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Lohn Bier lança Gravity Brut IPA para comemorar seus 5 anos

Depois de reinventar sua identidade visual, a premiada cervejaria catarinense Lohn Bier trouxe mais uma novidade para 2019: o lançamento da Gravity Brut IPA, um rótulo especial para comemorar os seus cinco anos de existência, que serão completados em outubro.

Reconhecida por suas receitas criativas, que sempre trazem inovações no uso de frutas e ingredientes, a Lohn apostou em uma Brut IPA para festejar o aniversário após realizar duas brassagens testes, segundo conta Richard Westphal Brighenti, sommelier e head brewer da cervejaria.

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“Pensamos muito sobre qual seria a cerveja ideal para ser apresentada como nossa cerveja comemorativa, se seria lupulada, envelhecida na madeira, Sour ou até uma Lager. Mas encontramos na Brut IPA características que nos remetiam a uma celebração”, comenta Richard, para depois acrescentar.

“Atribuímos um nome para a cerveja, o rótulo foi muito bem desenhado e a cerveja está incrível. Padrão Lohn. Foram feitas duas brassagens pilotos até encontrar as características que gostaríamos. Estamos felizes com o resultado”, complementa o cervejeiro da Lohn.

A Gravity Brut IPA tem as características aromáticas de uma American IPA e, na boca, o final seco e curto, resultado de uma fermentação com uma taxa de atenuação elevada, segundo descreve a cervejaria. Os lúpulos também são evidentes no sabor, com um índice menor de IBUs devido ao não contraponto do corpo da cerveja, que é baixo. E a carbonatação também é destacada, intensificando a característica seca.

Festejos
Diferentemente de outros rótulos comemorativos da Lohn, a Gravity Brut IPA deve integrar a linha da cervejaria. Ela estará disponível em embalagens long neck com “sabor e preço de cerveja”, segundo destaca Richard.

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E, para complementar a celebração, a cervejaria fará uma festa que já é tradicional no calendário cervejeiro, a Lohn Open Haus. Além da Gravity, serão servidos outros 40 rótulos, tanto da Lohn como de uma dezena de cervejarias convidadas. Para animar a festa, haverá show da banda Acústicos e Valvulados, entre outras atrações.

O evento será no formato open bar e acontecerá no pátio da cervejaria em Lauro Müller, em Santa Catarina, no dia 21 de setembro. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site www.minhaentrada.com.br.

4 consequências do aquecimento global no setor e 4 ações para minimizar seus efeitos

Dos assuntos mais comentados em anos recentes no Brasil e no mundo, o aquecimento global tem dado sinais de que suas consequências estão cada vez mais próximas do cotidiano das pessoas. Não é diferente com o setor cervejeiro e a produção de cevada, ameaçada pelo cenário de mudanças climáticas, algo que provocou recentemente uma crise internacional ao governo federal por conta das queimadas na região da Amazônia.

De acordo com estudo publicado pelo jornal Nature Plants comandado pelo pesquisador britânico Dabo Guan, da Universidade de East Anglia (Inglaterra), com base em modelos econométricos e de previsões climáticas, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, fenômenos como secas e ondas de calor deverão afetar as principais regiões produtoras de cevada do mundo. Há o risco de reduções significativas nas colheitas e até de aumentos nos preços.

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A partir desse problema mundial, somado a um cenário de políticas públicas adotadas pelo governo federal que parecem seguir no rumo oposto ao das preocupações com os efeitos do aquecimento global, o Guia entrevistou especialistas para entender como esse contexto pode afetar a produção agrícola nacional, especialmente a de cevada.

Nesse último material, selecionamos em tópicos as principais consequências do aquecimento global e como é possível minimizar seus efeitos. Confira.

AS CONSEQUÊNCIAS
1- Aumento de doenças e pragas na produção de cevada

“Associado ao aumento da temperatura, pode-se prever aumento na ocorrência de doenças e pragas”, garante Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo, para depois detalhar que as chuvas devem aumentar a ocorrência de doenças provocadas por fungos, afetando a cultura da cevada para utilização na produção da cerveja.

“O aumento na quantidade de chuvas, além de propiciar o desenvolvimento de doenças fúngicas, principalmente as da espiga como giberela e brusone, de difícil controle, aumentará também a probabilidade de pré-germinação  da semente ainda na lavoura, desqualificando a mesma quanto ao uso na cervejaria”, acrescenta.

Além disso, segundo Minella, a infecção da produção por giberelas traz riscos para a segurança alimentar. “Associado ao aumento da giberela é possível prever-se aumento na produção das micotoxinas associadas e, por consequência, risco à segurança alimentar para consumo, seja humano ou animal”, avalia o pesquisador da Embrapa Trigo.

2- Mudança no polo produtor de cevadas
As transformações causadas pela mudança climática na produção do cereal também provocarão um efeito de diversificação no setor. Será possível ver as regiões Sudeste e Centro-Oeste conquistando proeminência na produção, que tradicionalmente vem se concentrando no Sul.

“A tendência é de que a redução da produção no Sul seja compensada pelo aumento nas regiões mais tropicais, como o Sudeste e o Centro-Oeste (nova fronteira de produção), sob o regime de irrigação na estação seca. Para estas regiões estão previstas nos cenários de mudanças climáticas aumento de temperatura e a redução na quantidade de chuva”, comenta Minella.

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3- Efeitos danosos à produção por causa do uso excessivo de agrotóxicos
Embora o uso de agrotóxicos seja visto como um “mal necessário” para melhorar mais rapidamente a produção agrícola brasileira em um espaço curto de tempo, a situação preocupa especialistas, que apontam efeitos danosos no médio prazo, ainda que o impacto inicial possa ser de aumento da safra, como destaca Rene Eugenio Seifert Junior, professor do Programa de Mestrado em Administração (PPGA) e do Departamento de Gestão e Economia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

“A política agrícola do novo governo eliminará limites outrora estabelecidos (como por exemplo para o avanço das fronteiras agrícolas sobre áreas indígenas e quilombolas), o maior uso de agrotóxicos favorecendo o aumento da produção de grãos em grande escala, com enormes prejuízos à natureza. Ainda que existam justificativa técnicas para esse tipo de ação, as consequências no médio prazo serão gravíssimas”, projeta o professor.

4- Perda de espaço em mercados internacionais
Marina Lacôrte, engenheira agrônoma e especialista do Greenpeace em Agricultura e Alimentação, lembra que alguns países adotam critérios de preservação ambiental que podem até impedir a exportação pelo Brasil caso eles não sejam cumpridos. Algo bem ilustrado pela pressão internacional na recente crise envolvendo a Amazônia. “Combater o desmatamento na Amazônia, por exemplo, é fundamental para as relações comerciais do país, afinal ninguém quer adquirir produtos manchados pela destruição florestal ou por violações de direitos”, avisa.

AÇÕES PARA PROTEÇÃO DA CEVADA
1- Investimento em tecnologia
Para a Ambev, o estudo da Nature Plants é um importante aviso sobre a necessidade de investimentos em tecnologia. “Sem sombra de dúvida, serve de alerta para que sigamos implementando medidas e tecnologias em toda a nossa cadeia para termos uma produção cada vez mais sustentável do campo ao copo”, afirma Juan Caminos, gerente regional agronômico da Ambev.

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2- Investimento em melhoramento genético
Para que a produção seja de qualidade perante um clima desfavorável, será preciso que a cevada se torne mais resistente às intempéries. Minella aponta, assim, que deve se investir em melhoramento genético para minimizar os riscos envolvidos na produção.

“A alternativa é o melhoramento genético na seleção de germoplasma mais adaptado aos ambientes de produção, com aplicação de tecnologias modernas como a transgenia, edição do genoma, entre outras. Basicamente o foco seria na busca de resistência à seca, melhor eficiência no uso da água para as novas regiões tropicais e de resistência às doenças de espiga na região tradicional. Em melhoramento genético já vem se praticando a seleção de variedades mais adaptadas aos ambientes de produção”, avalia.

3- Alteração na lógica do modelo econômico
Seifert Junior, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, propõe uma mudança no modelo econômico atual, que estaria em choque com os ciclos da natureza e precisaria ser repensado, adotando um modelo agrícola que não atinja tanto o meio-ambiente. “O modelo econômico de produção empresarial é orientado para o crescimento ilimitado e estabelece pressões irreconciliáveis com os ciclos da natureza. Na natureza tudo se sujeita à limites de crescimento”, afirma o professor.

4- Planejamento e realização de parcerias
Planejamento e realização de parcerias com fornecedores são ações necessárias para minimizar os efeitos do risco de escassez de cevada e, consequentemente, de malte, evitando o desabastecimento de uma cervejaria. Essa é a avaliação da Cooperativa Agrária Agroindustrial, especializada em grãos.

Leia também: Planejamento e parcerias são alternativas para evitar desabastecimento de malte

“O grande vetor que rege atualmente o mercado é a capacidade mundial de produção de malte, que não evoluiu nos últimos tempos com o crescimento da demanda. Desta forma, o planejamento de consumo e a consolidação de parceria com os fornecedores da cadeia é imprescindível. Contratos de longo prazo junto a fornecedores confiáveis podem ser uma ferramenta para minimizar algum risco de desabastecimento”, analisa Jeferson Caus, gerente comercial da Agrária.

Stout da Unicorn, delivery da Cervejaria Nacional: As novidades da semana

A semana trouxe boas novidades ao cervejeiro, como o lançamento da American Stout da Unicorn, marca que está completando seu primeiro ano em agosto. Já a Cervejaria Nacional entrou no universo dos aplicativos de delivery, enquanto a Expobrew apresentou seu balanço com excelentes números. Confira essas e outras novidades selecionadas pelo Guia.

American Stout da Unicorn
A marca da Startup Brewing Co lançou em agosto sua American Stout, uma cerveja escura com 5,3% de teor alcoólico, notas de café torrado, chocolate e caramelo. Possui, ainda, corpo médio-baixo e aveludado, com o final seco e leve amargor – 30 IBUs – que deixam a cerveja com alto drinkability. O lançamento da Unicorn, que completa um ano neste mês, chega ao mercado em chope e latas de 473 ml, compondo a linha ao lado da Unicorn Lager, Witbier, Pale Ale, India Pale Ale, Fruit Beer e New England Pale Ale.

Expobrew
Organizada pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e realizada entre 15 e 16 de agosto em Vitória, na capital do Espírito Santo, a ExpoBrew  reuniu mais de 3,5 mil pessoas no Parque de Exposições Floriano Varejão (Pavilhão Carapina), em diferentes atrações. A feira de fornecedores do setor foi um dos destaques da programação, enquanto palestras, workshops e mesa redonda discutiram o futuro do mercado. No período da noite, por sua vez, um festival agitou o público com a presença 30 cervejarias artesanais e mais de 200 rótulos. “O mercado das artesanais ainda está muito concentrado em regiões específicas, como Sudeste e Sul. A ideia de realizar a ExpoBrew na capital do Espírito Santo foi justamente essa: levar uma programação cervejeira para outros lugares, para que esse movimento comece a tomar força pelo país. Ficamos felizes com o resultado e acredito que abrimos portas para que mais eventos como este aconteçam no local”, afirma Carlo Lapolli, presidente da Abracerva.

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Campanha da Stella
Criar e vivenciar ocasiões gostosas, aproveitando cada momento. É assim que a marca da Ambev, através de sua nova campanha, convida seus consumidores a conhecerem e desfrutarem de um estilo de vida leve e único. O novo filme chama-se Sofisticadamente Simples e desconstrói a ideia da burocratização exagerada de tudo, até nos momentos de descontração. “Criamos uma comunicação que provoca as pessoas a refletirem, incentivando-as a aproveitarem mais e a curtirem por completo cada situação”, afirma Lucas de Oliveira, gerente de marketing da Stella Artois. A peça narra a história de um casal que vai a um restaurante e, enquanto o sommelier segue um protocolo para abrir uma garrafa de vinho, a mulher se antecipa e quebra aquele ritual, abrindo uma cerveja e a saboreando, de maneira rápida e autêntica. Veja aqui o filme.

Delivery da Nacional
Agora já é possível pedir o chope da Cervejaria Nacional em sua própria casa. A marca tradicional, precursora do movimento das artesanais em São Paulo, se cadastrou no iFood e no Rappi. Nos aplicativos estão disponíveis as cinco cervejas de linha, em combo ou avulsas, além das exclusivas sazonais.

Agenda: Rota da Cerveja
A Rota da Cerveja Hop On – Hop Off, em Ribeirão Preto, será realizada no dia 31 de agosto e os participantes vão passar por cinco cervejarias: Colorado, Lund, Invicta, Point SP 330 e Walfanger. Os ônibus ficarão à disposição dos participantes, seguindo um itinerário que leva os cervejeiros de uma parada a outra. “A Rota da Cerveja é sempre muito aguardada e uma ótima oportunidade para as pessoas que moram nas cidades da região virem conhecer as nossas cervejarias”, conta Thiago Zacharias, diretor da Livre Acesso Turismo e organizador da Rota da Cerveja. Cada cervejeiro terá um benefício nos estabelecimentos participantes: na Invicta vai poder degustar um sabor de chope; na Lund serão dois chopes por participante; na Point SP 330 ganha um desconto de 25% na conta; na Walfanger serão 1 chope Pilsen de 300ml e um desconto de 10% no valor final da conta; e, na Toca do Urso, da Colorado, haverá um crédito de R$ 10. Mais informações sobre o evento e a venda de convites podem ser obtidas através do número (16) 3941-3086.

Com foco na experiência, artesanais chegam às pizzarias e restaurantes tradicionais

Tradições podem, em diferentes momentos e situações, ser lidas de maneiras diversas. Por um lado, confortam e dão a segurança do que é conhecido, mas, por outro, podem significar uma repetição de comportamentos sem que nunca nos perguntemos por que é que fazemos desse jeito. Na hora de escolher o restaurante, pizzaria e o que beber nessas ocasiões, provavelmente todos já se viram nesse dilema: inovar ou manter o tradicional? Hoje, o próprio setor se questiona e, quando se trata de cerveja, estabelecimentos com tradição já passam a buscar novas alternativas de cervejarias, estilos e rótulos. Um exemplo é a rede de pizzarias Speranza, de São Paulo, que passou a apostar em uma marca artesanal para acompanhar suas tradicionais pizzas.

Com mais de 60 anos de tradição no ramo, a rede sempre ofereceu, como a maior parte das pizzarias de São Paulo, o conhecido chope gelado de marcas mainstream. Em junho, ela passou a oferecer também a Munich Helles Marias, da cervejaria artesanal Terceira Margem, fundada pela mestre cervejeira Marcela Tarallo.

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A escolha de uma Helles, segundo Marcela, não é por acaso. “Ela foi pensada para entrar nesse mercado, pois possui características bem similares a uma Pilsen, mais próxima ao paladar habitual do brasileiro, leve e refrescante. Devido ao seu corpo baixo, sabor levemente maltado e amargor sutil, não causa tanta estranheza para o consumidor que nunca bebeu uma cerveja artesanal e, ao mesmo tempo, traz o diferencial de um sabor mais marcante comparado às cervejas mainstream”, avalia.

Marcela, que é membro da família proprietária da Speranza, vê certa resistência por uma parte dos frequentadores mais tradicionais da pizzaria. “Alguns sentem essa ruptura, não querem mudar os hábitos já arraigados. Mas, na maioria dos casos, as pessoas estão abertas a experimentar algo novo”, observa.

Para conquistar
Nesse cenário, a busca por conquistar o cliente exige um esforço estratégico tanto do estabelecimento quanto das cervejarias. Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em São Paulo (Abrasel-SP), Percival Maricato, a cerveja artesanal nos restaurantes já não é um modismo, e sim uma tendência entre os estabelecimentos que fazem uma boa leitura do mercado. “Existe uma demanda por parte do público, mas ainda é pequena. Depende muito da iniciativa do proprietário, de querer variar, oferecer uma nova proposta, como forma de conquistar o cliente”.

Ele entende que o mercado ainda está na fase de experiências, testando rótulos e modos de oferecer artesanais. Mesmo assim, ele enxerga muitos donos de estabelecimentos ainda confusos com a variedade de opções. “Talvez uma dificuldade seja a multiplicidade e a continuidade, que pode confundir o comerciante, que não sabe qual oferecer em que ocasião ou quais cervejarias e rótulos vai garantir continuidade”, diz ele, contrapondo à facilidade da escolha por rótulos mainstream nesse sentido.

Para Percival, chegar ao ponto e oferecer um bom serviço no restaurante exige obrigatoriamente uma boa dose de treinamento. “Hoje o que não falta é informação, degustações e oferta de treinamento. Oferecer isso é papel das empresas que querem ocupar o mercado de uma forma mais sólida. É papel dele conseguir com que o proprietário adote a marca e com que o maître ofereça e venda de fato a cerveja”.

Questões técnicas
Mas, para uma cervejaria pequena, os detalhes da operação ainda podem significar um grande esforço na busca por conquistar esse espaço antes dominado pelas marcas mainstream. Para entrar na briga, é preciso desenvolver capacidade para entregar pontualmente o volume suficiente para a demanda do restaurante, assim como tentar ao menos se equiparar às grandes cervejarias com relação a infra-estrutura oferecida ao ponto (como chopeiras, copos e bolachas), ponto pacífico para quem compra delas.

Marcela, que está negociando a comercialização da Terceira Margem com outros estabelecimentos, entende que a cervejaria precisa ser presente na resolução de questões técnicas em todo o percurso da cerveja até a mesa do cliente. “É preciso olhar a cadeia inteira, desde a logística de armazenagem e transporte até conservação, serviço e venda do produto no estabelecimento. Prestar assistência técnica frequente como manutenção e sanitização das chopeiras também é muito importante”.

Ainda há, claro, a dificuldade em relação ao preço, que precisa ser competitivo com as marcas mainstream para o cliente final. A atuação das pequenas, portanto, depende muito da famosa relação custo-benefício. “Para conquistar esse novo cliente, a cerveja precisa ter qualidade e bom custo, oferecendo ao cliente uma percepção de experiência positiva. Por isso, é importantíssimo estar sempre atento ao feedback do consumidor “, conclui Marcela.

 

Mondial Rio “recebe a presença” de Rembrandt e de “avô” de Sherlock Holmes

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A edição carioca do Mondial de la Bière, marcada para setembro, terá um pouco de arte e mistério nos rótulos a serem lançados durante a sua realização. Isso porque a Matisse vai aproveitar o evento para apresentar cervejas inspiradas em Rembrandt e em Charles Altamont Doyle, considerado o “avô” de Sherlock Holmes.

Mais do que lembrar Rembrandt, o rótulo que recebe o nome Acquaforte faz referência a uma técnica surgida no século XVI. A Acquaforte usa uma chapa de metal revestida com cera, uma agulha para desenhar removendo a cera e um ácido para corroer o metal onde a cera foi removida. A área corroída retém tinta e, quando a chapa é colocada sobre o papel úmido, o desenho é transferido.

A técnica foi utilizada por Rembrandt, considerado um dos maiores pintores de todos os tempos e que agora recebe  a homenagem da Matisse em um ano de uma importante efeméride envolvendo o artista holandês.

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“A ideia do nome Acquaforte é lembrar os 350 anos da sua morte, que se completam no dia 4 de outubro”, afirma Mario Jorge Lima, sócio-fundador da Matisse, que também detalha as características do novo rótulo, que é uma Belgian Tripel com 12% de teor alcoólico.

“Inspirada no estilo belga produzido há séculos pelos monges da Ordem Trappista, com notas de amêndoas e final seco, Acquaforte é uma tripel de elevada complexidade e sabor único. Reúne a arte aperfeiçoada dentro dos mosteiros de clausura com a de grandes pintores como Rembrandt e Dürer”, acrescenta Mario Jorge.

Doyle
O outro rótulo a ser lançado pela Matisse no Mondial é denominado Doyle, sendo fruto de uma colaboração com a cervejaria Gnomo. Nesse caso, o nome homenageia Charles Altamont Doyle, conhecido por ser o pai de Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes e um escritor eternizado por trazer inovações em seus suspenses para a literatura criminal.

Mas Charles Doyle, além de pai de Arthur e “avô” de Sherlock, também foi um pintor que se notabilizou pelo quadro A Dance Around the Moon, que traz um certo tom místico e de festa.

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“O nome é uma homenagem a Charles Altamont Doyle, pintor de família irlandesa, porém nascido na Inglaterra, cujo quadro A Dance Around the Moon mostra seres místicos como gnomos e fadas festejando a lua cheia — tão simples e maravilhosa quanto a cerveja”, explica Mario Jorge.

Esse rótulo é uma Irish Cream Ale com 4,7% de teor alcoólico, como detalha o sócio-fundador da Matisse. “Doyle é uma cerveja levemente maltada que apresenta notas de amêndoa, caramelo e baunilha típicas das favas-tonka, ou sementes de cumaru, delicioso ingrediente da Amazônia brasileira que enriquece o sabor da Cream Ale, preservando sua leveza e seu equilíbrio”, promete.

Fabricante de garrafas apresenta relatório que detalha como otimizar sustentabilidade

A Verallia publicou nesta semana o seu Relatório de Responsabilidade Social Corporativa, um documento global que apresenta a estratégia da multinacional para ações sustentáveis – tema mais propício do que nunca em tempos de extermínio da Amazônia – e detalha os resultados obtidos em 2018.

Uma das três maiores fabricantes mundiais de embalagens de vidro, a Verallia dividiu o relatório em três áreas principais: ajudar a proteger o meio ambiente, agir para a segurança e desenvolvimento das equipes e contribuir para o desenvolvimento das comunidades. E a análise dos resultados é uma boa demonstração de como estruturar algumas ações sustentáveis.

Na área de proteção ao meio ambiente, por exemplo, a Verallia apostou em ações de alcances distintos, como promover a economia circular e reduzir o impacto ambiental, melhorar a eficiência energética, desenvolver produtos com proposta ambiental, conscientizar sobre a reciclagem, otimizar o uso de água, reduzir os resíduos e diminuir e compensar a emissão de CO2.

Leia também: Ação da Goose Island expõe importância social da reciclagem de vidro

“Quanto mais cacos de vidro usamos, menos matérias-primas e energia gastamos e menos CO2 emitimos. Estamos, portanto, comprometidos com a promoção da reciclagem de vidro, porque a disponibilidade de cacos de vidro é fundamental em nossa abordagem de economia circular”, comenta Michel Giannuzzi, Presidente e CEO da Verallia.

Para melhorar a segurança e desenvolvimento das equipes, por sua vez, a Verallia atualizou em 2018 a política de EHS (Meio Ambiente, Saúde – Higiene Industrial e Segurança), adotando a meta de zero acidentes. Esta política, segundo a multinacional, diz respeito a todas as pessoas que trabalham nas fábricas – funcionários da Verallia, trabalhadores temporários, subcontratados, etc.

Por fim, em relação ao desenvolvimento de habilidades, a Verallia ofereceu treinamentos que colocam os funcionários no centro de seu caminho de aprendizado e desenvolvimento. Foram 300 mil horas de aulas no ano passado.

“A indústria de vidro exige compromisso permanente e expertise técnica avançada. Nossas equipes são nossa força e a chave para o nosso sucesso. A segurança delas é nossa prioridade. A Verallia também está comprometida em apoiar suas equipes em seu desenvolvimento profissional”, finaliza Giannuzzi.

Leia, aqui, o relatório completo da Verallia.

Exclusivo: Os planos da Ambev e sua visão sobre os mercados de puro malte e artesanal

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A Ambev viveu momentos antagônicos nos últimos meses. Embora sua capacidade em se adequar ao novo mercado cervejeiro – composto por um público interessado em rótulos diversificados e artesanais – tenha sido questionada por bancos e consultorias, seus resultados financeiros surpreenderam positivamente no primeiro semestre de 2019.

A reportagem do Guia, então, interessada em compreender o momento e a visão da empresa sobre esse novo mercado, procurou a multinacional cervejeira para fazer uma entrevista. A Ambev, porém, optou por apresentar uma visão institucional dos questionamentos, sem a especificação de um porta-voz.

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De acordo com o balanço recente, a Ambev teve lucro líquido ajustado de R$ 2,712 bilhões no segundo trimestre de 2019, resultado 16,1% superior ao do mesmo período de 2018, tendo sido impulsionado principalmente por uma diminuição das despesas financeiras. O lucro líquido ajustado, por sua vez, foi de R$ 2,616 bilhões, uma alta de 16,8% na comparação anual.

Além disso, o balanço da Ambev indicou o aumento no volume de cervejas vendidas no Brasil no segundo trimestre de 2019, para 18,25 milhões de hectolitros, 2,9% a mais do que o mesmo período do ano passado.

A partir desses números e do posicionamento da Ambev, o Guia destrinchou os resultados, detalhou os planos e trouxe seu ponto de vista sobre os mercados de puro malte e artesanal. Confira.

O desempenho das marcas premium
A Ambev avalia que os bons resultados financeiros do segundo semestre têm relação direta com o investimento em inovação e no seu robusto portfólio, apontando a participação decisiva das suas cervejas premium para os dados positivos do balanço.

“O segmento de cervejas premium impulsionou o crescimento da companhia, com bom desempenho especialmente no portfólio global, em marcas como Budweiser, Stella Artois e Corona”, aponta a companhia, detalhando o desempenho de suas principais marcas.

“No primeiro trimestre, a Budweiser, por exemplo, foi a marca premium mais citada nas redes sociais do Brasil, com um aumento de 100% nas menções graças às campanhas para o Dia Internacional da Mulher, SuperBowl e Lollapalooza. Outras marcas, tanto nacionais quanto internacionais, que apresentaram bom desempenho foram Stella Artois, Corona, Original e Serramalte”, acrescenta a Ambev.

Com as suas marcas premium, a Ambev parece ter adotado uma estratégia clara: associar rótulos como Stella Artois, Corona e Budweiser a grandes eventos e ações relevantes, além da busca por experiências “únicas” para os seus consumidores.  

“A Stella Artois manteve crescimento no primeiro trimestre, com a expansão de novas embalagens, como a garrafa de 550 ml e a versão em lata, e a realização de eventos como o Villa Stella Artois, no Rio de Janeiro”, afirma a Ambev, destacando em seguida a forte ligação da Corona com a natureza, seja pelo apoio a um esporte associado a ela, o surfe, seja por ações ambientais.

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“A Corona mais que dobrou seus volumes, nos dois trimestres consecutivos. A marca anunciou parceria com a “Parley for the Ocean”, que inclui ações de conscientização e limpeza em 20 praias do Brasil em 2019, com o campeão mundial de surfe Gabriel Medina. No segundo trimestre, a Corona também protagonizou uma das mais bem-sucedidas campanhas da Ambev em 2019: a Listen to the Ocean, cujo objetivo era chamar a atenção para os problemas ambientais causados pelo despejo de plástico nos oceanos”, diz.  

A Budweiser, por sua vez, se associou de maneira bem-sucedida a alguns dos principais eventos esportivos do primeiro semestre. “A Budweiser manteve sua estratégia de oferecer experiências aos consumidores, com a NBA House, que transmitiu as finais do campeonato da liga norte-americana de basquete, e o Bud Basement, que voltou para a Copa América 2019, após sucesso obtido na Copa do Mundo de 2018”, explica a multinacional.

O desempenho das marcas tradicionais
Ações de marketing envolvendo suas marcas tradicionais, segundo a Ambev, também tiveram bom desempenho e foram importantes para consolidar os números favoráveis. A Brahma, por exemplo, fez parte das apostas da cervejaria em eventos de entretenimento, musicais e esportivos.

“O destaque da Brahma no segundo trimestre, por sua vez, foi o lançamento do reality show ‘O Próximo Número Um’, produzido para redes sociais em parceria com o Villa Mix Festival. O programa já é o maior reality show para redes sociais produzido no Brasil, com mais de 157 milhões de visualizações. A marca também estrelou uma nova campanha para a Copa do Mundo Feminina, com a jogadora Marta, e patrocinou a Copa América 2019”, detalha.

Além disso, a Ambev destacou o crescimento da “família” Skol como um êxito do primeiro semestre. “Outra frente em que a cervejaria tem apostado é a ampliação das famílias de produtos. A Skol, por exemplo, cresceu nos últimos três anos e agora conta com as versões Skol, Skol Hops e Skol Puro Malte. Assim, há opções para diferentes ocasiões de consumo.”

Os investimentos da Ambev
A empresa também ressalta que seus investimentos em tecnologia foram importantes para consolidar os bons números. “A Ambev é reconhecidamente inovadora, sempre com foco em utilizar novas tecnologias para manter o padrão de excelência e qualidade no processo produtivo”, aponta a cervejaria, para em seguida acrescentar.

“Tendências como inteligência artificial, automação e digitalização industrial são o caminho para qualquer empresa se manter competitiva em um mercado globalizado e dinâmico. Essas tecnologias permitem que a tomada de decisão seja mais assertiva e rápida e, portanto, fazem parte das apostas da Ambev para continuar inovando e aperfeiçoando seus processos”, comenta.

Para continuar em crescimento, a Ambev prometeu realizar investimento de R$ 2 bilhões no mercado brasileiro na produção de cervejas premium e puro malte, além de inovações. E tratou o anúncio da construção de uma fábrica de latas no interior de Minas Gerais como a primeira ação concreta nesse sentido.

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“A unidade estará localizada em Sete Lagoas (MG), ao lado de uma cervejaria já existente no município. A fábrica vai receber aporte de R$ 700 milhões, ao longo dos próximos três anos, e a previsão é que seja concluída até 2020. Esta é uma parcela do investimento de R$ 2 bilhões anunciado pela cervejaria, que já está sendo posto em prática”, informa a multinacional.

Puro malte e diversificação
A Ambev também tem apostado recentemente em rótulos puro malte, especialmente com novidades envolvendo as marcas Skol e Brahma Extra. A multinacional, porém, destaca que isso não significa uma priorização desse tipo de cerveja e acredita que há espaço no mercado para rótulos com diferentes sabores.

“A Ambev entende que, atualmente, os consumidores buscam variedade, para ter experiências com diferentes líquidos, em ocasiões distintas. Dessa forma, eles possuem suas marcas favoritas para o dia a dia, para a noite, para shows, praia, churrasco e assim por diante. Isso é um reflexo de como o mercado evoluiu ao longo dos anos, tornando-se mais complexo e amplo”, avalia a cervejaria.

Para atender a essas demandas, a Ambev detalha que aposta em um portfólio robusto, cujo objetivo é oferecer opções para os mais diversos gostos, perfis de consumidores e ocasiões de consumo. “A Brahma, por exemplo, possui sete variedades de líquido, o que permitiu crescimento acima da média da indústria no primeiro trimestre do ano”, aponta a empresa, reforçando sua aposta na diversidade.

“A estratégia de diversificar, dessa forma, se mostra acertada, porque confere ao consumidor mais opções de compra. Estamos muito bem posicionados neste aspecto, o que permite continuar colhendo bons resultados com todas as nossas marcas. Temos convicção de que há mercado para as cervejas puro malte e para todas as outras que hoje compõem nosso portfólio. Acreditamos na diversidade e na diversificação”, acrescenta.

A aposta na diversificação também se deu em iniciativas regionais no Nordeste, com o lançamento de um rótulo no Ceará, a Legítima. “No segundo trimestre de 2019, a Cervejaria Ambev lançou a Legítima, que será vendida no Ceará. Assim como a Nossa (Pernambuco) e a Magnífica (Maranhão), a Legítima é produzida com mandioca plantada por famílias de pequenos agricultores locais, fomentando a economia regional ao mesmo tempo em que oferece uma opção barata e de qualidade para os consumidores”.

A visão sobre o mercado de artesanais
Tendo realizado suas primeiras ações de impacto no setor de artesanais em 2016, quando adquiriu a Colorado e a Wäls, duas das mais renomadas marcas do segmento, a Ambev ainda enxerga esse mercado como incipiente, embora destaque o seu peso para a consolidação cultural da cerveja.

“A Ambev acredita que as cervejas artesanais ajudam no fortalecimento do mercado como um todo, fomentando a cultura cervejeira no país. Tanto é assim que a empresa entrou nesse segmento em 2016, com a aquisição das cervejarias Colorado e Wäls. Mas é importante dizer que a participação das artesanais ainda é pequena: cerca de 1% do mercado total brasileiro. Esperamos que ela cresça nos próximos anos – e estaremos preparados para ocupar um espaço de protagonismo”, diz.

A empresa também garante que tem trabalhado para fomentar o setor. “Em abril deste ano, a Ambev anunciou que abriria suas portas para cervejeiros ciganos – aqueles que não possuem estrutura própria. Trata-se da primeira ação do tipo, por parte de uma cervejaria brasileira de grande porte. A iniciativa acontece na primeira cervejaria do Brasil, a Bohemia, localizada em Petrópolis (RJ) – que também abriga o 1º Museu de Cerveja da América Latina”, afirma a empresa, antes de acrescentar.

“Além do simbolismo, a cervejaria possui equipamentos de ponta e toda estrutura necessária para produzir os mais variados tipos de receitas e rótulos. Além da produção, a Ambev oferece suporte para embalagens, distribuição e, até mesmo, direcionamentos para a participação em eventos relevantes do mercado cervejeiro. Os cervejeiros ciganos também contarão com a Nano Cervejaria da Bohemia, uma estrutura completa para a produção de 250 litros de cerveja, para testar e desenvolver receitas experimentais em chope”, complementa a Ambev.

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Ao ser questionada pelo Guia sobre como encara a matriz tributária do setor, tema de frequentes críticas por onerar em excesso às microcervejarias e impedir sua consolidação no mercado, a marca não respondeu a pergunta e reforçou que preferia não se posicionar sobre o assunto.

5 novidades e 124 expositores confirmados no Mondial de la Bière Rio

A sétima edição do Mondial de la Bière Rio será realizada ente 4 e 8 de setembro nos armazéns 2, 3 e 4 do Píer Mauá com diversas atrações que vão ocupar os 17 mil quadrados do espaço, como centenas de expositores e suas cervejas artesanais, foodtrucks e o concurso MBeer Contest Brazil, que anunciará seus vencedores logo no primeiro dia do evento.

Festival internacional de cervejas artesanais, o Mondial apresentará nesta versão carioca cinco grandes novidades. São elas: o Mondial Craft Village, o Rio com Cerveja, o Mondial Club, o Circuito Mondial de Bares e o portal Cervejar.com.

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O festival terá uma área denominada Mondial Craft Village que contará com outros produtos artesanais além da cerveja, como destilados, kombucha, café e queijos. O Rio com Cerveja será o resultado da parceria entre o festival e o portal RIOetc, que celebrará a cultura cervejeira e o Rio através de um concurso fotográfico.

Resultado do sucesso das edições anteriores, o Mondial Club será lançado com a intenção de unir e fidelizar parceiros e visitantes ao longo de todo o ano.

O Cervejar.com será um portal de conteúdo e relacionamento com o objetivo de falar diretamente com o consumidor, permitindo seu acesso às melhores marcas cervejeiras do mundo e rótulos com orientações de especialistas para que o consumidor faça suas melhores escolhas. Já o Circuito Mondial de Bares é composto pela rede de dez bares onde podem ser encontrados os ingressos para o evento.

Além disso, os palcos Mondial e Brewhood contarão com atrações musicais durante o Mondial, que terá a presença do estúdio de tatuagem Lady Luck.

Para informações sobre o site, acesse o site do evento: https://www.mondialdelabiererio.com/. E confira, por galpão, a relação de expositores do Mondial de la Bière Rio.

IPA Day mostra variedade e qualidade aos amantes do lúpulo em São Paulo

A primeira edição do IPA Day na cidade de São Paulo aconteceu no último sábado na Cervejaria Tarantino. O evento foi marcado pela variedade e qualidade das cervejas presentes. O público de 900 pessoas consumiu 3 mil litros da bebida, se deliciou com as ótimas opções de comida e assistiu a artistas de rua em ótimas performances.

“Foi sucesso absoluto. Além de muita cerveja boa, conseguimos harmonizar cada detalhe do IPA Day São Paulo com a pegada urbana e multicultural da capital. Os artistas que tocam nas calçadas e metrôs da cidade e o ambiente da Tarantino contribuíram muito para isso”, conta Rafael Moschetta, um dos idealizadores do festival.

O IPA Day é um dos mais tradicionais e conhecidos festivais brasileiros de cervejas, que acontece desde 2012 na cidade de Ribeirão Preto, idealizado pelos cervejeiros Rafael Moschetta e João Becker. Com a criação do International IPA Day nos Estados Unidos, eles decidiram comemorar a data com um evento no Brasil. E, hoje, o IPA Day nacional está próximo de se tornar a maior celebração mundial no estilo India Pale Ale.

História
A IPA surgiu na Inglaterra no século XVII. Diz a lenda que os cervejeiros aumentaram a carga de lúpulos e maltes da tradicional Pale Ale que embarcava nos navios para a Índia para que elas chegassem mais conservadas ao destino. Aquela nova cerveja ficou conhecida como India Pale Ale, atualmente carinhosamente chamada apenas de IPA.

O estilo ganhou nova cara nos EUA com a adição de lúpulos norte-americanos, em quantidades bem maiores que na Inglaterra. O fato é que, no Brasil, esse é hoje um dos estilos mais adorados pelo público cervejeiro, tanto que uma festa só com variações de IPA se tornou um grande sucesso.

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E no IPA Day paulistano o que não faltou foi opção. IPA com lúpulos norte-americanos, ingleses, belgas, IPA com fruta, IPA escura, New England IPA e até IPA maturada com cubos de madeira ou em barril de rum.

Os hop lovers (amantes de lúpulos) tiveram uma viagem sensorial muito rica degustando os 25 rótulos que estavam à disposição, de cervejarias brasileiras e alguns feitos em parceria com marcas dos EUA (confira os rótulos abaixo).

Agora a energia do IPA Day se volta para a tradicional festa de Ribeirão Preto que acontecerá dia 16 de novembro. Para informações sobre o IPA Day em Ribeirão, acesse o link: www.sympla.com.br/ipaday2019.

Rótulos do primeiro IPA Day em São Paulo
Cervejaria: Magnolia Brewing e Tarantino / Rótulo: Dick IPA – Fruit IPA com Pitanga
Cervejaria: Doug Odell e Tarantino / Rótulo: Doug IPA – Juicy/New England IPA
Cervejaria: Randy Mosher e Tarantino / Rótulo: Randy IPA – American IPA maturada com cubos de ipê
Cervejaria: Stan Hieronymus e Tarantino / Rótulo: Stan IPA – Belgian IPA
Cervejaria: Stone Brewing. e Tarantino / Rótulo: Greg IPA – Fruit IPA com coco
Cervejaria: Molinarius / Rótulo: Overcitra – Juicy IPA
Cervejaria: Japas Cervejaria / Rótulo: Sumô NE – Double NE IPA
Cervejaria: Brotas Bier / Rótulo: Lado Negro – Black IPA
Cervejaria: Goose Island / Rótulo: Fresh Hop IPA
Cervejaria: Goose Island / Rótulo: English IPA
Cervejaria: Unicorn / Rótulo: Unicorn NEIPA – Juicy IPA
Cervejaria: SP 330 / Rótulo: Californication – American IPA
Cervejaria: Dama Bier / Rótulo: Dama Tupi – Rye IPA
Cervejaria: Rusticana / Rótulo: Mandrová – American IPA
Cervejaria: Dádiva / Rótulo: Dádiva IPA – West Coast IPA
Cervejaria: BR Brew / Rótulo: Sangue No Zóio – Red IPA
Cervejaria: Dogma / Rótulo: Beast – Tripel IPA
Cervejaria: Tarantino / Rótulo: Miracle IPA – American IPA
Cervejaria: Tekoá / Rótulo: Tekoaçú – Session IPA com cupuaçu
Cervejaria: Tribal / Rótulo: Abraçaí IPA – American IPA com rapadura
Cervejaria: Croma Beer / Rótulo: Crossroads – Juicy IPA
Cervejaria: Juan Caloto / Rótulo: Fronteras Peligrosas – Triple IPA
Cervejaria: Trilha / Rótulo: Foggy Comet – Juicy IPA
Cervejaria: Weird Barrel / Rótulo: Naughty GROG – Black IPA envelhecida em barris de rum
Cervejaria: Weird Barrel / Rótulo: Fancy BURP – American IPA

Cervejaria é criticada após “homenagear” ilha devastada por testes nucleares

A obsessão por dar nomes bacanas, provocativos ou que demonstrem a “cultura geral” de seus criadores, mais uma vez, foi longe de mais. Dessa vez o papelão foi da cervejaria texana The Manhattan Project, que batizou seu novo rótulo de Bikini Atoll, uma referência ao Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall, localidade usada para testes nucleares norte-americanos durante a Guerra Fria. A “criatividade” custou críticas da comunidade cervejeira e das autoridades do país.

Entre os anos de 1946 e 1958, nada menos que 23 testes com bombas nucleares foram realizados no atol. Todos os 167 habitantes da localidade foram removidos pelo governo dos EUA para ilhas próximas antes dos testes, com a promessa de voltarem para suas casas posteriormente.

O atol, no entanto, nunca mais foi o mesmo: dentre tantas bombas acionadas no local, a Bravo, usada em 1954, foi a mais potente bomba detonada pelos EUA e a segunda mais forte da história. Ela tinha a força de destruição mil vezes maior do que as bombas que devastaram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

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Os efeitos na geografia e na natureza do local foram trágicos. Os níveis de radiação tornaram tanto o atol como as ilhas mais próximas inabitáveis, ao passo que as famílias foram impedidas de voltar e foram indenizadas pelo governo norte-americano.

Ao longo de décadas, estudos mostraram altos índices de radiação no local, considerado até hoje inapropriado para a habitação, enquanto moradores de outras ilhas do arquipélago também foram diagnosticados com problemas de saúde decorrentes da radiação.

Ideia infeliz
A “homenagem” ou “lembrança” causou desconforto para as autoridades das ilhas Marshall. O secretário de Saúde e Serviços Humanos do país, Jack Niedenthal, escreveu uma carta à diretoria da cervejaria sugerindo que levasse em consideração o sofrimento causado pelos testes.

“Em última instância, é seu produto fazendo piada com uma situação horrível aqui nas ilhas Marshall – uma situação que, eu te garanto, ainda está acontecendo – para fazer dinheiro para a sua companhia. Isso é inaceitável”, escreve ele.

Internautas se juntaram a Niedenthal e criticaram o mau gosto da escolha, que poderia ser interpretada como uma “celebração” aos testes nucleares e não uma ação de conscientização, já que não há referência alguma no material da marca à história e à destruição causadas.

Além de seu próprio nome, The Manhattan Project tem, em seu portfólio, diversos outros rótulos que fazem referências a termos ligados à ciência nuclear, como Plutonium-239 e Particles Collide – mas nenhuma, até então, com referência a locais devastados.

A companhia reagiu às críticas dizendo, via Twitter, que não tem a intenção de fazer piada com a situação, e sim de “chamar atenção para os impactos e implicações dos programas nucleares norte-americanos e para esse momento crucial da história que é sempre deixado de lado”. Em seu comunicado, a cervejaria diz ainda que alguns de seus funcionários chegaram a receber ameaças de morte pelo ocorrido – mas que não vai tirar a cerveja do mercado e nem mais tocará no assunto.

Mas, justiça seja feita, essa não é a primeira homenagem que a localidade recebe. Quatro dias após o primeiro teste no atol, em 1946, o designer francês Louis Réard lançou o traje feminino de banho que popularizou o nome do atol no mundo todo. Em 1999, foi a vez da cultura pop fazer referência ao local no desenho animado Bob Esponja, que se passa no fundo do mar, em uma localidade fictícia chamada de “Fenda do Bikini”.