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Hoegaarden dará mini cestas de piquenique em SP

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Os clientes que estiverem no restaurante Greenhouse neste domingo serão presenteados com mini cestas de piquenique. A ação faz parte da parceria firmada entre a Hoegaarden e o aplicativo de entregas Rappi. Serão distribuídas 150 mini cestas entre 12h e 13h de domingo.

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O Greenhouse de São Paulo é o primeiro restaurante do mundo da marca Hoegaarden, que pertence à AB Inbev. O lugar foi criado no conceito de biergarten (jardim cervejeiro) e possui decoração voltada à natureza, com cardápio no estilo Farm to Table (da fazenda para a mesa). É o único lugar no Brasil que vende a cerveja Hoegaarden no formato de chope, direto dos barris.

Dentro do conceito de conexão com a natureza, a cervejaria fechou uma parceria com o aplicativo Rappi para a venda e entrega de cestas de piquenique. Ação que ganhará um reforço com a promoção deste domingo.

“Se nossa ideia é incentivar os piqueniques em São Paulo, nada melhor do que disponibilizar para as pessoas o cardápio perfeito para esse tipo de encontro. Com essa parceria com a Rappi, queremos cada vez mais valorizar a natureza urbana em um centro urbano como a capital paulista”, conta Thiago Leitão, gerente de marketing de Hoegaarden.

No cardápio das cestas, para manter o conceito gastronômico da marca, há um tartine, uma opção de pasta, um item de charcutaria, uma burrata e outros produtos, além da cerveja Hoegaarden.

As cestas já estão à venda dentro do Rappi, em um ícone chamado “Piquenique Hoegaarden”. Há 3 opções conforme a quantidade de produtos: a mais barata sai por R$ 94, a versão intermediária custa R$ 162 e a mais cara R$ 249.

O restaurante Greenhouse fica em Pinheiros, na Rua Fernão Dias, 672, próximo ao largo da Batata. Mais informações no site do restaurante.

Balcão Beersenses: A relação entre os vinhos espumantes e a cerveja

Rodrigo Sena Beersenses

Balcão Beersenses: A relação entre os vinhos espumantes e a cerveja

Você pode vestir roupa branca, amarela, azul, pular ondas, comer lentilha ou até mesmo usar cuecas novas. Há muitas tradições na festa do réveillon que trazem esperança para quem acredita. E àqueles que não acreditam também não ignoram: “vai que” justamente nesse ano em que eu uso uma bermuda azul eu fico bilionário? Não custa nada, né?

Mas nenhuma tradição de réveillon é tão simbólica quanto brindar a chegada do novo ano abrindo uma garrafa de espumante. É um ritual praticado há séculos por bilhões de pessoas em todo o mundo. Mas será que podemos manter esse ritual com outra bebida?

A resposta é sim. E te digo com qual bebida: a cerveja. Aliás, cerveja e espumantes têm muito mais a ver do que normalmente imaginamos. Tanto que os vinhos espumantes só existem hoje em dia graças à cerveja. Que me perdoem os sommelieres de vinho e os amantes da bebida, mas sempre é a cerveja que está à frente das inovações do mundo. E com o espumante não foi diferente.

A história diz que os vinhos feitos na região de Champagne no século XVII eram de má qualidade. Por lá, um tal de Dom Pierre Pérignon, monge beneditino da abadia de Hautvillers, estava bem insatisfeito com sua produção, porque o mosto ficava tempo demais fermentando nos barris e por isso o vinho não era muito bom.

Foi então que Pérignon mudou o processo, engarrafando os vinhos mais cedo. Isso, porém, causou um problema: como a fermentação continuava nas garrafas, o gás carbônico ficava retido, aumentando a pressão e causando explosões. Quase 90% da produção simplesmente explodia.

Buscando solução para o caso, os franceses foram até a Inglaterra, onde uma tecnologia de garrafas mais resistentes já havia sido desenvolvida. E adivinha por qual motivo? Por causa da cerveja. Como grandes cervejeiros, os ingleses já conheciam muito antes dos franceses os problemas que as fermentações nas garrafas causavam, e por isso tinham criado frascos bem resistentes à pressão.

Então o problema de Dom Pérignon foi solucionado com as garrafas inglesas de cerveja, as explosões pararam e o gás carbônico passou a ser incorporado pelo vinho, criando as bolhinhas no espumante. Durante mais de um século o processo foi aperfeiçoado até chegar ao resultado do champagne que conhecemos hoje.

A Brut
Claro que o champagne é uma bebida muito boa, isso ninguém discute. Cervejeiros da Bélgica se interessaram pelo processo de produção dos espumantes de Champagne (chamado método Champenoise), criando as cervejas Brut. Em 1791 foi fundada a cervejaria Bosteels, na região de Flanders, na Bélgica, que começou a produzir aquela que até hoje é a Bière Brut mais famosa do mundo: a Deus.

Na primeira parte da produção, a Deus é feita normalmente como qualquer outra cerveja, onde é produzido um mosto que se assemelha a uma Märzen. Depois, a cerveja é enviada para Reims, uma cidade da região de Champagne, onde recebe as leveduras e fica por um ano nas garrafas em cavernas passando pelo remuage (processo de rotação das garrafas). No final, a cerveja está tão seca e carbonatada quanto um espumante, mas com uma explosão incrível de sabores que os vinhos não conseguem alcançar.  

Por isso finalizo com uma dica: dá para manter a tradição do brinde de réveillon e inová-la ao mesmo tempo. Ao invés de usar um espumante, use uma Bière Brut.

A Deus é uma cerveja muito cara – a garrafa de 750ml custa em média R$ 350. Mas é mais barata do que um legítimo champagne, como um Veuve Clicquot, que custa em média R$ 500. E garanto que, com a cerveja, a experiência será mais extraordinária.

Independentemente da escolha, com espumante ou cerveja, desejo um Feliz Ano Novo a todos, com muita saúde e realizações em 2020! Cheers!


Rodrigo Sena é jornalista, sommelier certificado em tecnologia cervejeira com especialização em harmonizações e responsável pelo canal Beersenses

Ambev reforça ligação com a praia em festas da Corona e da Kona

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Celebrar o fim do ano e as expectativas que a mudança no calendário provocam com consumo consciente e na praia. Esse modelo parece ser o foco de algumas das marcas da Ambev para as festas e eventos de réveillon, especialmente da Corona, que organizou ações para que todos aproveitem do melhor modo possível esse período, sem nunca abrir mão de uma boa cerveja.

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A marca mexicana iniciou na última quinta-feira – na sequência das celebrações pelo Natal – a sua temporada de festas de réveillon, que irá até 3 de janeiro. Serão oito eventos em diferentes praias paradisíacas do Nordeste.

O diferencial da celebração da Corona está estampada no lema de sua ação: “Beba água hoje e aproveite o dia de amanhã”. Nela, a marca mexicana vai ofertar gratuitamente água mineral para um público estimado de 60 mil pessoas no Circuito Corona.

De acordo com a Corona, os eventos vão contar com dez estruturas que vão disponibilizar filtros de água. E as festas da marca acontecerão em Trancoso, Barra Grande e Algodões (BA), São Miguel do Gostoso (RN), São Miguel dos Milagres (AL) e Fernando de Noronha (PE).

“Réveillon inspira as pessoas a celebrarem um novo ciclo e a se conectarem umas com as outras, mas é comum pensarmos que a celebração acaba na noite da virada. Quando, na verdade, temos o dia seguinte inteiro para curtir ao lado de quem a gente gosta”, explica Bruna Buás, diretora de marketing da Corona.

“Por isso, a Corona propõe que haja mais momentos felizes e de boas lembranças. Intercalar o consumo de água com uma cerveja e outra é o segredo para curtir o melhor da festa, antes e depois”, acrescenta Bruna.

Além de contribuir com a reposição de líquidos e sais minerais essenciais ao organismo, em uma iniciativa inédita da marca no réveillon, a cervejaria também preparou ações de sustentabilidade para a preservação ambiental.

A programação vai de oficinas de criação e artesanato com materiais recicláveis à compostagem de resíduos orgânicos, além do uso de uma máquina que transforma vidro em areia para a construção de tijolos na indústria civil. A marca também descartou o uso de copos plásticos durante as festas, optando por alternativas mais sustentáveis.

“As praias são o território familiar ao universo de Corona. A cada ano levamos nossa alegria para um cantinho especial do Brasil, sempre com muito cuidado e respeito à preservação desses paraísos, que abrigam muito da diversidade natural que temos por aqui”, diz Bruna.

Kona também vai à praia
Em mais uma iniciativa que reforça a ligação das marcas da Ambev com a praia, a marca havaiana Kona aproveitou a sua recente chegada ao Rio para realizar o Flat Summer Fun na Prainha.

O evento, ocorrido no último sábado e realizado com o intuito de mostrar que a praia pode ser divertida mesmo quando não possui ondas, teve atividades na areia, como vôlei, futmesa e slackline, e também no mar, como stand up paddle, caiaque, flyboard e big sup, o stand up paddle gigante para até sete pessoas. Além disso, foram oferecidas aulas de alongamento, meditação e oficina de equilíbrio.

“Somos uma cerveja do Havaí e temos o surfe como nossa paixão. Mas nem sempre o mar tem ondas para praticar o esporte, algo comum nesse período do ano no Rio. O Flat Summer Fun veio para trazer o Kona Mode para a cidade, reunindo os cariocas com várias opções de atividades para aproveitar um dia na praia, mas sem ondas”, explica Carolina Ventura, gerente de marketing da Kona no Brasil.

“A primeira edição foi um sucesso. Temos tudo para continuar e trazer edições com ainda mais atrações”, complementa Carolina.

Espaço aberto: Campinas abre espaço para colecionadores de tampinhas

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*Por Carlos Alberto Tavares Coutinho

Em postagem anterior sobre colecionismo de itens de bebidas, eu havia reclamado do descaso das cervejarias para com os colecionadores. Havia dito que elas desprezam um bom filão de propaganda usando tampinhas sem impressão alguma (chamadas “lisas”), deixando de fazer parte do universo colecionista por não trazerem informação sobre sua fábrica, seu logotipo – e, por conseguinte, desaparecendo do mundo cervejeiro.

No entanto, há também quem não meça esforços para reverter esse quadro e está sempre disposto a participar e a contribuir para o universo colecionista com belas estampas nas tampinhas, proporcionando oportunidades únicas aos colecionadores.

Há pouco tempo um encontro de colecionadores de porta-copos (bolachas) aconteceu na Cervejaria Landel, de Campinas. Foi um sucesso e agradou muito o público presente. Como os colecionadores dificilmente colecionam somente um item, houve quem sugerisse um evento (encontro) dos colecionadores de tampinhas no mesmo local.

E, com a aquiescência dos responsáveis pela cervejaria, com o apoio da loja Garimpo Coleções (de São Paulo) e com os esforços do colecionador Hendrigo Valenziano, no dia 7 de dezembro foi realizado o 1º Encontro de Colecionadores de Tampinhas em Campinas. O evento deu tão certo e fez tanto sucesso que seria ótimo repeti-lo.

O evento proporcionou a diversos colecionadores de tampinhas tanto metálicas quanto plásticas, radicados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Santa Catarina, mostrarem suas coleções, fazerem trocas e negociarem seus itens repetidos em um ambiente de conversas e troca de experiências.

Foi o dia da descoberta do desconhecido e da visão do novo, bem como o dia de colecionadores se conhecerem pessoalmente – já que muitos só se conheciam através de mensagens telefônicas ou pelos Correios -, unindo aqueles que participam do mesmo hobby e mostrando coisas novas e interessantes a quem não coleciona.

Eu não queria que esse texto tivesse conotação de propaganda, mas é difícil fazer um agradecimento público sem citar a quem está dirigido. Fica aqui o agradecimento aos que trabalharam para que o encontro acontecesse e se tornasse um sucesso, principalmente aos esforços do colecionador Hendrigo Valenziano, ao apoio da loja Garimpo Coleções e à Cervejaria Landel, representada por Marcelo, Samuel e Bruno que, com grande visão em marketing e excelente atendimento, criaram um modelo de negócio inovador na cervejaria artesanal mais antiga de Campinas.

Leia também: Coca-Cola deveria inspirar cervejarias

E, como uma mão lava a outra, esses encontros com certeza fazem com que fique mais conhecida a Cervejaria Landel e seus produtos. Eles proporcionam um local para um maior congraçamento entre os colecionadores que podem fazer trocas, compras e vendas de seus itens – e, é claro, consumir um pouco dos produtos da cervejaria porque ninguém é de ferro (somente as tampinhas).

Vamos aos próximos encontros na certeza de que serão um grande sucesso, lembrando que no mundo das tampinhas nem tudo são flores, mas em relação aos outros itens do colecionismo de bebidas estamos em crescimento, indo de vento em popa graças a esses abnegados, colecionadores e empresários.

*Carlos Alberto Tavares Coutinho é funcionário público septuagenário e aposentado que atende pelo pseudônimo de Cervisiafilia, colecionador de itens de bebidas desde 1994, blogueiro que tenta escrever sobre a história da cerveja brasileira no blog cervisiafilia.blogspot.com.br – A História das Antigas Cervejarias

Para promover o debate entre os mais distintos segmentos do setor cervejeiro, o Guia deixa o espaço totalmente aberto para seus leitores. Se quiser mandar uma sugestão de artigo, é só escrever para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

5 presentes do Guia para o seu leitor

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Fazer jornalismo, muitas vezes, significa impor uma leitura pouco agradável. É assim no caso das “notícias ruins”. Em outros casos, o prazer pela leitura proporcionada pelo texto sequer entra em questão: pode ser chato, por exemplo, ler uma reportagem sobre algum aspecto econômico de um setor produtivo, mas é necessário – e, sabendo disso, o leitor não se incomoda.

Mas o mercado cervejeiro é pulsante, revolucionário e apaixonado. A maioria das páginas da história da cerveja brasileira ainda está por vir e há muita gente boa se esforçando para isso. Graças a isso, cobrir cerveja é maravilhoso e nós, da equipe do Guia, nos deleitamos com muitas das histórias e “causos” que temos a oportunidade de ouvir e levar ao leitor.

Para captar a essência, as sensações e os sentimentos envolvidos em cada história, nada melhor do que ver e ouvir seus personagens. Ao longo do ano, fizemos questão de preservar e destacar o formato de entrevistas em espaço nobre no Guia.

Agora, o Papai Noel dá ao leitor a possibilidade de reler algumas das entrevistas que publicamos ao longo do ano. Esperamos que gostem do presente.

Gigante das artesanais
Uma das “gigantes das artesanais” e autodeclarada “IPA mais vendida do mundo”, a californiana Lagunitas Brewing Company chegou ao Brasil sob a chancela do grupo Heineken, prometendo estar conectada com valores comunitários, apoiar artistas locais e associações que cuidem do bem-estar de cães abandonados. A gerente de marketing da marca, Renata Costa, detalhou quais são os planos da Lagunitas aqui. Releia a entrevista.

Monstro sagrado
De passagem pelo Brasil para uma série de eventos, o papa da cerveja radical, o cervejeiro norte-americano Randy Mosher, conversou com o Guia sobre criatividade, ingredientes locais e a persistência necessária para se chegar a boas receitas. Veja como foi o papo.

Do outro lado do rio
Tarimbado no mercado de importação de cervejas, Gilberto Tarantino costurou sua marca, que foi lançada em 2018, apostando em inovações significativas para o mercado nacional – da opção por determinados equipamentos à identidade de bairro que a marca assumiu ao longo desses primeiros anos. Em entrevista, Giba falou sobre o processo e os planos da Tarantino. Leia aqui.

Sem frescura
O renomado chef Ronaldo Rossi fez, após o lançamento de seu livro “Ronaldo Rossi, botecando e harmonizando”, uma súplica à originalidade, à simplicidade e à capacidade de aproveitar tudo o que a cerveja pode oferecer: amigos, encontros, experiências. A paulada que Rossi dá na cerveja “chata” de hoje em dia você confere aqui.

Orgulho do papai
Antonio Carlos Bernardes Gomes, falecido em 1994, sintetizava em seu icônico personagem Mussum a cultura, o vocabulário, as posturas e o humor possível no entorno da cerveja no século XX. Já no século XXI, seu filho Sandro Gomes também soube captar o espírito cervejeiro de sua época e, bebendo da fonte de criatividade do pai, criou a Brassaria Ampolis. O ano de 2019 foi essencial para a vida da marca, que passou a fazer parte do Grupo Petrópolis e ganhou proporções respeitáveis. Sandro conta essa história nessa entrevista.

Histórias de Natal: A cerveja na vida de Jesus e na criação do Papai Noel

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A cerveja está presente na história da humanidade nos últimos 10 mil anos. Ela surgiu junto com a civilização moderna, na Mesopotâmia, e desde então tem feito parte de diferentes povos e culturas. Os dois grandes protagonistas do Natal são homens que nasceram e viveram em regiões onde, comprovadamente, a cerveja fazia parte do cotidiano popular. Logo não é difícil concluir que a bebida fez parte das histórias destes grandes personagens natalinos: Jesus Cristo e Papai Noel.

Leia também – Balcão da Maria Bravura: A cerveja na construção do mundo

Para compreender como se deu essa relação, o Guia buscou registros de como a cerveja esteve presente na vida de Jesus Cristo e na criação da imagem do Papai Noel. Confira.

Jesus e a cerveja
Há muitas interpretações diferentes para a história de Jesus, mas todas elas descrevem que o menino nasceu na cidade de Belém, ao sul de Jerusalém, em Israel. E, segundo o Museu Judaico de Munique, a cultura cervejeira foi levada à região pelos egípcios, séculos antes do nascimento de Jesus.

Portanto, quando Cristo nasceu, a cerveja já era uma bebida popular em Belém, por ser mais barata e fácil de ser produzida do que o vinho, sendo amplamente consumida pelos mais pobres. Jesus era filho de José e Maria, que viviam uma vida simples em uma cabana, sob sustento provido pela atividade de carpinteiro de José. Se seus pais eram cidadãos pobres e comuns naquela comunidade, certamente consumiam cerveja.

Tanto é fato que a cerveja era popular e feita na região onde Jesus nasceu que, recentemente, uma pequena cervejaria de Jerusalém, chamada Herzl Brewery, reproduziu uma receita de cerveja que era feita por lá naquela época.

A bebida foi produzida em conjunto com geneticistas da universidade de Tel Aviv, usando cereais e métodos idênticos aos de 2 mil anos atrás. Apelidada de cerveja bíblica, a bebida ficou muito doce, com algumas notas de frutas silvestres da região e 3% de teor alcoólico.

Itai Gutman, proprietário da cervejaria, conta que reproduziu apenas 20 litros da receita, que acabou não virando um rótulo pois o gosto não agradou. “Estávamos apenas curiosos se era possível recriar como seria uma cerveja bíblica”, explica Gutman, que já ganhou vários prêmios de qualidade e atualmente comercializa oito rótulos na sua cervejaria.

Ilustração retrata Jesus e seus discípulos em campos de cereais, comuns naquela época

Mas será que Jesus Cristo bebeu cerveja? Não há nenhuma prova arqueológica ou histórica que confirme, mas não seria nenhum absurdo admitir que ele tenha bebido, pois, além de ser muito popular, naquela época a cerveja era oferecida também a crianças e jovens como fonte de nutrientes.

O vinho sempre foi tratado pelo Império Romano como uma bebida nobre e sagrada, utilizado em cerimônias especiais, sendo amplamente citado na Bíblia. Mas a cerveja não é mencionada. Pelo menos não com esse nome.

O professor de teologia Michael Mathias Homan, chefe de departamento na Universidade Xavier da Louisiana, em Nova Orleans, nos EUA, descobriu que o nome dado em hebraico à cerveja da região naquela época era bebida fermentada ou bebida forte. Esse pode ter sido um fator determinante para que as traduções dos textos bíblicos não mencionem a cerveja, uma vez que os tradutores não sabiam que essas expressões significavam cerveja.

Em rara citação, no livro de Deuteronômio, que faz parte da bíblia hebraica e do antigo testamento da bíblia cristã, há uma menção na passagem 14:26. “Com prata comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, do seu Deus”, diz o texto. Segundo o professor Homan, a “bebida fermentada” é cerveja.

Se a arqueologia encontrou citações à cerveja em registros sumérios e babilônicos 8 mil anos antes de Cristo, não é difícil concluir que ela fazia, sim, parte da sociedade hebraica na época do nascimento de Jesus. Como uma bebida popular, muito provavelmente foi consumida por ele.

Papai Noel e a cerveja
Registros indicam que a figura do Papai Noel foi baseada no arcebispo Nicolau da cidade de Mira, Turquia, que viveu no século IV. Naquela época, após a queda do Império Romano na região, a cidade fazia parte do Império Bizantino, que conservava muitas tradições do Egito e da Mesopotâmia, como os mosaicos e a cerveja. Por isso, também não é difícil imaginar que o arcebispo Nicolau bebia cerveja diariamente, já que era um costume entre os clérigos da época.

Nicolau ficou conhecido por ser uma figura benevolente, que ajudava muitas famílias anonimamente e, para não ser descoberto, ele deixava um saco com moedas de ouro nas chaminés das casas durante as noites. Muitos milagres também foram atribuídos a ele, tanto que a Igreja o santificou e até hoje é conhecido como São Nicolau.

São Nicolau, arcebispo de Mira

A fama da ajuda anônima que São Nicolau dava às famílias carentes correu o velho mundo – muitos povos conheciam a história dos saquinhos deixados nas chaminés. Mas nenhum deles associava São Nicolau ao Natal. E é nesse ponto que mais uma vez a cerveja passa pela história do Papai Noel: foi na Alemanha, uma grande região cervejeira, que São Nicolau teve pela primeira vez sua imagem ligada ao Natal.

Talvez embalados por algumas cervejas, os alemães da época entenderam que as benfeitorias de São Nicolau tinham tudo a ver com o aniversário de Jesus. Somente depois disso é que o resto do mundo passou a usar a imagem de São Nicolau como o bom velhinho do Natal. Algumas das lendas em torno do Papai Noel, que permanecem até hoje, foram criadas naquela época, como o fato dele deixar presentes nas chaminés, sem ninguém presenciar o feito durante a noite.

Mas foi somente no século XIX que a figura do clérigo São Nicolau passou a dar lugar à do Papai Noel como conhecemos hoje. E isso aconteceu em outra grande escola cervejeira – os Estados Unidos. O responsável pela imagem foi o alemão Thomas Nast, que havia imigrado com sua família para Nova York aos 6 anos.

Nast era cartunista político, abolicionista e fora parceiro de Abraham Lincoln. Como trazia da Alemanha a lenda sobre São Nicolau, ele passou a retratar o bom velhinho em alguns de seus cartoons sobre a Guerra Civil. O mais famoso foi capa da revista Haper´s Weekly em janeiro de 1863, quando Nast retrata uma visita do Papai Noel às tropas.

Papai Noel de Nast, pela primeira vez com roupa vermelha em 1881

Durante vinte anos Nast evoluiu a imagem do Papai Noel, tendo criado a roupa vermelha em um cartoon que fez para ilustrar um texto do poeta Clement Clarke Moore, chamado A Visita de São Nicolau. Alguns anos após a morte de Nast, a Coca-Cola deu novos toques à imagem e o colocou para morar no Polo Norte.

Thomas Nast era uma pessoa que respeitava e seguia suas tradições alemãs familiares, entre elas, a cultura cervejeira. A biografia escrita por Fiona Deans Halloran, chamada Thomas Nast: The Father of Modern Political Cartoon, relata que ele frequentava uma famosa taberna em Nova York chamada de Pfaff´s Beer Cellar, que pertencia a um alemão chamado Charles Pfaff. Lá a cerveja embalou reuniões com artistas e músicos da época.

Assim, temos a cerveja fazendo parte da vida de São Nicolau e também da vida do criador da imagem moderna do Papai Noel.

Fortaleza e Belém puxam alta dos preços da cerveja em novembro

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Fortaleza e Belém puxaram a alta do preço da cerveja em domicílio em novembro. As capitais do Ceará e do Pará registram aumento de 2,78% e 2,72%, respectivamente, no 11º mês do ano, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se no país a alta foi de 0,83%, outras quatro capitais tiveram elevação superior a 1% no preço da cerveja em novembro. Foram elas: São Paulo, com 1,93%, Grande Vitória, com 1,77%, Salvador, com 1,18%, e Rio Branco, com 1,08%. E Curitiba e Belo Horizonte também registram inflação em novembro.

Assim, se oito cidades pesquisadas tiveram alta nos preços, outras oito apresentaram deflação. E Porto Alegre, que em outubro teve a maior elevação, agora registrou a maior baixa, de 0,96%.

Já os preços da cerveja fora do domicílio cresceram 0,13% em novembro no cenário nacional. Porto Alegre, com 2,65%, Campo Grande, com 1,96%, Aracaju, com 1,39%, e Salvador, com 1,37%, tiveram as maiores altas. 

Belo Horizonte (-1,94%) e Recife (-1,26%), por sua vez, lideraram a deflação do preço da cerveja fora do domicílio.

Confira, a seguir, a variação do preço da cerveja no domicílio em novembro:
Brasil: 0,83%
Fortaleza: 2,78%
Belém: 2,72%
São Paulo: 1,93%
Grande Vitória: 1,77%
Salvador: 1,18%
Rio Branco: 1,08%
Curitiba: 0,53%
Belo Horizonte: 0,28%
Campo Grande: -0,02%
Rio de Janeiro: -0,10%
Recife: -0,12%
Goiânia: -0,13%
Brasília: -0,36%
Aracaju: -0,42%
São Luís: -0,69%
Porto Alegre: -0,96%

E a variação do preço da cerveja fora do domicílio em novembro:
Brasil: 0,13%
Porto Alegre: 2,65%
Campo Grande: 1,96%
Aracaju: 1,39%
Salvador: 1,37%
Brasília: 0,80%
Goiânia: 0,75%
Rio de Janeiro: 0,45%
Belém: 0,11%
Grande Vitória: 0,08%
São Luís: 0,05%
São Paulo: -0,34%
Fortaleza: -0,48%
Rio Branco: -0,87%
Curitiba: -0,94%
Recife: -1,26%
Belo Horizonte: -1,94%

8 presentes cervejeiros para o Natal

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A correria de final de ano que toma conta das ruas da cidade é motivada, em boa parte, pela busca por presentes de Natal. E não é raro deixarmos alguns para última hora, seja por falta de tempo ou por indecisão sobre o que comprar.

Por isso o Guia resolveu dar uma ajuda para aqueles que ainda estão atrás de presentes para o Natal. Compilamos uma lista com dicas cervejeiras para você fazer bonito e agradar o seu presenteado. Confira.

Leia também – Dicas de estilos de cerveja, receitas e harmonizações para a ceia de Natal

Doktor Bräu
A cervejaria Doktor Bräu possui kits especiais de copos com cervejas que serão ótimos presentes para o Natal. São duas opções: Psicótipa + copo e Psicótica + Eritema + copo, que podem ser encontradas em bares e lojas especializadas. Na Cervejaria Virtual os kits saem por R$ 45,42 e R$ 62,91, respectivamente. Vale lembrar que o copo pode variar de acordo com a disponibilidade.

Mea Culpa
A cervejaria oferece no site um kit promocional para o final de ano, por R$ 99, com seus rótulos com nomes de virtudes: Caridade (New England IPA), Generosidade (West Coast IPA), Moderação (Brut IPA) e Humildade (Session IPA).

Ouropretana
Com venda nas lojas de Ouro Preto, a cervejaria mineira oferece kits especiais com suas cervejas especiais e experimentais de fermentação mista.

Skol Pabeber
Brincando com a tradicional piadinha dos tios no Natal (é pavê ou é pá comer), a Ambev produziu uma edição limitada da Skol chamada de “Pabeber”. O 12 pack promocional está a venda online no Empório da Cerveja por R$ 29,88.

Panetone
A Wäls produziu mais uma versão especial de Natal da Panetone Ale. Nela há um blend de duas Belgian Dubbel – uma mais fresca e outra envelhecida por um ano em barris de Bourbon – e uma White Barley Wine envelhecida por dois anos em carvalho francês. Dessa mistura, surge uma cerveja com aroma de noz moscada, uva passa, canela, laranja, limão e cravo. Tudo isso, com a adição de um extrato natural de panetone. A cerveja está à venda em supermercados e lojas especializadas.

Wonderland
Direto do país das maravilhas, a cervejaria está vendendo kits de seus rótulos com uma taça teku, que é bem alta e serve a grande maioria dos estilos de cervejas. Para conhecer as ofertas entre no site.

Taça Teku da Wonderland

Enseada
Para este Natal, a Cervejaria Enseada e a marca de roupas Wöllner desenvolveram um kit com camiseta exclusiva e uma Premium Lager. Eles estão à venda nas lojas Wöllner por R$ 179. “A ideia surgiu com a afinidade entre as duas marcas que cultuam e promovem a vida ao ar livre e o estilo de vida carioca”, comenta Marco Antonio Frederico, consultor de branding/marketing da Cervejaria Lagos.

Sinnatrah
A Cervejaria Escola Sinnatrah possui opções de presentes que irão encantar os paneleiros que fazem sua própria cerveja. São ofertas de kits completos para a produção de cerveja em casa, a partir de R$ 700, e de cursos diversos para que o presenteado se capacite na arte, a partir de R$ 220. Os presentes podem ser adquiridos pelo site ou pessoalmente na Sinnatrah, que fica na Avenida Pompéia, 2021, próximo à estação Vila Madalena do metrô.

Dicas de estilos de cerveja, receitas e harmonizações para a ceia de Natal

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Há coisas que só acontecem em uma noite de véspera de Natal: fazer um amigo secreto onde você dá um presente excelente e recebe meias em troca, ouvir piadas daquele concunhado brincalhão e assistir Roberto Carlos na televisão. Mas, além dessas experiências típicas, a data também é marcada por uma experiência gastronômica característica: a ceia de Natal.

Esse é aquele momento especial de comer pratos que você nunca come durante o ano, como peru assado, arroz com passas e tender bolinha. Mas há, também, famílias que gostam de novidades, fazendo releituras de clássicos natalinos ou até mesmo inovando totalmente.

Fato é que a experiência gastronômica natalina pode ser enriquecida com a harmonização dos pratos com cervejas – pode ser com diferentes estilos para cada prato ou mesmo com um único para toda a noite. Por isso o Guia preparou algumas dicas de quais são os estilos de cervejas mais indicados para degustar na noite feliz. Confira.

Leia também: 5 estilos de cervejas para o verão brasileiro

Para ceias tradicionais
O sommelier de cervejas Rodrigo Sena, especializado em harmonizações, diz que as ceias de Natal mais tradicionais possuem pratos com sabores muito variados, como agridoce, e isso deve ser observado na hora de escolher a cerveja. A dica é encontrar estilos que conversem bem com frutas secas e nozes, além de proteínas como peru, frango e porco, acompanhados de molhos de frutas ácidos e doces.

Tudo isso influencia na harmonização e, assim, Rodrigo sugere estilos mais maltados e alcoólicos, como Barley Wine e Bock. “A Barley Wine é uma cerveja tradicionalmente inglesa, mas que possui também uma versão norte-americana, com uma grande carga de maltes, que resulta em uma cerveja doce, frutada e mais alcoólica”, explica o sommelier.

“Já a Bock é um estilo alemão, com uma variedade incrível de sabores do malte, que também traz um dulçor frutado, só que mais limpo por ser Lager”, acrescenta Rodrigo. “Outros estilos como Red Ale ou Helles também podem ser boas pedidas para a ceia toda.”

Para aqueles que querem criar um menu com diferentes estilos de cervejas, Rodrigo criou uma ceia básica e tradicional harmonizada com cervejas. “Pensei nas ceias que eu participo há décadas e em estilos de cervejas fáceis de serem encontrados para não dificultar as harmonizações”, conta.

De entrada, o sommelier sugere brusquetas tradicionais, que são feitas com pão italiano, tomates picados, manjericão e orégano, com a opção de colocar um queijo bem leve, como mussarela de búfala.

“As brusquetas irão harmonizar muito bem com uma boa Premium Lager, pode até ser alguma mainstream, mas que seja puro malte de verdade. É até bom para abrir o paladar enquanto a galera bate papo”, recomenda Rodrigo.  

Os pratos principais bem tradicionais, como peru, pernil e tender bolinha, podem ser acompanhados de arroz com passas, salpicão de frango, molho de abacaxi e farofa com bacon e frutas secas. Pensando nesse cardápio, o sommelier sugere o estilo Belgian Blond Ale.

“Na cerveja encontraremos características marcantes do malte que irão conversar diretamente com o agridoce dos pratos. Além disso, a Blond Ale tem notas condimentadas da fermentação que irão complementar a variedade de sabores dos pratos, e uma boa carbonatação para ajudar a limpar o paladar a cada gole”, sugere Rodrigo.

E, para a sobremesa, nada mais tradicional no Natal do que a rabanada, feita com fatias de pão mergulhadas em leite, leite condensado e ovos, que são fritas em óleo quente. Para finalizar, açúcar e canela por cima de tudo.

“Com a rabanada eu penso que não dá muito para fugir das cervejas escuras com maltes torrados, como Porter, Stout, Dunkel ou Schwarzbier. Essas cervejas possuem notas de café, caramelo e chocolate, que irão promover uma complementação marcante com as rabanadas”, diz Rodrigo.

Para ceias inovadoras
Na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, o restaurante Cervisia Gastrobier promoveu nesta semana uma experiência especial a seus clientes: uma ceia de Natal harmonizada com cervejas.

Só que a ceia de Natal por lá foi bem inovadora, criada pelo competente chef e sommelier Iuri Mendonça, proprietário da casa. Foram uma entrada, dois pratos principais e uma sobremesa, cada um harmonizando com um estilo diferente. “Pensamos em cada detalhe das características dos pratos para harmonizar com as cervejas e criar uma experiência única aos clientes”, relata Iuri.

Os “presentinhos” de queijo coalho com mel

De entrada ele serviu “presentinhos” de queijo coalho com mel acompanhados de uma Pilsen Tcheca, a Zlata Praha. “O mel junto com os maltes da cerveja criaram um novo sabor, valorizando o queijo”, detalha.

O primeiro prato principal foi um peru, mas feito em ragu com polenta. Para acompanhar foi escolhida uma Weizenbier, receita de cerveja de trigo tradicional da Baviera. “Buscamos aqui uma harmonização bem equilibrada, que não ofenda a proteína”, ressalta o chef.

Ragu de peru com polenta

O segundo prato principal foi o pernil de cordeiro com geleia de hortelã, acompanhado de farofa de frutas cristalizadas com amêndoas. Como a receita possui mais potência e variedade de sabores, o chef buscou uma cerveja mais forte, condimentada e bem carbonatada: a Duvel, uma tradicional Strong Golden Ale. “A ideia é trazer bastante complementação da cerveja para o prato”, afirma Iuri.

E, para a sobremesa, o chef serviu um strogonoff de nozes harmonizando com uma cerveja Porter da Koala, que leva chocolate e coco na receita. “Com isso despertamos sabores muito inusitados entre o dulçor da cerveja e do prato, criando sensações como doce de leite com tosta de chocolate”, complementa Iuri.

Ceia de Natal Tradicional – Dicas do sommelier Rodrigo Sena
Entrada: Brusquetas com Premium Lager
Pratos Principais: Peru assado e tender bolinha acompanhados de arroz com passas, molho de abacaxi, farofa com bacon, ameixa seca e damasco, com Belgian Blond Ale
Sobremesa: Rabanadas com Porter, Stout, Dunkel ou Schwarzbier

Ceia Inovadora do Cervisia – Cardápio do chef Iuri Mendonça
Entrada: “Presentinhos” de queijo coalho com mel com Bohemian Pilsner
Prato Principal 1: Ragu de peru com polenta com Weizenbier
Prato Principal 2: Pernil de cordeiro com geleia de hortelã, acompanhando de farofa de frutas cristalizadas com amêndoas, com Belgian Strong Golden Ale
Sobremesa: Strogonoff de nozes com Porter

Entrevista: Setor precisa adotar postura de prevenção para evitar novos litígios judiciais

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O ano cervejeiro ficará marcado, entre outras importantes questões, pelos litígios judiciais. Foi assim que aconteceu não apenas com o novo decreto da cerveja e a lei de rotulagem, mas especialmente com relação ao registro de estilos e termos importantes do setor como marca, como aconteceu com Helles e Kveik.

Leia também – Justiça do RS libera o uso do termo Helles nos rótulos de cerveja

Para entender um pouco mais sobre como tais litígios podem ser minimizados para 2020, o Guia fez uma entrevista com Daniela Froener, especialista em Propriedade Intelectual pela World Intellectual Property Organization (WIPO) e sócia do escritório Silva Lopes Advogados, e Clairton Kubaszwski Gama, especialista em Direito Tributário e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados.

E, para eles, tais litígios passam por um aspecto central: o conhecimento verdadeiro da legislação. “O principal é adotar uma postura de prevenção de litígios. Antes de requerer o registro de algum termo, é preciso se assegurar da validade e da legalidade do pedido”, apontam os advogados.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Daniela Froener, especialista em Propriedade Intelectual pela World Intellectual Property Organization (WIPO), e Clairton Kubaszwski Gama, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBET).

Depois da polêmica Helles em abril, que voltou à tona agora com a liberação da justiça pela utilização do termo, novos pedidos no INPI reacenderam o debate sobre o registro de termos comuns no mercado como marca. De maneira geral, como vocês avaliam tais polêmicas?Primeiramente é importante frisar que a batalha judicial travada entre as cervejarias ainda não está encerrada, entretanto, a manifestação do Tribunal no sentido de mitigar a proteção da propriedade intelectual à marca Helles pode ser avaliada como correta e positiva ao mercado. O Tribunal, no referido julgamento, deixou clara a sua posição no sentido de que, mesmo com o deferimento do pedido de registro no INPI, uma marca composta de expressão que constitui sinal de caráter necessário e indispensável para designar e representar um produto de uso comum, que se confunde com o próprio produto em si, é desprovida de originalidade suficiente para o titular deter a exclusividade no seu uso. Desta forma, tentar a concessão de registro junto ao INPI de marcas compostas por expressões de uso comum pode vir a decepcionar o futuro titular, já que tanto o Tribunal de Justiça do RS como o próprio STJ encaram a questão da mesma forma: expressões de uso comum, mesmo com concessão de registro efetivada pelo INPI, não conferem ao titular o direito de uso exclusivo, como estamos acompanhando no caso da marca nominativa Helles. Parece-nos que cabe ao próprio INPI indeferir os pedidos de registro de marca compostas por expressões de uso comum, em respeito ao que determina a legislação sobre o tema, porém, em assim não agindo a referida autarquia, corretamente o judiciário corrige o equívoco e tenta fornecer ao mercado a segurança jurídica necessária para o desenvolvimento das suas atividades, através da correta aplicação da legislação.

O que pode ser feito para minimizar esse clima de insegurança jurídica? O problema está mais no INPI ou na justiça? Como tornar o processo mais claro e correto?
Como é de competência do INPI analisar e julgar os casos de pedido de registro de marca, sendo a justiça apenas procurada quando já existe dúvida sobre a atuação da autarquia, podemos afirmar que o problema se inicia no INPI. Porém, o INPI não detém culpa exclusiva, pois cabe aos interessados apresentarem oposição aos pedidos de registro de marcas, momento em que podem explicar ao INPI os motivos pelos quais uma determinada expressão ou símbolo não pode vir a ser registrado como marca. Ainda, mesmo se após a apresentação da oposição o INPI julgar de forma equivocada um pedido de registro de marca, como, por exemplo, aqueles compostos por termos utilizados para identificar estilos cervejeiros, pode-se solucionar o equívoco pela via administrativa, através de processo diretamente junto ao INPI. Caso não haja mais prazo hábil para apresentação do processo administrativo, cabe a quem se sentir prejudicado pelo registro buscar sua anulação na via judicial. Ocorre que estas questões envolvem um certo conhecimento técnico acerca da matéria que, muitas vezes, nem o INPI e nem o Judiciário possuem, até por se tratar de um assunto recente e ainda pouco recorrente. Assim, surgem decisões como a do próprio caso Helles, em que na primeira instância foi mantida a exclusividade sobre o uso do termo. Para evitar estas situações, cabe a quem demanda pela anulação de um registro demonstrar também a parte técnica particular ao universo cervejeiro.

Em meio a esse cenário, quais os cuidados que uma cervejaria deve ter para se certificar de que não cometerá nenhuma infração relativa à propriedade intelectual?
O principal é adotar uma postura de prevenção de litígios. Antes de requerer o registro de algum termo, é preciso se assegurar da validade e da legalidade do pedido. O processo de registro junto ao INPI, ainda que seja de certa forma simples, envolve o conhecimento e análise de toda a legislação pertinente à proteção da propriedade intelectual e industrial.

Outro tema polêmico nos últimos meses veio com o novo decreto da cerveja. Como vocês avaliam, atualmente, a situação do mercado frente a esse novo decreto? E como a nova lei de rotulagem pode ser encarada diante desse cenário?
No dia 11 de dezembro, foi publicada a Instrução Normativa nº 65/2019 do MAPA, que revoga a antiga IN 54/2001 e vem regulamentar o novo PIQ da cerveja, em atenção às alterações realizadas em julho através do Decreto nº 9.902/2019. De forma geral, esta nova IN do MAPA, assim como as modificações do novo Decreto, são extremamente benéficas ao setor cervejeiro, especialmente para o artesanal. Reinvindicações antigas, como a possibilidade de utilização de adjuntos de origem animal (mel, por exemplo), padronização das informações de rótulo e simplificação do processo de registro de novos produtos, foram atendidas. O único ponto que parece ainda carente de uma melhor definição é em relação ao limite de uso de adjuntos, pois, mesmo com esta nova IN, ainda é possível defender a tese de que não há norma válida que limite o uso de adjuntos cervejeiros, uma vez que tal limitação está prevista apenas na IN, mas não no Decreto.

Leia também – Entenda o que muda com a norma que redefiniu as regras da cerveja brasileira

O ano cervejeiro foi marcado, entre outros assuntos, pelas questões jurídicas, como na questão dos registros, do decreto e da lei de rotulagem. Qual o balanço que pode ser feito de todas essas questões e o que elas podem trazer de lição para 2020?
Todas estas questões deixam clara a importância de se estar bem assessorado em todos os aspectos que envolvem o negócio. Não apenas na parte técnica ou financeira, mas uma assessoria também na parte jurídica se mostra fundamental para que o crescimento possa ser realizado com a maior segurança jurídica possível, evitando litígios que, invariavelmente, podem acabar resultando em prejuízos financeiros.

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Clairton Gama
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Daniela Froener