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11 fornecedores avaliam o impacto da Covid-19 na indústria da cerveja

A paralisação dos serviços considerados não essenciais tem causado enorme impacto na economia nacional, o que se reflete na indústria de fornecedores da cerveja. Para compreender o tamanho da crise do coronavírus, o Guia ouviu gestores de diversos segmentos, como insumos, máquinas e embalagens, entre outros. E eles revelaram os efeitos sobre as suas empresas durante a quarentena.

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A comercialização de cerveja não está proibida, mas, como as atividades do varejo foram afetadas, houve enorme redução da demanda e, consequentemente, da produção. Com isso, a busca pelos serviços dos fornecedores também foi afetada, em função da procura reduzida por parte dos seus clientes.

É praticamente unânime entre fornecedores a avaliação de redução brutal da produção na indústria da cerveja. Foi o que apontaram as 11 empresas listadas abaixo, em depoimentos que retratam a difícil realidade do setor.

Confira, a seguir, 11 depoimentos de fornecedores da indústria da cerveja sobre o impacto da crise da Covid-19.

304 Importação
Felipe Panelli – Diretor Comercial
Em tempos de redução do consumo, circulação de pessoas e encerramento das atividades não essenciais, os clientes da 304 foram amplamente impactados. (…) O impacto, obviamente, chegou também à 304, reduzindo as receitas, e logo exigiu negociações com fornecedores e parceiros, além do corte de custos. São tempos difíceis, mas mantivemos os investimentos e o foco, porém com muita cautela.

Agrária
Rodrigo Pizzatto Lass – Coordenador de Marketing
A Agrária possui outros negócios além do fornecimento de insumos ao mercado cervejeiro e estes negócios foram pouco afetados pela pandemia da Covid-19. Porém, o mercado cervejeiro está sofrendo bastante e isto está nos impactando bastante, pois sentimos uma drástica diminuição do consumo por parte de nossos clientes.

Beer Business
Filipe Bortolini – Sócio
A crise do coronavírus nos impactou fortemente na realização dos cursos e consultorias presenciais. Com praticamente todos os nossos clientes parados ou operando de maneira reduzida, a maior parte das consultorias está em pausa até que se tenha um retorno das atividades. E, com o isolamento social, também não podemos realizar turmas presenciais de nossos cursos. Estimamos que, com a crise do coronavírus, tivemos uma queda de cerca de 80% do nosso faturamento.

Brewtrainer
Mauricio Margaritelli – Sócio
Temos três segmentos de atuação no mercado cervejeiro. (…) No negócio da TG Franchising, paralisamos as negociações de novos franqueadores e suspendemos por ora os desenvolvimentos. (…)  No negócio do Brewtainer, estamos com as atividades reduzidas em 50%. Não chegou a paralisar, pois o mercado percebe que ter unidades de bares menores e com menos custo fixo e de operação é uma tendência também, e um negócio leve e flexível em tempos de crise é sempre bem-vindo. (…) Temos o negocio também da TG/Beer Station, que são unidades móveis de venda de chope que podem ser colocadas em diversos estabelecimentos de terceiros, como barbearias, mercados, condomínios. (…) Este negócio vai bem.

Cooperbreja
André de Polverel – Presidente
O impacto foi enorme, sobretudo porque a economia como um todo não vinha tão bem e havia uma expectativa de melhora com as reformas que estavam sendo discutidas no Congresso brasileiro. Nosso volume de vendas caiu em cerca de 60%.

Label Sonic
Bruno Lage – Sócio-diretor
Falar em queda das vendas é “chover no molhado”. (…) Estamos esperançosos que as empresas estejam conseguindo achar soluções para reativar a sua produção. No entanto, nossos insumos são cotados em dólar. E nossos custos dispararam com o dólar aumentando dia-a-dia! Estamos segurando preços e mantendo os empregos, pois nesta hora é o que toda empresa precisa fazer.

Mcpack
Marcelo Cozac – Diretor
O coronavírus gerou um impacto de redução de produtividade entre 20% e 30% na Mcpack. Todos os funcionários seguem trabalhando, sendo a maioria deles em home office, seguindo todos os protocolos de segurança recomendados pelas autoridades. O maior impacto é na limitação em realização de visitas a clientes. Alguns trabalhos que já estavam planejados para serem executados foram postergados e visitas comerciais reduzidas em praticamente 100%. (…) Em números, temos apenas alguns problemas com atrasos de pagamentos, principalmente do setor de cervejarias artesanais, as quais foram muito prejudicadas, pois seus maiores volumes são os consumos em seus próprios bares, que estão fechados.

M&P
Michel Gervasoni e Patrícia Lopes – Sócios
O impacto é considerável, pois nosso portfólio de facility services direcionados a eventos foi afetado diretamente, uma vez que aglomerações estão proibidas e sem data de retorno previsto. (…) Temos aproximadamente R$ 600 mil colocados em caráter suspensivo, até que a retomada das atividades aconteça, efetivamente. É uma receita significativa e necessária.

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Palenox
Candida Palagi – Diretora de Marketing
O momento exige dos gestores do mercado cervejeiro adaptação para ajudar a manter saudável toda a cadeia, prejudicada desde o início da pandemia. O isolamento, tanto físico quanto social, se tornou uma espécie de “novo normal” ao redor do planeta.  E essa nova realidade mudou a forma como vivenciamos a experiência com a cerveja artesanal. Nós, da Palenox, buscamos maneiras de manter a produtividade e de garantir que a dinâmica da equipe siga positiva. Com perda de 70% dos pedidos de março, em abril 80% e até agora no mês de maio com previsão de mais redução, tomamos as seguintes medidas: adequação da estrutura funcional; redução da jornada de trabalho; redução nas necessidades de compras; renegociações de prazos junto a clientes devido à entrega de fornecedores.

Theodosio Randon
Leandro Schimanski – Comercial
Com a chegada do coronavírus ao Brasil, nossa produção mensal baixou consideravelmente, pois nossa maior fonte de saída de cerveja, que é o bar, está fechada há dois meses, então acabamos ficando com mais de 6 mil litros de cerveja em estoque e, com isso, tivemos de segurar todas as produções agendadas.

Zero Grau
Leandro Spaniol – Coordenador de marketing
Estamos sentindo os impactos provocados pelo coronavírus, como todas as empresas do Brasil. De uma forma geral, o mercado está cauteloso na realização de investimentos em novos bens e equipamentos. Percebemos diferenças entre os mercados de bebidas e de alimentos, pois algumas empresas de fabricação de congelados tiveram até aumento de demanda com as pessoas em casa. Estamos vendendo para indústrias e comércios que atendem as necessidades básicas das pessoas. Com as pessoas em casa, elas estão buscando mais conforto e comodidade. (…) Abril foi um mês bem mais fraco do que o normal, onde todos pararam e o mercado ficou apreensivo, esperando um movimento. O estado de São Paulo fechar, mexe com a economia de todo país. Maio já reagiu melhor, percebemos que alguns empresários não estão mais esperando e, sim, buscando alternativas para adaptar seus negócios e fornecer produtos e serviços de forma diferenciada, por delivery ou autoatendimento – como é o caso das minicâmaras com sistema de automação de chopp.

Balcão do Advogado: Guia prático para enfrentar o mercado após a pandemia

Balcão do Advogado: Guia prático para enfrentar o mercado após a pandemia

Muito tem se falado sobre medidas de aplicação imediata durante a crise, mas e depois disso? As empresas estão se adaptando na tentativa de sobreviver à pandemia, que infelizmente fechará muitos negócios.

A virtualização parece inevitável, o que implica em adaptações no modelo de negócios. Diversas cervejarias já promoveram essas alterações, buscando alternativas nas vendas através de canais virtuais (e-commerce, delivery e take away).

Leia também: As regras e obstáculos do e-commerce

O “novo normal” já é realidade e demanda mudanças para sobreviver de forma sustentável. Muitas das medidas adotadas durante a crise serão perpetuadas, já que as pessoas têm respondido positivamente ao consumo por meio de plataformas virtuais.

Este e-book serve justamente para isto: é um guia com o intuito de preparar as cervejarias para o novo normal, através de sugestões e dicas nas áreas de comunicação e marketing, além de abordar aspectos jurídicos da virtualização.

Baixe o material aqui


André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, é criador do site Advogado Cervejeiro e integra a equipe de colunistas do Guia, um espaço pensado para promover o debate e gerar o máximo possível de informação ao mercado e ao setor. Fique atento em nossas páginas e conheça todos os colunistas do Guia da Cerveja.

O novo mercado: 4 tendências sobre o consumo de cerveja em casa

A nova rotina imposta à população causou impacto no hábito das pessoas e, como consequência, no consumo de produtos e serviços. Após dois meses de crise do coronavírus e de isolamento social, algumas tendências no comportamento dos consumidores já afetam todos os setores da economia, inclusive o cervejeiro.

Para entender as tendências desse novo momento, o Guia conversou com especialistas e consumidores de cerveja artesanal. São comportamentos e hábitos que foram modificados nas últimas semanas e que provocaram novas demandas para as empresas.

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Tais mudanças estão relacionadas com os efeitos econômicos da crise, incluindo a redução do consumo, provocada pelas restrições financeiras. Mas também passam pelo aumento do engajamento entre público e marcas, pela consolidação da tecnologia como aliada nas vendas e pela busca por alternativas para não interromper a rotina de beber.

1- Queda no consumo, sem paralisá-lo
Em pesquisa feita pelo aplicativo Annie com usuários do sistema Android, 71% das pessoas responderam que sua renda foi ou será impactada pela crise do coronavírus. A diminuição dos recursos entre os consumidores é um óbvio motivador para a queda de consumo.

“Apesar de alguns setores terem crescido, de forma geral, o consumo diminuiu. As pessoas estão com medo de gastar, além de não estarem precisando gastar tanto nesse momento”, explica Francisco Freire, diretor-executivo da Vox We Study People, uma agência de pesquisas e de estudos sobre comportamento, sociedade e consumo.

Para a jornalista, sommelière e consultora Fabiana Arreguy, o preço das cervejas se torna ainda mais relevante para a definição do consumo em um momento de crise, como o atual. “Não há como ignorar o fato de que as pessoas estão sem receber, ou recebendo muito menos do que antes da pandemia. É claro que o preço tem peso relevante na escolha do consumidor”, analisa. “Acho que o consumo tende a ser mais consciente em casa, pesando mais a qualidade do que a quantidade do que se consome”, completa Fabiana.

“Desde que começou a quarentena o meu consumo de cerveja reduziu absurdamente”, conta o gerente de contas Renato Gouvêa, que antes da quarentena consumia em torno de 2 litros de cerveja artesanal por semana. O fato de não poder sair para beber com os amigos fez com que seu hábito cervejeiro fosse reduzido. “Sempre associei muito a cerveja com confraternização, com estar com a galera, dar risadas, me divertir.”

O empresário Sérgio Belleza, que sempre consumia cerveja artesanal antes da pandemia, mudou seu hábito e se voltou para os rótulos de marcas tradicionais, que possuem preços mais competitivos. “Meu consumo não caiu, mas troquei as artesanais pelas cervejas mainstream, mais baratas. Até tenho vontade de pedir cervejas artesanais no delivery, mas não dá, estou cortando gastos”, explica. “Estou sentindo falta de sair com os amigos, tomar em um pub, ir a um boteco, sair para bater-papo, jogar conversa fora e beber cerveja.”

2- Consumo mais engajado
Para muitos consumidores, a preferência por comprar de empresas que possuem atuação social, com ações de solidariedade e sustentabilidade, não é algo novo. Mas o número de pessoas que aderiram a marcas com esse engajamento cresceu exponencialmente durante a pandemia.

Francisco Freire explica que essa associação, chamada de consumo regenerativo, está em alta. “A exigência do consumidor por empresas que se posicionem socialmente, que sejam transparentes, que devolvam alguma coisa para a sociedade, tudo isso tem a ver com o conceito de consumo regenerativo, que é uma coisa antiga, mas que está tomando forma cada vez mais. Ideias como solidariedade e empatia estão ganhando força e irão engajar cada vez mais, não só os colaboradores, como também os consumidores”, aponta o especialista da Vox.

Além disso, segundo ele, aumentou a preocupação das pessoas com o meio-ambiente e a faixa de menor renda da sociedade, o que faz com que outro conceito, denominado Smart Buy, associado ao consumo consciente, ganhe força.

“É reduzir a margem de erro na compra do produto, comprar menos e melhor, para impactar menos o ambiente, consumir local, consumir produtos de segunda mão. Essa não é só uma crise de um vírus, mas também uma crise de um pensamento que visou o lucro acima de tudo durante muito tempo”, avalia Francisco.

3- Uso da tecnologia para compras e consumo
Tecnologia para comprar produtos e serviços online não é novidade. Mas nunca houve antes uma demanda tão grande do consumidor por encontrar aquilo que precisa de maneira digital.

“As pessoas passaram a confiar mais, a aprender mais os códigos para fazer uma compra online, para fazer pesquisa online. Isso a gente vê que irá ganhar novas dimensões”, avalia Francisco, dizendo que alguns setores que não tinham grande atuação no e-commerce irão evoluir. “Produtos como roupa, que eram mais difíceis de comprar sem ver, estão ganhando novas tecnologias para serem comprados à distância.”  

O diretor da Vox também destaca que a tecnologia pode ajudar no consumo de bebidas, como a cerveja, estimulado pelos encontros online. “A tecnologia proporcionou os happy hours virtuais, que acabaram sendo um nicho importante para as pessoas matarem a saudade dos amigos, de sair para o bar e beber.”

4- Mudança na definição de itens essenciais
Unindo as três tendências anteriores, surge uma quarta. O fato do consumidor ter menos dinheiro disponível, sofrer o impacto dos problemas sociais e precisar da tecnologia para pesquisar e comprar faz, assim, com que ele escolha muito bem quais produtos e serviços devem ser consumidos. Os itens essenciais se tornam o foco, muitas vezes, único.

Claro, alimentos, itens de higiene e medicamentos são produtos considerados básicos na vida de qualquer pessoa. Mas, dependendo da realidade e da visão de cada um, outras opções entram nessa lista.

A dúvida é quantos e quais consumidores consideram a cerveja como algo essencial. Para encontrar informações que embasem uma reflexão sobre o tema, o Guia utilizou a maior base de dados do mundo sobre buscas por produtos e serviços: o Google. Através da ferramenta Google Trends, foi possível pesquisar e comparar as pesquisas por entregas de cerveja com as de comida e farmácia, por exemplo.

O gráfico abaixo mostra uma comparação, dos últimos 90 dias, entre as buscas realizadas no Google para os termos “delivery cerveja”, “delivery farmacia” e “delivery comida”. A linha azul, da cerveja, está abaixo das outras duas ao longo do tempo.

Quantidade de buscas no Google por delivery de cerveja em comparação ao delivery de farmácia e comida nos últimos 90 dias. Fonte: Google Trends.

A média diária da procura por farmácia é bem superior às demais. Já a diferença entre comida e cerveja não é tão grande assim, sendo que em alguns dias a pesquisa por cerveja iguala ou ultrapassa a busca por comida.

“Acho que muda a visão sobre itens essenciais e supérfluos. O consumo em casa pode propiciar mais consciência sobre desperdício e sobre qualidade do que se consome. Sob essa visão, a cerveja pode ser considerada item supérfluo. Ao mesmo tempo, há pesquisas que mostram aumento no consumo de bebidas alcoólicas em geral durante a quarentena, ou seja, cerveja pode estar na lista de bens básicos”, completa Fabiana.

Entrevista: Sebrae avalia “novo normal” e indica caminhos para lidar com a crise

Tendo tradicionalmente os bares e restaurantes como principal foco de seus produtos, as microcervejarias precisaram inovar ao redefinir seu modelo de negócio com as restrições advindas da crise do coronavírus e o surgimento de um “novo normal”. Foi necessário apostar no sistema de delivery, até então pouco utilizado por várias empresas, como forma de sobrevivência.

Essa alteração é, também, um retrato do que precisa ser o comportamento dos empreendedores nesse momento. Se o cenário mudou, vai conseguir se adaptar a ele quem se reinventar ao “novo normal” e apostar na inovação para conquistar seu espaço no mercado. Uma característica que costuma estar intrinsecamente relacionada às cervejas artesanais e aos novos negócios.

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Essa é a avaliação dos três analistas do Sebrae que concederam uma entrevista conjunta ao Guia: Aloisio Salomon, de Santa Catarina, Bianca Tutini, de São Paulo, e Mayra Viana, da unidade nacional. Eles destacam que o foco agora é o consumidor final, o que pode incluir iniciativas como vendas de vouchers e criação de assinaturas.

Os especialistas também apontam a necessidade de reforçar a preocupação com as finanças, o que pode incluir o corte de iniciativas que vinham sendo planejadas. E lembram que, quando a crise chegar ao fim, será necessário estar preparado para retomar a parceria com bares, em uma aproximação parecida com a que vai se dando com o consumidor nesse período de isolamento social.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Aloisio Salomon, Bianca Tutini e Mayra Viana, especialistas do Sebrae.

Como a crise impacta nas pequenas cervejarias?
As relações de negócio e as prioridades do consumidor mudaram, o que indica que nada voltará a ser como era até fevereiro. Já estamos vivendo um novo cenário, e o “novo normal” impacta o ramo de cervejarias. Com o advento do distanciamento social, o fechamento de bares, restaurantes e o cancelamento de eventos impactaram diretamente no faturamento das microcervejarias.

Há especificidades em relação a outros pequenos empreendedores?
A especificidade da cerveja, neste momento, é que ela está muito associada à confraternização e à aglomeração de pessoas, o que acaba indo na contramão do contexto atual. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, recomendou que as pessoas deixassem de consumir bebida alcoólica durante o período da pandemia afim de fortalecer o sistema imunológico. Nesse cenário, a cerveja não se configura como um item de prioridade na cesta de compras dos consumidores, podendo ser considerada como um produto supérfluo em épocas de crise. Com isso, a principal saída encontrada pelas microcervejarias foi focar no consumo B2C com delivery, ou seja, as cervejarias tiveram de se reinventar e implantar um novo modelo de negócio.

Quais são as principais dicas do Sebrae para o empreendedor cervejeiro, especialmente envolvendo ações práticas nesse cenário de crise? E também o que ele não deve fazer?
Em termos de gestão, recomenda-se cuidado extremo com o caixa, suspender investimentos e estudar novos canais de venda. No Brasil inteiro, o Sebrae tem realizado conteúdos, lives e ações para trazer conhecimento e apoiar os pequenos negócios nesta fase.Não existe uma fórmula pronta, mas cada empresário deve avaliar o seu diferencial e o seu mercado e, a partir dos seus pontos fortes, estabelecer um plano de recuperação ou de reinvenção.

No atual cenário de confinamento, a principal solução encontrada pelas microcervejarias foi a venda direta para pessoas físicas (consumidor final). Isso foi bastante desafiador, pois a grande maioria não atuava diretamente com esse público e não tinha o cadastro (organizado) destes clientes. As cervejarias precisaram investir em presença digital de venda direta. Ao mesmo tempo, é preciso começar a desenhar a estratégia de venda na retomada, e ter um olhar especial com os pontos de venda (PDV), em especial os bares. Isso porque esses pontos estão fechados, mas demandarão uma parceria e prontidão das cervejarias quando o momento de atender presencialmente o cliente chegar.

Levantamento feito pelo Guia indicou que quase metade das cervejarias teme fechar em três meses se o cenário de crise permanecer. Como lidar com uma expectativa tão adversa para o setor?

O momento exige criatividade, comunicação e parceria. É fundamental procurar entender as necessidades dos consumidores neste novo contexto e avaliar todas as possibilidades de manter algum faturamento. Entre elas, tem-se: usar o delivery, vender voucher, fazer parcerias com restaurantes e blogueiros, implantar sistema de assinatura, iniciar ou aumentar o processo de envase (no caso de cervejarias que atuam mais com chope).

O dado é preocupante, e impacta as cervejarias que ainda são jovens. Investir em uma cervejaria é caro e, por isso, muitas apresentam financiamentos em aberto. Há cerca de 500 cervejarias criadas nos últimos três anos, e elas tendem a apresentar rating baixo (classificação dos bancos) para obtenção de crédito. A saída é se reinventar e inovar!

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Até o ano passado, o setor vinha em crescimento relevante de novos empreendimentos, de cerca de 35%. O que esse cervejeiro “novato” deve fazer em um momento tão precoce da crise?
Por ser novo no mercado, este empreendedor provavelmente estará mais aberto para inovar e rever seu modelo de negócios. É o momento de fazer um novo planejamento estratégico, reforçar e investir em parcerias. Inovar em modelos de negócio que comuniquem direto com o consumidor final (tem uma vantagem na tributação), trabalhando no fortalecimento da marca e reforçar uma imagem positiva da empresa. O consumidor está mais sensível e atento à solidariedade – é hora de mostrar para o consumidor o impacto que os pequenos negócios causam na economia, o grande número de novos empregos que as pequenas cervejarias geram e, ao mesmo tempo, demonstrar o que a empresa está fazendo para contribuir com a sociedade.

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O setor cervejeiro tem reforçado o sistema de delivery no período de quarentena e isolamento social. Quais são as ações necessárias para que esse tipo de iniciativa dê certo e até se torne uma alternativa interessante mesmo quando os bares estiverem novamente abertos?
Há diversos aplicativos integradores e serviços de entrega independentes que o empresário pode estudar antes de tomar uma decisão. É importante procurar um sistema eficiente em seu território, e com bom custo-benefício. Algumas dicas:

  • Empresas menores fazem delivery direto, via WhatsApp. Empresas com alto engajamento nas redes sociais podem vender bem por meio de aplicativos gratuitos, como o Delivery do Bem.
  • O uso de embalagens PET tem facilitado a implantação do delivery.
  • Através das redes sociais e WhatsApp, divulgar quais são os tipos de cerveja daquela semana, com sugestões de harmonização com pratos.
  • Criar um sistema de assinatura, onde o cliente paga um valor mensal e recebe semanalmente sua cerveja. Ajuda a criar o hábito do consumo.
  • Melhorar a presença digital, criando parcerias com outras empresas do setor de alimentação e investir nas harmonizações, receitas online, kit para fazer a comida e harmonizar com a cerveja.

Alguns passos para atuação em delivery:
– Organizar cadastro;
– Fazer parceria com um sistema de delivery (ex.: iFood, Rappi ou ter um sistema próprio e entregar os pedidos de forma agendada);
– Elaboração de cardápio digital (uma ferramenta para cardápio online é o Goomer.com, que permite a elaboração de cardápio de bebidas alcoólicas);
– Venda pelos canais digitais (site, WhatsApp Business, redes sociais);
– Atuar na presença digital com elaboração de conteúdo;
– Parcerias com outros produtos do setor de alimentação;
– Informar o cliente do consumo de cerveja via growler, explicar o que é este novo tipo de embalagem;
– Fazer cadastro dos clientes e solicitar autorização para envio de e-mail marketing e promoções via lista de transmissão no WhatsApp.
*Obs.: a função de catálogo no WhatsApp Business não pode ser utilizada para a venda de bebidas alcoólicas ou de insumos para a produção de bebida.

Um caso interessante é a empresa My Growler, do RS, que trabalha com importação e customização de growlers de vidro e cerâmica. Com esse produto, é possível trabalhar com reposição o garrafão (como se fosse um botijão de gás): o cliente passa no local, abastece e leva o growler para casa. Então esse growler fica uma semana na casa do cliente, expondo sua marca e “criando” uma necessidade de devolução ou reposição do produto. Esse novo tipo de venda da cerveja com growler retornável, além de ter o apelo da sustentabilidade, reforça a marca e gera mais vendas. A cervejaria deve garantir a higienização completa e reforçar o cuidado no contato com o cliente, para transmitir a segurança que o momento exige.

Recentemente, o movimento Compre do Pequeno, do Sebrae, apoiou a Semana Beba Independente, promovida pela Abracerva para ajudar as cervejarias artesanais. Como promover e qual é a importância de iniciativas para apoiar o consumo de negócios locais?
O movimento fortalece a ação conjunta entre cervejarias, enaltecendo o produto artesanal / independente. Campanhas como esta aproximam também os consumidores, as iniciativas podem ter como foco sensibilizar sobre o prazer de degustar um novo sabor. Há espaço para iniciativas que aproximem restaurantes também, com a venda do prato com a cerveja harmonizada. Ainda, é relevante incentivar que consumidores apreciem sua cerveja em casa, acompanhando lives ou através de encontros virtuais com os amigos.

Essa aproximação com o consumidor é relevante neste atual cenário, em que a venda direta para pessoa física tem se mostrado uma saída importante. Trata-se, ainda, de um modelo viável de ser mantido no novo normal, dadas as características de tributação e logística das principais regiões produtoras. Assim, essas ações são importantes para que o consumidor saiba que pode consumir o produto diretamente da cervejaria local e descobrir que existe uma cervejaria perto de casa que entrega um produto fresco, de qualidade. Ele passa a conhecer também a opção de novas formas de consumo, como os growlers, que têm se mostrado também positivos para a sustentabilidade.


Como o empreendedor cervejeiro deve se preparar para os passos seguintes da crise, com a abertura gradual dos estabelecimentos, até a volta à normalidade?

Primeiramente, é importante ter em mente que iremos viver um novo normal. Ou seja, é preciso que o empreendedor esteja aberto para mudanças. Em seguida, ele deve buscar se adequar aos novos parâmetros e protocolos que estão surgindo com a pandemia. Os cuidados higiênico-sanitários deverão ser reforçados, para garantir a segurança, e comunicados, para que o consumidor se sinta tranquilo para voltar a consumir presencialmente em um bar, por exemplo. Isso porque, mesmo com a liberação do governo, o consumidor estará retraído e cauteloso.

Assim, as cervejarias devem refazer seu planejamento estratégico e repensar a estratégia de comercialização, presença digital, parcerias e atuação em novos nichos de mercado. Algumas cervejarias já avaliam que vender direto para o consumidor final é um bom negócio. Em São Paulo, por exemplo, algumas já conseguem garantir de 20% a 30% do seu faturamento vendendo desta forma.

Após a retomada, os estabelecimentos deverão reavaliar qual será a melhor modalidade de venda. Alguns empresários apostam que os bares estarão desabastecidos e estão atentos a esses importantes parceiros. Já outros avaliam que a revenda para bares por meio de barris é uma modalidade custosa, pois, além do preço dos barris, envolve representantes comerciais e logística especializados.

Como dito, não existe fórmula pronta, e a preparação para a retomada deverá ser cuidadosa e com replanejamento constante, a partir da análise dos cenários, que tendem a ficar mais claros com o passar do tempo. É preciso resiliência, e a boa notícia é que os donos de cervejarias tendem a ser muito estudiosos, colaborativos, atentos às oportunidades e abertos à mudança.

Rota RJ obtém liminar que suspende corte de energia de cervejarias associadas

A Rota Cervejeira RJ obteve uma vitória judicial impoartante neste início de semana. Diante das dificuldades enfrentadas pelo setor devido à crise do coronavírus, a organização obteve uma liminar favorável proibindo o corte de energia elétrica de cervejarias associadas por parte das concessionárias que atuam em Petrópolis, Teresópolis, Guapimirim (Enel) e Nova Friburgo (Energisa) por falta de pagamento.

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Obtida por meio da atuação da Associação Turística das Cervejarias e Cervejeiros do Estado (Accerj-Tur), a ação teve como base o Decreto Federal nº 10.282/2020, prevendo as atividades que são essenciais neste período de pandemia de coronavírus, e a Lei Estadual do Rio de Janeiro nº 8.769/2020, que em seu artigo 2.º veda a interrupção de serviços essenciais por falta de pagamento.

Vale ressaltar que a Lei Estadual nº 8.769/2020, contudo, não gera isenção do pagamento, mas somente posterga-o para depois da quarentena, época em que os cervejeiros poderão parcelar as faturas vencidas sem multa e juros.

Segundo a Rota RJ, as empresas de fornecimento de energia elétrica estavam fazendo uma interpretação própria dos serviços que seriam considerados essenciais – quando o Decreto nº 10.282/2020 se referia a “bebidas”, elas não incluíam as alcoólicas, o que excluía as cervejarias. Desta forma, as concessionárias permaneceram cobrando faturas e encaminhando cobranças e ameaças de corte.

“Em razão disso, nós ingressamos com uma demanda judicial em Petrópolis, local da sede jurídica da Accerj, frisando que o Decreto Federal nº 10.282/2020 prevê, em seu art. 3, §1º, XII, que a produção, distribuição, comercialização e entrega, realizadas presencialmente ou por meio de comércio eletrônico, de produtos de saúde, higiene, alimentos e bebidas, são segmentos essenciais, sem fazer qualquer distinção acerca de se as bebidas seriam as do tipo alcoólicas ou não”, apontam Alexsander Silva e Áurea Gonçalves, advogados da Accerj.

Assim, na letra fria da lei, segundo acrescentam os advogados, as cervejarias seriam consideradas essenciais. “Nesse sentido, em complemento, a Lei Estadual nº 8.769/2020 também prevê que é vedada a interrupção do fornecimento de energia elétrica aos serviços tidos como essenciais pelo período em que as restrições em razão da pandemia permanecerem.”

Alexsander e Áurea apontam, ainda, o fato das cervejarias poderem produzir álcool em gel, o que tornaria insensato o corte de energia. “Além de serem consideradas essenciais, não apenas quanto ao produto, mas, também, em proteção à própria atividade produtiva (renda e emprego), nós invocamos a perspectiva de que as referidas cervejarias estão sendo cooptadas para produzir álcool em gel, fatos esses que sensibilizaram o Juízo da 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro”, complementam os advogados.

Balcão da Nadhine: Crise, criatividade e diversidade

Balcão da Nadhine: Crise, criatividade e diversidade

Sou analista de sistemas de formação e sempre que vejo palestras e as tão populares lives cervejeiras sobre como se reinventar na crise da Covid-19, ideias de novos serviços ou produtos, novas formas de chegar ao seu cliente e projeções de um novo mercado, me vem à cabeça a pergunta: como deve estar o planejamento estratégico das empreas hoje? Será que todas estão correndo com a corda no pescoço, apenas tentando sobreviver? Ou alguém aí está fazendo análise de mercado, projeções e testando protótipos das ideias, pensando na diversidade?

Para quem não conhece o termo que vou usar aqui, o design thinking é uma abordagem que reúne métodos de pesquisa e análise. Hoje é visto como um conjunto de práticas e processos que propõe uma nova abordagem para a solução de problemas. Isso mesmo, problemas!

Então, vamos pensar um pouco sobre os problemas do mercado cervejeiro hoje. Vou dividir essa coluna em etapas, inspiradas nas quatro do design thinking: imersão, ideação, prototipagem e desenvolvimento.

Imersão
É a fase de entendimento, onde estudamos as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças do setor. A cerveja é tida com uma bebida super democrática em todo o mundo. Mas será que a artesanal é?

A empresa Clube do Malte divulgou uma pesquisa, feita em 2017 e 2018, sobre hábitos de consumo no Brasil. Com 2.876 participantes, ela apontou para uma maioria de consumidores do sexo masculino, com idade entre 31 e 40 anos, casados, com nível superior completo ou pós-graduação. Além disso, mais de 50% são da região Sudeste.

Poderíamos então apenas incentivar o aumento do consumo desse público já pagante e com educação cervejeira formada? A resposta, se você quer que seus consumidores continuem saudáveis para consumo, é não.

Outra pesquisa, do Ministério da Saúde, aponta que 17,9% da população adulta no Brasil faz uso abusivo de bebida alcoólica. O porcentual é de 14,7% a mais do que o registrado no país em 2006 (15,6%). Mesmo com o porcentual menor, as mulheres (11%) apresentaram maior crescimento em relação aos homens (26%), no período de 2006 a 2018. Em 2006, o porcentual entre as mulheres era de 7,7% e entre os homens, 24,8%. Os dados são de 2018.

Ideação
É a fase onde o problema começa a ter uma solução. O desafio de todas as cervejarias que ouvi até hoje, antes e depois da crise, é vendas. Como vender para todos? Como aumentar as vendas sem aumento do consumo individual?

É preciso diversificar o público, atingir mais consumidores de bebidas que não são apenas o perfil “homem branco paulista de classe média”. E para entender e se aproximar de um outro público mais diverso, é necessário trazê-lo para dentro do mercado.

Quer entrar no mercado de cervejas artesanais no Nordeste? Quantos nordestinos estão empregados na sua empresa? Quer entender o consumo de cervejas artesanais pelas mulheres? Quantas mulheres estão empregadas na sua empresa? Qual é a participação dessas pessoas na tomada de decisão?

Prototipagem
É a fase de criação do produto/serviço que irá ampliar esse mercado. Nada do mesmo serve aqui, é preciso um novo olhar, uma nova abordagem. Estamos falando de mudanças. Mudança é inovação. Ideias novas não vão surgir com uma simples lâmpada acendendo na sua cabeça.

A Harvard Business Review afirma: empresas com funcionários diversos têm 45% mais chances de apresentar um crescimento sobre o ano anterior. E a probabilidade é 70% maior de ter ganho de mercado.

Assim, pesquisas mostram que cada vez mais a diversidade e a inclusão (ou D&I) podem ajudar a aumentar os resultados financeiros de uma empresa, impulsionar a inovação, atrair mais talentos, clientes e criar mais oportunidades de crescimento.

Teste
É o momento de colocar o seu produto/serviço para o jogo. No Brasil, essa discussão ainda está começando, mas nos Estados Unidos a Brewers Association (BA), principal associação das cervejarias independentes do país, preocupada com a representatividade do mercado, criou um comitê de diversidade em 2017, que tem como objetivos:

  • Estabelecer uma estrutura organizacional dentro da Brewers Association comprometida com a diversidade, equidade, igualdade e inclusão.
  • Coletar, analisar e divulgar dados para promover diversidade, equidade, igualdade e inclusão em todos os aspectos da comunidade cervejeira artesanal pequena e independente.
  • Apoiar e promover a diversidade na comunidade de cervejarias artesanais pequenas e independentes, incluindo cervejarias, atacadistas, fornecedores de matérias-primas e varejistas.
  • Atrair e manter ativamente uma comunidade diversificada de bebedores de cerveja artesanal pequena e independente.
  • Promover diversidade, equidade, igualdade e inclusão em todas as propriedades públicas da BA, incluindo eventos, publicações e sites da associação.

A BA tem hoje um programa de subsídios para eventos, apoiando iniciativas locais e regionais que intencionalmente promovam uma comunidade de cerveja artesanal mais diversificada e inclusiva.

Essas estratégias não são assistencialismo. São estratégias de crescimento de mercado das artesanais que, no caso dos Estados Unidos, somaram uma fatia de 25% das vendas de cervejas em 2019, segundo a BA.

Onde estamos?
No Brasil, estima-se que a cerveja artesanal independente tenha 2% de participação no mercado, aproximadamente. Além disso, havia 1.209 cervejarias com planta em 2019. A Abracerva apresentou um estudo onde afirmou a dominância masculina no setor, com 89% dos cervejeiros sendo homens, contra 11% de mulheres. A idade média dos profissionais é de 39 anos (52%), com alto grau de escolaridade, repetindo o perfil encontrado entre os clientes.

A representatividade pode ser a chave para podermos alcançar a parcela dos 50% da população que se considera negra e parda, os mais de 50% dos brasileiros que se declaram do sexo feminino e os mais de 10% que declaram fazer parte da comunidade LGBTQI+, segundo dados de 2016 do IBGE.

Além da ampliação do mercado, ações como essa promovem um crescimento saudável de uma comunidade com mais respeito, empatia, bom senso, humildade e paciência, valores humanos básicos trazidos como reflexão por Cilene Saorin em palestra sobre Cerveja e Equidade no Brasil.

Essa mudança não acontece de um dia para o outro. Disso tiramos outro aprendizado do design thinking, que não é linear, mas cíclico. Toda vez que você testa um protótipo idealizado por uma equipe, que necessariamente é multidisciplinar e voltada para experiência do usuário (UX), ela avalia os resultados para já produzir um novo protótipo, evoluindo sempre.

Cada uma das etapas da metodologia tem como base toda a discussão proposta aqui nesse texto. O design thinking e o UX aplicado ao mercado cervejeiro serão conversas para os próximos encontros. Até lá!


Nadhine França é sommelière, membro da Confraria Maria Bonita e coordenadora do Instituto da Cerveja no PE

Cervejaria produz 100 mil unidades de sabão de mandioca para doar no MA

A luta contra o coronavírus segue unindo o mercado cervejeiro. Utilizando um dos componentes especiais de sua receita, a mandioca, a Cerveja Magnífica informou que produzirá 100 mil unidades de sabão para doar à população carente do Maranhão.

Marca da Ambev com atuação focada no estado, a Magnífica utilizará a fécula de mandioca para produzir o sabão, que já foi aprovado pela Anvisa. Os produtos serão entregues nos próximos dias ao governo do Maranhão e vão beneficiar as comunidades periféricas com maior concentração de casos de Covid-19, segundo relata a cervejaria.

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Cada unidade do sabão de mandioca contém 200g e está sendo produzida pela Saponóleo Santo Antônio. “O sabão é essencial no controle da disseminação do novo coronavírus e no cuidado da saúde da população. Por isso, a versão à base de mandioca doada pela Ambev poderá ser usada tanto para higiene pessoal, quanto doméstica”, descreve a cervejaria.

Segundo Tiemy Schneider, gerente de marketing da Magnífica, o sabão traz ainda um componente especial: a mandioca utilizada é plantada através da agricultura familiar. “Nascida e criada no Maranhão, a Magnífica quer apoiar as famílias locais neste momento difícil, reforçando a importância de continuarmos priorizando os cuidados com a higiene pessoal e doméstica”, afirma Tiemy.

“Estamos utilizando a mandioca plantada através da agricultura familiar do interior do Estado, agora não só na produção da cerveja, mas, também, de uma forma diferente para contribuir com a comunidade. Estamos muito felizes em poder contribuir”, acrescenta a gerente de marketing da Magnífica.

Além da fabricação do sabão de mandioca, a Magnífica está doando semanalmente 2 mil garrafas de 1l de álcool 70% à Rede Hospitalar do Estado. Também cedeu 20 mil unidades de álcool gel e mil litros de álcool 70% à Secretaria de Saúde do Estado e produziu máscaras de proteção facial ao Hospital Centro Médico.

Cerveja terá evolução do delivery e de preços no pós-pandemia, dizem especialistas

O mercado cervejeiro vive um momento muito conturbado com a necessária quarentena imposta na luta contra o coronavírus. E esse cenário deve se refletir na indústria da cerveja mesmo no pós-pandemia, especialmente no que se refere a preços e delivery.

Esse foi um dos temas abordados na primeira live do Guia, realizada nesta sexta-feira pela sommelière Candy Nunes (@candysommelier), que atua com marketing para cervejarias, e o jornalista e sommelier Rodrigo Sena, do canal Beersenses.

Confira na íntegra a primeira live do Guia da Cerveja

Além do cenário pós-pandemia, o debate sobre cerveja entre os especialistas abordou o impacto da Covid-19, os desafios do mercado e o consumo durante o isolamento social.

Na avaliação de Candy, que já trabalhou como embaixadora da St. Patrick’s Beer, a questão dos preços tem sido fundamental durante a quarentena e influi diretamente na capacidade das cervejarias conseguirem escoar os seus produtos.

“Eu visitei cinco supermercados e observei que o comportamento do consumidor de cerveja artesanal. Primeiro ele vai direto para as gôndolas de artesanais, observa e, se tiver alguma em promoção, ele pega”, relatou a especialista, fazendo uma relação direta do preço da cerveja com o volume de vendas.

“O preço e a disponibilidade são os dois grandes desafios para o volume de vendas da cerveja artesanal atualmente. Conseguir quebrar as barreiras do delivery, do take away, é fundamental”, acrescentou Rodrigo.

Assim, a questão do delivery, segundo os especialistas, é tão importante quanto trabalhar bem os preços. Para eles, ainda existe muita oportunidade de evolução para as cervejarias nessa modalidade de vendas. “O delivery veio para ficar e não irá embora depois da pandemia. Preocupar-se com a qualidade das entregas é fundamental”, defendeu Candy.

Já Rodrigo apontou que encara como natural e necessária a evolução no delivery, com embalagens mais adequadas a esse sistema e até processos e tecnologia mais aderentes. “As cervejarias precisaram implementar o delivery correndo. Agora, dois meses depois, será natural uma evolução da qualidade pois ela será um diferencial no mercado”, analisou o especialista durante a live, apontando uma possível mudança no mercado de cerveja pós-pandemia.

Os participantes também apontaram questões relacionadas à alta carga tributária como sendo um dos fatores que dificultam essa equação entre delivery eficiente e cerveja mais barata. “A reforma tributária estava na fila do Congresso e iria ajudar, mas com a pandemia tudo foi parado”, relatou Rodrigo.

Colunista do Guia, o advogado tributarista Clairton Kubaszwski Gama lembrou, nos comentários, que existem formas das cervejarias reduzirem a carga tributária através de um trabalho de consultoria para avaliação do enquadramento fiscal.

Mercado em transe
A live desta sexta também abordou o estudo exclusivo feito pelo Guia após a realização de uma pesquisa com mais de 80 cervejarias brasileiras. O intuito foi entender como a crise do coronavírus afetou o mercado nacional de cervejas.

“A pesquisa demonstrou claramente que não dá para tratar o mercado de uma forma homogênea”, avaliou Rodrigo. “A necessidade de cada cervejaria é muito específica em função de variáveis como tamanho, modelo de negócios e localização, por exemplo.”

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Outro dado da pesquisa mencionado foi o fato de 48% das cervejarias com fábrica própria apontarem queda de faturamento igual ou superior a 70%, sendo o dobro da porcentagem de brewpubs que apresentaram a mesma redução.

Para Candy, a proximidade com o cliente final é o motivo dessa diferença. “O brewpub tem o contato com o cliente final desde sempre, é uma relação muito próxima entre a produção e o consumidor, o que facilita muito nesse momento. Já as cervejarias estavam distantes do cliente final, atuavam via distribuidoras”, avaliou.

As lives do Guia serão realizadas semanalmente, sempre às sextas-feiras, a partir das 18 horas. Assim como já acontece com o conteúdo do site, o objetivo é que a live seja mais um espaço de discussão e divulgação da cultura que cerca a cerveja, oferecendo informação relevante e atualizada, além de análises profundas sobre o que acontece dentro desse universo.

Acordo entre cervejaria e governo ‘salva’ 400 milhões de garrafas na África do Sul

O mercado cervejeiro da África do Sul viveu dias de tensão na última semana. A maior fabricante do país, a South African Breweries (SAB), ficou muito perto de se ver obrigada a descartar 400 milhões de garrafas. Mas um acordo com o governo local evitou essa possibilidade.

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O país está sob quarentena desde 27 de março, e as regras para a contenção da pandemia de coronavírus na África do Sul são ditadas por um sistema de classificação do risco em cinco níveis. No quarto, a atual faixa do “lockdown”, a venda e a distribuição de bebidas alcoólicas estão proibidas.

Com isso, as cervejarias não podem sequer transportar seus produtos por estradas do país. No mês passado, inclusive, motoristas de caminhões da companhia foram autuados e multados por levarem cargas da bebida.

Como a SAB, uma subsidiária do grupo multinacional AB InBev, não podia vender ou transportar sua produção para outros locais, os armazéns contíguos às sete fábricas da empresa ficaram lotados e sem condições ideais de estocagem.

Com isso, a companhia anunciou que, se não pudesse levar parte de seu estoque para locais com melhores condições, seria obrigada a descartar 130 milhões de litros de cerveja, o que acarretaria em um prejuízo de 150 milhões de rands (equivalente a R$ 47,2 milhões). Para o governo, por sua vez, poderia provocar uma perda de 500 milhões de rands (R$ 157 milhões) em arrecadação de impostos.

O impasse se resolveu na última terça-feira, quando uma autorização especial concedida pelo governo federal permitiu o transporte de garrafas de rótulos renomados, como a Castle e a Carling Black Label, saindo das cervejarias para os armazéns da SAB.

“A SAB gostaria de expressar sua gratidão ao governo. Essa medida durante tempos tão difíceis é uma clara indicação de que nós devemos colaborar em soluções que vão ajudar a proteger a subsistência de mais de 250 mil sul-africanos que fazem parte da cadeia de valor da SAB”, afirma nota da cervejaria.

No entanto, apesar do tom cordial do comunicado, a empresa tem criticado com veemência as políticas proibitivas adotadas pelo governo da África do Sul durante a pandemia do coronavírus.

Guia lança live e aborda desafio da busca pelo melhor preço da cerveja

Com o objetivo de aprofundar a discussão sobre temas relevantes para todo o mercado cervejeiro, o Guia realizará semanalmente uma live no Instagram, a partir desta sexta-feira. Nos últimos dois meses, com as medidas de isolamento social, este canal se tornou uma importante ferramenta para o debate de ideias e compartilhamento de conhecimento para a comunidade.

Assim como já acontece com o conteúdo do site, o objetivo é que a live do Guia seja mais um espaço de discussão e divulgação da cultura que cerca a cerveja, oferecendo informação relevante e atualizada, além de análises profundas sobre o que acontece dentro desse universo.

Para a curadoria de assuntos a serem abordados e apresentação das lives, foram escalados Candy Nunes e Rodrigo Sena, dois profissionais da área de comunicação com grande experiência profissional no mercado cervejeiro.

Nessa primeira edição, eles irão conversar sobre os desafios das cervejarias para manter preços competitivos nessa época de crise do coronavírus – a dificuldade, inclusive, foi um dos temas da pesquisa do e-book lançado pelo Guia no início desta semana. A live será realizada nesta sexta-feira, a partir das 18 horas, no perfil do Instagram @guiadacervejabrasil.

Candy Nunes, radialista e apresentadora, trabalhou com artes cênicas e como produtora de eventos antes de se dedicar profissionalmente como embaixadora da cervejaria St. Patrick´s Beer no Brasil. Além de ter formação como sommelière de cervejas, ela possui certificação avançada em tecnologia cervejeira e também é mestre em estilos. E compartilha suas experiências cervejeiras no Instagram @candysommelier.

O jornalista Rodrigo Sena já trabalhou em grandes empresas de mídia e de tecnologia. Formado como sommelier, com certificação avançada em tecnologia cervejeira e especialização em harmonização de cervejas, ele mantém o canal Beersenses no YouTube e no Instagram, além de ter atuação profissional como professor, sommelier e consultor de negócios para cervejarias e bares.