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5 dicas de kits de presentes com growler para o Dia dos Pais

O uso de growlers já se tornou uma sensação no mercado brasileiro. Além de facilitar o transporte do chope artesanal para ser consumido em casa, o uso do recipiente é uma alternativa sustentável. Afinal, é uma embalagem retornável, o que evita o descarte.

“Incentivar o growler como presente para os parentes e amigos é uma forma de revolucionar o mercado. Com tantas atitudes de consumo sustentável, a cena cervejeira não poderia ficar para trás. Nós queremos que essa cultura se popularize no Brasil, assim como já conquistou o mundo lá fora”, conta Rodrigo Fernandes, CEO da My Growler, uma das empresas que atua na comercialização dessas embalagens no país.

Para estimular a disseminação do growler no ambiente familiar, a My Growler criou alguns kits interessantes para o Dia dos Pais, pensados a partir do perfil específico de seu pai. Confira.

1- O Roqueiro
Se um clássico do rock sempre te faz lembrar do seu pai, segundo a empresa, é porque o Kit Rock’n’Growler #4 tem tudo a ver com ele. O presente acompanha um growler norte-americano (1,89L), uma ecobag e uma embalagem especial. “Nada mais rock’n’roll do que um growler cheio com cerveja de qualidade”, explica a My Growler.

Para pais precavidos

2- O Preparado
Seu pai é daqueles que sempre pensa em tudo antes, como um roteiro de viagem ou as contas da casa? Então, na visão da companhia, é porque ele merece o Kit Rock’n’Growler #6. Além do grand growler (2L), vem também com uma bag térmica para transportar a embalagem com conforto e segurança.

Kit churrasqueiro

3- O Churrasqueiro
Não importa o evento. Se seu pai sempre pensa em churrasco seja diante de uma final de campeonato, de um aniversário ou mesmo de um sábado de sol, a empresa recomenda um combo especial: o Kit Cervejeiro #3, que vem com um growler norte-americano (1,89L), tábua, faca, garfo, ecobag e temperos especiais.

4- O Melhor do Ano
“Ele foi eleito o Pai do Ano? Então, te indicamos o Kit My Keg 5L, com torneira italiana premium”, aponta a My Growler. “Imagina uma forma de consumir a bebida favorita de forma prática, econômica e, ainda, ajudar o meio ambiente? Esse será o melhor amigo do seu pai e da sua família!”

5- O Clássico
E, para o pai que ama cerveja acima de tudo, a empresa recomenda que ele próprio escolha o seu kit. “Temos mais de uma opção para você escolher: Rock’n’Growler, Twenty Seven’s, Pensadores da Cerveja e Cervejeiros. Basta escolher”, finaliza a My Growler.

12 festivais cervejeiros entre agosto e setembro

A cerveja, além de proporcionar experiências extremamente pessoais no momento da degustação, tem como característica o poder de reunir pessoas em torno de uma boa festa. Agosto é o “mês da IPA”, e isso serve de incentivo para que diversos festivais cervejeiros sejam programados. Por isso, o Guia compilou aqui algumas boas atrações que têm a cerveja como destaque entre os meses de agosto e setembro.

Leia também: Dia da IPA – Chef Ronaldo Rossi explica 5 variantes e dá dicas de harmonização

Há desde festivais mais “artesanais”, com foco em degustação (como é o caso do Harmoniza Beer, que acontece em Vitória), e outros que apostam em grandes nomes da música para harmonizar com uma boa cerveja (como faz o Festival Internacional de Cerveja e Cultura, em Belo Horizonte).

Veja as opções, escolha seus festivais cervejeiros a prepare-se!

Festival da Cerveja Artesanal do Vale do Paraíba
O festival está na quarta edição e, nesse ano, terá open chopp com 60 rótulos na sexta (9 de agosto) e mais de 100 rótulos no sábado (10 de agosto) de 20 cervejarias, além de atrações como bandas e DJs, tatuadores e foodtrucks.
Datas: 9 e 10 de agosto
Local: Palácio Sunset, São José dos Campos
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Festival Sul-Americano de Cerveja
O Festival Sul-Americano de Cerveja se propõe a aproximar a experiência brasileira da trajetória dos outros países latino-americanos. O evento tem a presença de mais de 30 cervejarias nacionais e internacionais, food trucks, shows e um encontro de colecionadores cervejeiros.
Data: 10, 11 e 12 de Agosto
Local: FIERGS — Porto Alegre-RS
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Festival Internacional de Cerveja e Cultura 2019
O festival acontece no estádio do Mineirão e pretende, em sua sexta edição, se firmar como o maior de MG. Nesse ano, terá atrações musicais de peso, como Samuel Rosa, Beto Bruno, Ira e Nação Zumbi, e será regado a dezenas de rótulos de cervejarias como Leuven, Vinil, Colder, Verace, Krug e Audaz.
Datas: 10 e 11 e agosto
Local: Estádio Mineirão, Belo Horizonte
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Copa da Cerveja Brasil — Harmoniza Beer
Como parte de uma semana intensa de eventos cervejeiros promovidos pela Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), a segunda edição da “Copa Cerveja Brasil” terá, em paralelo, o Harmoniza Beer. Nele, 30 cervejarias artesanais estarão presentes, com mais de 200 rótulos na pressão e venda de garrafas.
Data: 13 a 15 de Agosto. 
Local: Vitória/ES
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BBQ IPA Bäcker
Em sua quinta edição, o grande churrasco da Bäcker terá open bar com a participação de diversas cervejarias artesanais convidadas, trazendo uma grande variedade de IPAs e suas variações, além de “open food” de cortes especiais de carne. As atrações musicais serão Super Chikan, Lurex, Mandrix, DJ Jaka.
Data: 17 de agosto, das 13h às 19h
Local: Pátio Cervejeiro Bäcker (Rua Santa Rita, 221 – Belo Horizonte)
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Viva la IPA
A IPA é a estrela do evento brasiliense, que terá 40 rótulos do estilo e 25 de outros. Cervejarias como Hocus Pocus, Three Monkeys, Júpiter, Dogma, Bold, Motim, Wonderland e Overhop estão confirmadas. Além disso, vinhos, drinks feitos com cerveja e gin tônica terão espaço. O entretenimento fica por conta de jogos temáticos como beer pong, beer strings, sinuca, futebol de mesa e dardo, além do som da banda Tropicaos. Para comer, lanches, petiscos árabes, hambúrgueres, além de massas e crepes.
Data: 17 de agosto
Local: Galpão 17 (SMAS Área Especial G Conjunto A Lotes 16 e 17- SIA, Brasília – DF)
Mais informações e ingressos

IPA Day
No mês em que o mundo celebra a India Pale Ale, o IPA Day Brasil desembarca em São Paulo pela primeira vez. O evento terá open bar de 25 rótulos de IPA de cervejarias paulistas, como Tarantino, Dogma, Trilha, Tekoá, BR Brew. Diferentemente do que acontece em Ribeirão, as atrações musicais serão artistas de rua, espalhados pelo festival. Em novembro, é a vez de Ribeirão Preto receber a oitava edição do IPA Day Brasil.
São Paulo
Data: 17 de agosto, das 14h às 22h
Local: Cervejaria Tarantino, R. Miguel Nelson Bechara, 316 – São Paulo
Ingressos aqui
Ribeirão Preto
Data: 16 de novembro, 14h às 22h
Local: Quinta Linda Centro de Eventos 
Ingresso aqui

Little Gold
A quarta edição do evento terá a participação de 8 microcervejarias da região de Ourinhos, como Ficus, Eroberung e Brewger. A alimentação fica por conta do “american barbecue” da Scar BBQ, de Assis, e o som fica a cargo das bandas Neurotica, Legião Urbana – Tributo e Coldplayers, além de DJs e tatuadores.
Data: 24 de agosto, das 14h às 22h
Local: Ibis Ourinhos – SP

Hop Fest
Em sua 2°edição em São José do Rio Preto, o Hop Fest vem ganhando corpo e tem como objetivo trazer uma experiência agradável e variada. Dessa vez, contará com mais de 35 rótulos, degustação livre de rótulos das cervejarias Pratinha, Landel, Spartacus, Croma, 5 Elementos e Casamalte, além de atrações  gastronômicas e bandas como The Chambers e Quarta Dose. 
Data: 31 de agosto
Local: Vila Dionisio, São José do Rio Preto
Informações e ingressos aqui

Festival Cervezas de América
Para quem curte uma viagem mais longa, o Festival Copa Cervezas de América estreia nesse ano no Chile, acompanhando um dos mais importantes concursos latinos do setor. Serão mais de 100 torneiras de cervejas premiadas em edições anteriores da Copa. Marcas dos Estados Unidos, Panamá, Costa Rica, Equador, Brasil, Argentina, Uruguai e Chile já contam com representantes no Festival.
Datas: 30 e 31 de agosto
Local: Valparaíso, Chile
Informações e ingressos aqui.

Mondial de la Bière Rio
Tradicional festival criado no Canadá, o Mondial de la Bière chega a sua sexta edição no Rio de Janeiro, reunindo mais de 80 cervejarias, dezenas de distribuidores e importadores de cervejas artesanais e premium. O festival aposta no conceito de “degustação” em copos de vidro com marcações de 100ml e 200ml. Nessa edição, haverá também mais de 15 food trucks, shows e o MBeer Contest Brazil, competição das melhores cervejas expostas.
Data: 4 a 8 de setembro de 2019
Local: Pier Mauá — Armazéns 2, 3 e 4, Rio de Janeiro
Maiores informações aqui 

8º Encontro Cerveja Artesanal
Além de 30 rótulos de cervejas artesanais, o tradicional encontro em São Paulo terá outras bebidas alcoólicas artesanais produzidas no Brasil como cachaça, gin e hidromel. Haverá espaço também para expositores de equipamentos e acessórios, bandas de blues e folk e, em paralelo, acontece o Fogo Festival, evento churrasqueiro comandado pela chef Lisa Torrano.
Data: 14 de setembro
Local: Cervejaria Tarantino, São Paulo
Informações e ingressos aqui

Presidente do Grupo Petrópolis se entrega à Polícia Federal

Alvo da 62ª fase da Operação Lava Jato, o presidente o Grupo Petrópolis, Walter Faria, se entregou à Polícia Federal em Curitiba nesta segunda-feira. Faria estava foragido desde o dia 31 de julho, quando sua prisão foi decretada junto com a de outros cinco executivos da empresa, suspeitos de envolvimento em operações financeiras ilegais no exterior.

Com base em delações da Odebrecht, o Ministério Público Federal do Paraná apura o suposto envolvimento de executivos da empresa detentora de marcas como Itaipava, Petra Ampolis na lavagem de dinheiro desviado pela construtora em contratos públicos da Petrobras.

Segundo as investigações, o presidente do grupo agia como intermediário na troca de dólares por reais, recebendo da Odebrecht por meio de contas de offshores e fazendo o repasse de valores em dinheiro vivo da ordem de R$ 329 milhões entre 2006 e 2014.

Leia também: Lava Jato pede prisão do presidente da Petrópolis; Grupo diz estar colaborando

Cerca de R$ 121 milhões teriam sido destinados ao pagamento de propinas travestidas de doações eleitorais feitas pela construtora. E outros R$ 208 milhões teriam sido repassados em espécie para a Odebrecht.

Em depoimento cedido à Polícia Federal na última sexta-feira, Vanuê Faria, sobrinho de Walter Faria, admitiu que a cervejaria gerou dinheiro em espécie “como um banco” para a Odebrecht, em troca de porcentagens dos pagamentos recebidos no exterior.

Em nota, o Grupo Petrópolis informou que “seus executivos já prestaram anteriormente todos os esclarecimentos sobre o assunto aos órgãos competentes”. A companhia destacou ainda que “sempre esteve e continua à disposição das autoridades para o esclarecimento dos fatos.”

Produção de bebidas alcoólicas encolhe pela 1ª vez e acompanha indústria nacional

Após cinco meses de crescimento em 2019, a produção de bebidas alcoólicas caiu pela primeira vez neste ano. A queda foi de 4,5% em junho, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Acompanhou, assim, o ritmo da produção industrial brasileira, que recuou 0,6% no sexto mês do ano.

Porém, após cair 1,4% em 2018, a fabricação de bebidas alcoólicas continua em alta neste ano, com uma ampliação de 8,2% no acumulado do primeiro semestre. Já o crescimento no período de 12 meses é de 3,1%.

Esse cenário de queda em junho, mas manutenção do crescimento em 2019 se repete na indústria de bebidas em geral. Assim, ainda que tenha caído 5,6% no mês que encerrou o primeiro semestre, os dados são positivos em 5,7% no somatório do ano e de 2% nos últimos 12 meses.

É também, assim, com a produção de bebidas não-alcoólicas. A queda foi de 6,7% na comparação com o mesmo período de 2018. Porém, há elevação de 3% nos seis primeiros meses de 2019 e de 0,8% no acumulado dos últimos 12 meses.

A manutenção de alguns cenários positivos no setor de bebidas não se repete na indústria nacional, que registrou queda de 0,6% no sexto mês de 2019, na comparação com maio. Também há encolhimento de 5,9% em relação a junho de 2019, de 1,6% em 2019 e de 0,8% nos últimos 12 meses.

Entre as 17 atividades que puxaram a produção industrial para baixo, na comparação com maio, estão produtos alimentícios (-2,1%), máquinas e equipamentos (-6,5%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,7%).

“São segmentos importantes que precisam de uma demanda doméstica mais fortalecida e que são diretamente afetados por um mercado de trabalho ainda longe de uma recuperação consistente”, explica André Macedo, gerente da pesquisa.



Lançamentos da Wonderland, da ZEV, da Colorado: As novidades da semana

A semana cervejeira foi repleta de inovações em lançamentos de novos rótulos. A Wonderland Brewery anunciou uma cerveja produzida a partir do processo parti-gyle, a ZEV apresentou três opções de uma Russian Imperial Stout envelhecidos em barris de carvalho e a Colorado decidiu usar a paçoca em mais uma rótulo da sua série Brasil com S. Confira essas e outras novidades selecionadas pelo Guia.

Parti-gyle da Wonderland
A cervejaria artesanal Wonderland Brewery lançará na próxima quarta-feira, no Rio, o seu novo rótulo. Denominado Poacher, é uma Imperial IPA refrescante feita a partir do processo parti-gyle, que produz mais de uma cerveja a partir de um único mosto – em breve, três outros também vão ser lançados. A Poacher possui 8,3% de graduação alcoólica, sendo bastante amarga, com 72 IBUs. A cerveja leva quatro variedades de lúpulo: Amarillo, Simcoe, Centennial e Mosaic, o que resulta, segundo a Wonderland, em notas frutais, herbais e cítricas, além de refrescância. Será oferecida apenas em chope, com tiragem limitada de barris. “Ousadia e criatividade são duas marcas da Wonderland Brewery, por isso estamos tão empolgados em fazer uma cerveja pelo processo de parti-gyle”, festeja Pedro Fraga, um dos fundadores da cervejaria. 

Trio RIS da ZEV
A Cervejaria ZEV, de Suzano (SP), aproveita o inverno para apresentar os seus três primeiros rótulos envelhecidos em barris de carvalho. Eles têm uma base de Russian Imperial Stout, com 11% de teor alcoólico, e ficaram durante oito meses na cave subterrânea da cervejaria, sendo envelhecida em três barricas diferentes: carvalho francês que continha Bourbon, carvalho norte-americano que continha cachaça e carvalho norte-americano que continha uísque. “A nossa RIS está bem porrada, old school, com perfil sensorial bem definido e que absorveu as características da madeira e das bebidas que foram armazenadas anteriormente”, define Mikhail Ganizev, sócio proprietário da cervejaria.

Growler da Maniacs
A cervejaria de Curitiba passou a vender os seus chopes em growlers recicláveis feitos de pet e de 1 litro. Inicialmente serão comercializadas Maniacs IPA, Belgian Wit, Craft Lager e Mad Maniacs. Por se tratar de um produto fresco e não pasteurizado, ele precisa estar sempre refrigerado para não ter sua qualidade comprometida. Preservando o chope em condições ideais, sua validade é de 30 dias.

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Paçoca da Colorado
No seu quinto rótulo da linha “Brasil com S”, a cervejaria Colorado incorpora a paçoca em sua receita. A edição 05 é uma English IPA, com 5,7% de teor alcoólico e 45 IBUs. Com coloração cobre, ela apresenta uma turbidez em sua aparência por não passar pelo processo de filtração, algo característico em diversos estilos. Com edição limitada, o novo rótulo será vendido em chope, nos Bares do Urso e na Toca do Urso, e em garrafa, no site do Empório da Cerveja, no Bar do Urso e na Toca do Urso.

Aniversário da Nacional
A paulistana Cervejaria Nacional comemora o seu oitavo aniversário com o lançamento, na próxima terça-feira, de uma nova campanha institucional. A criação é da agência Brancozulu e as entrevistas foram gravadas pelas produtoras Atrás da Moita e DGT Filmes. “Ser a primeira fábrica bar de São Paulo é um grande marco. Nosso objetivo é relembrar, sob a visão daqueles que acompanharam essa história, a importância da Cervejaria Nacional no mercado cervejeiro”, conta Glauco Ciasca, sócio e diretor de criação e estratégia da Brancozulu.

Ação da Corona
Em parceria com a ONG Parley for the Oceans, a Corona realiza mais uma ação do seu projeto contra a poluição marinha pelo plástico: um desafio chamado “Livre de Plástico” para encontrar alternativas ao material. Nesse desafio, start ups, empresas e pessoas físicas acima de 18 anos poderão inscrever, até a próxima quarta-feira, inovações que tragam soluções ao uso do plástico descartável. Os cinco melhores serão convidados para se apresentarem a uma banca de avaliação, no dia 14, que irá considerar pontos como originalidade e impacto real que a novidade vai gerar ao meio-ambiente para escolher o grande vencedor, que receberá um aporte de R$ 20 mil. O projeto da Corona se baseia em três grandes pilares: evitar o uso de plásticos; interceptar e recolher esses materiais nas praias; e recriar as maneiras, os materiais e o pensamento por trás do plástico, pilar principal utilizado nessa nova ação da marca.

A poetisa e a grumixama: A sutil união entre uma cerveja e a 1ª grande escritora brasileira

“A primeira grande poeta mulher de nossa literatura.” A definição da importância de Cecília Meireles, realizada por Leila V.B. Gouvea, doutora e pós-doutora em Literatura pela USP, denota o peso da autora e reforça a importância de uma efeméride completada em 2019: os cem anos do lançamento do seu primeiro livro.

“Espectros” surgiu em 1919 pelas mãos de uma jovem Cecília Meirelles. E, cem anos depois, inspirou um rótulo de cerveja que também carrega algum ineditismo. Afinal, ao utilizar o nome do livro em sua Blonde Ale com grumixama, a cervejaria Matisse quebrou uma tradição: se antes só lembrava grandes figuras e obras das artes plásticas nos seus rótulos, voltou-se agora para umas das principais escritoras da literatura nacional.

Simplesmente por ser a estreia de uma das principais autoras brasileiras, Espectros já mereceria a lembrança e a referência. Mas o livro não é só a apresentação de Cecília Meireles ao público. Anterior ao modernismo, a obra se destaca também pela precocidade – a autora estava com apenas 18 anos – e por guardar certa similaridade com os versos de Rainer Maria Rilke, um dos maiores poetas da história.

“O livro em questão tem feições pós-simbolistas e parnasianas, algo próximo de Rilke (mas certamente sem a força do poeta checo) e dos simbolistas portugueses, como Camilo Pessanha”, avalia Mariana Carlos Maria Neto, mestre pela USP com a dissertação A falta e o absoluto em Cecília Meireles.

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Apesar da precocidade da autora, Espectros já demonstra carregar como base um grande acervo de leituras, como destaca Leila, ao comentar sobre o livro de 17 sonetos. “Entre elas, as da Bíblia e de autores como o parnasiano francês François Coppée (autor da epígrafe do volume), Beaumarchais e possivelmente Yeats, Nietzsche e Mallarmé, entre outros. Convém lembrar que Cecília Meireles foi uma grande leitora ao longo de toda a vida, e deixou uma biblioteca com cerca de 12 mil volumes, em vários idiomas”, explica.

Além disso, a autora de Cecília em Portugal e Pensamento e “lirismo puro” na poesia de Cecília Meireles também destaca a presença de temas que marcariam a trajetória da autora. “Nos sonetos também nos deparamos com a escolha de certas palavras que se tornariam símbolos recorrentes em sua obra de maturidade, como noite, vento, sombra, nuvem, para citar algumas”, exemplifica Leila.

Mesmo sendo considerado um livro de “juventude”, Espectros carrega traços que evocam a trajetória literária de Cecília Meireles, com referências ao passado, usando a poesia como expressão da continuidade humana, o que a faz citar referências históricas como Cleópatra, Jesus e Joana D’Arc. “Já se vê a enorme inclinação de Cecília para o passado, cuja especificidade é expressada de forma um tanto fantasmagórica e mística, que se transforma no decorrer da carreira literária da autora”, destaca Mariana, ao comentar esse acesso a outros tempos.

A mulher e o Oriente
Essa valorização de grandes figuras históricas, aliás, levou a algumas avaliações de que Cecília, em sua estreia, poderia ter a intenção de exaltar a mulher. “O autor do prefácio de Espectros, Alfredo Gomes, que era professor de Cecília na Escola Normal do Rio de Janeiro, observou que vários sonetos tematizam figuras femininas (Cleópatra, Joana d’Arc, Inês de Castro etc.), o que poderia sugerir o estudo de perfis em uma época e em um ambiente ainda muito restritivos à atuação e à projeção da mulher”, diz a autora de dois livros sobre Cecília.

Também estão presentes referências orientais, como acrescenta Leila. “Um dos sonetos, ‘Brâmane’, que evoca o êxtase estoico de um místico hindu, já prenuncia suas pesquisas de textos literários e filosóficos orientais, que tanto impregnaram seu sentimento do mundo”, diz ela, lembrando ser esse um dos marcos da obra em prosa da escritora.

Espectros, porém, não foi incluído na própria bibliografia por Cecília, que o deixou de fora da sua poesia completa e da sua antologia. E só voltaria a ser editado em 2001, no centenário de seu nascimento. Por isso, não é das obras mais conhecidas da autora, embora carregue o peso de ter sido a sua “estreia”.

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Foi, portanto, o primeiro passo de uma escritora que construiu a sua trajetória na literatura brasileira ao enriquecer o modernismo com lirismo, magia rítmica, sonoridades sugestivas e mistério. “A meu ver, sua obra de maturidade a equipara aos grandes poetas de nosso modernismo, como Carlos Drummond de Andrade ou Manuel Bandeira”, aponta Leila.

O que a coloca como uma das gigantes da literatura brasileira é, portanto, essa “evolução” do modernismo, com a utilização de características simbolistas em sua produção, com uma poesia mais intimista, que trata muitas vezes sobre a passagem do tempo e utiliza a musicalidade. Mas sem ser “alienada”.

“Cecília deseja uma poesia elevada, apartada do cotidiano, envolta em símbolos e ritmos encantatórios. Ela é uma poeta que acredita no poder da tradição literária, mas sem conservadorismos aristocráticos e vazios; há em sua poesia um sentimento de continuidade com o passado”, acrescenta Mariana, especialista na autora de livros consagrados como “Romanceiro da Inconfidência”, “Ou isto ou aquilo” e “Viagem”.

O rótulo
A cerveja Espectros é uma Blonde Ale com grumixama, fruta brasileira que está sob risco de extinção. Ela está sendo vendida pela Matisse em garrafas de 500ml e a sua graduação alcoólica é de 4,9%. Mario Jorge Lima, sócio-fundador da marca, explica o que une o uso da grumixama e o poema Espectros, que abre o livro: o tom sombrio – ligando versos e o risco de extinção da fruta – e a presença de uma árvore como tema.

“Por pura coincidência ou por capricho dos deuses da arte, em frente à janela em que trabalho tem uma árvore de grumixama. O tom sombrio do soneto remete ao sentimento que temos diante de uma espécie ameaçada de extinção e, na última estrofe, à esperança de que possamos cuidar para que a espécie sobreviva”, afirma Mario Jorge, também explicando a razão para utilizar a grumixama na receita.

“A grumixama não está na Espectros somente pelo seu sabor e harmonia com o estilo, mas também pela esperança de resgatar o ingrediente e inspirar outros artesãos do sabor a utilizá-la em suas receitas e, com isso, promover o cultivo dessa fruta conhecida como a ‘Cereja Brasileira'”, acrescenta.

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Outro elo entre o poema e a cerveja, segundo Mario Jorge, está na valorização da simplicidade. “A beleza e o sabor vêm de coisas simples, mas escolhidas com cuidado e combinadas de forma harmônica. É assim em um soneto e também em uma receita de cerveja. A cerveja Espectros é feita de ingredientes simples, assim como Espectros é feito de palavras simples, embora nem todas sejam de uso comum atualmente.”

O fundador da marca explica, também, a opção de deixar por um instante as artes plásticas para valorizar uma escritora. “A arte não se manifesta de forma isolada. Cecilia Meireles também era pintora, embora seja mais conhecida na literatura”, conta Mario Jorge. “A arte é diversa, múltipla, democrática, assim como a cerveja.”

Além de lembrar a coleção de sonetos de Cecília, a Matisse colocou no rótulo um poema de Olavo Bilac dedicado a Antonio Parreiras, pintor que, assim como a cervejaria artesanal, também nasceu em Niterói.


Confira o poema Espectros, que abre a primeira obra de Cecília Meireles:

Nas noites tempestuosas, sobretudo
Quando lá fora o vendaval estronda
E do pélago iroso à voz hedionda
Os céus respondem e estremece tudo,

Do alfarrábio, que esta alma ávida sonda.
Erguendo o olhar; exausto a tanto estudo,
Vejo ante mim, pelo aposento mudo,
Passarem lentos, em morosa ronda,

Da lâmpada à inconstante claridade
(Que ao vento ora esmorece ora se aviva,
Em largas sombras e esplendor de sois),

Silenciosos fantasmas de outra idade,
À sugestão da noite rediviva
– Deuses, demônios, monstros, reis e heróis.

Defronte da janela, em que trabalho,
Nas horas quietas, em que tudo dorme,
Sobranceira e viril, como um carvalho,
Alevanta-se espessa árvore enorme.

O zéfiro em um momento escrepa um galho
À sua barba: e, ou seja que a transforme
O vento ou meu olhar, a árvore enorme,
Erguida ante a janela em que trabalho,

Toma a feição de uma cabeça rude,
Sonolenta e selvática oscilando
Numa estranha, fantástica atitude.

E, posta a contemplá-la, esta alma cuida
Ver sob o azul do céu, diáfano e brando,
A fronte erguer, leonina, o último druida.

Balcão da Maria Bravura: A cerveja na construção do mundo

Balcão da Maria Bravura: A cerveja na construção do mundo

Quase todo mundo aqui concorda que cerveja é boa pra tomar, produzir, pensar, interagir, filosofar, descontrair, discutir, elevar o espírito e se abrir à vida. É material de fartura para pesquisas, viagens, gastronomia, escritos e eventos. Existem pesquisas que apontam também o quanto a cerveja pode ser benéfica para a saúde mental e corporal, se consumida de forma moderada e consciente. O que poucos sabem é o quanto esta bebida tão aclamada foi um grande pilar para a construção deste mundão aqui onde hoje vivemos.

Ela foi protagonista na Revolução Agrícola; motivação para o surgimento da escrita; suporte na construção das pirâmides; salvadora genuína da Europa Medieval; colaboradora na colonização dos EUA; foi ponto de apoio para a Revolução nos EUA; fomentadora da refrigeração; impulsionadora do processo de pasteurização; auxiliadora da medicina moderna e grande incitadora da invenção da indústria moderna. Você pode achar que estou delirando ou inventando coisas, mas a história nos mostra que a cerveja esteve sempre na linha de frente ou nos bastidores do palco da civilização.

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Revolução agrícola
O ser humano pré-histórico abandonou a vida nômade de caçador-coletor quando descobriu a possibilidade de cultivar grãos, desobrigando-se de se locomover constantemente em busca de alimento. Por anos, especialistas afirmaram que a Revolução Agrícola se irrompeu por conta do pão, mas há outra teoria muito bem fundamentada que alega que a produção de cerveja surgiu há mais de 3.000 anos antes da produção do pão. Teria sido a necessidade em produzir pão e cerveja que fixou o homem na terra e o transformou para sempre. O processo de fabricação da cerveja foi descoberto por acaso há aproximadamente 10 mil anos na antiga Mesopotâmia (hoje Iraque). Uma vez que começaram a produzir toda essa comida, não era possível carregá-la no lombo. Surgiu a necessidade de transporte e, assim, vieram as carroças.

Escrita
A título de curiosidade, existem diversos símbolos da cerveja como mercadoria e moeda de troca tanto na Mesopotâmia quanto no Egito antes mesmo do surgimento da escrita e da invenção da roda. Mas, de todas essas invenções, a maior, sem dúvida, foi a escrita. A escrita foi de fundamental importância para a humanidade, a comunicação, o registro da história, dentre outros. Mas ela surgiu por conta da matemática, a qual também apareceu por causa da cerveja. Mais cultivo de grãos = mais fazendas. Isso motivou os povos daquela época a estudar como dividir as fronteiras dos campos, o que os levou à matemática e aos cálculos. Assim, apareceu a contabilidade e, posteriormente, a escrita! Era preciso gravar em algum lugar a produção e a distribuição de commodities. Foi o comércio de cerveja que criou esses registros: símbolos em tábuas de barro que evoluíram para a escrita. A primeira língua escrita surgida no mundo, a cuneiforme, já possuía em seu dicionário 160 palavras relacionadas à palavra “cerveja”. O hieróglifo que significa ‘comida’ é composto dos símbolos ‘pão’ e ‘cerveja’.

Pirâmides
Em 3.000 A.C. a civilização já estava a todo vapor, graças à cerveja. Das civilizações antigas a egípcia é a maior e ela provavelmente não existiria se não fosse a cerveja. Até mesmo os faraós escolhiam quantos jarros de cerveja gostariam de receber na outra vida e isso ficava grafado em sua tumba. Não existia ninguém no Egito que não pudesse consumir cerveja e até mesmo os trabalhadores das pirâmides foram pagos com ela. Para eles, cerveja era dinheiro e eles recebiam cerca de 4 L por dia de trabalho. Imagine o quanto de cerveja foi feita para construir a pirâmide de Guiza. A cerveja antiga era fonte vital de nutrição, um de seus alimentos mais básicos e até crianças e estudantes se levantavam pela manhã e tomavam uma cerveja para encarar o dia. Tratavam a cerveja como pão líquido.

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Antibióticos
A cerveja foi usada para tratar de muitas enfermidades. Em ossos mumificados, detectou-se traços de tetraciclina, uma droga moderna em ossos de 3.000 anos de idade. Essa substância é um antibiótico que só foi oficialmente descoberto em 1928, mas estava tão presente nos ossos das múmias que presumiram que ele era consumido através da dieta dos egípcios. A resposta, após muita pesquisa, é que eles estavam recebendo tetraciclina através da cerveja.  A cerveja ganhou da medicina moderna em 3.000 anos!

Europa Medieval
A vida na Idade Média era miserável e assustadoramente curta. Com os rios contaminados e imundos, a água era considerada mortal na Europa Medieval. Muitas igrejas da época, principais produtoras de cerveja, disseminavam a ideia de que a cerveja seria a bebida mais segura a se consumir. Acreditavam que algum milagre divino transformava a água mortal em um líquido purificado, porém era a brassagem que removia os microorganismos – as bactérias que faziam as pessoas adoecerem -, tornando a bebida potável. A cerveja salvou milhões de vida na Europa Medieval e até o século XVI cada indivíduo consumia 300 L por ano – cada homem, mulher e criança. Isso é 6 vezes mais do que bebemos hoje!

Colonização dos EUA
Dizem que a América foi construída pela cerveja, a qual é considerada parte de uma história secreta dos EUA. George Washington, Thomas Jefferson e Sam Adams, todos eram cervejeiros. Benjamin Franklin dizia que “cerveja é a prova de que Deus nos ama e nos quer ver felizes”. Sem cerveja, talvez os colonizadores não teriam chegado a bordo do Mayflower, pois a água estragava no barco, enquanto a cerveja não. Foi a cerveja que manteve os colonizadores vivos durante a viagem e não só os hidratou como determinou o local da colônia fundadora: ao invés de atracarem em Virgínia, desembarcaram em Plymouth porque ficaram sem cerveja.

Revolução nos EUA
A cerveja estabeleceu uma rede de comunicação extraordinária. Antes do Orkut, Google, Twitter, Facebook, veio a Taverna, que era o centro de comércio e de distribuição da comunicação; o lugar onde se passavam as informações e onde as atividades revolucionárias eram discutidas, debatidas, conspiradas e planejadas. Foram as Tavernas que, com suas cervejas, inspiraram um dos grandes eventos da história da humanidade: a luta dos “filhos da liberdade” contra os ingleses – a revolução norte-americana. Não é à toa que o hino nacional dos EUA foi emprestado de uma música sobre cerveja do século XVIII.

Refrigeração
No século XIX o calor fazia com que os alimentos apodrecessem, dentre outras mazelas. Os primeiros sistemas viáveis de refrigeração foram construídos por causa da indústria da cerveja e financiados por ela. Tudo porque nessa época surgiu um estilo novo de cerveja: a Lager, que deveria ser fermentada a frio. Isso proporcionou aos consumidores a apreciação deste tipo de cerveja o ano todo e não só no inverno, quando tinha gelo para os barris; além disso, trouxe à humanidade a possibilidade de armazenar alimentos, manufaturar e armazenar medicamentos e transportar órgãos vivos para transplantes, dentre tantas outras coisas.

Pasteurização
Em 1850, o cientista Louis Pasteur inventou a pasteurização e todos ligam essa descoberta ao leite, mas na verdade Louis estava estudando a cerveja que foi a primeira bebida a ser pasteurizada. Ele começou sua pesquisa tentando responder por que a cerveja às vezes estraga. Descobriu então que cerveja é viva e, com isso, chegou à existência das bactérias, um ser vivo ainda desconhecido até então.

Medicina moderna
Com a descoberta das bactérias, Louis se fez outra pergunta: se bactérias estragam cervejas, podem adoecer pessoas? E foi por conta da cerveja que foi construída a teoria dos germes, a base da medicina moderna. Antes disso, ninguém lavava as mãos, nem mesmo os médicos! Foi por isso que surgiram as vacinas que erradicaram tantas doenças.

Indústria moderna
Século XXI e a produção em massa traz um alto padrão de vida à população. Tudo graças às fábricas. Todos pensam que elas foram inventadas por Henry Ford e seus carros. Mas existe a teoria de que não foram os carros que fomentaram a indústria moderna, e sim a cerveja. A indústria cervejeira se deparava com a necessidade de automatizar suas linhas de produção, criando uma máquina que fazia garrafas de cerveja em 1904, dez anos antes de Henry fabricar seu primeiro carro, transformando o cenário econômico para sempre. A produção de cerveja foi um fator crítico no desenvolvimento da economia, foi a grande pioneira na criação da troca, comércio, bancos, finanças; ou seja, o capitalismo moderno surgiu por conta da cerveja.

Impressionante, não? Então, antes de tomar sua cerveja, agradeça a ela e à ousadia de todos os cervejeiros (as) por terem preservado, transmitido e valorizado um dos personagens principais da história da humanidade! Não deixe de assistir “Como a Cerveja Salvou o Mundo”, no Youtube.

Um brinde à liberdade, ao respeito e aos direitos conquistados! Saúde!


Fernanda Pernitza é fundadora e sócia-proprietária da Maria Bravura Cervejas Especiais, beer sommelier e psicóloga

Copa Cerveja Brasil se consolida com ampliação de 65% das inscrições

Criada para se tornar um marco das artesanais brasileiras, a Copa Cerveja Brasil teve sua primeira edição realizada em outubro de 2018, em Brasília. E, no que depender das inscrições para este ano, já é possível dizer que o concurso exclusivo para marcas independentes realizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) está consolidado.

A edição de 2019, que ocorrerá em Vitória (ES) e terá seus resultados divulgados em 16 de agosto, contou com a inscrição de 282 cervejarias, um expressivo crescimento de 64,9% na comparação com o ano anterior.

Foram, ainda, registradas 750 amostras, número 27,11% superior. Destaque também para o número de estados representados por essas marcas – 20. Ao todo, segundo complementa a Abracerva, a Copa Cerveja Brasil avaliará mais de 120 estilos, a maior parte deles de IPA.

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“É importante que o mercado cervejeiro cresça não só na quantidade de fábricas em atuação, mas também na qualidade das suas bebidas. Entendemos que incentivar a participação das marcas nestas competições é fundamental para isso. Ficamos felizes com o resultado das inscrições deste ano”, celebra Carlo Lapolli, presidente da Abracerva.

Na edição de 2018, a microcervejaria do ano foi a Bierbaum, de Treze Tílias (SC). Entre as marcas ciganas, com produção terceirizada, o destaque foi para a Mantrap, de Belo Horizonte (MG).  E o brewpub 3 Orelhas, de Gonçalves (MG), foi o considerado o melhor do Brasil.

ExpoBrew
Simultaneamente à realização do concurso, a capital do Espírito Santo receberá o ExpoBrew, que ocorrerá nos dias 15 e 16 de agosto no Parque de Exposições Floriano Varejão, em Vitória (ES). Nele haverá o Harmoniza Beer, um festival com a presença de 30 cervejarias artesanais e mais de 200 rótulos.

Uma feira de fornecedores do setor também está confirmada, além de palestras técnicas para aprimorar conhecimentos e discutir os principais desafios do segmento. Toda a programação pode ser conferida em http://bit.ly/programacao_expobrew.

Dia da IPA: Chef Ronaldo Rossi explica 5 variantes e dá dicas de harmonização

Já está virando tradição entre os cervejeiros esperar pela primeira quinta-feira do mês de agosto para abrir uma garrafa ou lata para celebrar o Dia Internacional da IPA. De origem inglesa e popularizado nos Estados Unidos, o estilo é hoje a principal “porta de entrada” do consumidor brasileiro para o mundo das artesanais.

Segundo explica Ronaldo Rossi, chef, especialista em harmonização com cervejas e proprietário da Cervejoteca, loja icônica localizada na Vila Mariana, em São Paulo, o estilo começou a ganhar espaço no Brasil na década de 1990, justamente por se colocar como antítese ao que o senso comum definia como cerveja naquele momento.

“Na abertura de mercado nos anos 1990, o brasileiro conheceu a versão norte-americana do mundo: a culinária japonesa de Nova Iorque, os restaurantes italianos de lá e, quando falamos em cerveja, o que encontramos foi o que o norte-americano entende por cerveja”, afirma ele, sobre a origem da influência cervejeira no país.

chef ronaldo Rossi
Chef Ronaldo Rossi

As IPAs, então, trazem um caráter mais intenso, uma força que antes não era vista nas cervejas comerciais brasileiras. “Com ela, você pode estar se rebelando contra as cervejinhas populares, mais aguadas e sem graça, com uma cerveja cheia de personalidade, amargor, aromas cítricos, de frutas tropicais”, avalia Rossi.

Dessa maneira, o estilo enriquece o cenário nacional, fazendo o consumidor perceber novas nuances e características possíveis nas cervejas.

Com a ajuda de Rossi, um dos mais renomados especialistas cervejeiros do país, o Guia traz um pequeno roteiro prático para entender as principais variações da “família IPA”, que a cada ano está maior. Confira e aproveite o Dia da IPA.

English IPA
É a mais antiga das IPAs. Remonta ao século 18, quando ingleses colonizadores da Índia passaram a usar mais lúpulo nas cervejas enviadas à Ásia por conta de suas características conservantes. Trata-se da variação como maior equilíbrio de amargor e doçura residual. “Os maltes ingleses são voltados principalmente para o caramelo, que não deixa a cerveja ser extremamente seca, portanto ela tem um final adocicado. Tem um amargor não tão intenso, mas de persistência mais longa”, avalia Rossi. Como os aromas são menos ricos e exuberantes do que os das American IPA, a English IPA é mais fácil de beber. Vai muito bem com carne de porco, e a sugestão de Rossi é combiná-la com pernil assado.

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American IPA
Quando o estilo chegou e se estabeleceu nos Estados Unidos, os norte-americanos destacaram muito a proposta do uso do lúpulo para trazer mais riqueza de aroma e sabor, dando novos significados ao universo da IPA. Baseada no conceito inglês, a cerveja foi ficando cada vez mais clara e amarga. “O processo de dry hopping é intenso, os sabores do lúpulo são apresentados, mas sempre com o amargor como principal destaque”, diz Rossi. As American IPA têm, ainda, uma base menor de malte. “A maior parte delas não valoriza os ésteres vindos da fermentação”, explica. É muito marcante o uso do lúpulo em flor, o que não acontece com frequência no Brasil. O exemplo clássico é a West Coast, resinosa, com final totalmente seco e, a partir dela, desenvolvem-se as demais variantes. Um prato de frango com laranja pode ser uma boa combinação para os aromas cítricos do estilo.

Imperial IPA
Segue um padrão muito mais próximo das receitas inglesas antigas, com um pouco mais de malte caramelo, de doçura residual e menos amargor no primeiro plano. “Tem muita força de álcool, de amargor e de doçura. Na boca, se a doçura estiver bem equilibrada, o retrogosto e amargor final serão mais intensos”, avalia Rossi. Por trazer essa camada extra de sabor residual de caramelo, consegue interações muito boas com hambúrgueres.

Session IPA
Assim como outras Session em qualquer estilo, a Session IPA é uma cerveja leve, que permite o consumo em maiores quantidades, pois é menos alcoólica e fica na faixa de 4,8%. “Mesmo assim, ela conserva características originais da cerveja. O álcool é mais baixo, mas tem a mesma intensidade de aroma e de sabor, mesma carga residual de amargor e doçura”, afirma o chef. “É muito mais fácil destacar na boca o amargor de uma Session do que de uma Imperial IPA, porque ela não vai trazer quase nunca o residual de doçura.”

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Juicy IPA
A Juicy, Hazy ou New England IPA é mais recente das variantes. Foi desenvolvida por John Kimmich, da cervejaria The Alchemist Brewery, do estado norte-americano de Vermont, e se tornou referência no uso do lúpulo com o objetivo de explorar todo o sabor que ele pode proporcionar. Seu corpo também difere das variantes mais tradicionais: em suas primeiras aparições no Brasil, lembra Rossi, a Juicy chamava a atenção por sua opacidade. “Remete até a um suco de frutas”, afirma ele. “Aqui no Brasil, hoje há uma grande variedade de rótulos em que quase não se nota no final o amargor intenso do lúpulo, apesar dos volumes grandes envolvidos (até 30g/l), mas trazem os sabores de frutas tropicais e de frutas.” A sugestão é de harmonização com bolinho de bacalhau, combinação fácil de ser feita, segundo Rossi.

Dia da IPA: Goose oferece imersão sensorial para explicar mistérios do lúpulo

Marca tradicionalmente ligada à cultuada India Pale Ale (IPA), a Goose Island fez uma interessante iniciativa para esta quinta-feira, data em que se celebra o Dia Internacional da IPA: oferecer uma experiência sensorial para que o consumidor “desvende todos os mistérios do lúpulo”, planta responsável pelo característico amargor do estilo.

A experiência ocorrerá na Brewhouse da marca, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. E o primeiro sentido a ser “provocado” será a visão: quem observar a fachada verá um painel confeccionado pelo artista Rafael Highraff (na foto).

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O desenho conta com as cores laranja e amarela, que representam a cerveja, e verde, para celebrar o lúpulo. O grafite traz, ainda, inspiração do rótulo especial desenvolvido pela Goose especialmente para o IPA Day.

Depois do consumidor ter a visão estimulada, será a vez do olfato. Isto porque a marca espalhou o cheiro do lúpulo na parte externa do bar, o que trará uma percepção nova para quem estiver na região do Largo da Batata.

Em seguida, para completar a experiência, será a vez do paladar. Ou, de apreciar a Fresh Hop IPA, a cerveja feita exclusivamente para celebrar a data. Trata-se de uma Wet Hop IPA, com 5,5% de teor alcoólico e 40 IBUs. Com um detalhe: é feita com lúpulos frescos de Taguaí, cidade do interior de São Paulo. Os ingredientes foram adicionados à receita menos de 24h após sua colheita, mantendo a receita fiel ao estilo.

“O processo de produção de cerveja sempre desperta muita curiosidade nas pessoas, principalmente por conta de seus ingredientes. O lúpulo é o elemento principal de uma IPA. E se tem um estilo que a gente entende muito bem, é justamente esse. Muitos já ouviram falar sobre o lúpulo, mas poucos conhecem suas principais características. Resolvemos mostrar algumas delas, como o cheiro, o aspecto visual”, explica Thiago Leitão, gerente de marketing de Goose Island.

Quem for à Brewhouse nesta quinta-feira para a experiência sensorial degustará o lançamento de graça, das 16h às 19h. As latas pertencem a um lote exclusivo de apenas 1.000 unidades.

Outras ações
A experiência sensorial, contudo, não será a única para o Dia da IPA. A Goose Island preparou outras ações, como participar nesta quinta-feira de uma atividade exclusiva guiada pela cervejeira Marina Pascholati e o mestre-cervejeiro Guilherme Hoffmann. 

Com degustação da Midway Session IPA, da Goose IPA, da IPA Day Citra, da IPA Day Sabro e da Fresh Hop IPA, os dois profissionais explicarão tudo sobre o estilo, a data comemorativa e outras curiosidades sobre a cerveja (compre aqui os ingressos).

Entre 1º e 11 de agosto, por sua vez, quem for ao local poderá pedir uma régua especial para degustar os principais rótulos de IPA de Goose Island, com a Midway Session IPA, a Goose IPA, a IPA Day Citra e a IPA Day Sabro.