Doktor Sustentável A Doktor Bräu instalou 130 painéis solares em sua fábrica, localizada na divisa entre Congonhal e Pouso Alegre (MG), com a intenção de gerar toda a energia que precisa. A estrutura de 3.000m² conta com sede administrativa (400m²), área produtiva (350m²),Hospício Pub, que inclui brinquedoteca para crianças de até 7 anos e loja de presentes (150m²), e estacionamento gratuito para 50 carros. A expectativa é de que o projeto “se pague” em pouco mais de um ano, proporcionando uma economia de R$ 12 mil mensais. “Agora podemos dizer que a missão da empresa está mais completa: elaboramos cervejas inovadoras com qualidade inquestionável, lançamos rótulos saborosos com frequência e proporcionamos, a cada gole da nossa bebida, uma experiência única e inesquecível ao fã de cervejas artesanais… E tomamos ações que contribuem com a preservação do meio ambiente”, diz Nuberto Hopfgartner, um dos fundadores da Doktor Bräu.
Lançamento da Cavok A Cervejaria Cavok, que conta com um brewpub em Jundiaí (SP), lançou sua primeira cerveja no mercado em barril e lata. É a Spithops, uma American IPA. Em sua receita, foram utilizados os lúpulos Simcoe, Mosaic, Citra e Ekuanot. Possui 43 IBUs, com 6% de graduação alcoólica.
ZEV em lata A cervejaria ZEV, de Suzano (SP), aproveitou o início do ano para lançar suas cervejas em lata. Inicialmente, serão três estilos: Vienna Lager (350ml), NE IPA com manga (473ml) e BerlinerWeisse com jabuticaba (473ml). Para levar seus rótulos em lata para o mercado, a marca comprou no fim de 2019 sua própria envasadora. “Sempre tivemos a ideia e a vontade de envasar nossas cervejas em lata e agora conseguimos realizar esse sonho. Estamos ampliando as opções para nossos consumidores”, comenta Mikhail Ganizev, sócio-proprietário da ZEV.
Agenda: Bier Brasil O Festival Bier Brasil será realizado na próxima semana, de sexta-feira até domingo, em Campinas, na Lagoa do Taquaral – portões 5 e 7 –, com entrada gratuita. O evento é realizado há quatro anos em diferentes cidades do estado de São Paulo, reunindo beer trucks para a comercialização das cervejas. Nesta edição serão 20, com mais de 120 estilos. A gastronomia ficará por conta de food trucks. Já estão confirmados os seguintes beer trucks: Cervejaria Copina, Bonde Beer – Cervejaria Campinas, Beer Truck do Barbosa – Cervejaria Berggren, Mundo – Cervejaria Providência, Barba – Cervejaria Leuven, Airsoft – Cervejaria Hoffen, Cervejaria Devorss, Shorsntein, Kombinha – Cervejaria Hausen, Cervejaria Mosteiro, Nineties Bier, Madalena, Ubier – Germania, Vai Tomar na Kombi – Cervejaria Dama, Campinas Chopp – Cervejaria Vila Alemã, Cevada Pura, Cervejaria Tarantino, Cervejaria Benedetto, Cervejaria Insana e Cervejaria Burgman.
No final da década de 90, em Belo Horizonte, uma casa de shows começou a se destacar por causa do chope que vendia. Embora não fosse de nenhuma marca conhecida, era muito bom e ganhou fama em uma cidade que sempre amou cerveja. O local se chamava Três Lobos e pertencia à família Lebbos. Os empresários mandavam fazê-lo em uma cervejaria e vendiam como “o chope made in Minas”. O sucesso foi tanto que decidiram mudar de ramo: investiram em uma cervejaria própria e criaram a Backer, que hoje tem 20 anos de história.
“A receita do chope Backer conquistou os clientes da memorável casa de shows Três Lobos. De lá, eu e meu marido, Halim, com Munir (irmão de Halim), investimos em um espaço para criar a primeira cerveja artesanal de Minas”, contou Ana Paula Lebbos, em outubro de 2016, ao jornal O Tempo, de Belo Horizonte.
Munir, Ana Paula e Halim Lebbos em 2017
Esse é o início da história de 20 anos da cervejaria Backer (“padeiro”, em alemão), que viveu duas décadas de forte crescimento e prosperidade, mas que hoje está no centro de um caso policial que envolve contaminação, dezenas de pessoas hospitalizadas e três mortes confirmadas.
Durante sua trajetória, a Backer sempre inovou e se tornou um ícone da pujança do segmento de cerveja artesanal no Brasil. “A Backer foi uma das pioneiras no mercado mineiro entre as artesanais e já saiu na frente das outras (Krug e Wäls) ao ser a primeira a envasar cervejas de estilos até então desconhecidos, como Weiss e Pale Ale, isso em 1999″, conta a sommelière e jornalista Fabiana Arreguy.
“A partir do lançamento da linha Três Lobos, em 2010, a Backer mudou o conceito dela no mercado, por trazer estilos norte-americanos que ainda eram pouco difundidos no Brasil”,acrescenta Fabiana, que é de Belo Horizonte e conhece de perto a história da Backer.
Em 2014, com forte crescimento nas vendas, a Backer investiu cerca de R$ 6 milhões em uma ampliação e criou o chamado Pátio Cervejeiro. Além de abrigar a cervejaria, o local concentra uma destilaria, uma loja e um restaurante. O investimento ampliou a produção da empresa, que em 2019 estava vendendo suas cervejas para 16 estados diferentes.
Prêmios e a Belorizontina No foco das investigações, a cerveja Belorizontina foi inicialmente feita como uma edição limitada, mas agradou tanto que se tornou o principal rótulo da empresa, segundo detalha Fabiana.
“A Belorizontina, criada em homenagem aos 120 anos de Belo Horizonte, em 2018, trouxe mais uma inovação ao usar lúpulos franceses na receita de uma American Lager. Essa cerveja, feita em edição limitada, foi um fenômeno de vendas, tanto assim que entrou para o portfólio fixo da Backer. E não só isso, levou à expansão da fábrica para atender a demanda de mercado. A Belorizontina passou a responder por 60% da produção da Backer”, relata Fabiana.
O investimento em inovação na construção de receitas e a qualidade das cervejas produzidas levaram a Backer a conquistar dezenas de medalhas em importantes concursos nacionais e internacionais, como World Beer Award e European Beer Star.
E, justamente no ano passado, a empresa foi coroada como a melhor cervejaria de grande porte do Brasil, no Concurso Brasileiro de Cervejas, em Blumenau (o mais importante do país) – e, também, como a melhor cervejaria das Américas, na Copa Cervezas de Americas, no Chile.
Estrutura Atualmente com cerca de 350 funcionários diretos, a Backer não divulga números oficiais sobre sua produção. Mas, pelo volume de tanques já citados na investigação, é possível estimar que a cervejaria possui uma capacidade produtiva em torno de 1 milhão de litros de cerveja por mês, com 20 rótulos registrados.
Segundo levantamento da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), a média de produção das artesanais brasileiras é de 20 mil litros por mês por cervejaria, o que tornaria a Backer a maior do segmento no país.
Já o Sindicato da Indústria de Bebidas de Minas Gerais (SindBebidas) estima que o faturamento mensal aproximado da Backer estaria em torno de R$ 7 milhões, o que representa 60% da receita de todas as cervejarias artesanais do estado. A empresa também vinha produzindo outras bebidas, como um uísque single malte – o 3 Lobos – e um gin com lúpulos.
Destilaria e novo bar criado pela Backer para a degustação do whisky 3 Lobos
Polêmicas E, como toda empresa que possui grande participação e influência no mercado, a Backer sempre causou polêmicas com modelos de negócios que fechavam pontos de venda exclusivos da mesma forma que gigantes como Ambev e Heineken fazem.
“A Backer fechava pontos de venda para outras artesanais, dando bonificações, mesas, ombrelones e freezers para ser exclusiva. Por usar dessa prática, nunca foi bem quista pelas outras cervejarias artesanais, que a enxergavam como concorrente desleal”, analisa Fabiana.
O site UOL divulgou que os donos da Backer, em conjunto com um banco, teriam procurado a Ambev para vender a cervejaria, mas a oferta teria sido recusada por conta da quantidade de passivos que a empresa possui.
A situação atual da Backer é complicada. As investigações apontaram contaminação em diversos rótulos e ninguém da empresa consegue explicar o motivo. A marca já está bastante desgastada – e não só em Minas Gerais. Ninguém arriscaria dizer qual o futuro da Backer, mas os estragos já são palpáveis. A cervejaria está interditada pelo Ministério da Agricultura, proibida de produzir e de vender qualquer rótulo de cerveja.
Para Fabiana, que vivenciou de perto a trajetória da cervejaria, é muito difícil conseguir explicar o que está acontecendo. “Difícil compreender ou supor que um erro dessa natureza, de contaminação química em fábrica, tenha acontecido por negligência ou incompetência. Mais difícil ainda é enxergar uma história de 20 anos ser destruída em apenas uma semana”, lamenta a especialista.
Com certeza 2019 foi um ano em que muita coisa aconteceu no mercado cervejeiro e o ano de 2020 chega com muitos desafios. Alguns tópicos a serem abordados, pensados e discutidos pelo setor.
Tivemos uma enorme sintonia entre as políticas das grandes e pequenas cervejarias e o amadurecimento da Abracerva e suas importantíssimas reuniões. A existência do “Fla x Flu” entre as grandes e as artesanais é saudável em partes, pois traz à tona debates importantes.
O Ministério da Agricultura (Mapa) se mostrou pronto para o presente e o futuro, já que estava no passado. Este é um ano de elogios ao trabalho feito pelo Ministério, que nos entregou uma forma mais rápida e eficaz nos registros, mas também trabalhou para colocar em prática a IN 65 e a criação de formatos onde o mercado consiga se pronunciar, como a Câmara Setorial.
Grandes eventos consolidados: o Mondial de la Bière se mostra cada vez mais imprescindível tanto no Rio quanto em São Paulo, o Slow Brew esgotando convites e divertindo geeks e apreciadores, o IPA Day crescendo para outras praças, Blumenau com público cada vez mais regional, mas consistente, e a Copa de POA ganhando território com o bom enlace latino. Já eventos menores ganharam o espaço regional que merecem, mas ainda com lição de casa a fazer.
A mineira Zalaz está dando uma aula de sustentabilidade e criatividade. Cervejarias do interior do estado de São Paulo estão mostrando que são boas de fazer marcas ciganas e desenvolvem cada vez mais ferramentas, pois para o serviço ser 100% já não basta mais entregar cerveja pronta e só. Há muitas cervejarias se expandindo, investindo e também entendendo que criar taproom talvez seja a maneira mais fácil de lidar com o consumidor e as cargas tributárias e logísticas.
O crescimento da cerveja artesanal no Norte e Nordeste está indo bem, mesmo que em ritmo mais lento, e tem alcançado bons números.
A Lagunitas chegou ao mercado para lidar com um público que não se importa com o discurso artesanal, mas quer uma cerveja boa e que tenha outros engajamentos e um bom discurso. Cada vez mais entendemos que se ficarmos na bolha não vamos sobreviver – as marcas precisam estar mais conectadas com o consumidor.
A Eisenbahn deu um show com as escolhas feitas na mudança do reality-show Mestre Cervejeiro, convidando influenciadores para mostrar como é a vida real para quem não conhece sobre cerveja e sobre diversidade.
A Colorado se manteve fiel à expansão dos bares da marca e à conquista de mais espaço com as franquias, enquanto a Pratinha, depois de entregar muitas novidades em 2019, como foi o caso da Magic Booze e das interações com IA e Machine Learning, virou um braço importante de inovações para a Zx, empresa craft da Ambev. No começo de 2020 vimos a Lohn ser também incorporada em uma nova parceria com a grande. Quem é visto, é lembrado.
O ano de 2020 vai ser de desafios, pois, com o otimismo na economia, o crescimento chega, mas estarmos prontos é outra prateleira. A burocracia nas vendas para quem vai crescer para outros estados precisa vir com consistência e inteligência, então acredito que deve haver mais investimento na parte de gestão e assessoria jurídica.
Temos o desafio da nova regulamentação de rotulagem de garrafas.
Vamos observar as consequências das novas mudanças na liberdade de ingredientes a serem colocados nas receitas, com a liberação de lactose, mel e outros produtos de origem animal. Podemos criar monstros, saborosos ou ruins.
O país está em foco e muitas cervejarias de fora, como a Brooklyn, estão concentrando esforços por aqui. Mas com a alta do dólar só ganha quem produzir “in loco”. No caso das Japas, se mostraram um passo à frente quando o assunto é networking externo e já estão bombando em lugares da cena cervejeira nos Estados Unidos, produzindo por lá.
As tendências gringas continuam a bater em nossa porta e cervejas menos alcoólicas ou 0% ABV devem ter crescimento alto e mais aceitação, com sabores mais bem construídos. A Heineken investiu bastante nesse segmento e tem apresentado o produto pelo mundo.
Estou curiosa para ver uma melhora no conteúdo postado pelas redes sociais das marcas e não apenas “recebidos” de influenciadores. É preciso ir além do básico e mostrar que existe interesse em divertir e entreter melhor os consumidores, com qualidade.
Muitos lançamentos de cervejas, eventos e novidades devem surgir com a melhora nos ânimos econômicos.
Com o crescimento dos concursos cervejeiros nacionais neste ano, os empresários cervejeiros podem aproveitar a oportunidade e ter feedbacks bem feitos, com percepções do seu produto e um mini relatório sensorial. É importante ler sem levar para o lado pessoal, rever os processos e ingredientes que usam e, como resultado, ter um produto final sem defeitos, mais técnico e maduro, o que traz mais drinkability e recompra.
O caso da Backer, depois de solucionado, deve mostrar ao mercado como um todo que precisamos aprender a lidar de forma séria com diversas questões que vão nos assombrar como resultado desta catástrofe.
A contaminação de dezenas de lotes da Backer pela presença de dietilenoglicol tem provocado uma árdua investigação. Mas não é apenas na seara do mercado cervejeiro e do controle de qualidade onde os debates têm se intensificado. Na saúde, os profissionais também se esforçam para entender o que é exatamente a síndrome nefroneural.
A doença que teve seus sintomas detectados em quatro pessoas que morreram em Minas Gerais é pouco conhecida. Tanto que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Ciev-Minas) divulgou, em janeiro, uma nota técnica emergencial sobre a “insuficiência renal aguda associada a alterações neurológicas de etiologia”.
A nota foi publicada quando havia 7 casos suspeitos – hoje já se aproximam de 20. E, segundo a análise, “a média de dias entre início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5 dias. Todos com insuficiência renal aguda de rápida evolução (até 72 horas) e alterações neurológicas centrais e periféricas”.
De maneira geral, segundo o Ciev-Minas, a síndrome nefroneural provoca náusea, vômito e dor abdominal, seguidos por um quadro de rápida evolução para insuficiência renal e alterações neurológicas.
“A partir da análise inicial elaborou-se nota técnica com orientações para vigilância do agravo inusitado”, orienta o Ciev. “Definição de caso: indivíduo que a partir de primeiro de dezembro de 2019, iniciou com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vomito e/ ou dor abdominal) associados a insuficiência renal aguda grave de evolução rápida (em até 72 horas) seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório, paralisia descendente.”
A ligação da síndrome nefroneural com a contaminação está sendo investigada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Polícia Civil de MG. As substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol foram encontradas no sangue dos contaminados, em inúmeros lotes da Backer, nos tanques de fermentação e na água usada para a produção das cervejas.
Caso anterior Um artigo escrito em 2010 por Johann Morelle, Nada Kanaan e Philippe Hantson (https://www.kidney-international.org/article/S0085-2538(15)54302-0/fulltext) e denominado, em tradução livre, “Paralisia do nervo craniano e insuficiência renal aguda após consumo de uma ‘bebida especial'”, aborda um caso de contaminação por dietilenoglicol que parece ser semelhante ao das ocorrências que envolvem as cervejas da Backer.
Como diagnóstico, o material aponta que intoxicações que resultam em insuficiência renal aguda, acidose metabólica e anormalidades neurológicas devem levar o clínico a avaliar se ocorreu ingestão tóxica de álcool. “Em nosso paciente, a intoxicação por dietilenoglicol (DEG) foi fortemente sugerida pela associação de diplegia facial periférica, tetraparesia flácida, hepatite leve e pancreatite”, explica o trio no artigo.
No caso analisado, o paciente – um homem de 40 anos – foi encaminhado de outro hospital, onde esteve internado inicialmente por quatro dias com histórico de náusea, fraqueza geral, dor abdominal, diarreia e oligúria progressiva, mas sem déficit neurológico. Os dados laboratoriais iniciais mostravam insuficiência renal aguda e acidose metabólica.
Posteriormente, ele revelou ter ingerido inadvertidamente uma bebida incolor, que lhe tinha sido oferecida cinco dias antes como uma “bebida especial” por um colega em um canteiro de obras. O artigo também aponta sintomas semelhantes aos dos casos de Minas Gerais, assim como da evolução do estado clínico.
“As primeiras manifestações de intoxicação por DEG incluem sintomas gastrointestinais, estado mental alterado e acidose metabólica. Uma segunda fase é marcada por lesão tubular hepática e particularmente renal”, diz o artigo, continuando a descrição sobre os sintomas.
“A neurotoxicidade tardia inclui anormalidades do nervo craniano (fraqueza facial, paralisia bulbar, neurite óptica) e neuropatia periférica com aumento da concentração de proteínas no líquido cefalorraquidiano. A paralisia do nervo facial parece ser um problema neurológico predominante, pois 50% dos pacientes contaminados no surto de Panamá em 2006 foram afetados e 82% deles apresentaram diplegia facial”, acrescenta.
Nesse caso específico, com encaminhamento tardio ao hospital, o paciente foi tratado por hemodiálise intermitente. A visão se recuperou precocemente, enquanto a tetraparesia – desordem na qual músculos dos quatro membros ficam fracos – começou a se resolver no 27º dia. Ele conseguiu caminhar no 34º dia. Oito meses depois, a diplegia facial periférica completa e um leve comprometimento da função renal ainda persistiam.
Conforme as investigações e os testes conduzidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) avançam, mais produtos da cervejaria mineira Backer são detectados com contaminação. Nesta quinta-feira, os técnicos do ministério anunciaram que foi encontrada a presença de monoetilenoglicol e dietilenoglicol em amostras de outras seis marcas da empresa – além da Belorizontina e da Capixaba.
Em nota oficial, o Mapa afirmou que análises conduzidas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária constataram 21 lotes contaminados, que incluem agora Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2. Em seu portfólio fixo, a cervejaria conta com 22 rótulos.
As apurações para identificar as circunstâncias da contaminação continuam, segundo o ministério, que segue tomando medidas para mitigar o risco apresentado pelas cervejas contaminadas.
Na quarta, o Mapa concluiu que a contaminação das cervejas se deu por meio da água utilizada na produção. No entanto, ainda não está claro como isto aconteceu. Os técnicos trabalham com três hipóteses: má utilização das substâncias, vazamento e até sabotagem industrial.
A fábrica da Backer teve seu fechamento e a retirada de todos os seus produtos do comércio determinados pelo Mapa na semana passada. Segundo a pasta, essas condições devem prevalecer até que sejam restabelecidas e comprovadas as condições de operação.
“Ressaltamos que a empresa permaneceráfechada até que se tenha condições seguras de operação e os produtos somente serão liberados para comercialização mediante análise e aprovação do Mapa”, diz a nota.
Por meio de suas redes sociais, a Backer tem se colocado à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e dar suporte aos familiares.
Outra morte A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais informou a morte de um homem de 89 anos que teria sido infectado pela síndrome nefroneural, acarretada pela ingestão de cerveja contaminada.
Trata-se da terceira morte (dois habitantes de Belo Horizonte e um de Juiz de Fora) comprovadamente ligada ao caso. O falecimento de uma mulher, comunicado pelas autoridades de Ubá, pode também ter origem no envenenamento dos produtos. No entanto, a hipótese não está comprovada.
A síndrome nefroneural provoca dores abdominais, náuseas, vômitos, insuficiência renal e problemas neurológicos, como perda de visão e paralisia facial.
A Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão investigando a ligação da síndrome com a contaminação da cerveja Belorizontina e da Capixaba, da Backer, depois que 17 pessoas que apresentaram os sintomas consumiram a bebida no mesmo bairro de Belo Horizonte.
Ainda nesta quarta-feira, a Polícia Civil informou que subiu para 18 o número de casos da síndrome investigados em Minas Gerais. Uma nova notificação chegou da cidade de Itaúna, na região central do estado.
Trata-se de uma mulher de 23 anos, que foi internada apresentando os sintomas da síndrome e levou ao hospital uma garrafa vazia da cerveja Belorizontina que disse ter consumido.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou nesta quarta-feira, durante entrevista coletiva, que encontrou dietilenoglicol e monoetilenoglicol na água usada na produção de cervejas na fábrica da Backer, em Belo Horizonte. Isso implica que a contaminação pode não estar restrita à Belorizontina e à Capixaba.
“Diante da suspeita de que a contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol é sistêmica, ou seja, está presente no processo de fabricação da Backer, o Ministério determinou o recolhimento de todos os produtos da cervejaria e a suspensão da fabricação, pois outras marcas podem estar contaminadas também”, afirmou Glauco Bertoldo, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa.
O coordenador-geral de Vinhos e Cerveja do Mapa, Carlos Müller, disse que todo o processo de fabricação da Backer está sendo periciado e que, por enquanto, há três hipóteses sendo investigadas para a contaminação da água: sabotagem, vazamento e uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no sistema de refrigeração.
“É importante ressaltar que não existem limites aceitáveis para a presença das substâncias em alimentos”, destacou Carlos Müller. “Temos que ir atrás de como ocorreu esta contaminação.”
Ele informou ainda que as notas fiscais de compra do monoetilenoglicol pela Backer indicam a aquisição de 15 toneladas da substância desde 2018, com picos em novembro e dezembro de 2019. Seria uma quantidade muito alta para uma substância que é usada em um sistema fechado, segundo ele.
“Em nossa primeira análise, ainda estamos apurando isso, não justificaria um consumo a não ser que você tenha uma contínua ampliação dos sistemas produtivos”, argumentou Müller.
Os representantes do Mapa disseram também que os lotes já confirmados como contaminados foram produzidos em diferentes tanques da cervejaria, e não apenas no tanque de número 10, como era a suposição inicial. Uma nova rodada de amostras está sob análise dos laboratórios federais agropecuários e os resultados serão divulgados em breve.
A Backer, que responderá a um processo administrativo, ficará fechada por tempo indeterminado e seus produtos só poderão voltar a ser comercializados após o Mapa comprovar a normalidade do sistema de produção da empresa.
Confira todos os lotes onde foram identificados o dietilenoglicol, segundo o Mapa:
A produção de cevada em grãos no Brasil teve crescimento expressivo em 2019, mas a previsão é de redução na safra do cereal cervejeiro no ano recém-iniciado. Os cenários opostos estão presentes no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No ano passado, segundo a pesquisa, a produção da cevada em grão registrou crescimento de 23,2% na comparação com 2018, resultando em 400.415 toneladas. Esse dado positivo foi acompanhado pela elevação de 11,7% no rendimento médio, atingindo 3.614 kg/ha. Além disso, a área plantada cresceu 10,3%, para 110.784 ha.
O resultado da safra da cevada no ano passado está em conformidade com a produção agrícola brasileira, que apresentou bons resultados em 2019. “As safras de grãos, cereais e leguminosas em 2019 e 2020 devem registrar dois recordes consecutivos, tornando-se as maiores da série histórica iniciada em 1975. Com 241,5 milhões de toneladas em 2019, e 243,1 milhões de toneladas em 2020, as duas safras superam o recorde anterior de 2017, de 238,4 milhões de toneladas”, informa o IBGE.
Mas a projeção para a safra nacional de 2020 é negativa para o cereal cervejeiro. A expectativa é de que a produção da cevada em grão no Brasil seja de 340.274 t neste ano, o que, se tornando realidade, representará uma queda considerável, de 15%, na comparação com 2019.
Já a previsão para o trigo é de crescimento de 1,7% na produção. E isso após um ano de resultados ruins, com redução de 1,4% na produção (5.231.336 t) e de 1,5% no rendimento médio. Já a área plantada teve crescimento modesto, de 0,1%.
O delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, Flávio Grossi, responsável pelas investigações de contaminação de lotes da Backer, disse que está próximo de definir uma tese sobre o que aconteceu. Até o momento 17 pessoas desenvolveram sintomas da síndrome nefroneural, causada pela substância dietilenoglicol, encontrada em cervejas da marca mineira – duas delas morreram.
“Acredito que em breve, pela celeridade das investigações, nós vamos ter algum resultado, nem que seja para fechar uma linha investigativa”, disse o delegado em entrevista na tarde desta terça-feira à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte.
Também participou da conversa o superintendente da Polícia Técnico-Científica Thalles Bittencourt, que está a frente das perícias do caso. Ele informou que é improvável que a cerveja tenha sido contaminada fora da fábrica da Backer.
“A gente pode dizer que tem (dietilenoglicol) no sangue, tem na cerveja da casa dos pacientes, tem na cerveja de dentro da fábrica e tem no tanque de resfriamento. Agora, o modo como isso se deu é algo que a investigação dirá”, informou Thalles.
Os policiais informaram ainda que, dentro da cervejaria Backer, foram encontrados tanto dietilenoglicol quanto monoetilenoglicol no sistema de resfriamento. “No tanque de onde sai todo o líquido refrigerante que vai resfriar os tanques da empresa existe o mono e o dietilenoglicol”, revelou Thalles.
Posição da Backer A compra de monoetilenoglicol foi admitida pela cervejaria Backer, que inclusive apresentou notas fiscais à polícia. Mas a empresa continua negando que tenha comprado dietilenoglicol.
“A Backer nunca comprou, desde nosso primeiro tanque até o momento, esse dietilenoglicol. Nós usamos o monoetilenoglicol. Ele é o líquido refrigerante usado em nossos 70 tanques para refrigeração da cerveja, usado pela nossa cervejaria e centenas de outras no Brasil e no mundo inteiro”, destacou Paula Lebbos, diretora de marketing da Backer, em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira.
A diretora de marketing também esclareceu que a cervejaria possui processos internos bem definidos e que os lotes da Belorizontina foram fermentados no tanque de número 10, que foi lacrado e está sendo periciado. “Isso é um mistério para nós. As autoridades constataram que houve algum problema aqui dentro e eles estão investigando, em breve teremos uma resposta.”
Paula falou, ainda, que o momento exige ponderação. Assim, segundo ela, as cervejarias artesanais brasileiras não podem ser condenadas pelo que aconteceu. “O mercado cervejeiro não pode ser indiciado”, pediu.
Preocupada com a contaminação, a diretora da Backer fez também um apelo aos consumidores. “O que eu preciso agora é que vocês não bebam a Belorizontina, qualquer que seja o lote, por favor”, reforçou Paula, dando a mesma orientação para a cerveja Capixaba, que é produzida no mesmo tanque e tem a mesma receita da Belorizontina.
A Secretaria Municipal de Saúde de Pompéu, que fica 170 km a noroeste de Belo Horizonte, confirmou nesta terça-feira que uma mulher morreu em 28 de dezembro na cidade com sintomas da síndrome nefroneural, causada pela substância dietilenoglicol, encontrada na cerveja Belorizontina, da Backer.
“Trata-se de paciente residente no município de Pompéu que esteve em Belo Horizonte a passeio no período do dia 15/12/2019 a 21/12/2019, cuja residência familiar se encontra no bairro Buritis”, informa a nota oficial, assinada por Fernanda Guimarães Cordeiro, secretária Municipal de Saúde.
A nota acrescenta, ainda, que o óbito aconteceu no dia 28 de dezembro e que parentes da vítima relataram que ela consumiu a cerveja Belorizontina nos dias em que esteve na capital do estado.
Já a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais informou nesta terça-feira que o número de notificações de pacientes com sintomas da síndrome nefroneural subiu para 17, mas que, por enquanto, quatro casos estão confirmados.
“Até a data de 14/01/2020 foram notificados 17 casos suspeitos de intoxicação exógena por Dietilenoglicol, desses, 16 são do sexo masculino e um feminino. Quatro casos foram confirmados (um caso evoluiu para óbito) e os 13 restantes continuam sob investigação, uma vez que apresentaram sinais e sintomas com relato de exposição”, diz a nota divulgada pela assessoria de comunicação da secretaria.
Ainda nesta terça, policiais civis e peritos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estiveram novamente na cervejaria investigando o caso.