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Caso Backer: Morre nona vítima por consumo de cervejas contaminadas

O consumo de cervejas contaminadas da marca Backer resultou em uma nona morte por intoxicação. José Osvaldo de Faria, de 66 anos, faleceu na última quarta-feira, após passar mais de 500 dias internado no Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte.

Faria havia ingerido cervejas da Backer em fevereiro. Ele apresentou sintomas associados à síndrome nefroneural, como dores, paralisia facial, embaçamento ou perda da visão, paralisia motora, entre outros. Então, foi internado no hospital, tendo permanecido em tratamento no local.

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“Está cego, não mexe as pernas, não fala, perdeu os rins, faz diálise todos os dias. Ele está em um estado deplorável”, afirmara a empresária Eliana Reis Faria, esposa de José Osvaldo, em vídeo divulgado dias antes da morte do seu marido pelo consumo de cerveja contaminada da Backer.

O vídeo de Eliana era uma crítica à decisão do desembargador Luciano Pinto, que, um dia antes de se aposentar, em caráter liminar, decretou a redução do bloqueio dos bens dos donos do grupo da cervejaria de R$ 50 milhões para R$ 5 milhões.

No inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais, concluído em junho, os três sócios da empresa foram acusados por estocar, vender e não dar publicidade a um produto contaminado, enquanto seis responsáveis técnicos e o chefe de manutenção da Backer foram denunciados por homicídio culposo, lesão corporal culposa e contaminação de produto alimentício culposa.

A investigação apontou que diversos lotes de diferentes marcas de cerveja produzidas pela Backer foram contaminadas por monoetilenoglicol e o dietilenoglicol, substâncias tóxicas utilizadas em sistemas de refrigeração devido a suas propriedades anticongelantes. Os peritos encontraram vazamentos em equipamentos por onde as substâncias entraram em contato com a cerveja, nos tanques de fermentação.

Além do vazamento principal, outros pequenos pontos foram descobertos na bomba do chiller usado para resfriar o mosto. Segundo a polícia, a contaminação começou a acontecer em setembro de 2019, mesmo mês em que o tanque foi comprado pela Backer e instalado na fábrica.

Inicialmente, ao concluir o inquérito, a Polícia Civil contabilizou 29 vítimas intoxicadas pelas substâncias encontradas na bebida, com sete mortes – uma oitava estava em investigação, sendo posteriormente confirmada. Agora, então, chegou a nove o número de óbitos provocados pelo consumo de rótulos contaminados da fabricante mineira.

Stella Artois lança versão sem glúten com foco na alimentação saudável

Seja por restrições alimentares ou pela dieta adotada, os produtos com glúten estão fora da rotina alimentar de parcela relevante da população brasileira. Com o pensamento voltado para esse público, a Ambev lançou a Stella Artois Sem Glúten, a nova versão da conhecida cerveja belga.

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O rótulo sem a presença da proteína está disponível em pontos de venda no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. A previsão é de que chegue em agosto a São Paulo e até o final do ano nas demais localidades. E também já pode ser adquirido pelo site do Empório da Cerveja.

De acordo com levantamento feito pela Nielsen em 2019, mais de 1/3 dos consumidores de cerveja (34%) levam a saudabilidade em consideração no momento de se alimentar. É esse público que a Ambev espera alcançar com a Stella Artois Sem Glúten.

“Com Stella Artois Sem Glúten queremos democratizar o acesso a uma cerveja sem glúten, trazendo mais gente para os momentos de interação e comemoração – mesmo que atualmente isso só esteja acontecendo virtualmente – e participando de novas experiências na vida das pessoas”, afirma Bruna Buás, diretora de marketing de Stella Artois no Brasil.

Já a escolha por produtos que não tenham glúten em busca de uma dieta mais saudável é a opção de 26% da população brasileira, segundo pesquisa de 2016 da Nielsen. A Stella Artois, então, acredita que há uma tendência de comportamento e consumo a ser alcançado pelo seu rótulo sem glúten.

“Costumamos dizer que Stella é uma marca sofisticadamente simples, porque pensamos nos pequenos detalhes para tornar todo momento especial. O consumidor quer ter cada vez mais opções de escolha e nosso papel é trazer isso, entendendo essas necessidades e criando novas receitas”, acrescenta Bruna.

Além disso, existe uma parcela da população que é intolerante ao glúten: 7% dos brasileiros são celíacos. E, agora, eles podem consumir uma cerveja com álcool. Inclusive, a promessa da Stella Artois é de que o rótulo possui sabor semelhante ao do tradicional, como explica um dos mestres cervejeiros envolvidos na criação do produto.

“Conseguimos chegar a uma versão sem glúten dessa cerveja puro malte por meio da aplicação de uma tecnologia no processo de produção, o que nos ajudou a preservar o sabor e todas as características da versão original de modo que a bebida seja considerada um produto sem glúten de acordo com a legislação brasileira”, conta Alexandre Levy, mestre cervejeiro da Ambev e um dos responsáveis pela inovação.

Premiado sommelier lança clube para geeks e iniciantes; Leitor do Guia tem desconto

Mesmo em meio à pandemia, uma ótima notícia chegou ao mercado: o premiado sommelier Luís Celso Jr., do Bar do Celso, está lançando seu próprio clube de assinatura de cervejas artesanais. Trata-se do Clube BarDoCelso, focado em produtos de alta qualidade e pensado para todos os tipos de cervejeiros, seja o consumidor iniciante nesse mundo, o entusiasta ou o “geek”.

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Para isso, o clube do Celso trabalhará com três categorias distintas: Beer Basics, Beer Hunter e Beer News, cada uma delas composta mensalmente por dois rótulos diferentes (totalizando de 660ml a 1,3 litro de cerveja, conforme as embalagens dos fabricantes) e acesso ilimitado a área de sócios do BarDoCelso.com, que trará conteúdos exclusivos em texto e vídeo. Nesse primeiro momento, a operação será feita apenas na cidade de São Paulo para testes dessa que é considerada a “versão beta” do clube.

“É construindo. E queremos fazer isso junto com nossos clientes, entendendo seus gostos e desejos. Fica aqui o convite para todos participarem”, aponta Celso sobre o clube. “Essa é uma das melhores formas de explorar novas experiências, recebendo novas cervejas todos os meses no conforto do lar. É algo que tanto iniciantes quanto entusiastas ou experts podem curtir, desde que uma boa curadoria seja feita.”

A categoria Beer Basics (R$ 49/mês) trará cervejas indispensáveis, clássicas ou fiéis representantes dos seus estilos – nesse primeiro mês serão a mundialmente famosa Fuller’s London Pride, uma Special Bitter inglesa, e a norte-americana Brooklyn Black Chocolate Stout, uma Russian Imperial Stout. Como brinde pela estreia do projeto, quem assinar em julho leva uma toalha de mão importada da Fuller’s London Pride.

Já a Beer Hunter (R$ 69/mês) apostará em cervejas difíceis de achar, locais ou de pequena distribuição. São “tesouros”, segundo Celso, frutos de caçadas que muitas vezes levam horas de pesquisa, degustações e até viagens. Em julho duas cervejas de Curitiba marcam presença: Ignorus Mutum Cavalo, a American IPA que conquistou o paladar dos paranaenses; e uma cerveja colaborativa e limitada da Joy Project Brewing em parceria com a Ignorus chamada Battle Juicy, uma Double NE IPA.

A Seleção Beer News (R$ 89/mês), por sua vez, é focada em novidades e lançamentos. Para a estreia, também como brinde, serão três cervejas na caixa. As escolhidas são da série Rebellion da Maniacs Brewing, também de Curitiba, todas de estilos belgas e maturadas em barris de madeira: Vielle Garde, uma Saison em barris de carvalho francês que anteriormente continham vinho; Noire, uma Dark Strong Ale em barris de carvalho norte-americano; e Twin Oaks, uma Dubbel maturada parte em barris de carvalho norte-americano e parte em barris de carvalho francês usado para vinho.

Os preços são promocionais, com desconto de R$ 10/mês para cada seleção até o fim do ano. E, para o leitor do Guia, haverá desconto de mais 10% nos três primeiros meses. Basta usar o cupom GUIADACERVEJA até 31/07.

E, para garantir a qualidade das cervejas, um estoque refrigerado foi montado para armazenar os produtos enquanto estiverem esperando o envio. Todas as remessas, aliás, serão enviadas juntas em um mesmo período: os primeiros sete dias do mês. “A ideia aqui é melhorar o frete, ninguém quer gastar dinheiro com isso. Queremos investir em cerveja. Dessa forma conseguimos um preço fixo e acessível para toda a capital de São Paulo. Mais barato que muito delivery”, conta Celso. O frete fixo é de R$ 15.

Serviço
Clube BarDoCelso.com: https://bardocelso.com/clube-bardocelso
Beer Basics: De R$ 59 por R$ 49/mês até dezembro
Beer Hunter: De R$ 79 por R$ 69/mês até dezembro
Beer News: De R$ 99 por R$ 89/mês até dezembro
Cupom de Desconto: GUIADACERVEJA, com 10% nos 3 primeiros meses
E-mail: atendimento@bardocelso.com
Telefone e WhatsApp Business: (11) 2539-1771

Entenda em 8 tópicos como a Covid-19 modificou o consumo cervejeiro

Há cerca de quatro meses, em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que a Covid-19 havia se transformado em uma pandemia, por causa do aumento do número de casos e da disseminação global da doença. No Brasil, os efeitos são sentidos desde então, com mais de 74 mil mortes. O problema sanitário do coronavírus também alterou rotinas e modalidades de negócios, sendo absorvido no ato de consumo de cerveja.

Nas últimas semanas, o Guia preparou uma série de matérias para entender e avaliar o novo cenário advindo da crise. A pandemia do coronavírus levou instantaneamente o consumo para dentro das residências e reforçou a preocupação com os riscos da relação entre saúde mental e uso abusivo do álcool.

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A partir de um certo momento foi possível vislumbrar a volta das atividades, ainda que seja impossível prever quando o setor cervejeiro poderá funcionar sem restrições – e se é que isso acontecerá algum dia, ao menos no curto prazo.

De qualquer forma, tendências começaram a se desenhar. Entre elas, a necessidade de cuidados com a definição dos preços dos rótulos, em função da crise econômica. E, principalmente, a adoção de rigorosas medidas de higiene para minimizar os riscos de propagação da doença e permitir aos bares a reconquista da confiança dos clientes.

Confira, abaixo, em oito tópicos, como se modificou o consumo cervejeiro nesse período da pandemia do coronavírus.

1- Uso da tecnologia pelos clientes
Nunca houve antes uma demanda tão grande das pessoas por encontrar aquilo que precisam de maneira digital, com a explosão das vendas pelo sistema de delivery. Além disso, a tecnologia ajudou no consumo de bebidas – como a cerveja – estimulado pelos encontros online, o substituto possível e responsável para festas e bares.

2- Investimento em tecnologia
Essa demanda dos clientes criou novos desafios para bares, restaurantes e cervejarias. Os estabelecimentos precisaram rever os processos de atendimento, reforçando as iniciativas online, além de adotarem novas tecnologias para minimizar o contato físico quando foi/será possível reabrir as casas.

3- Consumo engajado
Para muitos consumidores, a preferência por comprar de empresas que possuem atuação social, com ações de solidariedade e sustentabilidade, não é algo novo. Mas o número de pessoas que aderiu a marcas com esse engajamento cresceu exponencialmente durante a pandemia.

4- A importância do consumo consciente
A adoção repentina das medidas de isolamento com a chegada do coronavírus reforçou a preocupação sobre como as bebidas alcoólicas podem gerar problemas de saúde e sociais para as pessoas quando consumidas em excesso, especialmente em um período em que o abalo psicológico foi crescente. Assim, ganhou força a ideia de consumo consciente do álcool como o “novo normal”.

5- Volta lenta do consumo
A avaliação de analistas é de que a recuperação do consumo será lenta. Especialistas ouvidos pelo Guia apontaram que a pandemia deixará reflexos no comportamento das pessoas por um período relevante, principalmente relacionados à confiança na economia.

6- Rótulos mais baratos
Para não encolher em um período de recessão e desemprego, as cervejarias, especialmente as artesanais, precisarão ser muito cuidadosas com a política de preços. Afinal, ao não ter certeza sobre a renda e o futuro do mercado de trabalho, o consumidor poupa recursos financeiros. E uma forma de manter o consumo é optar por cervejas mais baratas.

7- Foco na higiene
Ainda que com muitas restrições, bares e restaurantes começam a retomar o funcionamento. E isso se dá com adaptações no atendimento, além da adoção de rígidas normas de higiene, algo que já era recorrente em função da segurança alimentar para evitar a contaminação dos produtos – e agora se tornou preocupação ainda maior.

8- Consumidores receosos
Preocupados com os riscos de contaminação, os consumidores indicam que vão optar por lugares conhecidos, que deixem claro o respeito às medidas sanitárias, sem grandes aglomerações e com espaços abertos no período de volta aos bares.

Cilene Saorin debate equidade em “palestras” na live do Guia

A live desta semana no Guia será especial. Primeiro, porque a convidada é uma das pioneiras do movimento da cerveja artesanal no Brasil, com uma carga de conhecimento riquíssima para compartilhar. Além disso, porque será uma “palestra online”. Sommelier, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil, Cilene Saorin vai ofertar ao público aulas a respeito de um dos assuntos mais urgentes para a sociedade e, consequentemente, para o mercado cervejeiro: a consciência dos valores humanos. E isso em dois dias: na quarta e quinta-feira desta semana.

É com base neles que Cilene Saorin enxerga, nessa fase conturbada que a sociedade e o sistema produtivo atravessam, as verdadeiras possibilidades de negócios justos e sustentáveis. “Somos uma grande fauna como humanidade. Se é muito difícil ser humano e respeitar a diversidade, talvez alguns dados estatísticos possam ajudar a convencer de que não há outro caminho.”, afirma. “A atitude inclusiva e o respeito à pluralidade nos farão aproveitar melhor as oportunidades de negócio, e o êxito pede verdade. Um discurso falso cai por terra e é devastador”.

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Com quase três décadas de experiência no mercado cervejeiro, Cilene Saorin tem graduação em engenharia de alimentos e especialização em marketing, é mestre cervejeira com graduação pela Universidad Politécnica de Madrid e sommelière de cervejas com graduação na Alemanha pela Doemens. Também atuou em pesquisa e desenvolvimento de produtos em diversas cervejarias do Brasil e do mundo.

Sob o título “Um convite à consciência dos valores humanos”, o conteúdo, resultado de anos de estudos a respeito da equidade na sociedade e suas conexões com o cenário e a cultura cervejeira brasileira, Cilene Saorin compartilhará o conteúdo em dois encontros. O primeiro será na quarta-feira, dia 15, e o segundo na quinta, dia 16, em transmissões ao vivo no perfil do Guia no Instagram, tendo mediação da também sommelière Candy Nunes.

Confira a programação da “palestra online”:

UM CONVITE À CONSCIÊNCIA DOS VALORES HUMANOS

PARTE 1: No primeiro encontro, Cilene vai propor um debate que visa trazer à consciência valores humanos e exercitá-los como objetivo de sermos pessoas melhores e uma sociedade melhor. Aprender a coexistir como seres sociáveis que somos, entendendo, respeitando e aceitando as diferenças.
Dia 15/07, às 19 horas

PARTE 2: Na segunda etapa, com a consciência desses valores, a proposta é fazer o exercício de enxergar melhor as inúmeras oportunidades de negócio – incluindo o mercado cervejeiro -, que podem surgir com o olhar humano, generoso à pluralidade e às diversidades.
Dia 16/07, às 19 horas

Marca pioneira na Alemanha desiste das artesanais: “Não precisamos de revolução”

O grupo cervejeiro Radeberger, um dos líderes do mercado alemão e que tem nas Pilsens seu carro-chefe, deu adeus à sua aventura no mundo das artesanais, que era baseada nas “craft beer” norte-americanas. Depois de dez anos, a empresa começa um processo de desligamento das operações de sua subsidiária Braufactum, dedicada a rótulos especiais.

A decisão demonstra a dificuldade de entrada das artesanais no mercado da Alemanha, país sempre associado ao alto consumo de cerveja, mas que parece não ter seu público interessado em trocar a tradição por novidades que possuem maior penetração em outros países, como os Estados Unidos.

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“Alguns cervejeiros artesanais querem reeducar os consumidores à força. Não funciona desse jeito. Aqui na Alemanha, com nossas grandes cervejas, não precisamos de uma revolução das artesanais, como nos EUA”, afirma o diretor da companhia Marc Rauschmann.

“Temos condições completamente diferentes e precisamos encontrar os consumidores onde eles estão, e caminhar todo o percurso com ele, passo-a-passo”, acrescenta Rauschmann.

Lançado em 2010, o projeto do grupo Radeberger foi pioneiro na produção de estilos norte-americanos na Alemanha, sendo seguido por diversas outras cervejarias tradicionais do país, com iniciativas baseadas no modelo da Braufactum.

Em seu histórico, porém, o grupo Radeberger tem uma ligação íntima com o estilo Pilsen. Fundada em 1872, a cervejaria se orgulha de produzir cerveja “sem paralelos” por mais de um século, de acordo com os princípios de seus fundadores – e que soam conflitantes com a cultura da cerveja artesanal ao defender “nunca seguir uma moda ou comprometer nossa tradição”.

A cultura da “craft beer” norte-americana nunca decolou na Alemanha e se limitou a pequenos nichos de consumidores, o que manteve a Braumfactum em um nível de produção relativamente pequeno, de 15 mil hectolitros por ano.

Agora, a empresa chegou à conclusão de que o segmento não vale mais a pena. E a maior parte da estrutura da subsidiária deve ser incorporada a outros setores da Radeberger, como o departamento internacional do grupo.

Preço da cerveja acompanha inflação e tem alta de 0,44% em junho

O preço da cerveja em domicílio teve alta em junho, no terceiro mês completo em que se pôde perceber os efeitos da crise do coronavírus. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação do produto foi de 0,44%, após uma forte queda – de 1,56% – em maio.

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Trata-se de um ritmo semelhante, embora mais acelerado, em relação ao do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou alta de 0,26% em junho.

Este aumento do preço da cerveja no domicílio se inseriu em uma elevação dos preços no setor de alimentação e bebidas, que teve inflação de 0,38% em junho e foi um dos responsáveis pela alta do IPCA no último mês.

“Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete apresentaram alta em junho. O maior impacto (0,08 ponto percentual) veio de Alimentação e bebidas (0,38%), que acelerou em relação ao resultado de maio (0,24%)”, afirmou o IBGE.

“As medidas de isolamento social, que fizeram as pessoas cozinharem mais em casa, por exemplo, ainda estão em vigor em boa parte do país. Isso gera um efeito de demanda e mantém os preços em patamar mais elevado”, acrescentou Pedro Kislanov, gerente do IPCA.

O aumento em junho dos valores da cerveja em domicílio não alterou o cenário de deflação do preço em 2020 do produto, agora em 0,42% no somatório deste último mês com janeiro, fevereiro, março, abril e maio.

Já a cerveja fora do domicílio – um segmento praticamente paralisado em função das medidas de isolamento social – teve deflação irrisória, de 0,07%, em junho. Ainda há aceleração no ano, sendo que agora ela está em 0,81%.

O item outras bebidas alcoólicas no domicílio, por sua vez, teve pequena queda, de 0,06% em junho. Mas continua tendo elevação dos preços em 2020, com alta acumulada de 3,52% nesse período.

Por fim, o preço de outras bebidas alcoólicas fora do domicílio apresentou deflação de 0,88% em maio. Com isso, passou a registrar queda de 1,84% nos preços em 2020.

10 mudanças no segmento de rótulos cervejeiros provocadas pela Covid-19

As medidas de isolamento social não interromperam o consumo de bebidas alcoólicas durante a pandemia do coronavírus, mas modificaram o modo e o local onde esse ato se realiza. Isso trouxe alterações profundas sobre a forma como os clientes passaram a enxergar embalagens – sejam latas, growlers ou garrafas – e rótulos, ao reestruturar a forma de relacionamento com elas.

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A valorização de novas características forçou as cervejarias a investir em diferenciações que chamem a atenção do consumidor, como os rótulos, com a busca pela sensação de exclusividade. Afinal, o serviço de delivery assumiu a primazia do consumo e levou a experiência para dentro das residências.

Sócio-diretor da Label Sonic, Bruno Lage lista ao Guia os ajustes realizados no setor de rótulos e na sua empresa para minimizar os efeitos da crise, em iniciativas que deverão perdurar no pós-crise. São medidas interessantes, que resumem com exatidão as mudanças enfrentadas pelo segmento.

O diretor da Label Sonic destaca, também, que o growler se tornou onipresente nas estratégias de distribuição e ressalta que as vendas diretas ao consumidor exigem embalagens melhores.

Confira, a seguir, 10 mudanças provocadas pela crise da Covid-19 no mercado de embalagens, segundo Bruno Lage, diretor da Label Sonic.

1- Preços sem aumentos
A crise financeira levou o segmento de rótulos a absorver o aumento de preços de insumos provocado pela desvalorização do real, segundo Bruno Lage. “No âmbito comercial, sentimos que não era a hora de reajustes, apesar de muitos insumos serem cotados em dólar.”

2- Urgência nos prazos
A falta de previsão sobre a extensão e a gravidade da crise levou as cervejarias a reverem planos, tomando decisões de compra em cima da hora. “Todos os pedidos passaram a ser urgentes. Todo mundo segurou a compra ao máximo e, quando decidiu, era para aproveitar uma oportunidade nova”, explica o diretor da Label Sonic.

3- Adaptação ao home office
As medidas de isolamento social forçaram mudanças rápidas para que os negócios continuassem funcionando. “Foi um período de aprendizado de como trabalhar remotamente para todos, tanto para nós como para os clientes, pois muitos não estavam prontos para trabalhar em home office, o que dificultou no início a comunicação e a rapidez nas negociações”, comenta.

4- Clientes com novas demandas
Em busca de soluções, as cervejarias conceberam novos produtos e precisaram de iniciativas inéditas. “Muitos clientes tiveram de engarrafar ou enlatar a produção rapidamente. E muitos não tinham nem a arte do rótulo pronta. Então foi um período difícil por causa de tantos projetos novos que demandaram provas impressas, ajustes e entrega rápida”, conta Bruno.

5- Aposta em projetos que estavam em segundo plano
Ideias que até então estavam guardadas foram acionadas com urgência em ações para mitigar o efeito da crise, o que forçou a aceleração da produção de rótulos. “Quem não vendia growler, passou a vender, quem não engarrafava, passou a vender garrafas, quem não tinha latas, passou a ter, etc”, relata ele. “E muita gente que tinha na cerveja um ‘plano B’ teve de acelerar este projeto depois que o seu negócio principal passou a ter dificuldades ou mesmo quando perdeu o emprego. Algumas empresas vão fechar nesta pandemia, infelizmente. Mas muitas outras estão surgindo.”

6- Aumento da concorrência
A busca por diversificar a carta de opções de produtos e serviços fornecidos pelas cervejarias aumentou a concorrência nos diferentes formatos e nichos. “Entendemos que aquelas cervejarias que estavam focadas em algumas formas de entrega do produto, com a produção em grande parte em barril e/ou eventos/festivais, tiveram de passar a vender garrafas, growlers e latas. Cervejarias que tinham parcerias com alguns bons distribuidores tiveram de abrir vendas em outros distribuidores ou mesmo apostar na venda direta. Brewpubs tiveram de engarrafar mais e abrir mais pontos de venda. Ou seja: quem estava seguro no seu nicho, não está mais”, avalia o diretor da Label Sonic.

7- Reforço da identidade nas embalagens
As ações das cervejarias para lançar suas cervejas em formatos inéditos antes da pandemia, especialmente em growlers, forçaram o desenvolvimento de novas embalagens e rótulos, mas mantendo a identidade visual da empresa. “Os clientes agora querem rótulos para garrafa, lata, growler, PET, e precisamos entregar em cada embalagem a mesma identidade e qualidade. Quem acha que no growler pode usar uma embalagem inferior está desvalorizando o seu próprio esforço e produto.”

8- Variação de rótulos por embalagem
Ao mesmo tempo em que há a preocupação com uma identidade visual unificada, as cervejarias passaram a demandar diferenciações nos rótulos de acordo com a embalagem em que a bebida é envasada. “As cervejarias, ao explorarem mais formas de entregar o produto (garrafa, latal, growler), precisam de uma comunicação que mostre a diferença entre as embalagens e que, ao mesmo tempo, crie uma unidade da marca perante o consumidor. Antes os rótulos variavam por estilo e agora variam por estilo e embalagem. A mesma qualidade gráfica precisa estar presente em todas as embalagens e em quantidades flexíveis”, analisa Bruno.

9- Personalização dos growlers
Com a grande demanda por consumo de cervejas via growlers, as empresas passaram a demandar rótulos personalizados para esses produtos. “No mercado cervejeiro, focamos em vendas de rótulos para growler e teste de recipientes (growlers) nas rotuladoras. Sinal de que o mercado atingiu um volume de vendas de growler que torna necessária a aplicação de rótulos em uma rotuladora”, explica.

10- Pedidos menores
As incertezas provocadas pela crise do coronavírus levaram as cervejarias a deixarem de lado o planejamento de longo prazo. O resultado foi que as rotuladoras passaram a receber pedidos menores, mas com maior frequência. “O mercado está mudando a forma de comprar e não está estocando rótulos”, concluiu o sócio da Label Sonic.

Menu degustação: Espetáculo da Beck’s, Lab da Landel, Cervecon em setembro…

A semana cervejeira trouxe um mix interessante de novidades. Enquanto a alemã Beck’s apostou em um espetáculo com o Vintage Culture na Ponte Estaiada, em São Paulo, a Landel lançou uma linha de receitas inovadoras. Já o importante congresso Cervecon foi remarcado para setembro e o Science of Beer apresentou o Beer Expert. Destaque, ainda, para novidades da Dádiva, da Mestre Cervejeiro e da Distrito. Confira.

Espetáculo da Beck’s
Marca recém-chegada ao Brasil e pertencente à Ambev, a alemã Beck’s desafiou o Vintage Culture – um dos maiores nomes da música eletrônica da atualidade – para uma experiência inédita: um set de duas horas no céu de São Paulo diretamente da Ponte Estaiada. O resultado foi um show gravado a 20 metros de altura na terça-feira com quase 500 mil pessoas acompanhando pelo Twitter e tornando a hashtag #vintagebecks o assunto mais comentado por usuários do país na rede social por três horas. “Surreal – é essa a palavra para descrever esse desafio de tocar nas alturas”, comentou o Vintage Culture. A iniciativa marcou o lançamento do novo ponto de vista que a Beck’s traz para a relação do público brasileiro com os espaços e a cultura urbana. “A Beck’s é a cerveja alemã mais vendida no mundo e desembarcou no Brasil há pouco tempo. Como marca, temos uma forte relação com a música e a cultura urbana e é isso que queremos propor também para os consumidores brasileiros”, explica Felipe Hatab, diretor de marketing de Beck’s no Brasil.

Experiências da Landel
A cervejaria de Campinas lançou a Landel Lab, que apresenta cervejas produzidas em pequenas escalas (até no máximo 500 litros) e aposta em receitas inovadoras. “A ideia é usar esta linha pra testar das mais loucas loucuras às mais clássicas cervejas que saem das nossas cabeças”, diz Samuel Faria, sócio da cervejaria. “Já tivemos uma NE Wheat Ale com Double Dry Hop de lúpulo El-Dorado e agora está engatada a Amarillo Summer Ale”, conta. A próxima da lista é a Amburana Belgian Ale, que é a Blonde Belgian Ale com passagem por 30 dias em uma barrica de amburana.

Cervecon em setembro
O Congresso Brasileiro de Ciência e Mercado da Cerveja (Cervecon), que estava agendando para acontecer em Belo Horizonte no mês de julho, será realizado entre os dias 21 e 25 de setembro. E, por conta da pandemia, uma feira totalmente virtual foi concebida. Através de uma plataforma digital moderna e interativa, o evento trará conteúdo com palestrantes nacionais e internacionais, discussão de melhorias setoriais nos âmbitos do empreendedorismo, mercado de trabalho, produção e estudos científicos, além de uma Feira de Exposição Virtual para aproximar empresários com fornecedores e promover networking junto ao público de cervejas artesanais. O Cervecon é organizado pela Win Eventos, em parceria com o Espaço Ampliar e SindiBebidas.

Curso do Science
Reunindo grandes nomes do mercado cervejeiro, o Beer Expert é o novo curso criado pelo Science of Beer. Tem duração de cinco semanas e conta com a presença de especialistas importantes, como Pete Slosberg, fundador da Pete’s Brewing Co., e Randy Mosher, autor de The Brewers Companion, Radical Brewing e Tasting Beer, além de vários profissionais do mercado brasileiro, como Bia Amorim (colunista do Guia), Carolina Oda, Amanda Reitenbach e Rudy Fávero. São 17 professores para ministrar 40 horas de conteúdos sobre os mais diversos aspectos da cerveja. Além das aulas online, o aluno também vai receber em casa um kit de estudos para acompanhar o curso, que inclui apostila, caderno para avaliação das cervejas, jogo com roda sensorial e algumas das cervejas que serão avaliadas durante os estudos. As matrículas para a segunda turma estão abertas e podem ser feitas aqui.

Degustação da Dádiva
Para celebrar o Dia Mundial do Chocolate, comemorado em 7 de julho, a cervejaria Dádiva e a Caus Chocolate propõem uma harmonização guiada conduzida por Fernanda Meybom, sommelière de cervejas e engenheira química. O evento virtual acontecerá em 21 de julho, às 20h, por meio de uma live no YouTube. Além de trazer detalhes e curiosidades sobre os universos do chocolate e da cerveja, ele propõe uma interação com o público, que poderá degustar o doce e a bebida enquanto acompanha o bate-papo e as orientações dos especialistas. Os interessados podem adquirir o kit com as cervejas da Dádiva e os chocolates da Caus Chocolate no site do Hoppi (http://www.hoppi.com.br/), por R$ 99.

Mestre em Vitória
Na última quinta-feira, a Mestre-Cervejeiro.com abriu uma loja em Vitória, no Espírito Santo. A nova unidade oferece mais de 100 rótulos de cervejas artesanais nacionais, importadas e rótulos próprios da marca, além de seis torneiras de chope artesanal. Há mais de um ano em busca de uma franquia para investir, Patrick Bueno Silva afirma que algumas oportunidades de investimento surgiram, porém nada que chamasse tanta a atenção como a da Mestre-Cervejeiro.com. “Estou ansioso e positivo para a abertura, a procura por cervejas artesanais vem crescendo e os kits de presentes também. Acredito que vamos poder atender e levar da melhor forma a cultura da cerveja para nossos clientes. Esperamos que, em breve, tudo isso que estamos vivendo se normalize e volte ao normal”, aponta ele. A unidade fica na avenida Francisco Generoso da Fonseca, 355 – loja 06, no bairro Jardim da Penha.

Distrito em lata
A cervejaria Distrito lançou suas primeiras latas de 473ml, apostando nos rótulos Summer Lager, Simcoe IPA, Amarillo IPA e Triple IPA. A venda é unitária, mas, na compra de 6 unidades, há desconto de 6% – e, na compra de 12, de 12%. As novas cervejas e todo o portfólio das artesanais podem ser adquiridos pelo site www.cervejasdistrito.com, outra novidade da Distrito. Além das bebidas, podem ser encontradas pizzas e hamburgers de blend vegano ou carne bovina. A loja virtual também tem a linha de growlers, copos, taças e acessórios cervejeiros, como camisetas e moletons.

Produção de cervejas da Budweiser nos EUA é alvo de fake news

A internet, ambiente que tem permitido a aproximação e a troca de boas experiências durante a pandemia, tem seu lado bizarro e até criminoso. Na semana passada, uma “fake news” viralizou entre os twitteiros norte-americanos dizendo que um funcionário da Budweiser teria urinado em tanques da cerveja por 12 anos.

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Por seu caráter popular e sua ligação com aspectos culturais e de lazer, a cerveja sempre teve associação com piadas e brincadeiras, sendo, infelizmente, algumas delas preconceituosas. E em tempos onde há confusão – algumas delas deliberadas – sobre a produção jornalística, ela passou a se tornar alvo de fake news, até pelo potencial de viralização da sua temática.

Foi assim com a falsa notícia sobre a Budweiser nos Estados Unidos, que se espalhou por portais e perfis de redes sociais instantaneamente. Ela dizia que um funcionário da marca, chamado Walter Powell, teria mantido a prática asquerosa de urinar nos tanques durante os 12 anos em que trabalhou na fábrica de Fort Collins, no estado do Colorado. Assim, o produto com origem nessa unidade seria adulterado, enquanto a produção de outras plantas da marca, não.

“É como uma roleta russa, às vezes estou com amigos e eles pedem uma Budweiser, eu me envergonho e digo a mim mesmo: ‘pobres amigos’…” dizia um trecho da fake news, com uma fala inventada de Powell.

Assim que a falsa história ganhou força, o Twitter foi inundado de memes e piadas sobre o tema, que entrou na lista de assuntos mais comentados. Logo depois, veio à tona a origem da fake news: um site de humor, chamado Foolish Humor, publicou o texto satírico do personagem Powell sob a manchete “Funcionário da Budweiser reconhece que mijou em tanques de cerveja por 12 anos”.

O site, que publica textos de humor em tom de paródia jornalística, mantém um aviso ao final das publicações alertando que se tratam de peças de ficção, que “não correspondem à realidade”.

No fim, na mesma velocidade em que surgiram memes e postagens reproduzindo com seriedade o assunto, textos de verificação e entidades de “fact checking” trataram de explicar a fake news.

Recentemente, o Senado brasileiro aprovou a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, enviando o texto para a Câmara dos Deputados. Embora a necessidade e a urgência da regulação do tema pareçam óbvias, há alguma polêmica sobre o seu conteúdo, pois alguns especialistas avaliam que ele oferece riscos à liberdade de expressão e à privacidade dos usuários.