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Com IPO na Ásia, InBev esquenta disputa com locais por mercados emergentes

Depois de ter sido adiado, o IPO (Initial Purchase Order, sigla em inglês para a oferta inicial das ações de uma companhia) da subsidiária asiática da AB InBev aconteceu e tumultuou ainda mais o tabuleiro do mercado cervejeiro na Ásia. No continente, dominado por marcas locais, as gigantes globais ainda têm participação tímida, mas se mexem para conseguir fincar suas bandeiras em mercados emergentes.

Inicialmente anunciado como o provável “maior IPO do ano”, com possibilidade de ultrapassar os US$ 11 bilhões levantados na abertura de capital do Uber na bolsa norte-americana, a oferta da Budweiser APAC na bolsa de Hong Kong estava programada para julho, mas foi cancelada por conta das “condições do mercado”.

Na segunda tentativa, dia 22 de setembro, a abertura aconteceu com os preços de ações perto do mínimo previsto, levantando “apenas” US$ 5 bilhões – o segundo maior IPO do ano. Uma semana depois, a companhia pôs à disposição dos acionistas um lote adicional, que levantou mais US$ 750 milhões.

Com essa movimentação, a AB Inbev se posiciona para novas investidas no disputado comércio asiático. Na China, maior mercado do mundo e considerado por especialistas como extremamente fragmentado, o domínio é das marcas locais.

Com 25%, a cervejaria com maior fatia das vendas é a China Resources Enterprises, fabricante da Snow Beer, líder do mercado chinês e rótulo mais vendido no mundo em volume. A cervejaria, até 2016, formava uma joint venture com a SABMiller, que foi compelida, por questões regulatórias, a abrir mão de seus 49% de participação quando foi arrematada pela AB InBev. Dois anos depois, a Heineken comprou 40% da China Resources Enterprises.

Atuando principalmente com marcas premium, a AB InBev é a terceira maior em share de mercado na China, com 13%, o que prova que ainda há bastante espaço para o crescimento, segundo analistas.

Sudeste asiático
Além da China, os olhares das grandes companhias globais estão se abrindo, também, para os países emergentes do sudeste asiático. Para as gigantes, a região é estratégica por seu potencial de crescimento: a população dos países da região deve crescer de 660 milhões para 700 milhões nos próximos 6 anos.

Lá, a briga também tem se desenrolado com a compra de cervejarias locais por grupos maiores. “Muitos dos líderes no sudeste asiático são cervejarias locais com forte conhecimento regional e redes de distribuição”, afirma Jarred Neubronner analista da Euromonitor.

Em 2017, a tailandesa Thai Beverage comprou a fabricante da maior companhia do Vietnã, a Sabeco (Saigon Beer Alcohol Beverage Corp), por US$ 4,8 bilhões, o que a catapultou ao posto de maior cervejaria em volume do sudeste asiático. Seus planos são ambiciosos: a compra de uma marca do Camboja está no radar e, até o ano de 2025, a ThaiBev deve investir US$ 230 milhões na renovação de plantas por toda a região.

A AB InBev não figura nem entre as dez maiores participações nos mercados emergentes do sudeste asiático. “A aquisição de empresas locais é uma alternativa se a AB InBev deseja aumentar sua participação na região e aproveitar a expertise de quem já está estabelecido”, analisa Neubronner.

Balcão do Laboratório da Cerveja: O fantástico mundo das leveduras Kveik

Balcão do Laboratório da Cerveja: O fantástico mundo das leveduras Kveik

Já faz algum tempo que estamos percebendo que a nova moda entre os cervejeiros, principalmente caseiros, é fazer cerveja com leveduras Kveik. Mas o que são elas?

Breve histórico
Existe uma antiga tradição europeia, que ainda resiste aos dias atuais em países como Finlândia, Estônia, Noruega e Lituânia, onde cervejas do estilo Farmhouse Ales (cervejas de fazenda) são produzidas em pequenas fazendas familiares por agricultores locais. São cervejas que utilizam ingredientes próprios como o malte de cevada e ervas como o zimbro, o lúpulo e as mais variadas técnicas de brassagem e fermentação, sempre seguindo antigas práticas locais.

Essas fazendas, onde ainda são produzidas as tradicionais cervejas, situam-se em regiões muito isoladas o que, até recentemente, impossibilitava a troca de insumos. Por isso, os produtores tinham suas próprias receitas, ingredientes e a sua própria cultura de micro-organismos fermentadores (leia-se leveduras) que eram geograficamente isolados, mantidos apenas localmente e de várias maneiras, principalmente secos em anéis de palha, linho ou em pedaços de madeira com furos perfurados. Essa forma de armazenagem permitia maior sobrevivência e dificultava o estabelecimento de contaminantes bacterianos.

Embora no idioma norueguês a palavra comum para levedura seja “gjaer”, no interior da Noruega essas culturas de leveduras são chamadas de “kveik” e ainda são utilizadas por muitas cervejarias de fazenda há centenas de anos. “Kveik” é uma palavra dialética, mais especificamente usada no oeste do país, que significa levedura ou levedura de fazenda. Elas recebem o nome de acordo com a localidade em que foram domesticadas, sendo algumas delas chamadas de Stranda, Hornidal, Voss, Granvin, Stordal Ebbengarden e Muri.

Características da Kveik
As leveduras Kveik não são apenas um único tipo de micro-organismo, mas um grupo extremamente diversificado e distinto das leveduras mais comuns utilizadas na produção de cerveja ao redor do mundo.

De acordo com um estudo filogenético recente1, os autores verificaram que a maioria das culturas kveik analisadas (um total de nove  culturas norueguesas e uma cultura da Lituânia) são compostas apenas pela espécie Saccharomyces cerevisiae, e podem conter de uma a nove linhagens distintas dessa mesma espécie. Em um outro estudo2, os autores verificaram que apenas uma das culturas denominada Muri, proveniente de uma cerveja norueguesa, apresentou um único isolado, sendo que este representa uma linhagem híbrida ainda não identificada de duas espécies distintas (S. cerevisiaeS. uvarum).

Durante anos essas leveduras foram selecionadas pelas práticas cervejeiras utilizadas nas fazendas e, consequentemente, domesticadas por meio de reutilizações. Dessa forma, passaram a apresentar características muito particulares que não são encontradas em outras leveduras Ale comuns. Isso faz com que apresentem grande potencial para a produção de vários estilos de cervejas, não só as Farmhouse Ales.

Uma característica interessante é a capacidade de fermentar por volta dos 25 a 30ºC, temperaturas consideradas altas para as demais leveduras cervejeiras do tipo Ale, que fermentam geralmente entre 18º e 22ºC. Isso acontece devido à inoculação dessas leveduras no mosto quente (mistura de água e cereais) entre 28º e 40º C, o que provavelmente influenciou sua evolução adaptativa a essas condições.

Para os cervejeiros caseiros de hoje, isso significa uma facilidade, pois não precisam controlar a temperatura da cerveja durante a fermentação. No caso das leveduras Ales mais comuns e também das Lagers, a temperatura de fermentação deve ser muito bem monitorada e, quando inadequada, pode acarretar em defeitos graves na cerveja (para saber mais sobre este assunto, clique aqui).

As leveduras Kveik são ainda capazes de consumir os açúcares de um mosto com elevadas concentrações destes compostos muito rapidamente, permitindo a sua degustação em 1 ou 2 dias após o término da fermentação. Aqui, além da facilidade para o cervejeiro, temos uma grande vantagem: poder tomar sua cerveja em pouquíssimos dias!

Isso é um diferencial, pois em um processo onde se utiliza as leveduras mais comuns, a cerveja pode demorar 15 dias ou até mesmo meses (ou anos) para ficar pronta, como é o caso das cervejas de fermentação natural produzidas na Bélgica (Lambics).

Outra característica interessante é que muitas linhagens dessas culturas são consideradas altamente atenuativas, ou seja, são capazes de fermentar açúcares como a maltotriose, muitas vezes não utilizada pela levedura Ale comum. Isso deixa a cerveja com um perfil mais limpo, seco, com baixo residual doce, podendo ser ainda mais alcoólica! E por falar em álcool, são altamente tolerantes a este composto e não são afetadas negativamente quando em altas concentrações.

Algumas culturas são também bem floculantes, possuindo a capacidade de se aglutinar, formando agregados de células que se separam do mosto, deixando a cerveja mais límpida. E, para finalizar, podem ser armazenadas secas e facilmente reutilizadas em novas produções! São ou não são fantásticas estas leveduras Kveik?!

Características da cerveja
Com todas as características apresentadas, entendemos que as leveduras Kveik podem ser consideradas com grande potencial para serem utilizadas em muitos estilos de cerveja. Mas quais são as características sensoriais que as tornam ainda mais especiais?

As leveduras Kveik produzem uma ampla variedade de aromas frutados, incluindo cítricos, que não são negativamente afetados pelas altas temperaturas de fermentação (uma vez que essas favorecem a formação exagerada de compostos que dão o caráter frutado na cerveja, como os ésteres).

Assim, a formação de álcoois superiores, que são compostos em níveis altos e podem gerar características sensoriais negativas na cerveja, como aroma de solvente e acetona, também não é afetada pelas altas temperaturas. Muitas culturas possuem linhagens mais neutras, que produzem poucos compostos de aroma, permitindo que o malte e o lúpulo se sobressaiam.

Além disso, em sua grande maioria, são linhagens POF negativas (Phenolic Off Flavor), pois não possuem um gene específico para a formação de compostos fenólicos, que dão aromas condimentados como cravo, indesejáveis em muitos estilos de cerveja.

E, como último benefício, é importante saber que essas leveduras abrem um leque de possibilidades, uma vez que podem ser utilizadas em estudos de hibridização com outras leveduras cervejeiras, visando o melhoramento sensorial da bebida.

Espero que tenham aprendido mais sobre os motivos por trás da fama das leveduras Kveik.

Bibliografia

  1. Preiss R, Tyrawa C, Krogerus K, Garshol LM and van der Merwe G(2018). Traditional Norwegian Kveik Are a Genetically Distinct Group of Domesticated Saccharomyces cerevisiae Brewing Yeasts. Front. Microbiol. 9:2137. doi: 10.3389/fmicb.2018.02137
  2. Krogerus, K., Preiss, R., & Gibson, B. (2018). A unique Saccharomyces cerevisiae, Saccharomyces uvarum hybrid isolated from norwegian farmhouse beer: Characterization and reconstruction. Front. Microbiol. 9: 2253. doi.org/10.3389/fmicb.2018.02253
  3. Milk the funk. 2013. Disponível em: <http://www.milkthefunk.com/wiki/Kveik>. Acesso em: 20/09/2019

Luciana Brandão é pós-doutorada em Microbiologia pela UFMG, cervejeira caseira, sommelière de cervejas, co-fundadora e CEO do Laboratório da Cerveja, empresa de biotecnologia e soluções em processos cervejeiros

Produção de bebidas alcoólicas cai pelo 3º mês consecutivo

Em crescimento até maio, a produção de bebidas alcoólicas tem despencado desde então no Brasil. Pelo terceiro mês seguido houve queda na fabricação, agora de 2,7% em agosto, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Não acompanhou, portanto, o ritmo da produção industrial brasileira, que cresceu 0,8% no oitavo mês do ano.

Ainda assim, a produção de bebidas alcoólicas permanece em alta em 2019, com ampliação de 4,6% até agosto. Já o crescimento no período de 12 meses é de 1,6%. Só que esses números são baseados em um comparativo com o ano passado, quando a produção caiu 1,4%.

O cenário de queda na fabricação em agosto se repete na indústria de bebidas em geral. Houve redução de 3,7% no oitavo mês do ano, ainda que os dados permaneçam positivos em outros cenários, com crescimento de 2,9% no somatório de 2019 e de apenas 0,1% nos últimos 12 meses.

Leia também: 5 cervejas medalhistas no Prêmio da Embalagem Brasileira

A queda se repetiu com a produção de bebidas não-alcoólicas: a redução foi de 4,7% na comparação com o mesmo período de 2018. Até há elevação de 1% nos oito primeiros meses de 2019, mas o resultado é negativo em 1,5% no acumulado dos últimos 12 meses.

Os números também são ruins para a indústria nacional, ainda que tenha registrado crescimento de 0,8% no oitavo mês de 2019, na comparação com julho. Mas há encolhimento de 2,3% em relação a agosto de 2019 e de 1,7% em 2019 e nos últimos 12 meses.

“É claro que agosto mostra um crescimento, mas tem a característica de estar muito concentrado em uma das quatro grandes categorias econômicas e em 10 dos 26 ramos pesquisados. Ou seja, o perfil de expansão não está disseminado para outras atividades”, avalia André Macedo, gerente da pesquisa, referindo-se à indústria extrativa, que cresceu 6,6% no mês.

Menu degustação: Série da Avós, novidades da Doktor Bräu, colaborativa da Invicta…

Avós personalizadas
A cervejaria paulistana Avós lançou uma série intitulada Avós do Brasil, com cinco novas receitas, todas Lager – estilo que é especialidade da marca. As avós levam os nomes mais populares das décadas de 1930 a 1960, mas as latas também podem ser customizadas com o rosto e o nome da avó favorita do comprador. São mais de 36 mil configurações para criar o próprio rótulo. Comprando dez unidades, a Avós manda para a casa do consumidor. A personalização pode ser feita através do site da cervejaria.

Exclusividades da Doktor Bräu
A Doktor Bräu criou cinco cervejas – Session NE IPA, Irish Red Ale, Pilsen, American IPA e APA – exclusivas para o 4º Festival de Microcervejarias do Pão de Açúcar, que será realizado até 30 de outubro. “Decidimos fazer cervejas mais leves e suaves, com menos amargor, porém com muito aroma e sabor tanto para conquistar o público que está entrando no universo das cervejas artesanais quanto para surpreender os cervejeiros experientes”, explica Nuberto Hopfgartner, sócio da Doktor Bräu.

Leia também: Cerveja que cura: O jardineiro, o enfermeiro e as receitas medicinais da Doktor Bräu

Concurso na Colômbia
A Copa Tayrona, um concurso de cervejas na Colômbia, está com inscrições abertas. As avaliações serão de 2 a 7 de dezembro, sendo que junto ao concurso ocorrerá o Festival Cervejeiro em Santa Marta, que fica na costa caribenha. O prazo para inscrições e envio de amostras vai até 30 de outubro. O concurso segue como critério de avaliação o guia da Brewers Association e conta com juízes internacionais, incluindo brasileiros como Alexandre Bazzo e Amanda Reitenbach. Para inscrições e mais informações sobre a Copa Tayrona, acesse o site do evento: www.copatayrona.com.

Startups da Ambev
A Green Mining e a RSU Brasil se juntaram a outras sete startups de outros países para participar do Super Demo Day, uma rodada de apresentações para investidores, organizações e associações de alto impacto, na sede da AB InBev, em Nova York. O evento aconteceu quase um ano após as empresas terem sido selecionadas para representar o Brasil na etapa global do programa de aceleração da Cervejaria Ambev, a Aceleradora 100+, que busca startups com soluções inovadoras para os principais problemas socioambientais da atualidade.

Quando se inscreveu na Aceleradora 100+, a RSU Brasil tinha desenvolvido uma tecnologia limpa e de baixo custo para transformação de resíduos orgânicos descartados no processo de reciclagem em biomassa para gerar energia sem emissão de CO2. Já a Green Mining estava começando a criar uma tecnologia para solucionar a questão da logística reversa de embalagens de vidro, usando blockchain para mapear e centralizar a coleta desses materiais.

Leia também: Entrevista – Setor cervejeiro sofre com vidro, mas trilha caminho sustentável “sem volta”

Colaborativa da Invicta
A Invicta participou da produção de uma colaborativa com a canadense Microbrasserie du Lac-St-Jean e a belga Brussels Beer Project. A cerveja, uma Imperial Stout Barrel Aged, possui um ingrediente típico de cada país. A Invicta levou o café da Alta Mogiana, a cervejaria canadense baumevanillé, que é uma raiz que lembra baunilha, e a belga, cranberry. A cerveja passará por um processo de maturação em barril de vinho do Porto e será apresentada ao público em 2020. A produção se deu quando Rodrigo Silveira, mestre-cervejeiro e diretor da Invicta, foi para Bruxelas participar do Festival Wanderlust, que comemorou o aniversário da cervejaria Brussels Beer Project.

Comitê do Festival da Cerveja
Marcada para o período de 11 a 14 de março de 2020, a próxima edição do Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau, passa a contar na sua organização com um comitê de profissionais para representar o mercado. A primeira ação do comitê foi o envio de um questionário para todas as cervejarias que já participaram do evento, buscando entender as principais demandas e objetivos da presença no festival.

Agenda I: Webinar da ESCM
A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) realizará um webinar gratuito na próxima segunda-feira, a partir das 19 horas, para abordar três diferentes temas que envolvem o universo de produção da bebida. A programação começará com a palestra sobre Técnicas de Lupulagem, com Duan Ceola, seguida por Controles de Brassagem, com Bruno Vegini, e Análise Sensorial, com Fernanda Bressiani.

Agenda II: Workshop de trânsito
A Ambev e a consultoria Falconi promovem, na próxima quarta-feira, um workshop sobre segurança viária. A iniciativa faz parte da parceria com a Frente Nacional de Prefeitos e acontecerá em Salvador. Durante o evento, serão compartilhadas práticas de gestão, assim como projetos implementados pelos programas liderados pela cervejaria, para tornar o trânsito mais seguro.

Cultura do rúgbi impacta no consumo de cerveja e exige plano emergencial no Japão

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Terceiro maior evento esportivo do mundo, atrás apenas das edições da Olimpíada e da Copa do Mundo de futebol, o Mundial de Rúgbi, que está sendo realizado no Japão, está envolto em números grandiosos. E muitos deles estão diretamente ligados ao consumo de cerveja, bebida historicamente associada a esse esporte e aos seus valores.

Leia também: Marca associada ao rúgbi, Heineken tenta ajudar seleção a ir ao Mundial de 2023

Disputada por 20 seleções divididas em quatro grupos, a Copa do Mundo Rúgbi se iniciou em 20 de setembro e só vai chegar ao fim em 2 de novembro, quando as duas seleções finalistas vão se enfrentar no Estádio Internacional de Yokohama para definir o vencedor da nona edição do torneio.

Com 12 sedes, a competição atraiu mais de 400 mil turistas ao país, de acordo com previsão dos organizadores. Foram eles os responsáveis por comprar até 1/3 dos ingressos para a competição. Muitos deles com bastante sede, a ponto de se estimar o consumo de até 100 mil copos de cerveja de 350ml  por jogo da competição – são 48.

Essa demanda provocou ações preventivas para evitar a escassez da bebida no Japão durante a Copa do Mundo, que tem a Heineken como sua cerveja oficial. Para isso, a Kirin se planejou para aumentar em pelo menos 80% a produção da Heineken em setembro, sob a perspectiva de elevar em mais de 70% a sua venda entre o mês passado, outubro e novembro. E a adoção de novas estratégias de logísticas se tornou fundamental, pois apenas a fábrica de Yokohama da Kirin produz a Heineken no país.

Boa parte do consumo se concentra em torcedores estrangeiros, pois algumas das principais seleções de rúgbi vêm de países com ampla tradição cervejeira. Enquanto no Japão o consumo da bebida em 2018 foi de 53,5 litros per capita, na Nova Zelândia, que conta com a seleção atual bicampeã mundial e líder do ranking, foram 81,4 l por pessoa. E os números são ainda maiores na Irlanda (117,9 l), na Austrália (97,6 l) e no Reino Unido (88,6 l).

Foi o que alarmou a cidade de Kobe, que na primeira fase da Copa do Mundo recebe jogos de seleções como África do Sul, Escócia, Inglaterra e Irlanda, com a realização até de seminários para que os estabelecimentos estivessem preparados para a alta demanda pela presença das seleções no país.

Cultura da cerveja
O consumo expressivo de cerveja não ocorre apenas na edição japonesa da Copa do Mundo de Rúgbi, tanto que o campeonato de 2015, realizado na Inglaterra, teve 1,9 milhão de litros vendidos nos estádios e nas fan zones. É um reflexo de atributos do esporte, dentro e fora de campo.

Surgido em 1823, o rúgbi tem desde então como tradição extraoficial o “terceiro tempo”, a reunião das duas equipes para comemorar o jogo e comentar lances, em celebração realizada com o consumo de cerveja, geralmente bancada pela equipe mandante.

“Historicamente após os jogos as equipes que enfrentaram em campo se unem para o mundialmente famoso Terceiro Tempo, onde em um clima de amizade dividem cerveja com a outra equipe, em uma celebração ao esporte e aos jogadores. A torcida faz o mesmo. Daí nasceu a cultura da cerveja no rúgbi”, lembra Antonio Martoni  Neto, ex- jogador de rúgbi, treinador e que atualmente ocupa o cargo de CEO do São Paulo Saracens Bandeirantes, alem de ter longa carreira como comentarista nos canais ESPN.

Essa confraternização faz parte da filosofia do rúgbi, com seus participantes e fãs sempre destacando os cinco valores que marcam o esporte: a integridade, o respeito, a solidariedade, a paixão e a disciplina.

Até por isso, Martoni lembra que não existe condenação moralista pelo consumo de cerveja pelos atletas, ao contrário do que ocorre em outros esportes. E, em sua avaliação, isso se dá muito pela cultura do rúgbi.

“Os jogadores profissionais dão entrevistas pós-jogo com cerveja na mão, sem excesso, mas sem policiamento. Todos compreendem o verdadeiro espírito do jogo e seus valores”, conclui.

Balcão do CerveJoca: As artesanais e a “transferência de consumidores”

Balcão do CerveJoca: As artesanais e a “transferência de consumidores”

O mercado consumidor de cervejas artesanais está aumentando. Será mesmo? Mercado? O que constitui e como cresce um mercado de consumidores de cerveja? Podemos considerar mercados por estilos de cervejas? Quais estilos de cervejas são considerados no mercado e nas estatísticas e projeções de mercados? Enfim…

No balcão tomando uma Imperial Porter da cervejaria Backer (MG), a excelente Bravo, da linha 3 Lobos, arriscaria dizer, entre um torresminho e outro, que todo dia ganhamos um consumidor novo de cerveja, assim como eu mesmo tive a oportunidade de entrar neste seleto e maravilhoso grupo de apreciadores de cerveja. Verdade que alguns saem do mercado por razões que desconhecemos, mas, ao mesmo tempo, ganhamos novos adeptos neste mercado tão disputado.

Da mesma forma, atrevo-me a dizer que entre os tempos atuais e os meus tempos, 40 anos desde o meu primeiro gole, muita coisa mudou. Pais, tios, avós, amigos eram exemplos e incentivadores para o mercado de basicamente 2 marcas. Tomo Antarctica porque meu pai toma. Tomo Brahma porque meus amigos tomam. Tomo as duas para ficar bem com meus parentes e amigos. Era tomar em garrafa ou garrafa (lembrança boa da garrafinha bojudinha ou meiota da Antarctica) até a Skol lançar a lata, o máximo de sofisticação nas praias, festas e bares, tomadas com sal e limão na borda.

Leia também: Coluna Cerveja e Negócios – O crescimento e suas dores

Hoje, a pessoa começa a beber cerveja por todas as razões do mundo – menos aconselhada por pais e parentes. O melhor conselheiro hoje do novo consumidor é o celular, os “beer influencers”, os coaches, os psicólogos, as celebridades ou a velha máxima que diz “para consumir o que não precisa, com o dinheiro que não tem, para agradar a quem não conhece”.

Meus amigos, tudo isso para considerar que tenho a impressão de que há uma transferência de hábitos entre os consumidores de cerveja de mainstream para as novas opções de marcas artesanais. Experiência de estilos, aromas e amargor atraem para uma proposta diferente na harmonização e no hábito de consumo, com ou sem moderação.

Se há menos gente tomando tradicionais para migrar para as artesanais, significa que há um crescimento do mercado craft, na minha humilde opinião.


Joaquim Campos, o Joca do Cervejoca, é executivo de contas da ForBeer – Feira para a Indústria da Cerveja

Mercado de artesanais contribui com US$ 79 bilhões para economia dos EUA

As cervejarias artesanais geraram US$ 79,1 bilhões de impacto econômico em 2018 nos Estados Unidos, valor que representou cerca de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Os dados são do Relatório de Impacto Econômico da Brewers Association, associação que representa a maior parte das microcervejarias nos EUA.

De acordo com a entidade, isso significou um aumento de 4% em relação aos US$ 76,1 bilhões de 2017. O impacto da indústria de cervejas artesanais nos EUA é crescente, tanto que o valor havia sido de US$ 67,8 bilhões em 2016. E um outro relatório havia registrado a soma de US$ 33,9 bilhões em produção econômica em 2012.

A análise de impacto das artesanais inclui, também, itens que não são a cerveja, como alimentos vendidos em bares. E ela aponta que a indústria cervejeira artesanal foi responsável por criar mais de 559.545 empregos no ano passado nos EUA, com 150.055 vagas diretas nas cervejarias. O setor também contribuiu com mais de US$ 5 bilhões em salários diretos e benefícios para seus trabalhadores.

Leia também: Guerra comercial entre EUA e China pode afetar mercado de cerveja

A Brewers Association também aponta que existem mais de 7.500 cervejarias em operação nos Estados Unidos, enquanto o Departamento de Comércio e Tributação de Álcool e Tabaco avalia que são mais de 10 mil licenças de cervejarias no país.

Economista-chefe da Brewers Association, Bart Watson avalia que há espaço para o crescimento e o surgimento de até 5 mil cervejarias artesanais nos Estados Unidos.

Ele também observa que uma a cada oito cervejas vendidas atualmente nos EUA são de marcas artesanais pequenas e independentes. E que um em cada quatro dólares gasto em cervejas é nas artesanais.

Dossiê Álcool 70°: A ação policial no Lamas SP, a legislação e as lições da polêmica

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Uma polêmica invadiu o mercado cervejeiro nas últimas semanas. Uma das lojas do Lamas Brew, um dos maiores revendedores nacionais de insumos do setor, foi processada criminalmente pela venda de álcool 70° ao público em geral. Tudo começou quando homens da divisão de produtos controlados da Polícia Civil estiveram, há cerca de duas semanas, no estabelecimento do Lamas na Vila Romana, na zona oeste de São Paulo, e constataram a comercialização dessa variedade de álcool. A brew shop foi autuada e os sócios intimados a prestarem esclarecimentos. Não houve apreensão de produtos e nem prisões.

Os detalhes do caso são mantidos em segredo de Justiça e os representantes da empresa prestaram depoimento na delegacia em 23 de setembro. No mesmo dia, David Figueira, um dos sócios da loja, postou um vídeo que viralizou nas redes sociais, contando o caso e se defendendo das acusações.

Leia também: Dossiê Helles – A visão da Fassbier, dos juristas e do mercado cervejeiro

A loja do Lamas, onde a polícia esteve, faz parte de um grupo chamado Lamas Corp, que se autodefine como “o maior grupo de empresas do segmento de cerveja artesanal do Brasil”. O negócio começou em 2012 com a venda de insumos cervejeiros pela internet. Atualmente, é formado pelo Lamas Brew Shop (e-commerce e lojas físicas em Belo Horizonte, Campinas e São Paulo), Lamas Brew Club (clube de assinaturas de insumos), Lamas Pro Brewing (divisão que vende insumos e equipamentos para cervejarias), Cervejaria Cogumelo e Bar Lado B (ambos em Campinas).

Para entender um pouco mais sobre o caso e as consequências da polêmica, o Guia conversou com um dos sócios do Lamas, com cervejeiros caseiros e com juristas especialistas no setor. Confira.

O uso do produto
O álcool 70° é uma solução desinfetante composta por álcool etílico e água. O número 70 indica o chamado grau GL que é usado para medir o percentual de álcool por volume e a concentração de 70° é a mais eficaz para sanitização. Se a solução tiver mais ou menos do que isso, o álcool não terá ação como desinfetante, isso porque é necessária a quantidade certa de água para o álcool agir como sanitizante.

Assim, o cervejeiro caseiro utiliza muito o álcool 70° por ser de fácil manejo e ter uma boa relação custo-benefício. Na indústria, por sua vez, normalmente são usadas soluções profissionais à base de ácido peracético ou de soda cáustica.

As alternativas que os cervejeiros caseiros possuem necessitam de manipulação. Uma delas, o Iodofor, é uma solução à base de iodo para ser misturada em água, que pode ser comprada livremente. A outra é o conhecido PAC200, um produto formulado para gerar ácido peracético quando diluído em água. Nesse caso, por se tratar de ácido, há riscos de acidentes e algumas proteções devem ser usadas. Mesmo assim, o PAC200 também pode ser facilmente comprado.

Como sanitizantes, as duas alternativas são até mais eficientes do que o álcool, mas mexer com ácido e fazer diluições em casa pode ser complicado. Por isso o álcool 70° é bem mais prático: basta abrir, borrifar e esfregar na superfície.

O que diz a Lei
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão legalmente competente para estabelecer regulamentações sobre produtos desinfetantes, como o álcool etílico. Através de um instrumento chamado de RDC (Resoluções da Diretoria Colegiada), ela cria suas regulamentações, conforme explica o advogado Clairton Kubaszwski Gama, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBET), sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados e cervejeiro caseiro.

A RDC nº 46 do ano de 2002 instituiu o “Regulamento Técnico para o álcool etílico”. Segundo a norma, em graduações acima de 54° GL, o álcool etílico deverá ser comercializado apenas na forma de gel e no volume máximo de 500g, regulamentação que foi criada para minimizar os riscos de acidentes por queimaduras e ingestão do álcool.

Leia também: Balcão do Tributarista – Milho na cerveja e o Padrão de Identidade e Qualidade

As exceções previstas dizem respeito à destinação exclusiva a estabelecimentos de assistência à saúde (hospitais e laboratórios, por exemplo) ou para fins industriais, como matéria-prima e em volumes superiores a 200 litros. “Fora destas condições, a única possibilidade de comercialização do álcool etílico em graduações acima de 54° GL seria em embalagens de volume máximo de até 50 ml”, explica Clairton.

Embora a regulamentação tenha mais de uma década, o jurista explica que houve uma recente intensificação da fiscalização. Isso decorreu de um julgamento ocorrido em julho de 2018, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF/1), que corroborou a validade da resolução. “A partir daí, a Anvisa concedeu um prazo até o início deste ano para que os fabricantes e distribuidores pudessem se adequar. Findo este prazo, a fiscalização passou ao encargo das autoridades estaduais e municipais competentes”, aponta Clairton.

A visão do Lamas
A dificuldade em conhecer todas as leis e resoluções que englobam o mercado cervejeiro é, segundo David Figueira, um dos sócios do brew shop de São Paulo, um dos pontos centrais da polêmica. Ele diz que foi surpreendido pela fiscalização e que desconhecia a proibição de venda do álcool 70°.

“No Brasil qualquer empresário é submetido a centenas de regras e leis. É impossível conhecer todas. Temos mais de 5 mil itens em nosso estoque, não há como eu ser especialista na regulamentação de todos eles”, afirma o sócio do Lamas.

David também alega que compra o álcool 70° de dois fabricantes diferentes e que jamais houve qualquer restrição por parte deles. “Entendo que se essa proibição fosse explícita, a indústria não me venderia”, reforça.

Sobre a acusação de que o Lamas vende produto restrito ao público em geral, David avalia que seus clientes não se enquadram nessa definição. “Querosene de aviação também tem venda controlada, mas qualquer praticante de aeromodelismo pode comprar em lojas especializadas. Vejo a mesma situação no caso do cervejeiro caseiro. Não se trata de público em geral, mas sim de um nicho que se dedica a um hobby.”

O Lamas deixou de vender o álcool 70° e todo o estoque está guardado esperando o andamento do processo. “Provavelmente a polícia deve ter recebido uma denúncia de alguém que quer nos prejudicar e, por isso, tudo aconteceu”, lamenta. Para David, é a hora do segmento se unir para pedir a liberação do álcool 70°. Ele diz que a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) já acionou o Ministério da Agricultura sobre o assunto.

A análise dos cervejeiros caseiros
A necessidade de debater a liberação do álcool 70° também foi defendida por Rodrigo Jordão de Magalhães Rosa, presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais Paulistas (Acerva). Ainda assim, segundo ele, o produto não deveria ser comercializado enquanto houver proibição da Anvisa.

“O cervejeiro caseiro até pode alegar ignorância. Mas alguém que vende, ainda por cima atingindo grande parte do território nacional, deveria se preocupar mais com a legislação, ou tentar mudá-la”, garante Rodrigo. “Está escrito em todos os rótulos de álcool 70° que a venda é restrita.”

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Já o cervejeiro caseiro Mauro Malva, do canal Boteco do Tatu, diz que o álcool 70° é altamente inflamável e causou muitos acidentes domésticos no passado. Mas, na opinião dele, há uma incoerência na regulamentação.

“Você pode ir a um posto comprar gasolina ou álcool, que são mais inflamáveis. Então, acho que o álcool 70° deveria ser liberado, desde que as lojas e consumidores se preocupem com o armazenamento do produto”, defende Mauro. “Apesar disso, acho justo a fiscalização autuar quem estiver descumprindo a regra. Temos é que defender a liberação e não descumprir a lei.”

A interpretação dos juristas
A avaliação do mercado cervejeiro é, de maneira geral, compartilhada pelos juristas. Para Luiz André Marqueti Rodrigues, oficial de justiça avaliador federal, cervejeiro caseiro e medalhista de concursos da Bräu Akademie, um líquido inflamável como o álcool 70° não poderia estar em uma prateleira ao alcance do consumidor final.

Assim, na avaliação dele, a autuação foi correta. “Quem faz o controle de venda e comercialização desse produto é a Polícia Civil. Então, a polícia atuou nesse caso dentro da lei”, explica Luiz André Marqueti, também conhecido como Luba.

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Clairton Gama, por sua vez, vê na polêmica envolvendo o Lamas um bom momento para se debater uma tese legislativa importante: a de se questionar se o risco provocado pelo álcool 70º não seria menor do que o trazido pela falta de segurança alimentar.

“Devemos lembrar que o álcool 70°, justamente por sua concentração, apresenta ação antimicrobiana confirmada. Assim, seria possível argumentar que, se por um lado a restrição busca proteger a saúde pública do risco de queimaduras, por outro lado, está colocando em risco a saúde pública por contaminações microbianas”, argumenta o advogado, antes de complementar.

“Como, além de advogado, também sou cervejeiro caseiro, sei que existem outros produtos de fácil acesso que podem substituir o álcool 70° na função desinfetante. Portanto, acredito que os cervejeiros e os brew shops tenham bons argumentos para, se for o caso, não apenas substituir o álcool 70°, mas também para tentar judicialmente assegurar o direito de continuar utilizando ou comercializando o produto”, finaliza Clairton.

As 74 cervejarias confirmadas no Slow Brew

Um dos principais festivais brasileiros de cerveja, o Slow Brew será realizado em 7 de dezembro, das 12h às 20h, no Centro de Eventos Pro Magno, na Avenida Professora Ida Kolb, 513, em São Paulo, e já tem suas 74 cervejarias confirmadas. O público presente tem direito à livre degustação.

Focado em buscar marcas que tenham histórias para contar, o Slow Brew exige a presença dos mestres-cervejeiros, possibilitando uma interação direta entre público e marcas. Não à toa, as cervejarias são convidadas para participar – e não pagam pelo estande, como em outros festivais.

A procura por ingressos tem sido intensa desde o primeiro lote, inaugurado em 10 de dezembro do ano passado. Tanto que apenas 600 entradas ainda estão disponíveis, de acordo com informações do Dr. Mauricio Leandro, psicanalista e organizador do festival. Não haverá, aliás, venda no dia do evento.

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Os ingressos do último lote saem por R$ 273,24 no boleto e R$ 297 no cartão de crédito. Para os participantes das edições anteriores, porém, há um desconto de 3%. E, para quem respondeu a uma pesquisa de satisfação, a promoção é de 6% (clique aqui para comprar).

E a edição de 2019 do Slow Brew em São Paulo contará com um espaço especial destinado a receber exclusivamente cervejarias novatas, que nunca participaram do festival. É a “Ala Extravaganza”, que terá 36m² compartilhado entre as 16 marcas convidadas pela curadoria.

Cada cervejaria terá um tempo-limite para apresentar seus produtos e secar os barris, fazendo um revezamento enquanto o público aproveita as  atrações musicais e a gastronomia do evento.

Confira, a seguir, a lista de 74 cervejarias que foram selecionas pelo Slow Brew.

Cervejaria havaiana promove reciclagem de vidro na Lapa carioca

A Kona está promovendo uma interessante conexão entre Rio de Janeiro e Havaí, duas “Sister Cities”, segundo a cervejaria havaiana. Em parceria com a startup Green Mining, a marca vai liderar uma iniciativa de logística reversa na Lapa, tradicional bairro boêmio da capital carioca.

Bares e restaurantes da região sofrem hoje com problemas logísticos para descartar corretamente as garrafas e embalagens de vidro. Assim, ao lado da Green Mining, a Kona vai recolher todos esses recipientes e enviá-los ao centro de reciclagem da Ambev, no Rio.

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“O Havaí e o Rio de Janeiro possuem muitas similaridades e, até por isso, consideramos as cidades como ‘Sister Cities’. Assim como em nossa terra natal, temos uma grande preocupação com a sustentabilidade e com o descarte correto dos materiais”, conta Carolina Aguiar Ventura, gerente de marketing da Kona, marca que chegou ao país em novembro de 2018.

Em prática desde setembro, a iniciativa possui coletores que, em uma bicicleta adaptada, percorrem a Lapa coletando as garrafas de vidro dos estabelecimentos parceiros e as levam para uma central de recebimento. Depois, o material é encaminhado à Fábrica de Vidros da Ambev, onde é processado e transformado em novas garrafas.

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O projeto teve início na terceira semana de setembro e conta com 50 bares e restaurantes parceiros. Para garantir o funcionamento dessa economia circular, um sistema de certificação é feito em todas as etapas do processo, garantindo que o material coletado chegue ao seu destino de maneira correta.

“Essa iniciativa visa ajudar os comerciantes da Lapa e também a conscientizar as pessoas sobre esse assunto”, complementa a gerente de marketing da cervejaria havaiana.