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Vendas fracas derrubam balanço da Ambev; Consultorias preveem fim de ano difícil

balanço da ambev
Após divulgação do balanço, ações da Ambev despencaram 8,29% e lideraram ranking de perdas do Ibovespa

O balanço da Ambev foi negativo no terceiro trimestre do ano. A companhia registrou lucro líquido de R$ 2,498 bilhões de julho a setembro, resultado 11,6% inferior ao do mesmo período de 2018, quando foi de R$ 2,824 bilhões, de acordo com o balanço divulgado na última sexta-feira. Já o lucro líquido ajustado da fabricante de bebidas foi de R$ 2,441 bilhões, uma queda de 15,8% no comparativo anual.

Esse resultado ruim teve impacto direto no primeiro pregão da Bolsa de Valores de São Paulo após a divulgação do balanço, na sexta, quando as ações ON da Ambev despencaram 8,29%, liderando o ranking de perdas do Ibovespa.

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A própria Ambev classificou como “moderado” o desempenho no terceiro trimestre de 2019, apontando que ele refletiu impactos do ajuste de preços promovido pela empresa, que foi potencializado por descontos realizados pela concorrência e por um ambiente macroeconômico desafiador.

Além disso, a companhia apontou que alguns desafios enfrentados no último trimestre permanecerão até o final de 2019, podendo inibir a capacidade de acelerar o crescimento do Ebitda  (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no Brasil.

Neste balanço, o Ebitda ajustado da Ambev foi de R$ 4,41 bilhões no terceiro trimestre, 4% abaixo do registrado no mesmo período de 2018. E isso ocorreu porque os custos continuaram subindo por causa da variação cambial e dos preços mais altos de commodities.

Análise das consultorias
“A Ambev reconheceu sutilmente que este trimestre foi relativamente fraco. Além disso, a empresa afirmou que alguns dos ventos contrários enfrentados neste trimestre devem seguir presentes nos próximos meses, inibindo sua capacidade de acelerar o EBITDA no Brasil durante este último trimestre de 2019”, avalia Betina Roxo, analista de commodities da XP Investimentos.

Além disso, o relatório de analistas do BB Investimentos previu redução de 4% da projeção para o Ebitda de 2020, chegando a R$ 24 bilhões, com o desempenho melhorando a partir de 2021.

“A indústria cervejeira no Brasil enfrenta um cenário desafiador, dado o consumo ainda fraco, que depende de melhorias adicionais nos fatores macroeconômicos, como (i) taxa de desemprego, (ii) renda disponível (iii) crédito e (iv) confiança do consumidor. Percebemos importantes esforços da Ambev para compensar o impacto negativo do ambiente mencionado e os custos mais altos relacionados à variação cambial, commodities e inflação na Argentina”, diz o BB Investimentos.

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Já a receita líquida da Ambev no Brasil atingiu R$ 6,34 bilhões no terceiro trimestre, alta de 2,9% na comparação anual, algo provocado pelo aumento dos preços, de acordo com os analistas. No período, a receita líquida por hectolitro (ROL/hl) subiu 2,9%, enquanto o volume caiu 0,4%, para 23,746 milhões de hectolitros.

Considerando apenas seu portfólio cervejeiro, a receita líquida da Ambev no Brasil foi de R$ 5,314 bilhões, 1,1% acima do reportado um ano antes. O volume vendido recuou 2,8% na base anual, para 17,417 milhões de hectolitros. “Os volumes da América Latina e da América Central superaram nossas estimativas, mas passaram longe de compensar os resultados do Brasil, tanto nos segmentos de cerveja quanto no de bebidas não alcoólicas”, aponta a XP Investimentos.

Preços e custos
E a expectativa para os próximos meses não são nada melhores. “Para o próximo trimestre, permanecemos conservadores em relação aos aumentos no volume de cerveja no Brasil, dado o cenário ainda fraco para o consumo e ambiente competitivo ainda acirrado. Além disso, os custos em níveis mais altos podem continuar  pressionando as margens, em nossa opinião”, afirma o relatório de analistas do BB Investimentos.

Além disso, há pessimismo sobre a possibilidade de elevar o volume de vendas junto com o aumento dos preços. “Continuamos céticos sobre a capacidade da Ambev em retomar aumentos de preços sem sacrificar volumes de vendas”, opinam os analistas do BTG Pactual.

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O Custo dos Produtos Vendidos (CPV) em cervejas no Brasil subiu 23% na comparação com o terceiro trimestre de 2018, enquanto o CPV por hectolitro (CPV/hl) teve alta de 26,5%, ambos excluindo depreciação e amortização.

Já a receita da Ambev com bebidas não-alcoólicas no Brasil cresceu 13,6% ante o terceiro trimestre de 2018, para R$ 1,027 bilhão, com volume 6,5% maior (6,329 milhões de hectolitros) e ROL/hl 6,6% superior.

Os custos também subiram nesta divisão de negócios. O CPV e o CPV/hl, excluindo depreciação e amortização, cresceram 63,8% e 53,7%, respectivamente, devido ao comparativo desfavorável em 2018.

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