Em meio à retomada das atividades após os piores momentos da pandemia da Covid-19 e a maior tragédia da história de Petrópolis, a Rota Cervejeira RJ quer ir além dos eventos da bebida que une as suas integrantes. Nos próximos meses de 2022, o planejamento será de fortalecer a vocação turística cervejeira.
Assim, a Rota RJ trabalhará para estar mais presente em encontros de turismo. A ideia é aproveitar esses momentos para colocar o “turismo cervejeiro na mesma prateleira do turismo nacional”, como destaca Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota Cervejeira RJ.
“Nós sempre estivemos presentes em eventos de cerveja, como o Mondial e o Festival Brasileiro da Cerveja, mas este ano queremos focar mais nos eventos e feiras de turismo e não somente nos eventos cervejeiros”, conta Ana Cláudia.
Ela relata a percepção da Rota RJ de que o turismo cervejeiro poderia ser muito mais falado. E espera que a nova estratégia ajude a modificar esse cenário. “O estado do Rio de Janeiro, por exemplo, é super rico e tem umas das experiências de turismo cervejeiro melhores do país. Mas, muitas vezes, as autoridades ressaltam outras vocações, como as do Vale do Café, do turismo de aventura… E a gente quer colocar o turismo cervejeiro no radar.”
O plano de aumentar a presença nas feiras de turismo é de ajudar a “vender” os passeios cervejeiros para as agências, guias e demais trabalhadores do setor. “Vamos colocar o turismo cervejeiro, de fato, no mapa”, pontua Ana.
A coordenadora da Rota RJ destaca que enquanto em eventos cervejeiros o diálogo se dá com o consumidor final, a presença em feiras turísticas oferece a oportunidade de aproximação daqueles que irão conduzi-los para a realização do turismo cervejeiro.
“Em função do consumo consciente, é muito importante que as pessoas possam ir de van, de ônibus. E elas vão com guias e agências. Então, acho que a interlocução com esse trade turístico é de extrema relevância para nós”.
Para este ano, além da participação mais efetiva no calendário das feiras de turismo, a Rota RJ também busca novos associados, incluindo produtores de lúpulo. Uma ampliação do foco que está relacionada com a crescente produção desse insumo cervejeiro, com várias plantações, na região serrana do Rio.
Nova diretoria Nas últimas semanas, a Rota RJ também passou por mudanças na sua diretoria. “A ideia de renovação da diretoria é de sempre termos olhares de diferentes municípios e suas realidades, tornando a associação mais plural”, explica Ana, que se mantém como coordenadora.
Para o biênio foram eleitos: Gabriel Thuler (Alpendorf), para a presidência; Gilmar Carvalho (Bohemia), vice-presidência executiva; Luciano Machado (Grupo Petrópolis), vice-presidência corporativa; Maurício Almeida (Rota Imperial), gerência de marketing/comercial; e Pedro Paiva (Mad Brew), gerência de operações e eventos.
Retomada após tragédia Como se não bastasse a pandemia da Covid-19, outro desafio enfrentado pelos associados da Rota RJ também foi a tragédia em Petrópolis em 15 de fevereiro, quando uma tempestade devastou a cidade, provocou mortes, desabrigou famílias e atingiu as cervejarias que atuam na região.
No começo de março, em meio à reabertura dos estabelecimentos, algumas ações cervejeiras buscaram ajudar a cidade. E a união entre as integrantes da Rota RJ também ajudou nesse processo. “Em um primeiro momento, a associação esteve presente dando um suporte amplo para as cervejarias de Petrópolis. E com a retomada dos eventos, acreditamos que nos fortalecemos estando presentes para podermos divulgar mais nossos destinos turísticos cervejeiros”, finaliza Ana.
Cerca de dois meses após a invasão da Ucrânia pelas tropas de Moscou, a AB InBev anunciou a sua decisão de encerrar qualquer atuação no mercado da Rússia. Assim, a companhia, que já havia solicitado a paralisação da produção e venda da Budweiser no país, também negociará a sua participação na joint-venture AB InBev Efes.
“(A AB InBev) Vai vender sua participação minoritária na joint venture AB InBev Efes e está em discussões ativas com seu parceiro, a cervejaria turca Anadolu Efes, para adquirir essa participação. O pedido da AB InBev sobre a suspensão da licença para produção e venda da Bud na Rússia também fará parte de uma possível transação”, afirma a maior cervejaria do mundo em nota oficial.
Com o anúncio da saída da Rússia, a AB InBev atende à crescente pressão sobre empresas multinacionais ocidentais para que deixem de operar no país como forma de condenar a ação militar na Ucrânia. Além disso, se junta a outras duas gigantes grupos cervejeiras, a Carlsberg e a Heineken, que anunciaram suas saídas nos últimos dias de março.
Inicialmente, sob o argumento de que não possuía o controle da joint-venture, a AB InBev havia anunciado que estava renunciando aos benefícios financeiros como sócia, além de pedir que a Budweiser não fosse mais produzida. Agora, porém, entendeu que só essas ações não eram suficientes.
“Como resultado, a AB InBev está deixando de reconhecer os investimentos na AB InBev Efes e reportará despesa de depreciação não monetária de US$ 1,1 bilhão em parcela não subjacente dos resultados de associados como parte do anúncio dos resultados do primeiro trimestre”, afirma.
Como anteriormente a Carlsberg, até então líder do mercado russo, disse que o fim da operação representaria um baixa contábil de US$ 1,4 bilhão, e a Heineken estimou a sua saída em 400 milhões de euros (US$ 428 milhões), o êxodo das três gigantes cervejeiras terá um custo de quase US$ 3 bilhões.
Estrutura e outras ações A AB InBev tem participação de 24% na Anadolu Efes, como parte da compra em 2016 da SABMiller. Elas formaram a joint-venture AB InBev Efes em 2018, para operar em solo russo e ucraniano. Nos países, são 11 cervejarias na Rússia, com 3.500 empregados, e 3 na Ucrânia, com 1.800 funcionários.
Apesar do fim da operação na Rússia, a AB InBev assegura que continuará apoiando seus funcionários, suas famílias e os esforços de ajuda humanitária na Ucrânia junto com seu parceiro. Esse amparo inclui aconselhamento, moradia e apoio financeiro. Além de doações para ONGs e a Caritas, a companhia também busca fornecer alimentos, cobertores, suprimentos médicos e 3 milhões de embalagens de água potável de modo emergencial para a Ucrânia e países vizinhos que têm acolhido refugiados.
Anteriormente, a AB InBev também havia lançado a Chernigivske, famosa marca de cerveja ucraniana que faz parte do seu portfólio, em diversos países. A ideia é que todos os lucros com as vendas sejam destinados a esforços de ajuda humanitária, com a companhia destinando ao menos US$ 5 milhões para essa iniciativa.
O Grupo Heineken divulgou o seu balanço do 1º trimestre de 2022 com bons resultados financeiros e um fator de preocupação para o bolso do consumidor. A companhia anunciou um lucro líquido de 417 milhões de euros no período. Mas manteve o aviso de que precisará continuar subindo o preço das suas cervejas.
O indicativo de que deve aumentar ainda mais os preços da cerveja se dá pela continuidade da elevação dos custos de produção. Um alerta semelhante, inclusive, já tinha sido dado há alguns meses, quando da divulgação do balanço de 2021.
“Vemos mais incertezas macroeconômicas e esperamos ventos contrários inflacionários adicionais significativos, pressionando ainda mais nossa base de custos. Tomaremos ações adicionais, incluindo preços, para gerenciar esses desafios”, afirma Dolf van den Brink, presidente do conselho executivo e CEO do Grupo Heineken.
O aumento no lucro do Grupo Heineken, que saltou de 168 milhões de euros para 417 milhões de euros entre o 1º trimestre de 2021 e o mesmo período de 2022, se insere em um contexto de afrouxamento das restrições que vinham sendo adotadas em função da pandemia do coronavírus. Um cenário que minimizou, assim, eventuais efeitos da guerra na Ucrânia e da decisão da companhia de encerrar a sua operação na Rússia.
O Grupo Heineken também registrou aumento da sua receita no primeiro trimestre de 2022, que ficou em 6,989 bilhões de euros, contra os 5,145 bilhões de euros do mesmo período do ano passado, o que representa expansão de 35%. A receita líquida foi de 5,753 bilhões de euros, com um crescimento orgânico de 24,9%. Para essa alta, também contribuiu a oficialização da entrada da United Breweries Limited, da Índia, no portfólio do Grupo Heineken, o que contribuiu com 200 milhões de euros.
Já a receita líquida por hectolitro expandiu 18,3% no 1º trimestre. Nesse caso, o crescimento foi impulsionado pela política de preços, pela premiumização do portfólio, bem como por um efeito positivo do mix de canais. O volume de cerveja aumentou 5,2% organicamente em relação ao mesmo período do ano passado, ao atingir os 56,4 milhões de hectolitros. Além disso, foi 2,8% maior do que nos mesmos meses de 2019.
“Tivemos um início de ano sólido, em linha com nossas expectativas, especialmente nos beneficiando do forte mix de canais da recuperação parcial do comércio na Europa e assertividade nos preços em todas as regiões. Continuamos a progredir no EverGreen e lançamos a Heineken Silver na Europa para impulsionar a premiumização em escala”, afirma Van den Brink.
Resultado modesto nas Américas Na apresentação do balanço, o próprio Grupo Heineken reconheceu que o crescimento na região das Américas no primeiro trimestre de 2022 foi modesto. A companhia citou que sua receita líquida expandiu 10,7%, com o volume consolidado caindo 1,9% e a receita líquida por hectolitro avançando 13,2%, resultado estimulado pela premiumização e pela alta dos preços no México e no Brasil.
Já o volume de cerveja cresceu 1,3%, com o volume dos demais produtos recuando 57,7%, em função do fechamento do portfólio de refrigerantes PET no Brasil de 1 litro ou mais, anunciado em outubro de 2021.
No Brasil, o volume de cerveja cresceu um dígito baixo, porém acima do mercado, de acordo com a companhia. Mas o portfólio premium e mainstream expandiu dois dígitos, liderado por Heineken, Amstel e a recente introdução da Tiger. Já as marcas econômicas recuaram dois dígitos.
Essa pergunta pode ser respondida sobre diferentes perspectivas. Por isso, cabe iniciar a resposta colocando à mesa que o nosso interesse é tratar sobre qual o impacto que um copo de chope ou uma garrafa de cerveja pode trazer ao meio ambiente. Especificamente, em relação à emissão de gases do efeito estufa, de carbono e seus equivalentes (CO2e) ou, ainda, qual é a pegada de carbono por trás de nossos hábitos ao tomarmos uma gelada.
Os dados fornecidos nesta coluna foram publicados pelo cientista Mike Berners-Lee na versão revisada em 2020 do livro intitulado “How Bad Are Bananas?” (em tradução livre “Quão Ruim São As Bananas?”). Uma importante consideração feita pelo autor para apresentar sua resposta clara, com base científica, é que o termo “pegada de carbono” pode ser usado de forma equivocada. Ou melhor, que “pegada de carbono” é uma metáfora usada de forma abreviada, que significa qual seria a melhor estimativa ao nosso alcance para medir os impactos das mudanças climáticas em relação a algo.
Isso vale para uma atividade (exemplo, realizar uma Copa do Mundo de futebol), um item (exemplo, nosso chopinho), um estilo de vida (exemplo, cuidarmos de um bicho de estimação), uma empresa (uma cervejaria local), uma cadeia de suprimentos global etc.
Apesar de o termo mencionar a palavra carbono, deve ser levado em consideração todos os gases que promovem o aquecimento global. Dessa forma, são relevantes as estimativas sobre emissões de gases dominantes em relação ao efeito estufa, como o CO2 emitido toda vez em que usamos combustíveis fósseis em casa, veículos, fábricas e para gerar energia. Além de outros gases importantes, como metano (CH4) emitido principalmente pela agricultura e aterros sanitários, cuja potência pode ser 28 vezes maior quando comparado ao CO2 em um período de 100 anos.
Ainda mais potente do que o gás metano, mas emitido em menores quantidades, é o óxido nitroso (N2O) proveniente de processos industriais e produção agrícola, com efeito 265 vezes maiores do que o dióxido de carbono nessa mesma fração de 100 anos. Ou, ainda, gases usados na refrigeração, os quais são milhares de vezes mais potentes.
Os cálculos sobre a potência e quantidades emitidas são complicados de serem realizados, devido à natureza de gases reagirem de forma diferente ao longo do tempo. Por isso, a dificuldade de se estabelecer uma convenção entre empresas de um mesmo setor sobre como conduzi-los. Para evitarmos confusão, uma das formas mais apropriadas é considerarmos a “pegada de carbono” em termos de emissões de dióxido de carbono e equivalentes (CO2e).
Outro equívoco comum a ser evitado é considerar apenas emissões diretas. Por exemplo, as conhecidas calculadoras de websites podem informar a “pegada de carbono” com estimativas baseadas na produção direta de matérias-primas ou envase, e ignorar outros itens relevantes, como geração de energia para produção, transportes de matéria-prima e produtos, compras de produtos para fabricação e para gestão do negócio, desperdício, entre outros.
Esses equívocos são parte da complexidade inerente aos temas ligados à sustentabilidade, tanto para operações de empresas ou da cadeia de suprimentos em que estão inseridas. Isso nos coloca diante de um dilema, pois é quase impossível medirmos a pegada de carbono, apesar de ser essencial compreendermos como a produção de matérias-primas por meio da agricultura (no caso das cervejas), do transporte, armazenamento e dos processos inseridos nestas etapas produtivas influenciam as mudanças climáticas.
Como lidar com esta complexidade em medir algo quase impossível? A primeira resposta pode ser negarmos a necessidade de medirmos. Uma segunda maneira é medirmos algo mais fácil, mas que pode nos levar a ilusões, confundindo nossa atenção, como os exemplos mencionados sobre os equívocos ao medirmos apenas os impactos diretos, ou apenas as emissões de dióxido de carbono (CO2). A abordagem que Berner-Lee propõe pode ser considerada mais realista ao medir o que é prático de forma mais completa, e ser honesto em relação às incertezas que ainda persistem sobre o assunto.
Com estas considerações podemos dizer que a estimativa mais plausível sobre qual valor correspondente à pegada de carbono das cervejas pode variar entre (Berners-Lee, 2020, p. 69):
650g CO2e de um chope de um brewpub; 780g CO2e de uma cerveja engarrafada de um brewpub; 910g CO2e de um chope de outra localidade em um pub; 1kg CO2e de uma cerveja engarrafada e transportada por longas distância até chegar ao mercado.
Estudo realizado na Everards Brewery, um brewpub de médio porte localizado em Leicester (Reino Unido), apresentou o seguinte resultado considerando as fontes de emissões de gases efeito estufa:
Fonte: Berners-Lee (2020, p. 69)
Para a cervejaria que participou deste estudo, gás e eletricidade corresponderam a mais de um quarto da pegada, logística foi equivalente a um quinto, considerando que as cargas para transporte das cervejas são pesadas, e ingredientes por aproximadamente um oitavo. Quase 40% está na conta de tudo que a cervejaria precisou por meio de compras. O processo de fermentação apresentou aproximadamente 15g por chope, mas que pode ser desconsiderado, pois o CO2 é absorvido pelos ingredientes durante o processo.
Assim, se você puder optar, prefira tomar o seu chope ou cerveja em um brewpub local, para evitar as emissões inerentes aos transportes e armazenamento. E, é claro, quando preferir ficar em casa, latas são mais sustentáveis do que garrafas. Especialmente pela capacidade infinita de reciclagem e por serem mais leves para o transporte. Para efeitos de qualidade, as latinhas também são imbatíveis por preservarem o conteúdo da luz e impurezas externas.
Sob o ponto de vista do meio ambiente e de sua saúde, independentemente de onde for tomar sua próxima cerveja e qual, um simples chope de qualidade é quase sempre melhor do que um pack de garrafas encontrado mais barato em um supermercado. Aproveite sua escolha.
Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.
Estilo de origem belga, a cerveja Lambic tem um brasileiro envolvido em sua produção logo no país onde surgiu. É Tiago Falcone, um dos cervejeiros responsáveis pela fabricação das Lambics do Dansaert, programa de cervejas de fermentação espontânea e mista, envelhecidas em barricas da Brussels Beer Project.
Com essa experiência, Tiago Falcone avalia que cervejarias do Brasil podem até produzir Lambics de forma satisfatória, embora lembre dos desafios impostos pela sua complexa e demorada fabricação, que não pode ser acelerada.
“A característica principal que dificulta (a produção deste estilo de cerveja no Brasil) é o controle de temperatura. O problema maior é que a temperatura mais alta acelera muito a formação de ácido acético. Se houver a presença de oxigênio, e num envelhecimento mais longo há sempre a presença dele, e se não houver cuidado, vira acético e avinagra a bebida. O uso de tonéis maiores pode ser uma alternativa, pois ajuda a reduzir a proporção de oxigênio por volume”, afirma.
As opiniões sobre cervejas do estilo Lambic foram dadas por Tiago Falcone em encontro promovido pela Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), denominado Roda Fermentativa, realizado mensalmente.
A Lambic é um estilo de cerveja belga, produzido com fermentação espontânea, envelhecido, geralmente de um a três anos, em barris de madeira. Tiago Falcone destacou que ela deve ser produzida preferencialmente em noites frias de inverno, quando as leveduras e bactérias do ar possuem as condições mais propícias para ajudar a inocular de maneira ideal o mosto quente dos tanques de cerveja. E esse processo se dá antes de o componente cervejeiro ser resfriado e transferido no dia seguinte para os barris, onde começa a fermentar durante o seu envelhecimento.
Ele também enfatiza que a cerveja Lambic não é produzida durante o verão na Bélgica, mas sugere o uso de frutas como uma alternativa para a fabricação deste estilo no Brasil, que possui clima tropical e predominantemente quente na maior parte do ano. Essa possibilidade, inclusive, já vem sendo aplicada no Brasil por marcas como Wäls e Blumenau, que já foram premiadas por rótulos do tipo, inclusive em concursos internacionais.
“Acho que é possível fermentar usando frutas. Dá para fazer vinho, por exemplo, com fermentação espontânea da fruta. Ou seja, as leveduras daquela fruta começam a fermentação naturalmente. Se isso é possível, por que não seria possível fazer isso com as leveduras do ar que inoculam o mosto?”, questiona Tiago. “Não tem uma resposta certa: ‘Ah, é só isso que funciona’. No Brasil pode funcionar de outra maneira. Tem de tentar, manter o que dá certo e mudar o processo do que não der”, reforça.
Tiago Falcone destaca, ainda, como o trabalho realizado para produzir cervejas do estilo Lambic envolve inovações, mas sem deixar de lado as tradições da escola belga. “A gente estuda o tradicional para entender como funciona e depois desconstrói esse funcionamento. Não tem como reinventar a roda, mas é possível manter a tradição adicionando o toque na nossa cerveja”, afirma.
Projeto com bicicleta na Europa Filho de Marco Falcone, um dos pioneiros das artesanais em Minas Gerais e cofundador da Falke Bier, Tiago trabalhou na empresa do pai, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, entre 2008 e 2009. Em 2010, ele se mudou para a Europa, chegando a Roma, onde trabalhou mais com vendas de cervejas, antes de se mudar para Londres em 2013. Na capital inglesa, fez parte da Beavertown Brewery durante quatro anos, período em que participou do processo de lançamento de um projeto de envelhecimento da bebida em barris.
De família cervejeira e tendo também a bicicleta como uma de suas grandes paixões, Tiago continuou a sua peregrinação em solo europeu em 2017, quando iniciou um projeto pessoal, o “Pedlar”, no qual rodou a Europa por um ano e meio pedalando, visitando cervejarias e oferecendo os seus serviços para a fabricação de bebidas colaborativas ou dar consultoria. Durante este seu trajeto pedalando, iniciado na Noruega e com passagem até pela Rússia, algumas cervejarias abriram espaço para que ele utilizasse o seu conhecimento para produzir rótulos da bebida, como a Broaden & Build, em Copenhague, na Dinamarca. “Devo ter visitado mais de 50 cervejarias”, estima.
O brasileiro lembra que o movimento das cervejas artesanais estava em alta em 2013 na capital inglesa, onde procurava emprego e teve o seu caminho aberto para trabalhar na Beavertown por Logan Plant. O britânico fundou a cervejaria em 2011 e é filho de Robert Plant, icônico vocalista do Led Zeppelin.
“Quando fui para Londres, encontrei uma cervejaria pequena, que era a Beavertown, começando, e fui crescendo com a cervejaria. Foram quatro anos lá e durante esse tempo comecei a ganhar mais confiança. E fui fazendo mais experiências em barris com cervejas artesanais”, conta Tiago, hoje atuando com as Lambics na Bélgica.
A Coffee Beer da Guinness vai chegar a novos mercados. Após o seu lançamento nos Estados Unidos, a marca da Diageo anunciou que a versão da sua cerveja com adição de café, a Guinness Cold Brew Coffee, passou a estar disponível na Grã-Bretanha.
Para criar a bebida, a Guinness adiciona café extraído a frio à sua conhecida Stout, juntamente com sabores adicionais de cevada torrada, para equilibrar notas de café, chocolate e caramelo. De acordo com a marca, cada lata da Guinness Cold Brew Coffee possui, aproximadamente, 2mg de cafeína, o mesmo que um café descafeinado.
A sugestão da Guinness é que a sua Coffee Beer seja servida gelada. “É perfeita para beber enquanto conversa com os amigos, quando relaxa em casa ou apreciada como uma deliciosa bebida ao sol”, afirma a marca em comunicado. “Acentuando as tão amadas notas de café da Guinness Draught, a Cold Brew Coffee Beer é uma bebida ideal para aqueles que podem não ter considerado anteriormente desfrutar de uma cerveja preta, bem como para os fãs já existentes”, acrescenta.
No comunicado em que anunciou o lançamento da Guinness Cold Brew Coffee, a marca ressalta que o café é a bebida mais consumida na Grã-Bretanha – 95 milhões de xícaras diárias –, tendo ultrapassado, inclusive, o chá. Por lá, a novidade estará disponível em latas de 440ml.
Além dos Estados Unidos e, agora, da Grã-Bretanha, a Guinness Cold Brew Coffee deverá ser lançada, ao longo dos próximos meses, em mercados da Europa e da Ásia, como adianta Grainne Wafer, diretora global de marca da Guinness.
“O café não é apenas um companheiro de sabor natural da Guinness, mas uma grande parte da cultura em todo o mundo, principalmente nos EUA, onde esta cerveja foi lançada pela primeira vez. Com esta última inovação na fabricação de cerveja Guinness, apresentamos a Guinness a novos consumidores e fãs existentes nos EUA, e essa é nossa ambição ao lançarmos a cerveja de café Guinness Cold Brew em mais países nos próximos 12 meses”, afirma.
Nos últimos tempos, a Guinness tem ficado marcada pelas inovações. Anteriormente, havia sido apresentada a Guinness MicroDraught, uma espécie de mini-chopeira, assim como uma versão da sua renomada cerveja sem álcool. Além disso, para dar conta de envasar suas produções, investiu 40,5 milhões de libras na ampliação de fábricas de embalagens em Belfast, na Irlanda do Norte, e em Runcorn, na Inglaterra.
Balcão do Profano Graal: A revolta da Lager de Chicago
Alguns meses atrás, eu contei como uma pequena revolta ocorrida na cidade de Pilsner, em 1838, deu origem ao estilo de cerveja mais popular do mundo. Neste mês e no próximo, vou falar sobre duas outras revoltas ocorridas no século XIX e que também tiveram a cerveja como um dos seus elementos. A primeira é uma revolta que ocorreu em Chicago, em 1855.
A cidade de Chicago passou por um rápido crescimento nas décadas de 1840 e 1850, em grande parte por causa da imigração de alemães e irlandeses católicos. Esses imigrantes se estabeleceram no lado norte da cidade e trabalhavam seis dias na semana, deixando o domingo como seu principal dia para socializar.
Boa parte dessa socialização acontecia nas pequenas tavernas que pontilhavam o lado norte de Chicago. Como afirma o historiador Brian Alberts: “A cerveja era mais do que uma bebida – era um apoio cultural integral para os imigrantes que se instalavam em um novo lar.”
Em várias partes dos Estados Unidos, de maioria protestante, o crescimento da influência católica produziu uma reação na forma de um movimento populista e xenófobo que ficou conhecido como Know Nothing, que levantava uma bandeira anticatólica e anti-imigração.
Seu nome coloquial se deve ao fato de que os membros do movimento eram obrigados a dizer “não sei de nada” sempre que fossem questionados por pessoas de fora sobre suas especificidades. Originalmente uma sociedade secreta, o movimento assumiu a forma de partido político por meio do Partido Americano, que foi um dos precursores dos movimentos de temperança nos Estados Unidos.
Foi com uma plataforma anti-imigração, anticatólica e pró-temperança que Levi Boone (1808-1882) se elegeu prefeito de Chicago em 1855 pelo Partido Americano. Em seu discurso de posse, Boone declarou: “Não posso ficar cego para a existência em nosso meio de uma poderosa organização político-religiosa, onde todos os seus membros e seus principais oficiais estão vinculados sob um juramento de fidelidade ao temporal, bem como a supremacia espiritual de um déspota estrangeiro”.
Boone fazia menção à uma teoria da conspiração, na qual acreditavam os membros do movimento Know Nothing, segundo a qual os católicos (chamados “romanistas”) procuravam subverter a liberdade civil e religiosa nos Estados Unidos sob o comando do Papa (o “déspota estrangeiro”). Nas eleições daquele ano, os Know Nothings ocuparam seis dos dez assentos do Conselho Municipal de Chicago.
Associado à sua xenofobia, Boone, um pastor batista e defensor da temperança, acreditava que os mandamentos eram profanados por ter estabelecimentos de bebidas abertos no fim de semana. E, dessa forma, decretou que os bares permanecessem fechados aos domingos. Ao mesmo tempo, o Conselho Municipal decidiu aumentar o custo da licença para a venda de bebidas alcoólicas de US$ 50 para US$ 300, renovável trimestralmente.
Aos olhos dos imigrantes alemães e irlandeses, essas medidas eram vistas como um meio de controle usado pelas elites para controlar a classe trabalhadora imigrante e de impor o que era considerado um comportamento socialmente aceitável. Para aqueles que a fabricavam ou vendiam, a cerveja representava seu sustento econômico. Cervejeiros alemães locais, como John Huck e Conrad Seipp, forneciam Lagers alemãs para os bares, cuja remessa diária podia secar às três da tarde.
Por isso, apesar da proibição, os donos de bares continuaram a vender cerveja aos domingos. Alberts afirma que, para fugir da fiscalização, Valentin Blatz, dono de um bar alemão, fechava as cortinas e empilhava copos de cerveja vazios contra as janelas, abafando o som para que policiais não pudessem ouvir o burburinho dentro do estabelecimento, enquanto seus clientes entravam por uma porta secreta no consultório médico adjacente.
Isso resultou na prisão de mais de 200 alemães por violação tanto da licença quanto das ordenanças dominicais. Os donos de “saloons” decidiram, então, se unir para se defender e resistir, formando um conselho de representação e contribuindo para um fundo comum. E marcaram uma manifestação para 21 de abril, quando o tribunal de Justiça de Chicago deveria emitir uma sentença sobre as prisões.
No dia da audiência, centenas de manifestantes encheram a sala do tribunal e os corredores externos e acabaram entrando em confronto com a polícia. Na tarde do mesmo dia, ondas de imigrantes vindos da parte norte invadiram o centro da cidade, tocando pífanos e tambores.
Quando os manifestantes se aproximaram do rio Chicago, na altura da Clark Street, o prefeito ordenou que as pontes giratórias fossem abertas para impedir que eles cruzassem o rio, deixando muitos manifestantes presos nessas pontes. A polícia disparou contra os manifestantes, que revidaram, havendo mortes dos dois lados. Canhões carregados foram posicionados na praça do tribunal para conter os manifestantes.
Apesar disso, em certa medida a Revolta da Lager de Chicago foi vitoriosa, levando a um acordo no qual o conselho da cidade baixou a taxa de licenciamento de bebidas de US$ 300 para US$ 100. Depois que Boone deixou o cargo, no ano seguinte, a proibição de funcionamento dos bares aos domingos foi revogada. Apesar de ter decidido não libertar aqueles donos de bares que haviam sido detidos por não pagarem a taxa, a maioria dos presos durante o tumulto foi libertada, não indo a julgamento.
Por outro lado, o movimento ilustrou o risco que os imigrantes alemães estavam dispostos a assumir para proteger os proprietários de bares alemães que eles consideravam líderes de sua comunidade, levando à criação de um maior senso de comunidade dentro desse grupo. Como conclui Brian Alberts: “Para os imigrantes alemães de Chicago em 1855, seu desejo por um espaço cultural próspero em sua nova casa espumava dentro de seus copos de cerveja. Eles consideraram que valia a pena lutar.”
A força de uma marca de cerveja passa, evidentemente, pela excelência do que é fabricado, mas também precisa englobar as experiências com o que o seu consumo está envolvido. É essa a premissa que tem guiado a bem-sucedida estratégia de marketing da Heineken e que a leva a estar vinculada, através de patrocínios, a grandes eventos esportivos e musicais no Brasil e no mundo, sendo um dos nomes mais fortes e consolidados da indústria cervejeira.
Para entender as estratégias por trás dos patrocínios e ativações da Heineken, o Guia Talks recebeu Beatrice Jordão, gerente-sênior de marketing da marca no Brasil. Na entrevista, ela explicou que é fundamental para a marca estar associada a momentos de socialização e celebração para construir uma conexão direta com o consumidor.
É a partir dessa necessidade de relacionamento com o público que a Heineken se faz presente em grandes eventos musicais, como o Rock in Rio, além de estender seus patrocínios a importantes competições globais, como a Liga dos Campeões da Europa e a Fórmula 1.
Mais recentemente, a Heineken ampliou a sua gama de patrocínios ao fechar acordos com competições femininas, como a Liga dos Campeões e a Eurocopa, além da W Series, uma categoria de automobilismo destinada apenas a mulheres. “É importante para dar visibilidade a esses campeonatos para o mundo todo”, justifica Beatrice.
Atenta às mudanças e tendências da sociedade, a Heineken também contou com o marketing para auxiliar no sucesso alcançado pela sua cerveja sem álcool, lançada no Brasil no segundo semestre de 2020, o que a levou, em uma recente campanha, a apresentar o slogan “Brindar sem álcool. Agora você pode”, em um sinal dos tempos, com o aumento do consumo desse tipo de bebida.
A Heineken 0.0, aliás, será um dos carros-chefe dos patrocínios e ações da marca em 2022, como adiantou Beatrice ao Guia Talks. E ela destacou que, embora a Heineken esteja bastante atenta aos eventos, o mundo online não ficará em segundo plano nos próximos meses. Pelo contrário, a ideia será oferecer várias experiências através do aplicativo da marca.
Saiba mais sobre os planos e visões por trás dos patrocínios da Heineken na entrevista do Guia com Beatrice Jordão, gerente-sênior de marketing da marca no Brasil:
Estudos sempre apontam a Heineken como uma das mais valiosas marcas de cerveja do mundo. Em sua visão, qual é a razão para isso? E qual é o papel do marketing nesse reconhecimento? Eu acredito que é muito sobre a consistência dessa marca ao longo de tantos anos, com a mesma qualidade e receita desde os anos 1870. É um somatório de valores. Além disso, tem todas as experiências que essa marca proporciona aos consumidores, com sensações únicas. O papel do marketing como um todo é contar histórias, gerar conexões verdadeiras e relevantes com o consumidor. Como diz um amigo, não existe memória sem emoção. Eu amo isso, porque, para mim, o marketing é gerar memórias com emoção. Então, o nosso papel, na Heineken, é gerar conexões verdadeiras e relevantes com o setor por meio de todos os patrocínios que temos, que são super conhecidos, de plataformas e campanhas.
A Heineken possui uma comunicação global em suas campanhas de marketing. Como vocês fazem para que ela dialogue com o consumidor brasileiro? A maioria das nossas campanhas são globais e veiculadas em muitos países. E isso fortalece a marca, pois temos uma comunicação extremamente consistente para o consumidor de qualquer país. Então, em qualquer lugar que você chegue, você tem a mesma comunicação e reconhece essa marca. A gente recebe essas campanhas globais, elas vêm com todas as premissas de onde partiu, com muita pesquisa mundial. E aí trazemos isso para o Brasil, começamos uma extensa pesquisa de como vamos conectar isso com as premissas do consumidor, quais são os hábitos que podem estar relacionados. E sempre mantendo o formato da comunicação Heineken, de fazer repensar algumas coisas, com aquele leve toque que provoca o sorriso no canto da boca. Gerar essas reflexões é muito importante, pois a gente traz um pressuposto de olhar o mundo de outra forma. E aí é só adaptar ao nosso conceito brasileiro. A gente faz o nosso dever de casa aqui dentro. Temos, hoje, um time de marketing amplo, com diversidade de gênero, de raça, de idade. O Grupo Heineken assumiu o trabalho remoto para funções de escritório e conseguimos contratar pessoas de diversos estados, tendo uma representatividade do Brasil inteiro, com um olhar plural dentro da marca.
Como você avalia o resultado dos rótulos lançados com a estrela verde, para dar destaque às ações de sustentabilidade da Heineken? É uma embalagem exclusiva do Brasil, criada aqui. Foram três rótulos colecionáveis e limitados. Estão quase no fim, mas ainda dá para encontrar em algumas lojas de São Paulo. Tem uma ideia comemorativa, de celebrar nossos compromissos de sustentabilidade. Como é que a gente podia dar ainda mais visibilidade para contar essa história ao consumidor? E, também, para consolidar o nosso quarto ingrediente, um elemento novo, a energia verde. Essas embalagens vieram para fortalecer isso. Foi por isso que a gente pegou a estrela vermelha, o nosso símbolo mais icônico, e a colocou verde, que é a cor do futuro, da sustentabilidade.
Qual é o papel do marketing para ajudar a expandir a presença de um rótulo como a Heineken Zero? O lançamento veio para desenvolver e promover a categoria de cerveja sem álcool no Brasil. Ela foi pensada com muito cuidado. Existe uma grande tendência de consumidores que não querem mais consumir álcool em determinadas ocasiões. E parte do nosso trabalho é ouvir os consumidores, entender as tendências e trazer soluções de alta qualidade para essas necessidades. Como é que a gente poderia realmente trazer uma inovação com a mesma qualidade, mesmo sabor da Heineken com a 0.0? Os nossos melhores mestres-cervejeiros foram trabalhar nessa receita, para ter uma inovação que tivesse muita qualidade. E acho que acertamos muito nessa receita. A Heineken Zero vem para abrir possibilidades aos nossos consumidores. Agora, eles podem consumir uma cerveja de alta qualidade, com ótimo sabor, em várias ocasiões em que você não pode tomar álcool, dirigindo, no meio do trabalho ou mesmo no happy hour, caso você não queira beber, ou indo para a academia, pós-academia… Abriu um leque de oportunidades de consumo. É importante atender essas necessidades. E agora estamos com uma nova campanha de que você pode brindar e socializar sem álcool. Não precisa mais se sentir estranho. E esse é um lançamento muito ligado aos nossos valores de consumo responsável.
Recentemente, a Heineken acertou patrocínios a competições femininas, como a Liga dos Campeões e a Eurocopa, assim como para a W Series, no automobilismo. Qual é o intuito dessas ações? É um caminho muito importante da concretização de uma marca inclusiva em um esporte cada vez mais inclusivo. Para nós, é muito importante também patrocinar as versões femininas desses campeonatos, porque a marca Heineken já traz esse olhar de que não existe diferença. A gente cuida bem das consumidoras que amam uma boa cerveja e se preocupa em trazer o melhor para elas. Eu, como mulher, tenho o prazer de liderar a parte de comunicação para essa marca no Brasil. A gente precisa realmente caminhar em ações concretas que tragam a inclusão e o protagonismo para a mulher. Então, é um passo muito importante do esporte ter marcas grandes olhando para os campeonatos femininos. Vai ser não só uma forma de se conectar com as mulheres, porque as mulheres também amam a Liga dos Campeões masculina, mas é importante para dar visibilidade a esses campeonatos para o mundo todo. A gente quer proporcionar a mesma experiência para todos os fãs. É um longo caminho.
E, de uma maneira mais ampla, o que motiva a Heineken a fechar patrocínios a grandes eventos esportivos e festivais de música? Para a marca Heineken, patrocinar esses eventos, tanto de música quanto de esporte, é importante. É um pouco inerente ao mercado, uma marca de cerveja estar em momentos de celebração e socialização. Tantos os festivais como o esporte estão dentro dessa mesma estratégia de estar nesses momentos importantes para o consumidor. A Fórmula 1 é outra plataforma muito importante no sentido de celebrar o esporte. E como uma plataforma para a Heineken Zero, para que a gente possa construir o consumo responsável ao dirigir. Neste ano, todos os nossos patrocínios a festivais e eventos de música estarão dentro da plataforma Green Your City. É um movimento para que a gente possa repensar os nossos espaços urbanos. Nessa retomada, que a gente faz com muita esperança, acreditamos que, nesses momentos, podemos refletir sobre isso.
Quais serão os principais focos do marketing da Heineken e seus patrocínios ao longo dos próximos meses de 2022? Uma das inovações é o nosso aplicativo, o MyHeinekenApp. Ele está disponível já em todas as lojas online. Você pode ter a experiência Heineken, experiências e conteúdos únicos, que só a marca pode oferecer. É um aplicativo que mostra o entretenimento com o olhar Heineken. Vai ser um canal para conhecer as inovações da marca. A Heineken também manteve todos os nomes da plataforma de patrocínios. Vocês vão nos ver em muitos eventos. Tem muitos patrocínios bacanas para a Heineken destacar. E a gente sempre vai fortalecer a agenda de sustentabilidade, em tudo que a gente faz. Então, além da plataforma Green Your City, a gente está levando a energia verde para os estabelecimentos. Além disso, também tem a expansão da Heineken Zero. Vocês vão ver muitas coisas legais acontecendo, a gente vai participar de muitos eventos, com patrocínios da Heineken Zero, com a comunicação sempre tendo aquele toque de humor.
O Polo Cervejeiro, núcleo setorial do Programa Empreender da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), lançou a programação preliminar da 2ª edição do Craft Beer Ribeirão, cujos eventos foram confirmados para ocorrer em um intervalo de quatro dias durante a primeira quinzena de setembro.
A principal destas atrações será a 10ª South Beer Cup, conhecida como a “Copa Libertadores da América da Cerveja”, que acontecerá entre 8 e 10 de setembro, datas em que também será realizada a 1ª edição da Copa Paulista de Cerveja Artesanal, aberta para a participação de todas as empresas deste ramo registradas no Estado.
O evento ainda contará com um festival de cervejas artesanais marcado para ocorrer entre os dias 9 e 11 do mesmo mês e que disponibiliza suas inscrições para interessados de todo o Brasil. Para completar, neste mesmo período, será realizado o 1º Meeting da Cerveja Artesanal, feira que visa promover negócios entre empresas do setor, contando com espaço para exposições de marcas e produtos.
Presente ao evento de lançamento da 2ª edição do Craft Beer Ribeirão, o prefeito da cidade do interior paulista, Duarte Nogueira, exaltou a tradição da cidade na produção de rótulos cervejeiros de qualidade e lembrou da famosa choperia Pinguim, cuja primeira unidade foi lançada em 1937, e, ao longo das décadas seguintes, ajudou a tornar a bebida fabricada no município mais valorizada. Para ele, o fato serviu como incentivo e pavimentou o caminho para a abertura de várias cervejarias de alto nível na cidade e na sua região.
“Dentre várias chancelas que Ribeirão Preto tem, uma lembrada aqui foi o Pinguim. Para qualquer lugar que você for no mundo, todos que falam de Ribeirão, lembram do Pinguim. É uma marca extremamente forte da cidade, que leva a nossa gastronomia cervejeira para o mundo todo. E depois, com o papel empreendedor dos cervejeiros locais, 15 cervejarias, todas de altíssima qualidade. Hoje, você vai a vários lugares do Brasil e vê cervejas de Ribeirão Preto dentro das geladeiras. E isso nos enche de orgulho”, ressalta o prefeito.
Ao celebrar a escolha de Ribeirão Preto como palco da South Beer Cup, o vereador Alessandro Maraca enfatizou a importância que o setor cervejeiro tem para a economia do município. “É um setor gerador de muitos empregos, que paga os seus impostos e precisa de um olhar diferenciado. As nossas cervejarias têm ganhado o gosto dos brasileiros, mas elas podem ir muito mais longe. O anúncio deste evento que acontecerá aqui é muito importante para nós”, destaca.
Por causa da pandemia do coronavírus, a South Beer Cup não foi realizada em 2020 e 2021, após nove anos seguidos em que Brasil e Argentina se revezaram como sedes da competição. Buenos Aires, em 2011, 2013 e 2019; Blumenau (2012); Belo Horizonte (2014); Mar del Plata (2015 e 2017); Curitiba (2016); e Belém (2018) abrigaram as edições anteriores.
Para poder participar da South Beer Cup, um pré-requisito obrigatório para as microcervejarias é ter conquistado ao menos uma medalha de ouro, em 2020 ou 2021, em um dos concursos considerados de ponta listados pelos organizadores: a Copa Argentina de Cervejas, o Concurso Brasileiro de Cervejas, o Brussels Beer Challenge, o European Beer Star e “outras competições internacionais acontecidas na América Latina”.
‘Prioridade’ para abrigar a South Beer Cup em 2024 Também durante a cerimônia de anúncio da programação do Craft Beer Ribeirão, o argentino Tio Limongi, chef internacional, sommelier, mestre cervejeiro e sócio da cervejaria SP 330, de Ribeirão Preto, afirmou que a cidade do interior paulista também já está com o caminho aberto para voltar a ser o palco da South Beer Cup em 2024.
“Recebi uma ligação (da organização da competição) falando que Ribeirão Preto tem prioridade para organizar a South Beer Cup em 2024″, diz. “Ainda nem fizemos nada, mas já estão nos oferecendo isso”.
O Polo Cervejeiro reúne 11 cervejarias independentes de Ribeirão Preto e região. São elas: Alquimia, BR Brew, Experiência, Invicta, Lund, Maltesa, Martinica, SP 330, Walfänger, Weird Barrel Brewing Co. e Wolfes Bier, que fazem parte do Programa Empreender da Acirp. Os seus integrantes são formados por micros e pequenas empresas do mesmo segmento ou que atuam em diferentes setores para colocar em prática ações realizadas em conjunto como associados da entidade, em parceria também com o Sebrae.
A californiana Stone Brewing será indenizada em US$ 56 milhões (aproximadamente R$ 263 milhões, na cotação atual) pela MillerCoors após um tribunal de San Diego considerar que o conglomerado cervejeiro lhe provocou danos em função do uso indevido da marca Stone. O caso foi iniciado em fevereiro de 2018, quando a cervejaria artesanal ajuizou ação contra a gigante pela utilização indevida da marca registrada Stone na apresentação da lata da Keystone Light.
A Stone Brewing, fundada em 1996 pelo cervejeiro Greg Koch, sempre foi vista como uma antítese das “Big Beers”, principalmente por levantar a bandeira da autenticidade e do movimento das cervejarias independentes.
Em 2017, a MillerCoors mudou o design da sua cerveja Keystone Light, dando destaque à palavra “stone” na lata, separando-a do nominativo “key”, que aparecia em fonte menor. Esse formato com palavras separadas foi usado em outros anúncios da marca.
No processo judicial, a Stone Brewing argumentou que a MillerCoors vinha tendo um declínio na venda das cervejas Keystone há anos e mudou sua marca para capitalizar em cima do sucesso da Stone Brewing no cenário artesanal. A Stone Brewing pediu US$ 216 milhões pelos danos causados em virtude da confusão das marcas provocada no público consumidor.
Em sua defesa, a MillerCoors sustentou que as marcas são facilmente distinguíveis e que o uso das palavras “key” e “stone” separadamente já ocorria antes da atualização da marca, feita em 2017.
Além disso, alegou que não houve confusão entre os consumidores, tendo em vista que a marca tentava recuperar a participação de mercado de outras fabricantes mainstream, como a AB Inbev, não de cervejarias artesanais.
Mas o júri entendeu que, ainda que não intencional, ocorreu a violação do direito de marca pela MillerCoors, condenando o conglomerado a pagar à Stone Brewing US$ 56 milhões pelos danos causados. “A Molson Coors ameaçou nossa herança, mas enfrentamos essa ameaça”, celebrou Koch.
A MillerCoors ainda pode recorrer da decisão. Seu porta-voz, Marty Maloney, declarou em comunicado que o julgamento mostrou que o processo da Stone Brewing não foi motivado pela confusão do consumidor e que a cervejaria artesanal detinha uma grande quantidade de dívidas corporativas. “Os jurados rejeitaram a afirmação de que a MillerCoors violou intencionalmente a marca registrada e concedeu à Stone Brewing uma fração do que eles exigiam”, argumentou.
As estimativas da Stone Brewing são de que a MillerCoors vendeu mais de US$ 1,7 bilhão em cerveja Keystone com a marca Stone durante o período da infração. Até por isso, posteriormente à decisão, entrou com um pedido de liminar permanente no qual busca uma ordem judicial para impedir a MillerCoors de usar a marca Stone em latas e anúncios.
Para André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, criador do Advogado Cervejeiro e colunista do Guia, o caso reforça a importância do registro de marcas pelas cervejarias. “As marcas são ativos importantíssimos e deixar de registrá-las é simplesmente abdicar de garantir a exclusividade”, afirma.
Sem o registro, qualquer outra cervejaria pode lançar uma marca igual ou até registrar antes e se apropriar dela. O registro ainda permite combater o uso indevido e pleitear indenização nesses casos, assim como aconteceu com a Stone Brewing. A condenação milionária imposta à MillerCoors apenas reforça a importância do registro
André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, criador do Advogado Cervejeiro e colunista do Guia
A Stone Brewing é a 9ª maior cervejaria artesanal dos Estados Unidos, mas em 2020 produziu 347 mil barris de cerveja, apenas 0,5% do volume de cerveja produzido pela Molson Coors, que adquiriu a MillerCoors em 2016.
Dentro desse cenário, Lopes destaca, ainda, que a condenação de uma das gigantes do mercado dos Estados Unidos demonstra que pequenas cervejarias estarão em condições de igualdade na Justiça caso se protejam para evitar esse tipo de violação.
“Se na maioria das esferas ainda é impossível de as microcervejarias competirem com os grandes conglomerados cervejeiros, pelo menos no campo marcário existe uma chance: basta as cervejarias realizarem o registro de suas marcas e buscarem seus direitos em caso de violação”, conclui.