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Por expansão, BrewDog faz parceria com a Budweiser na China

A BrewDog se aliou a uma das maiores marcas de cerveja do mundo em busca de mais espaço no mercado da China. A cultuada marca artesanal escocesa anunciou uma joint venture com a Budweiser Brewing Company APAC Limited, a divisão para a Ásia e Pacífico da AB InBev, para comercialização e produção das suas cervejas no país. A expectativa é de que a parceria esteja operando até o final de março.

A AB InBev inaugurou recentemente uma fábrica na China, destinada à produção de cervejas especiais. O espaço foi aberto em julho de 2022 em Putian e tem 7.400 m². Por lá, hoje são fabricados rótulos de marcas como Goose Island, Boxing Cat e 059 Coastline Craft. E a unidade industrial, de acordo com a Budweiser APAC, existe para atender à crescente demanda por cerveja premium na China.

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Será lá, também, onde vão ser fabricadas algumas das cervejas da BrewDog, como Punk IPA, Hazy Jane e Elvis Juice. Além disso, a marca terá acesso à rede de vendas e distribuição da Budweiser. E com esse impulso, também tem planos de abrir até dez bares na China nos próximos cinco anos.

Apesar do acordo com a AB InBev, a BrewDog está presente na China desde 2015, tendo inaugurado um bar em Xangai em 2020. Porém, reconhece que tem pouco impacto por lá, ao menos até agora. O país, afinal, responde por menos de 1% das vendas globais da marca. “Dizer que mal arranhamos a superfície desse mercado dinâmico e em rápido crescimento seria um eufemismo enorme”, afirma a cervejaria escocesa em um comunicado.

A BrewDog também defende ser necessário contar com um parceiro estruturado para conquistar espaço no mercado chinês. “A China é um daqueles mercados onde você realmente precisa trabalhar com um parceiro estabelecido que tenha uma infraestrutura de vendas, distribuição instalada e conhecimento do mercado local. É por isso que estamos muito satisfeitos por ter assinado um acordo de parceria com a Bud China para nos permitir acelerar nossos negócios na China”, diz.

No comunicado em que anunciou o acordo, a BrewDog lembrou que possui parcerias semelhantes com outras cervejarias fora do Reino Unido, citando Molson Coors, Asahi, Heineken, Estrella Galicia, Warsteiner e Swinkels. O acordo com a Asahi, inclusive, envolve outro mercado relevante na Ásia, o Japão, tendo sido firmado em 2021.

“Essas parcerias nos permitem colocar nossa cerveja nas mãos de mais pessoas e, em alguns casos, fabricar nossa cerveja muito mais perto do consumidor final, o que é ótimo para a qualidade da cerveja e, de maneira importante, causa menor impacto para o nosso planeta”, comenta a BrewDog.

A China é responsável pelo consumo de, aproximadamente, um quinto das cervejas do mundo. Além disso, o país tem aumentado exponencialmente o consumo das artesanais, tendo atingido os 6,5 milhões de hectolitros em 2020.

O acordo com a marca artesanal escocesa foi celebrado por Nicolas Morelli, vice-presidente de cervejas artesanais e especiais da Budweiser China. “Estamos entusiasmados em adicionar a BrewDog ao nosso portfólio de cervejas artesanais para enriquecer a experiência dos amantes da cerveja chinesa com mais opções de cervejas artesanais”, diz.

Olhar o passado para construir: cerveja Sankofa resgata cultura africana

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Os provérbios e símbolos africanos carregam reflexões, propagam conhecimento e representam manifestações da cultura do povo negro ao longo dos séculos. Por isso, eles também são formas de resgatar a história e servem de inspiração para criações na sociedade, como é o caso da cerveja surgida da parceria entre o Bock, o grupo de afinidades dos funcionários da Ambev, e a Implicantes. O rótulo, que leva o nome Sankofa, não só faz um resgate da ancestralidade africana, como também terá o lucro obtido com as vendas destinado aos jovens da comunidade do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Sankofa é um símbolo gráfico dos Akan (grupo étnico de Gana e Costa do Marfim) utilizado no sistema de escrita ideográfico. Como explica Leila Maria Hernandez, professora de História da África do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), o símbolo é formado por sanko = voltar; e fa = buscar, trazer.

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“Origina-se de um provérbio tradicional. Tem dois significados: ‘aprender com o passado para a construção do presente e do futuro’; e ‘não é tabu voltar atrás e buscar o que esqueceu’”, conta a professora da USP.

Como grande importância para o povo negro, sankofa pode ser representado por um pássaro místico que voa para a frente, tendo a cabeça voltada para trás, carregando no seu bico um ovo, o futuro. “Destaca a importância de ver de onde se veio. É a valorização da identidade, da memória e da cultura negra”, diz Leila.

A professora avalia que sankofa é importante, também, para ressaltar a diversidade do conhecimento humano e a possibilidade de observação do mundo de formas diferentes, além de ressaltar a imigração forçada dos negros, através do Atlântico. “Sankofa é um símbolo gráfico presente na África e nas Américas, dando ênfase ao passado como pré-condição do presente e do futuro”, acrescenta.

Lembrar a história afro-americana e afro-brasileira é fundamental para que os erros do passado não sejam cometidos novamente, com a sankofa representando uma forma de resistência, com o simbolismo do ideograma de que o futuro deve ser construído sem nunca se esquecer do passado.

Assim, a vivência do presente deve vir carregada do conhecimento do passado e das suas culturas. E se dá em torno da necessidade de resgate do que não pode ser esquecido a união entre a Implicantes e o Bock, que possui mais de 700 membros espalhados pelo país, sendo responsável por fomentar discussões e ações práticas voltadas para questões étnico-raciais. E, agora, liderou as ações para a criação de uma cerveja.

Parceria de luta
Com uma trajetória de luta racial e resgate da história do povo negro, a Implicantes se juntou ao grupo de afinidade da Ambev em um projeto que busca contribuir para a luta por uma sociedade livre de preconceitos e em que a diversidade seja valorizada, modificando um cenário que em alguns momentos parece solidificado.

E foi dessa união que surgiu a “versão em cerveja” da Sankofa. Se trata de uma International Dark Lager com graduação alcoólica de 4,7% e 15 IBUs de amargor, sendo uma cerveja de cor marrom e espuma bege. De aroma leve e caramelo com um toque frutado, teve em sua produção, realizada no Centro de Inovação Tecnológica da Ambev, a atuação de pessoas pretas em cada etapa de seu processo criativo, desde a concepção até o produto final.

Além disso, todo o lucro da venda da Sankofa, hoje disponível no Empório da Cerveja, será revertido para a ONG Abraço Campeão, que desenvolve o potencial dos jovens da comunidade do Complexo do Alemão por meio de artes marciais, educação e desenvolvimento pessoal, para que sejam protagonistas da sua história e autores do seu próprio futuro.

“A gente acredita que é por meio de um ambiente diverso que as pessoas se sentem mais confiantes e à vontade para propor novas ideias. Por isso, atuamos em várias frentes para combater ativamente a homofobia, o machismo e a objetificação da mulher no universo cervejeiro. Da mesma forma, trabalhamos também para buscar a equidade racial. A Sankofa, em parceria com a Implicantes, é um dos nossos resultados deste processo”, afirma Charleston Agrícola, sommelier de cervejas na Ambev.

Para que isso não fique apenas no campo das ideias, a Ambev anunciou, há alguns anos, metas específicas para aumentar a diversidade racial entre seus líderes e da cadeia de valor, buscando agir ativamente na promoção da equidade racial dentro e fora da companhia.

E isso vem sendo feito através de alguns compromissos, como a ampliação da representatividade de pessoas negras em processos seletivos e contratações, bem como em promoções, capacitando profissionais com potencial; do incentivo à conscientização da pauta de diversidade e inclusão em todas as unidades; do trabalho de diversidade e inclusão no ecossistema, influenciando fornecedores, clientes e parceiros a colocar em prática iniciativas em relação ao tema.

“Investimos em treinamento antirracista para 100% dos nossos líderes, e expandindo essa conscientização sobre diversidade e inclusão a todos os nossos fornecedores”, diz Charleston.

A Ambev também assinou os “10 Compromissos das Empresas com a Promoção da Igualdade Racial”, pacto entre companhias e o terceiro setor para valorização da diversidade étnico-racial no meio corporativo. “Sabemos que ainda há muito a ser feito e que esse é só o começo. Mas é com muita atitude, compromisso e parceria que a gente acredita que pode contribuir para romper essa falha estrutural”, finaliza o sommelier de cervejas.

Por busca do consumidor, bares devem ampliar transformação digital

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A pandemia do coronavírus forçou a adaptação de bares e restaurantes, que precisaram atualizar seus processos, adotar novas funcionalidades e reforçar as soluções tecnológicas. E essa transformação digital vai se consolidar ao longo dos próximos meses, sendo imperativa a integração entre os diferentes modelos de atuação adotados pelos bares por causa das demandas do consumidor.

Para representantes de associações, esses estabelecimentos devem reforçar o uso da tecnologia em suas atividades, mesmo em um cenário de funcionamento sem qualquer tipo de restrição, pois elas também permitiram a otimização de processos.

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“Podemos prever um aprofundamento desses novos modelos, sobretudo de dark kitchens e modelos digitais, o uso acelerado de ferramentas de transformação digital, como totens de autoatendimento e cardápios eletrônicos, de maneira que o digital e o presencial estejam cada vez mais integrados”, afirma Fernando Blower, diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes.

Essa ampliação do uso dos recursos eletrônicos por bares e restaurantes permite a ampliação da gama de serviços oferecidos, que não se resumem mais ao atendimento in loco, passando também pela criação e continuidade do sistema de delivery e mesmo por diferentes vertentes e horários de atendimento.

Isso é importante, pois a relação com o cliente para bares e restaurantes não se dá mais apenas presencialmente, o que reforça a necessidade de transformação digital desses estabelecimentos. “É fundamental aprendermos a lidar com o cliente tanto pessoalmente quanto no digital, especialmente, explorando o mercado dentro de casa, que ganhou força com os serviços de entregas por meio de aplicativos”, destaca Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Além disso, o uso de ferramentas digitais pode auxiliar bares a compreenderem, através de dados estatísticos, o perfil do consumidor, suas características e preferências. “Toda e qualquer ferramenta que traz insights estatísticos sobre seu público, seus produtos, tendências do mercado, sazonalidade do negócio, entre outras informações relevantes, é muito valioso”, diz Mateus Bodanese, CEO da myTapp.

Esse maior entendimento das demandas do consumidor também passa pela apresentação de novidades. Com isso, ao mesmo tempo em que bares precisam consolidar tendências advindas da pandemia, podem aproveitar a retomada da normalidade para surpreender o consumidor com ofertas de serviços e produtos que ele ainda não conhecia.

“A força da inovação está em marcar positivamente o consumidor e atrelar a marca a uma experiência, isso é muito significativo. Mas inovar dá trabalho, por isso, para não perder nenhuma oportunidade em 2023, meu conselho é fazer testes, apostar em estratégias consolidadas e tentar inovar em tudo que estiver ao seu alcance”, acrescenta Bodanese.

Assim, com a ampliação da atuação e um trabalho de aproximação do consumidor, os bares deverão conhecer os desejos do seu público-alvo, aproveitando a expectativa de alta do consumo ao longo de 2023.  “O importante é aprender a lidar com o consumidor, que está cada vez mais exigente, conhecendo mais os produtos no que diz respeito a cerveja”, conclui Solmucci.

Bill Gates compra participação na Heineken por quase R$ 5 bilhões

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Bill Gates agora é acionista do Grupo Heineken. O bilionário fundador da Microsoft comprou 3,76% dos ativos da Heineken Holding NV, que possui o controle acionário da gigante holandesa de bebidas, em uma negociação fechada após a mexicana Femsa decidir vender a sua participação.

A compra de uma parcela das ações do Grupo Heineken por Bill Gates foi confirmada pela Autoridade de Mercados Financeiros da Holanda. Foram adquiridas 10,8 milhões de ações por 883 milhões de euros (aproximadamente R$ 4,863 bilhões), em uma transação realizada pela Fundação Bill & Melinda Gates.

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A aquisição de uma parcela do Grupo Heineken por Bill Gates despertou de imediato a lembrança na imprensa que segue os passos e investimentos do magnata de que o fundador da Microsoft está longe de ser um grande consumidor de cerveja.

“Quando acabo indo em algo como um jogo de beisebol, bebo cerveja light para entrar na vibe de todos os outros bebedores de cerveja. Desculpe desapontar os verdadeiros bebedores de cerveja”, afirmou em 2018, quando participou de um bate-papo no Reddit.

Anteriormente, a Femsa havia anunciado a decisão de deixar de ter qualquer participação junto ao Grupo Heineken, em um desinvestimento que deve durar entre 2 e 3 anos. O grupo mexicano possuía 18 milhões de ações da Heineken Holding. É, assim, desse montante que o fundador da Microsoft adquiriu os seus papéis.

A Femsa optou por concentrar suas atividades em outros negócios, como a engarrafadora que administra junto com a Coca-Cola, a rede varejista Oxxo, sua fintech e seus postos de gasolina. E além de vender suas ações, seus membros que fazem parte de conselhos de supervisão e administração do Grupo Heineken irão renunciar.

“A Heineken respeita a decisão da Femsa de reorientar suas prioridades estratégicas e gostaria de agradecer a Femsa por sua contribuição e apoio no crescimento de nossos negócios nos últimos 13 anos”, diz a companhia de origem holandesa em comunicado.

Heineken também compra
Outra parcela relevante das ações da Heineken Holding que eram da Femsa foram adquiridas pelo próprio Grupo Heineken. Foram 3.891.050 ações compradas por 292 milhões de euros (R$ 1,6 bilhão). Como também comprou papéis da Heineken que eram do grupo mexicano – 7.782.100 ações por 708 milhões de euros (R$ 3,882 bilhões) – investiu um valor agregado de 1 bilhão de euros (R$ 5,48 bilhões).

“A participação nesta oferta de ações por meio da compra de ações da Heineken e da Heineken Holding NV representa uma oportunidade única de investimento e reflete nossa confiança na estratégia EverGreen, que continua a ganhar impulso. Nosso forte balanço patrimonial nos permite aproveitar esta oportunidade. Isso não altera nossos princípios de alocação de capital, que priorizam o investimento no crescimento orgânico e na expansão de nossos negócios, respeitando nossa meta de longo prazo de alavancagem (dívida líquida/EBITDA) abaixo de 2,5x”, afirma Dolf van den Brink, CEO e presidente do Conselho Executivo do Grupo Heineken.

“Nenhuma embalagem dominará as artesanais como foi com a garrafa”

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O setor de cervejas artesanais se tornou mais diverso em relação ao uso das opções de embalagem. O enorme domínio apresentado ao longo dos tempos pelas garrafas de vidro não mais acontece ou acontecerá, de acordo Bruno Lage, sócio-fundador da Label Sonic, empresa especializada em rotulagem.

As garrafas de vidro continuarão, claro, tendo grande importância e participação no mercado de embalagem dentro do segmento de cervejas artesanais, mas tendências advindas da pandemia do coronavírus se consolidaram. E elas envolvem tanto as latas, que já tem parcela relevante de clientes do setor em outros países, como o PET e os growlers, que inicialmente foram vistos como opções emergenciais em meio aos momentos mais graves da crise sanitária.

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“Nenhuma embalagem mais vai dominar o mercado de cervejas artesanais como a garrafa dominou”, prevê Lage, que atua diretamente com as marcas através dos serviços de rotulagem fornecidos pela sua empresa e tem enxergado uma nova dinâmica no segmento, com a diversificação do envase.

“No chamado pós-pandemia, a garrafa perdeu espaço. Claro que a garrafa continua muito forte, mas perdeu espaço para a lata. Mas não só para a lata. O volume também passou para o growler e a embalagem PET”, acrescenta o sócio-fundador da Label Sonic.

Se o uso do envase em lata para cervejas artesanais é uma tendência vista no mercado internacional, a adoção da embalagem PET é uma solução que até algum tempo atrás era vista sob desconfiança por uma parcela do consumidor, algo que começou a ser dissipado com a pandemia.

“A embalagem PET vai crescer na cerveja artesanal. O PET oferece preço. Claro que ainda depende de uma cadeia refrigerada para fazer a distribuição. Mas acho que é uma embalagem promissora”, avalia Lage.

Para referendar seu argumento, o sócio-fundador da Label Sonic aponta que o uso do PET não tem se resumido à cerveja via delivery, também sendo oferecido em bares e restaurantes como uma “cerveja fresca”.

“O consumidor pode ver o PET como uma cerveja fresca no ponto de venda. E não mais como uma cerveja inferior, como era muito comum de se ver esse pensamento, especialmente fora da região Sul. Começou a ser mais comum você pedir um growler para consumo em um restaurante, por exemplo, com mais pessoas. É uma mudança de percepção do consumidor, passando a entender que se trata de uma cerveja fresca”, diz.

Conversa pela embalagem
Como muitas cervejarias vêm mudando o envase da sua produção, esse processo também necessita de diálogo com o consumidor. E o rótulo pode ser o local ideal para isso, pelo contato direto com o público, lhe informando sobre a nova estratégia da marca e suas motivações.

“O rótulo acompanha todas as mudanças. A dor é adaptar a comunicação do rótulo para essas novas embalagens. O rótulo é uma das principais formas de falar com o cliente sobre a mudança de embalagem, é uma fonte de informação”, diz Lage.

O profissional da Label Sonic também ressalta que adotar a comunicação certa ao dialogar com o consumidor pode ter impacto sobre a decisão de compra, pois costuma ser somente quando está no ponto de venda que ele escolhe qual será o produto a ser adquirido.

“Algumas pesquisas já mostraram que 90% da decisão de compra é tomada no ponto de venda. E é ali onde o rótulo está. Então, em casos de adoção de nova embalagem, é preciso explicar essa mudança no rótulo, falar que está evoluindo, usando uma embalagem de menor impacto ambiental, por exemplo. Você também pode destacar que é uma cerveja fresca, que precisa ser armazenada e consumida rapidamente”, comenta.

Certo mesmo é que, independentemente da embalagem adotada em sua cerveja artesanal, as marcas precisam ficar atentas à comunicação visual para um consumidor exigente, que busca uma experiência completa com a bebida.

“O cliente da cerveja artesanal quer uma diferenciação que passa pela embalagem e pelo rótulo. Ele quer ficar bonito no Instagram, nos grupos de WhatsApp, nas redes sociais. O produto é sempre o mais importante, precisa ser bom, mas também tem que estar bonito. A embalagem faz parte do produto”, conclui o sócio-fundador da Label Sonic.

Balcão do Jayro: “Não nos esqueçamos da acidez…”

Balcão do Jayro: “Não nos esqueçamos da acidez…”

…Da falta de tom. Da não polidez sincera. Não nos esqueçamos da diversidade dentro da superestimada normalidade… De onde existem as amarras invisíveis daquilo que é o esperado. Não nos esqueçamos dos sabores das diferenças.

A citação acima encontra-se impressa no rótulo da Pink Lemonade, uma Berliner Weisse com framboesa, amora e limão da cervejaria Dádiva – até procurei se a citação tinha outra autoria, mas não encontrei.

Confesso, sou um apaixonado por cervejas ácidas – sim, toda cerveja é ácida, mas estou me referindo a acidez sensorial pronunciada – mas não foi paixão à primeira vista, não. O primeiro contato com cervejas ácidas que me recordo foi em 2004, durante uma visita ao Museu da Cerveja em Bruxelas, na Grand-Place. Pouco me recordo do museu e da cerveja (que provavelmente era uma Gueuze), mas me lembro que era um tanto estranha. Não tive uma epifania com o beerhunter Michael Jackson em 1969 – quem gosta de cervejas belgas e não conhece esse episódio, recomendo o documentário[1] “A conversation with Michael Jackson”. A afirmação de que Michael Jackson salvou as cervejas belgas da extinção não é um exagero.

Essa “paixão” ficou dormente por mais de 10 anos, quando fui ter novamente contato com uma Berliner Weisse (Berliner Kindl) no curso de sommelier, seguido pelas ácidas espontâneas belgas, e por aí fui me enveredando nesse caminho “da diversidade dentro da superestimada normalidade” e jamais retornei…

Do ponto de vista evolutivo, acidez é um indicador de possível toxidade de um alimento, portanto é marcador importante para a sobrevivência humana. Ao longo do desenvolvimento humano aprendemos que alguns ácidos, ao contrário da toxidade indicada, podem na realidade nos ajudar a preservar melhor alguns alimentos e eliminar ou inibir patógenos. Embutidos, queijos, cervejas, vinhos, conservas das mais variadas se utilizam desse meio ácido. Ao contrário do amargor, já temos contatos com substâncias ácidas desde que nascemos – o leite materno é ligeiramente ácido, com pH entre 6,6 – 6,8. Vale lembrar que a escala de pH, que vai de 0 a 14 é logarítmica, o que significa dizer que uma substância com diferença de 0,1 de pH para outra é 10 vezes mais ácida. Do ponto de vista fisiológico, a acidez é mais sináptica (junto com o salgado) já que despolarizam diretamente as células do corpúsculo da língua. Ou seja, os gostos ácidos e salgados são percebidos antes dos demais – esqueça o mapa da língua, estamos falando aqui de velocidade, não de localização.

A acidez sensorial pronunciada facilita muito o trabalho de um sommelier quando se trata de possiblidades de harmonização. Temos possibilidades de trabalhar com diferentes tipos de acidez, sendo a lática, a acética e a cítrica as mais comuns. Segundo, por ser mais sináptica, quando propomos a interação de uma cerveja ácida com um prato salgado, cria-se aí um “jogo” de sensações, sendo que estamos falando somente de gosto, sem entrar no mérito dos demais elementos. Quando oferecemos uma cerveja ácida para acompanhar um prato ácido – um ceviche por exemplo – criamos a sensação de cancelamento, a acidez do prato e da cerveja parecem se amortizar e têm uma intensidade menor do que se fossem degustadas de forma apartada. E, por último, e não menos importante, quando acompanhada de uma sobremesa, a acidez faz contraponto a doçura como matéria e anti-matéria, provocando um aniquilamento incrível se as forças estiverem equilibradas. São raras as vezes em que não escolho a acidez como elemento estruturante de uma harmonização com sobremesas.

E por falar nisso, que tal harmonizar a Pink Lemonade com um flan de confeiteiro? Ou quem sabe com um pastelzinho de nata…

Saúde!


[1] https://www.youtube.com/watch?v=ZYSnoZqmNMc


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal da Abracerva.

Bioinsumo pode aumentar produção de lúpulo no Brasil, avalia estudo

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Um estudo conduzido pela Embrapa na região serrana do Rio de Janeiro busca insumos que possam ajudar a aumentar a produtividade do lúpulo. O trabalho analisa o uso de bactérias e fungos que contribuam para o desenvolvimento da planta, ingrediente fundamental para a produção de cerveja, e já obteve resultados positivos.

Os experimentos com mudas inoculadas com a bactéria Azospirillum possibilitaram aumento de 52% de biomassa na parte aérea da planta, em um claro indicativo de que, assim como outros cultivos, o lúpulo também pode se beneficiar da ação desse microrganismo para aumentar a sua produtividade.

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“Nossa perspectiva é obter um bioinsumo que estimule a produção de mudas mais vigorosas, com menor tempo de viveiro e que reflitam em benefícios em relação à produtividade e, quem sabe, até na qualidade sensorial do lúpulo”, explica o pesquisador Gustavo Xavier, da Embrapa Agrobiologia.

O estudo experimental foi realizado no Viveiro Ninkasi, localizado em Teresópolis (RJ) e que foi o primeiro a ter o reconhecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para produção de mudas de lúpulo no Brasil.

Os pesquisadores, então, utilizaram as práticas de manejo usuais já realizadas no viveiro para testar bactérias e fungos armazenados na coleção do Centro de Recursos Biológicos Johanna Döbereiner, em Seropédica (RJ), com o foco naqueles microrganismos que, reconhecidamente, têm a função de promover o crescimento de plantas. E o resultado foi positivo com a bactéria Azospirillum.

Esse estudo é uma das frentes da Rede Lúpulo, projeto multidisciplinar voltado a criar condições para o estabelecimento da cultura do ingrediente cervejeiro no Brasil. Nessa mesma frente, também há a avaliação de substratos que são eficientes em outras culturas.

Um bom resultado para o lúpulo foi alcançado com o gongocomposto (substrato produzido por gongolos). Nesses testes de campo, os pesquisadores observaram um incremento de 50% em relação ao substrato comercial.

“Como cada um de nós analisa o experimento dentro da nossa área de conhecimento, o experimento fica robusto, com várias avaliações. O que é um grande benefício para a cultura”, pontua o pesquisador Orivaldo Saggin, especialista em fungos micorrízicos.

As micorrizas são associações entre alguns fungos do solo e raízes de plantas, que ocorrem nos mais diversos ecossistemas. As hifas das micorrizas, as estruturas que compõem as células de um fungo, associam-se às raízes das plantas e auxiliam na absorção de água e sais minerais do solo, principalmente fósforo e nitrogênio.

Como o lúpulo é uma planta que depende da raiz para se desenvolver, os pesquisadores estudam a possibilidade de desenvolver e aplicar um produto biológico para estimular a planta na absorção de nutrientes.

A pesquisadora Norma Rumjanek explica que os conhecimentos do microbioma associado com plantas vêm ganhando destaque e podem revelar novas oportunidades tecnológicas. A intenção é avaliar diferentes dosagens do inoculante bacteriano e de substratos nas cultivares mais utilizadas pelos produtores da região serrana do Rio. “O objetivo é otimizar os benefícios dos processos microbiológicos que envolvem a planta, os microrganismos e o ambiente”, relata.

Além de fazer novos testes de campo com diferentes bactérias da coleção biológica da Embrapa Agrobiologia, os pesquisadores querem conhecer também como se dá a interação do lúpulo com outros microrganismos, como fungos e bacilos. “Ainda que os resultados sejam preliminares, eles apontam as potencialidades de expansão desses bioinsumos para a cultura do lúpulo”, completa Xavier.

12 ações cervejeiras preparadas para a folia do carnaval

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A pandemia da Covid-19 impossibilitou que a maior festa do mundo – o carnaval – fosse celebrada em sua plenitude nos últimos dois anos. Mas agora a realização das grandes festas nas ruas, sambódromos e bares voltou com tudo. E para essa retomada da folia, foram preparadas diversas ações cervejeiras e lançamentos pelo país, tanto pelas grandes marcas como pelas artesanais, buscando aproveitar o alcance do carnaval.

A Brahma, por exemplo, aposta na presença da ex-modelo Gisele Bündchen como sua convidada especial para o carnaval, estando presente em diversas folias pelo Brasil com diferentes ações cervejeiras. A Itaipava também aparece como a patrocinadora oficial de diversas festas e criou algumas novidades para esse período.

Entre as artesanais, a Krug Bier lança a sua Krug Cristal para o carnaval. Já a Landel trouxe a Atrás do Bloco. E ainda há a aposta em bolsas térmicas para manter as cervejas geladas durante a celebração.

Fazendo literalmente a festa, a Artéza organiza o CarnaRock, enquanto a Madalena promove cinco dias de muita folia.

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Confira a seguir algumas ações cervejeiras preparadas especialmente para a folia do carnaval:

Ambev apoia moderação,…
Pensando no consumo responsável, a Ambev aposta na mixologista Néli Pereira, que vai dar dicas de moderação e drinques sem álcool nas suas redes sociais. Já Brahma (Minuto da Moderação) e Beats (Paradinha Beats) terão ativações lembrando o folião de beber água e se alimentar. A Beats também vai distribuir 60 mil barrinhas On My Beats, que saciam e substituem uma refeição, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Florianópolis.

…catadores e luta contra o assédio
Outra das várias ações cervejeiras da Ambev no carnaval envolve todo o ecossistema da latinha. Recriando a tendência das roupas e acessórios feitos com lacres de latinhas, a moda voltou como uma representação do material que sustenta o trabalho de catadores e ambulantes durante o carnaval. Neste ano, são mais de 30 mil parceiros cadastrados para trabalhar com a companhia durante os blocos. Além de apoiar os ambulantes e fornecer os kits com materiais de vendas, a companhia fez um treinamento obrigatório sobre consumo responsável de bebidas alcoólicas e enfrentamento ao assédio, junto com a Think Olga, consultoria de inovação social que ajuda a criar soluções para as desigualdades de gênero.

Brahma em várias cidades…
A Brahma lançou uma edição limitada com a imagem de Zeca Pagodinho, em mais uma ação da longeva parceria com o sambista, que já esteve presente em várias campanhas publicitárias, e reforçou a sua presença no carnaval, com a marca da Ambev sendo a oficial do carnaval de rua de São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, terá o seu camarote no carnaval de Salvador, assim como é a patrocinadora oficial do Galo da Madrugada, no Recife.

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…e com Gisele
A marca também convidou a ex-modelo Gisele Bündchen para aproveitar o carnaval este ano. Em suas redes sociais, ela revelou que ela só precisa escolher o local, embora ainda não tenha confirmado se vai aceitar o convite, mas deixou no ar a possibilidade ao abrir uma enquete perguntando qual deveria ser o destino.

Novidades da Itaipava…
A Itaipava é a patrocinadora oficial de algumas das principais festas de Carnaval no país e celebrará a data com uma edição comemorativa de Itaipava 100% Malte em uma lata que homenageia personagens do carnaval e muda de cor quando gelada. A marca também apresentará sua colaborativa com edição exclusiva de óculos com a Chilli Beans e entrará na folia com seu time de influenciadores munidos do ITA, um spray com espuma de cerveja.

… e presença na Bahia, claro!
Em Salvador, por sua vez, a Itaipava terá presença de peso em toda a cidade, patrocinando o Camarote Villa. Já no Carnavalito, a marca irá promover a mistura entre a energia dos circuitos e a euforia de estar no meio da avenida, para dentro da casa da marca, a Itaipava Arena Fonte Nova, até segunda-feira (20).

Krug Cristal para o carnaval
A Krug Bier, famosa cervejaria artesanal de Minas Gerais, lançou a Krug Cristal em versão lata. O lançamento acontece para o carnaval de Belo Horizonte e já está disponível para compra na loja da fábrica, e-commerce e supermercado da região metropolitana. A Krug Cristal é uma cerveja puro malte, dourada e cristalina. Traz no aroma e sabor notas dos grãos em equilíbrio com o perfil floral dos lúpulos. Possui corpo leve, baixo amargor, alta carbonatação e um final ligeiramente seco. A ideia desse lançamento é oferecer o sabor e frescor – característicos do chope – na versão lata, com 473 ml, teor alcoólico de 4,7% e baixo amargor.

Landel lança Atrás do Bloco
A cervejaria Landel se inspirou no carnaval para lançar a Atrás do Bloco, uma New England IPA, que leva malte de cevada, flocos de aveia, flocos de trigo e lúpulo na composição. Com 7,5% de teor alcoólico e 30 IBUs, o novo rótulo é aromático por conta das altas cargas de lúpulos americanos usadas em sua produção. A Atrás do Bloco está disponível em chope ou em lata de 473ml e em growler para levar para casa.

Bolsa térmica da Hocus Pocus
Todo mundo quer cerveja gelada no carnaval. E para acompanhar nos blocos de todo o Brasil, a Hocus Pocus lançou a bolsa térmica Psychedelic Craft Beer, que homenageia um videogame que fez parte de muitas infâncias. É para manter a cerveja gelada por mais tempo e carregar de forma prática para onde for. Tem entrega em todo o país, com frete sob consulta no site. Ela tem a capacidade de comportar 7,4 litros.

CarnaRock da Artéza
O Carnarock da Artéza traz muita cerveja e música ao espaço da cervejaria em Belo Horizonte. A programação começou na sexta-feira. Neste domingo, tem o cantor Shel comandando o som da casa. Na segunda, será a vez de Jean Kabal. Já na terça, Rafa Bomtempo é a atração do projeto especial de carnaval da casa. E ainda tem mais: as cervejas especiais da marca estarão disponíveis.

Carnaval pet da Soma
A cervejaria Soma estará com programação especial no domingo e terça-feira do carnaval com seleção musical em ritmo carnavalesco, novidades no tap e concurso de fantasias para cães que passarem pelo brewpub no bairro Moema, em São Paulo, fantasiados. Para que a folia seja garantida, só será permitido a entrada de pets em guias conduzidos pelos seus tutores. No final de semana a cervejaria contará com programação musical ao vivo.

Madalena em cinco dias de muita folia
Já o CarnaRock da Madalena terá 5 dias de muita folia, até terça-feira, em Santo André (SP). No cardápio, vários estilos de chope Madalena nas mais de 25 torneiras disponíveis na casa, além de drinques especiais do Rei da Caipirinha, pizzas artesanais da The Napoli, lanches preparados na churrasqueira de pedra vulcânica e porções da Busger e torresmo de rolo da Let’s Pork. Tudo isso em um ambiente coberto, pet friendly, com espaço kids, pinball, simulador de carro, arcade e grua de pelúcia. Para animar a festa, música ao vivo todos os dias com rock´n roll.

Receita do Grupo Heineken cresce 30% no Brasil com alta das marcas premium

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O Grupo Heineken divulgou o seu balanço financeiro de 2022 com alta de 30%, aproximadamente, na receita obtida no Brasil em comparação ao ano anterior. De acordo com a companhia, o resultado foi obtido pela premiumização do mercado, a precificação e a alta do volume de cerveja comercializada no país.

De acordo com o Grupo Heineken, a venda de cerveja no Brasil teve crescimento de um dígito alto – algo entre 8% e 10% -, uma expansão acima do nível do mercado. E isso foi provocado, principalmente pelo desempenho dos portfólios premium e mainstream, liderados por Heineken e Amstel.

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Além disso, o Grupo Heineken destacou que atingiu nível de participação recorde nessas categorias, com expansão em torno de 20% em 2022, confirmando o êxito na estratégia de premiumização do seu portfólio.

Na outra ponta, o Grupo Heineken vai cada vez mais perdendo espaço na disputa pelo mercado de cervejas econômicas no Brasil. A companhia afirma que teve queda de 15% no volume das marcas desse portfólio, como Nova Schin e Kaiser, em 2022.

O crescimento da receita do Grupo Heineken no ano passado foi de 30,4% no mundo, em consonância com o resultado anunciado para o Brasil, ficando em 34,676 bilhões de euros.

Já o volume de cerveja vendida pelo Grupo Heineken expandiu 6,9% no mundo. O crescimento foi de 11,4% para as cervejas premium e de 12,5% para a marca Heineken. Todos esses resultados globais foram inferiores aos obtidos no Brasil pela companhia.

Foram 256,9 milhões de hectolitros de cerveja vendidos em todo o mundo em 2022. As Américas, maior mercado da companhia muito em função dos seus resultados no Brasil, foram responsáveis por 88,5 milhões de hectolitros, uma expansão de 3,7%. O principal destaque acabou sendo a Ásia-Pacífico, com crescimento de 29,3%, para 48 milhões de hectolitros.

“O crescimento foi liderado pela forte recuperação da Ásia-Pacífico na segunda metade do ano, a reabertura do on-trade na Europa na primeira metade após as restrições relacionadas à Covid do ano passado e o crescimento contínuo nas Américas e na África, Regiões do Oriente Médio e Europa Oriental”, afirmou.

O Grupo Heineken destacou, ainda, em seu balanço, que deixou para trás o resultado do período pré-pandemia, com alta de 2,7% no volume orgânico de cerveja vendida na comparação com 2019. Já o volume de cerveja premium expandiu 15,6% em relação ao mesmo período, com a Heineken crescendo 31,5%.

O balanço do Grupo Heineken para 2022 também apresenta queda no lucro operacional de 4,5% em relação ao ano anterior, para 4,283 bilhões de euros, e de 19,3% no lucro líquido, para 2,682 bilhões de euros.

Quarto trimestre e 2023
No quarto trimestre de 2022, o Grupo Heineken vendeu 63,3 milhões de hectolitros de cerveja, crescimento de 3,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As Américas registraram leve recuo no período, de 0,5%, para 23,8 milhões de hectolitros.

Já para 2023, o Grupo Heineken espera que o lucro operacional cresça organicamente entre um dígito médio a alto. A companhia também foi modesta em sua previsão para o crescimento no volume de cerveja. “Também esperamos um volume de crescimento estável a modesto, aumentando nos mercados em desenvolvimento e diminuindo na Europa”, afirma.

A companhia ainda cita a alta dos insumos com um desafio que deverá permanecer em 2023, assim como aqueles envolvendo os custos da energia. “Prevemos um aumento em nossos custos de insumos na casa dos 15% por hectolitro e custos de energia significativamente mais altos, principalmente na Europa”, afirma, sobre 2023.

O que se fez com o discurso de diversidade no setor? Especialistas debatem

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Os temas da inclusão e da diversidade, urgentes na sociedade e em todos os seus braços, parecem ter ficado em segundo plano no setor de cervejas artesanais. A avaliação foi apresentada por especialistas ouvidos pela reportagem do Guia, que apontaram pouca movimentação nesse sentido dentro do segmento, citando apenas alguns eventos como exceção à regra, mas, ainda assim, questionando o impacto que isso venha provocando.

O cenário é visto quase como um ocultamento, em que ao não se falar de uma temática, se acredita que ela não exista. É, assim, um refluxo sobre o que se deu em anos recentes, quando ao se tornarem públicos casos de racismo, machismo e outros preconceitos, a reação do segmento foi colocar o assunto em pauta.

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No entanto, passada a indignação inicial, o tema deixou de ser visto como prioridade, com ações pontuais e isoladas sendo exceções. “Não vi muitos exemplos de inclusão e aceitação da diversidade no mercado cervejeiro. Aliás, essa questão que foi muito premente durante a pandemia, tendo suscitado grandes discussões, caiu em um limbo, em minha opinião. É como se ao se fazer silêncio sobre essa pauta, ela passasse a não existir mais”, afirma a sommelière de cervejas e jornalista Fabiana Arreguy.

Para Leandro Sequelle, idealizador da Graja Beer, muitas marcas misturaram uma causa tão importante quanto a inclusão e a diversidade, com iniciativas de marketing, que em sua essência pouco ajudaram quem é marginalizado da sociedade e mesmo dentro do segmento das artesanais.

“Pouco se aprendeu socialmente com o passado, e no mercado isso não é diferente. Muitas das pautas foram usadas para ganhar ‘like’. Mas quem sofria racismo, machismo, homofobia, para os que vivem nas margens sociais (como nós), que precisam pensar duas vezes antes de comprar uma cerveja ou pagar um boleto, as mudanças foram muito tímidas”, diz.

Essa suposta paralisia atual, no entanto, é vista sob a perspectiva das etapas de uma luta entre antagonismos da sociedade, que se reflete dentro do setor de cervejas artesanais, como argumenta Cilene Saorin, diretora da Doemens Akademie no Brasil.

“Sempre há avanços quando há luta. A sociedade brasileira é marcadamente diversa e plural em suas etnias, miscigenação, pensamentos e filosofias de vida. Na mesma medida, a sociedade brasileira é marcadamente machista, misógina, racista, homofóbica, etarista, entre outros cabrestos. A comunidade cervejeira é apenas um recorte desta mesma sociedade”, argumenta.

Eventos mais inclusivos
Os avanços necessários podem vir, também, da renovação do setor cervejeiro. Olhando para a retomada dos eventos no setor, algo que ganhou força especialmente a partir do segundo semestre, a sommelière Bia Amorim tem enxergado boas novidades nas caras novas que atuam no segmento e vêm aparecendo nesses encontros, em sua visão, mais diversos.

“Em todos os eventos cervejeiros que eu fui, vi e conheci diferentes pessoas. Sinto que tem gente nova chegando. Mas não vi grandes projetos, como em 2021. Fico entre achar que as coisas estão melhorando, porque vão se normalizando, mas, no fundo mesmo, podia ter acontecido muito mais”, diz.

Sequelle também pondera que eventos voltados às cervejarias artesanais vêm abrindo portas para a diversidade em suas edições mais recentes. Mas aponta que comentários preconceituosos voltaram a ser feitos por algumas pessoas, novamente à vontade para os expelirem, pela ausência de uma onda antirracista.

Há mais inclusão nos eventos. Há mais pessoas chegando, mas as oportunidades ainda não refletem mudanças. Inclusive, devagarinho aquele cheiro de fumaça que vem quando as piadas racistas voltam a mesa de bar está exalando

Leandro Sequelle, idealizador da Graja Beer