atualmente, nós produzimos 500 litros por mês de cada tipo de cerveja. Assim, a gente atinge 1.500 litros quando produz as três receitas. E os planos são de consolidar a cerveja e produzi-la em parcerias. Temos uma adega na qual a ideia é fabricar cerveja envelhecida em barril de madeira. E estamos vislumbrando realizar um festival, que seria a segunda edição do Forest Beer

Jonas Pacheco, padre em Juiz de Fora

O padre também espera possibilitar que a cervejaria receba visitantes com os atrativos de um museu histórico dentro de um convento. “A ideia é a de que o espaço funcione como um local em que as pessoas possam conhecê-lo porque é uma cervejaria totalmente artesanal, com o seu maquinário de mais de cem anos em perfeito estado de conservação e em funcionamento. A ideia também é que as pessoas possam entender essa história cervejeira, que tem uma relação com a igreja”, finaliza.