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Artigo: A classe C desconfia do seu segmento, volte três casas

Por Paulo Darcie*

Além de editar o Guia, trabalho há oito anos fazendo pesquisas de comportamento do consumidor. Ao longo desse período, pude acompanhar o surgimento de tendências que chegaram silenciosas e assim foram se consolidando até se tornarem realidades; mas também vi outras despontando com força, se revelando “modinhas” e minguando logo em seguida. Definitivamente, a valorização do produto artesanal, da produção pequena e local, fazem parte primeiro grupo.

No início da década de 2010, quando o Brasil ainda surfava a onda do boom das commodities, do aumento do poder de compra e da inclusão social por meio do consumo, ainda soava estranho para a maior parte o público o consumo de marcas regionais, da pequena produção. A suposta ascensão da classe C (não gosto do conceito, mas ele é útil…) se consubstanciava justamente na possibilidade de comprar produtos e marcas já consagrados, sonhados e, até então, inalcançáveis – mesmo que considerados “de massa”, como um tênis com 12 molas, uma camisa com um jacarezinho ou um carro 1.0.

No mesmo período em que se comemorou o “milagre” do consumo, o acesso à informação iniciava um processo de reconfiguração interminável: a internet se popularizava e novos âmbitos para troca e consumo de informações (as redes sociais são um exemplo, mas não o único) tomavam forma e novas vozes passavam a ser ouvidas. O fluxo instantâneo de informações certamente tem sua parcela de responsabilidade na propagação de tendências de consumo que apontavam para a direção oposta.

Assim, a valorização do artesanal, do local e do exclusivo ganharam espaço dentre as classes mais abastadas no meio da década, adubadas por esse fluxo de dados e, até certo ponto, como uma forma de reação a uma dinâmica de consumo que não mais diferenciava classes por “si só”. O conceito de consumo de experiência veio para arrematar, escrevendo na pedra que o ato de comer um hambúrguer de R$ 30 feito em um food truck seria capaz de proporcionar uma satisfação existencial que um combo de fast food nunca ofereceria.

A cerveja artesanal fez parte dessa tendência, instalando-se no hábito da classe A, se expandindo rumo à classe B conforme se fez mais acessível. Nos últimos três anos, flertava com a classe C, impulsionada por fatores como a compra de marcas que se destacavam por grandes corporações e como o “despertar” das marcas menores para a importância da educação cervejeira na quebra de preconceitos.

Laboratório uberlandense
Estive na cidade mineira de Uberlândia na semana passada para estudar o consumo de TV paga por famílias da periferia. No entanto, não pude deixar de fazer uma sondagem paralela sobre a nova situação da cerveja artesanal em 2020. E nem se quisesse conseguiria evitar: lá, a contaminação das cervejas da Backer é o primeiro na fila de assuntos das pausas no trabalho, no restaurante, no Uber…  Todos têm e querem dar sua opinião – formada, muitas vezes, por desinformação. Em comum, no entanto, os discursos que ouvi culminam em um descrédito da “cerveja artesanal” como um todo:

“Esse negócio de artesanal sempre dá problema”

“Eu sou brahmeiro mesmo, pelo menos a gente sabe de onde vem”

“Prefiro ficar na minha Crystal de R$ 1,60”

Obviamente não há um rigor metodológico, muito menos valor estatístico nessas impressões coletadas. No entanto, o sentido para onde todas elas apontam é claro. Vinda de pessoas que tateiam, mas que não estão consolidadas como consumidoras de cervejas artesanais, essa postura preventivamente refratária é um péssimo sinal: voltamos três casas (três anos?) na árdua batalha pela popularização e democratização do segmento.

O caso veio como uma pá de cal para aqueles que estavam começando considerar (mesmo em um cenário de sufoco no orçamento familiar) o benefício de pagar mais por produtos diferenciados. De certa maneira, o impasse nos leva para uma situação análoga à do início dos anos 2010, mesmo que sob outra lógica e, talvez, apenas circunscrito ao universo das cervejas: para “as massas”, bom, confiável e viável é o produto dos grandes fabricantes, das marcas “famosas”.

Se o laboratório uberlandense pode sinalizar algum recado: para os próximos anos, o desafio do setor deixa de ser o de ampliar e passa a ser o de reconquistar seu espaço, credibilidade e atratividade perante a classe C. Para isso, as tão elogiadas união e cooperação entre cervejeiros brasileiros não pode se limitar a brindes em eventos bacanas. Muita mão na massa vai ser necessária.


*Paulo Darcie é editor do Guia da Cerveja e pesquisador de comportamento na Vox Pesquisas

Número de lotes contaminados da Backer chega a 32; Whisky e gin serão investigados

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As perícias técnicas realizadas nas investigações da Polícia Civil e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) identificaram mais 11 lotes de cervejas da Backer contaminados por monoetilenoglicol e dietilenoglicol.

Com isso, sobe para 32 o número de lotes contaminados, de 10 marcas diferentes – 70% dos rótulos afetados é da cerveja Belorizontina.

Levantamento divulgado pelo Mapa

A perícia do Mapa identificou contaminação na chamada água cervejeira da Backer, o que coloca em risco todos os rótulos produzidos pela fábrica, já que a mesma água é utilizada em todas. Também foram confirmadas contaminações em diferentes tanques de fermentação usados na produção de diversas receitas da cervejaria.

“Cada tanque da Backer fermenta e matura cerca de 20 mil litros de cerveja, em um ciclo médio de 2 semanas, dependendo do estilo, o que leva a crer que a lista de lotes contaminados será ainda maior do que a já confirmada pelo Mapa”, explica Rodrigo Sena, sommelier de cervejas e responsável pelo canal Beersenses.

Whisky e gin
Por conta da contaminação identificada em diversos pontos da cervejaria, o Mapa informou que irá realizar testes em outras bebidas fabricadas pela Backer na mesma planta.

A cervejaria inaugurou uma destilaria em 2018, onde estava produzindo o whisky single malt Três Lobos e o gin com lúpulos da marca Lebbos. A Backer informou que não utiliza a mesma água da cervejaria na produção dessas bebidas.

Vídeo e adulteração
Enquanto as investigações prosseguem, a Backer entregou à polícia um vídeo feito nas instalações da Imperquímica Comercial Ltda, em Contagem, fornecedora da cervejaria, que mostra uma suposta adulteração do monoetilenoglicol.

O vídeo, que teria sido gravado por um ex-funcionário da Imperquímica, mostra o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol sendo misturados em uma mesmo recipiente para venda.

“Ainda é prematuro dar qualquer informação sobre o vídeo nesse momento. As autoridades competentes estão buscando as informações necessárias para a apuração da verdade. A empresa é a maior interessada em esclarecer o que realmente aconteceu”, diz Estevão Nejm, advogado da Backer.

A denúncia motivou uma ação conjunta da polícia e da vigilância sanitária, que foram até a Imperquímica e a interditaram por estar fracionando mono e dietilenoglicol para venda sem ter a licença necessária.

Mas as irregularidades encontradas e a suposta adulteração de produtos feita pela Interquímica não explicariam a contaminação das cervejas da Backer. Afinal, o fato do fornecedor manipular e adulterar as substâncias não explica porque elas foram parar dentro das bebidas, já que no processo normal de produção não há contato da cerveja com mono ou dietilenoglicol.

Tanto a Polícia Civil quanto o Mapa ainda não divulgaram uma linha de investigação definida. Na semana passada, os policiais disseram que nenhuma hipótese pode ser descartada até o momento. Já os peritos do Mapa informaram, em entrevista coletiva, que trabalham com três hipóteses possíveis: sabotagem, vazamento acidental ou uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no sistema de refrigeração da cervejaria.

Vítimas
Até o momento há 19 casos notificados com sintomas da síndrome nefroneural – 17 homens e duas mulheres. Destes, quatro pessoas morreram e outras 15 permanecem internadas em estado grave. No início os casos estavam restritos a pessoas que consumiram a Belorizontina em um bairro de Belo Horizonte, mas atualmente já há notificação de casos em outras cidades de Minas Gerais.

Leia também – O que se sabe sobre a síndrome nefroneural e um estudo sobre a contaminação

Das 19 pessoas notificadas com os sintomas da síndrome, apenas quatro casos estão tecnicamente comprovados como intoxicação por dietilienoglicol. Nos outros 15, inclusive em três mortes, ainda não há confirmação técnica da intoxicação.

A demora na confirmação se deve ao fato de que apenas a Polícia Civil possui a tecnologia necessária para confirmar as intoxicações. A Secretaria da Saúde de Minas explicou que não possui a tecnologia porque a contaminação de alimentos por dietilenoglicol é algo raro, nunca antes ocorrido no estado.

“É rara a intoxicação por dietilenoglicol. A gente não sabe em relação a sequelas, evolução. Existe a possibilidade de que estes pacientes se recuperem, mas pode ser que também tenham sequelas”, explica Virgínia Antunes de Andrade, infectologista e diretora do hospital público Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte.

A Secretaria da Saúde de Minas colocou no ar um portal com informações sobre a contaminação por dietilenoglicol para a população e para profissionais da área de saúde.

Leia também – Após inovar e crescer por 20 anos, Backer tem futuro incerto

Situação atual da Backer
A cervejaria está completamente interditada pelo Mapa desde o dia 10 de janeiro, além de ter sido notificada para fazer um recall de todas suas cervejas produzidas a partir de agosto de 2019. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu por 90 dias a venda de qualquer rótulo da Backer, independente do lote.

A diretora de marketing e sócia da Backer, Ana Paula Lebbos, concedeu entrevista coletiva onde disse que a empresa não sabe explicar a contaminação. “O que eu preciso agora é que vocês não bebam a Belorizontina, qualquer que seja o lote, por favor”, disse na coletiva.

Tanto a polícia quanto o Mapa informaram que a Backer colabora ativamente com as investigações, fornecendo com rapidez as informações solicitadas e até mesmo munindo a investigação com dados que também não foram solicitados.

Menu degustação: Doktor Bräu sustentável, festival em Campinas, ZEV em lata…

Doktor Sustentável
A Doktor Bräu instalou 130 painéis solares em sua fábrica, localizada na divisa entre Congonhal e Pouso Alegre (MG), com a intenção de gerar toda a energia que precisa. A estrutura de 3.000m² conta com sede administrativa (400m²), área produtiva (350m²),Hospício Pub, que inclui brinquedoteca para crianças de até 7 anos e loja de presentes (150m²), e estacionamento gratuito para 50 carros. A expectativa é de que o projeto “se pague” em pouco mais de um ano, proporcionando uma economia de R$ 12 mil mensais. “Agora podemos dizer que a missão da empresa está mais completa: elaboramos cervejas inovadoras com qualidade inquestionável, lançamos rótulos saborosos com frequência e proporcionamos, a cada gole da nossa bebida, uma experiência única e inesquecível ao fã de cervejas artesanais… E tomamos ações que contribuem com a preservação do meio ambiente”, diz Nuberto Hopfgartner, um dos fundadores da Doktor Bräu.

Leia também – Cerveja que cura: O jardineiro, o enfermeiro e as receitas medicinais da Doktor Bräu

Lançamento da Cavok
A Cervejaria Cavok, que conta com um brewpub em Jundiaí (SP), lançou sua primeira cerveja no mercado em barril e lata. É a Spithops, uma American IPA. Em sua receita, foram utilizados os lúpulos Simcoe, Mosaic, Citra e Ekuanot. Possui 43 IBUs, com 6% de graduação alcoólica.

ZEV em lata
A cervejaria ZEV, de Suzano (SP), aproveitou o início do ano para lançar suas cervejas em lata. Inicialmente, serão três estilos: Vienna Lager (350ml), NE IPA com manga (473ml) e BerlinerWeisse com jabuticaba (473ml).  Para levar seus rótulos em lata para o mercado, a marca comprou no fim de 2019 sua própria envasadora. “Sempre tivemos a ideia e a vontade de envasar nossas cervejas em lata e agora conseguimos realizar esse sonho. Estamos ampliando as opções para nossos consumidores”, comenta Mikhail Ganizev, sócio-proprietário da ZEV.

Agenda: Bier Brasil
O Festival Bier Brasil será realizado na próxima semana, de sexta-feira até domingo, em Campinas, na Lagoa do Taquaral – portões 5 e 7 –, com entrada gratuita. O evento é realizado há quatro anos em diferentes cidades do estado de São Paulo, reunindo beer trucks para a comercialização das cervejas. Nesta edição serão 20, com mais de 120 estilos. A gastronomia ficará por conta de food trucks. Já estão confirmados os seguintes beer trucks: Cervejaria Copina, Bonde Beer – Cervejaria Campinas, Beer Truck do Barbosa – Cervejaria Berggren, Mundo – Cervejaria Providência, Barba – Cervejaria Leuven, Airsoft – Cervejaria Hoffen, Cervejaria Devorss, Shorsntein, Kombinha – Cervejaria Hausen, Cervejaria Mosteiro, Nineties Bier, Madalena, Ubier – Germania, Vai Tomar na Kombi – Cervejaria Dama, Campinas Chopp – Cervejaria Vila Alemã, Cevada Pura, Cervejaria Tarantino, Cervejaria Benedetto, Cervejaria Insana e Cervejaria Burgman. 

Perfil: Após inovar e crescer por 20 anos, Backer tem futuro incerto

No final da década de 90, em Belo Horizonte, uma casa de shows começou a se destacar por causa do chope que vendia. Embora não fosse de nenhuma marca conhecida, era muito bom e ganhou fama em uma cidade que sempre amou cerveja. O local se chamava Três Lobos e pertencia à família Lebbos. Os empresários mandavam fazê-lo em uma cervejaria e vendiam como “o chope made in Minas”. O sucesso foi tanto que decidiram mudar de ramo: investiram em uma cervejaria própria e criaram a Backer, que hoje tem 20 anos de história.

“A receita do chope Backer conquistou os clientes da memorável casa de shows Três Lobos. De lá, eu e meu marido, Halim, com Munir (irmão de Halim), investimos em um espaço para criar a primeira cerveja artesanal de Minas”, contou Ana Paula Lebbos, em outubro de 2016, ao jornal O Tempo, de Belo Horizonte.

Munir, Ana Paula e Halim Lebbos em 2017

Esse é o início da história de 20 anos da cervejaria Backer (“padeiro”, em alemão), que viveu duas décadas de forte crescimento e prosperidade, mas que hoje está no centro de um caso policial que envolve contaminação, dezenas de pessoas hospitalizadas e três mortes confirmadas.

Durante sua trajetória, a Backer sempre inovou e se tornou um ícone da pujança do segmento de cerveja artesanal no Brasil. “A Backer foi uma das pioneiras no mercado mineiro entre as artesanais e já saiu na frente das outras (Krug e Wäls) ao ser a primeira a envasar cervejas de estilos até então desconhecidos, como Weiss e Pale Ale, isso em 1999″, conta a sommelière e jornalista Fabiana Arreguy.

“A partir do lançamento da linha Três Lobos, em 2010, a Backer mudou o conceito dela no mercado, por trazer estilos norte-americanos que ainda eram pouco difundidos no Brasil”,acrescenta Fabiana, que é de Belo Horizonte e conhece de perto a história da Backer.

Leia também – Contaminação chega a 8 rótulos e 21 lotes de cerveja

Em 2014, com forte crescimento nas vendas, a Backer investiu cerca de R$ 6 milhões em uma ampliação e criou o chamado Pátio Cervejeiro. Além de abrigar a cervejaria, o local concentra uma destilaria, uma loja e um restaurante. O investimento ampliou a produção da empresa, que em 2019 estava vendendo suas cervejas para 16 estados diferentes.

Prêmios e a Belorizontina
No foco das investigações, a cerveja Belorizontina foi inicialmente feita como uma edição limitada, mas agradou tanto que se tornou o principal rótulo da empresa, segundo detalha Fabiana.

“A Belorizontina, criada em homenagem aos 120 anos de Belo Horizonte, em 2018, trouxe mais uma inovação ao usar lúpulos franceses na receita de uma American Lager. Essa cerveja, feita em edição limitada, foi um fenômeno de vendas, tanto assim que entrou para o portfólio fixo da Backer. E não só isso, levou à expansão da fábrica para atender a demanda de mercado. A Belorizontina passou a responder por 60% da produção da Backer”, relata Fabiana.

O investimento em inovação na construção de receitas e a qualidade das cervejas produzidas levaram a Backer a conquistar dezenas de medalhas em importantes concursos nacionais e internacionais, como World Beer Award e European Beer Star.

E, justamente no ano passado, a empresa foi coroada como a melhor cervejaria de grande porte do Brasil, no Concurso Brasileiro de Cervejas, em Blumenau (o mais importante do país) – e, também, como a melhor cervejaria das Américas, na Copa Cervezas de Americas, no Chile.

Estrutura
Atualmente com cerca de 350 funcionários diretos, a Backer não divulga números oficiais sobre sua produção. Mas, pelo volume de tanques já citados na investigação, é possível estimar que a cervejaria possui uma capacidade produtiva em torno de 1 milhão de litros de cerveja por mês, com 20 rótulos registrados.

Segundo levantamento da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), a média de produção das artesanais brasileiras é de 20 mil litros por mês por cervejaria, o que tornaria a Backer a maior do segmento no país.  

Já o Sindicato da Indústria de Bebidas de Minas Gerais (SindBebidas) estima que o faturamento mensal aproximado da Backer estaria em torno de R$ 7 milhões, o que representa 60% da receita de todas as cervejarias artesanais do estado. A empresa também vinha produzindo outras bebidas, como um uísque single malte – o 3 Lobos – e um gin com lúpulos.

Destilaria e novo bar criado pela Backer para a degustação do whisky 3 Lobos

Polêmicas
E, como toda empresa que possui grande participação e influência no mercado, a Backer sempre causou polêmicas com modelos de negócios que fechavam pontos de venda exclusivos da mesma forma que gigantes como Ambev e Heineken fazem.

“A Backer fechava pontos de venda para outras artesanais, dando bonificações, mesas, ombrelones e freezers para ser exclusiva. Por usar dessa prática, nunca foi bem quista pelas outras cervejarias artesanais, que a enxergavam como concorrente desleal”, analisa Fabiana.

O site UOL divulgou que os donos da Backer, em conjunto com um banco, teriam procurado a Ambev para vender a cervejaria, mas a oferta teria sido recusada por conta da quantidade de passivos que a empresa possui.

A situação atual da Backer é complicada. As investigações apontaram contaminação em diversos rótulos e ninguém da empresa consegue explicar o motivo. A marca já está bastante desgastada – e não só em Minas Gerais. Ninguém arriscaria dizer qual o futuro da Backer, mas os estragos já são palpáveis. A cervejaria está interditada pelo Ministério da Agricultura, proibida de produzir e de vender qualquer rótulo de cerveja.

Para Fabiana, que vivenciou de perto a trajetória da cervejaria, é muito difícil conseguir explicar o que está acontecendo. “Difícil compreender ou supor que um erro dessa natureza, de contaminação química em fábrica, tenha acontecido por negligência ou incompetência. Mais difícil ainda é enxergar uma história de 20 anos ser destruída em apenas uma semana”, lamenta a especialista.

Artigo: Adeus 2019 da consolidação, bem-vindo 2020 dos desafios no setor cervejeiro

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*Por Bia Amorim

Com certeza 2019 foi um ano em que muita coisa aconteceu no mercado cervejeiro e o ano de 2020 chega com muitos desafios. Alguns tópicos a serem abordados, pensados e discutidos pelo setor.

  • Tivemos uma enorme sintonia entre as políticas das grandes e pequenas cervejarias e o amadurecimento da Abracerva e suas importantíssimas reuniões. A existência do “Fla x Flu” entre as grandes e as artesanais é saudável em partes, pois traz à tona debates importantes.
  • O Ministério da Agricultura (Mapa) se mostrou pronto para o presente e o futuro, já que estava no passado. Este é um ano de elogios ao trabalho feito pelo Ministério, que nos entregou uma forma mais rápida e eficaz nos registros, mas também trabalhou para colocar em prática a IN 65 e a criação de formatos onde o mercado consiga se pronunciar, como a Câmara Setorial.
  • Grandes eventos consolidados: o Mondial de la Bière se mostra cada vez mais imprescindível tanto no Rio quanto em São Paulo, o Slow Brew esgotando convites e divertindo geeks e apreciadores, o IPA Day crescendo para outras praças, Blumenau com público cada vez mais regional, mas consistente, e a Copa de POA ganhando território com o bom enlace latino. Já eventos menores ganharam o espaço regional que merecem, mas ainda com lição de casa a fazer.
  • A mineira Zalaz está dando uma aula de sustentabilidade e criatividade. Cervejarias do interior do estado de São Paulo estão mostrando que são boas de fazer marcas ciganas e desenvolvem cada vez mais ferramentas, pois para o serviço ser 100% já não basta mais entregar cerveja pronta e só. Há muitas cervejarias se expandindo, investindo e também entendendo que criar taproom talvez seja a maneira mais fácil de lidar com o consumidor e as cargas tributárias e logísticas.
  • O crescimento da cerveja artesanal no Norte e Nordeste está indo bem, mesmo que em ritmo mais lento, e tem alcançado bons números.
  • A Lagunitas chegou ao mercado para lidar com um público que não se importa com o discurso artesanal, mas quer uma cerveja boa e que tenha outros engajamentos e um bom discurso. Cada vez mais entendemos que se ficarmos na bolha não vamos sobreviver – as marcas precisam estar mais conectadas com o consumidor.
  • A Eisenbahn deu um show com as escolhas feitas na mudança do reality-show Mestre Cervejeiro, convidando influenciadores para mostrar como é a vida real para quem não conhece sobre cerveja e sobre diversidade.
  • A Colorado se manteve fiel à expansão dos bares da marca e à conquista de mais espaço com as franquias, enquanto a Pratinha, depois de entregar muitas novidades em 2019, como foi o caso da Magic Booze e das interações com IA e Machine Learning, virou um braço importante de inovações para a Zx, empresa craft da Ambev. No começo de 2020 vimos a Lohn ser também incorporada em uma nova parceria com a grande. Quem é visto, é lembrado.
  • O ano de 2020 vai ser de desafios, pois, com o otimismo na economia, o crescimento chega, mas estarmos prontos é outra prateleira. A burocracia nas vendas para quem vai crescer para outros estados precisa vir com consistência e inteligência, então acredito que deve haver mais investimento na parte de gestão e assessoria jurídica.
  • Temos o desafio da nova regulamentação de rotulagem de garrafas.
  • Vamos observar as consequências das novas mudanças na liberdade de ingredientes a serem colocados nas receitas, com a liberação de lactose, mel e outros produtos de origem animal. Podemos criar monstros, saborosos ou ruins.
  • O país está em foco e muitas cervejarias de fora, como a Brooklyn, estão concentrando esforços por aqui. Mas com a alta do dólar só ganha quem produzir “in loco”. No caso das Japas, se mostraram um passo à frente quando o assunto é networking externo e já estão bombando em lugares da cena cervejeira nos Estados Unidos, produzindo por lá.
  • As tendências gringas continuam a bater em nossa porta e cervejas menos alcoólicas ou 0% ABV devem ter crescimento alto e mais aceitação, com sabores mais bem construídos. A Heineken investiu bastante nesse segmento e tem apresentado o produto pelo mundo.
  • Estou curiosa para ver uma melhora no conteúdo postado pelas redes sociais das marcas e não apenas “recebidos” de influenciadores. É preciso ir além do básico e mostrar que existe interesse em divertir e entreter melhor os consumidores, com qualidade.
  • Muitos lançamentos de cervejas, eventos e novidades devem surgir com a melhora nos ânimos econômicos.
  • Com o crescimento dos concursos cervejeiros nacionais neste ano, os empresários cervejeiros podem aproveitar a oportunidade e ter feedbacks bem feitos, com percepções do seu produto e um mini relatório sensorial. É importante ler sem levar para o lado pessoal, rever os processos e ingredientes que usam e, como resultado, ter um produto final sem defeitos, mais técnico e maduro, o que traz mais drinkability e recompra.
  • O caso da Backer, depois de solucionado, deve mostrar ao mercado como um todo que precisamos aprender a lidar de forma séria com diversas questões que vão nos assombrar como resultado desta catástrofe.

* Bia Amorim é sommelière e editora da Farofa Magazine

O que se sabe sobre a síndrome nefroneural e um estudo sobre a contaminação

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A contaminação de dezenas de lotes da Backer pela presença de dietilenoglicol tem provocado uma árdua investigação. Mas não é apenas na seara do mercado cervejeiro e do controle de qualidade onde os debates têm se intensificado. Na saúde, os profissionais também se esforçam para entender o que é exatamente a síndrome nefroneural.

A doença que teve seus sintomas detectados em quatro pessoas que morreram em Minas Gerais é pouco conhecida. Tanto que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Ciev-Minas) divulgou, em janeiro, uma nota técnica emergencial sobre a “insuficiência renal aguda associada a alterações neurológicas de etiologia”.

A nota foi publicada quando havia 7 casos suspeitos – hoje já se aproximam de 20. E, segundo a análise, “a média de dias entre início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5 dias. Todos com insuficiência renal aguda de rápida evolução (até 72 horas) e alterações neurológicas centrais e periféricas”.

Leia também – Caso Backer: Contaminação chega a 8 rótulos e 21 lotes de cerveja

De maneira geral, segundo o Ciev-Minas, a síndrome nefroneural provoca náusea, vômito e dor abdominal, seguidos por um quadro de rápida evolução para insuficiência renal e alterações neurológicas.

“A partir da análise inicial elaborou-se nota técnica com orientações para vigilância do agravo inusitado”, orienta o Ciev. “Definição de caso: indivíduo que a partir de primeiro de dezembro de 2019, iniciou com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vomito e/ ou dor abdominal) associados a insuficiência renal aguda grave de evolução rápida (em até 72 horas) seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório, paralisia descendente.”

A ligação da síndrome nefroneural com a contaminação está sendo investigada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Polícia Civil de MG. As substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol foram encontradas no sangue dos contaminados, em inúmeros lotes da Backer, nos tanques de fermentação e na água usada para a produção das cervejas.

Caso anterior
Um artigo escrito em 2010 por Johann Morelle, Nada Kanaan e Philippe Hantson (https://www.kidney-international.org/article/S0085-2538(15)54302-0/fulltext) e denominado, em tradução livre, “Paralisia do nervo craniano e insuficiência renal aguda após consumo de uma ‘bebida especial'”, aborda um caso de contaminação por dietilenoglicol que parece ser semelhante ao das ocorrências que envolvem as cervejas da Backer.

Como diagnóstico, o material aponta que intoxicações que resultam em insuficiência renal aguda, acidose metabólica e anormalidades neurológicas devem levar o clínico a avaliar se ocorreu ingestão tóxica de álcool. “Em nosso paciente, a intoxicação por dietilenoglicol (DEG) foi fortemente sugerida pela associação de diplegia facial periférica, tetraparesia flácida, hepatite leve e pancreatite”, explica o trio no artigo.

No caso analisado, o paciente – um homem de 40 anos – foi encaminhado de outro hospital, onde esteve internado inicialmente por quatro dias com histórico de náusea, fraqueza geral, dor abdominal, diarreia e oligúria progressiva, mas sem déficit neurológico. Os dados laboratoriais iniciais mostravam insuficiência renal aguda e acidose metabólica.

Posteriormente, ele revelou ter ingerido inadvertidamente uma bebida incolor, que lhe tinha sido oferecida cinco dias antes como uma “bebida especial” por um colega em um canteiro de obras. O artigo também aponta sintomas semelhantes aos dos casos de Minas Gerais, assim como da evolução do estado clínico.

“As primeiras manifestações de intoxicação por DEG incluem sintomas gastrointestinais, estado mental alterado e acidose metabólica. Uma segunda fase é marcada por lesão tubular hepática e particularmente renal”, diz o artigo, continuando a descrição sobre os sintomas.

“A neurotoxicidade tardia inclui anormalidades do nervo craniano (fraqueza facial, paralisia bulbar, neurite óptica) e neuropatia periférica com aumento da concentração de proteínas no líquido cefalorraquidiano. A paralisia do nervo facial parece ser um problema neurológico predominante, pois 50% dos pacientes contaminados no surto de Panamá em 2006 foram afetados e 82% deles apresentaram diplegia facial”, acrescenta.

Nesse caso específico, com encaminhamento tardio ao hospital, o paciente foi tratado por hemodiálise intermitente. A visão se recuperou precocemente, enquanto a tetraparesia – desordem na qual músculos dos quatro membros ficam fracos – começou a se resolver no 27º dia. Ele conseguiu caminhar no 34º dia. Oito meses depois, a diplegia facial periférica completa e um leve comprometimento da função renal ainda persistiam.

Caso Backer: Contaminação chega a 8 rótulos e 21 lotes de cerveja

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Conforme as investigações e os testes conduzidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) avançam, mais produtos da cervejaria mineira Backer são detectados com contaminação. Nesta quinta-feira, os técnicos do ministério anunciaram que foi encontrada a presença de monoetilenoglicol e dietilenoglicol em amostras de outras seis marcas da empresa – além da Belorizontina e da Capixaba.

Leia também: Mapa identifica água contaminada e cogita hipótese de sabotagem

Em nota oficial, o Mapa afirmou que análises conduzidas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária constataram 21 lotes contaminados, que incluem agora Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2. Em seu portfólio fixo, a cervejaria conta com 22 rótulos.

As apurações para identificar as circunstâncias da contaminação continuam, segundo o ministério, que segue tomando medidas para mitigar o risco apresentado pelas cervejas contaminadas.

Na quarta, o Mapa concluiu que a contaminação das cervejas se deu por meio da água utilizada na produção. No entanto, ainda não está claro como isto aconteceu. Os técnicos trabalham com três hipóteses: má utilização das substâncias, vazamento e até sabotagem industrial.

A fábrica da Backer teve seu fechamento e a retirada de todos os seus produtos do comércio determinados pelo Mapa na semana passada. Segundo a pasta, essas condições devem prevalecer até que sejam restabelecidas e comprovadas as condições de operação.

“Ressaltamos que a empresa permanecerá fechada até que se tenha condições seguras de operação e os produtos somente serão liberados para comercialização mediante análise e aprovação do Mapa”, diz a nota.

Por meio de suas redes sociais, a Backer tem se colocado à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e dar suporte aos familiares.

Outra morte
A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais informou a morte de um homem de 89 anos que teria sido infectado pela síndrome nefroneural, acarretada pela ingestão de cerveja contaminada.

Trata-se da terceira morte (dois habitantes de Belo Horizonte e um de Juiz de Fora) comprovadamente ligada ao caso. O falecimento de uma mulher, comunicado pelas autoridades de Ubá, pode também ter origem no envenenamento dos produtos. No entanto, a hipótese não está comprovada.

Uma outra morte na cidade de Pompéu foi notificada, mas ainda está sendo investigada.

Caso Backer: Morre mais uma pessoa com síndrome nefroneural em BH

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A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou nesta quarta-feira a morte de um homem de 76 anos que estava internado em um hospital de Belo Horizonte com sintomas da síndrome nefroneural. É o segundo caso confirmado com a mesma causa de morte em MG. Uma terceira morte na cidade de Pompéu foi notificada, mas ainda está sendo investigada.

A síndrome nefroneural provoca dores abdominais, náuseas, vômitos, insuficiência renal e problemas neurológicos, como perda de visão e paralisia facial.

A Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão investigando a ligação da síndrome com a contaminação da cerveja Belorizontina e da Capixaba, da Backer, depois que 17 pessoas que apresentaram os sintomas consumiram a bebida no mesmo bairro de Belo Horizonte.

Até o momento, foram encontradas as substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol no sangue de 11 pessoas, em sete lotes diferentes da Backer, nos tanques de fermentação da cervejaria e na água usada para a produção das cervejas. A cervejaria se manifestou e pediu que a Belorizontina não seja consumida, independentemente do lote.

No mesmo hospital onde faleceu a segunda vítima, há um homem internado em estado muito grave, que também consumiu a cerveja Belorizontina.

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Ainda nesta quarta-feira, a Polícia Civil informou que subiu para 18 o número de casos da síndrome investigados em Minas Gerais. Uma nova notificação chegou da cidade de Itaúna, na região central do estado.

Trata-se de uma mulher de 23 anos, que foi internada apresentando os sintomas da síndrome e levou ao hospital uma garrafa vazia da cerveja Belorizontina que disse ter consumido.

Caso Backer: Mapa identifica água contaminada e cogita hipótese de sabotagem

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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou nesta quarta-feira, durante entrevista coletiva, que encontrou dietilenoglicol e monoetilenoglicol na água usada na produção de cervejas na fábrica da Backer, em Belo Horizonte. Isso implica que a contaminação pode não estar restrita à Belorizontina e à Capixaba.

“Diante da suspeita de que a contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol é sistêmica, ou seja, está presente no processo de fabricação da Backer, o Ministério determinou o recolhimento de todos os produtos da cervejaria e a suspensão da fabricação, pois outras marcas podem estar contaminadas também”, afirmou Glauco Bertoldo, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa.

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O coordenador-geral de Vinhos e Cerveja do Mapa, Carlos Müller, disse que todo o processo de fabricação da Backer está sendo periciado e que, por enquanto, há três hipóteses sendo investigadas para a contaminação da água: sabotagem, vazamento e uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no sistema de refrigeração.

“É importante ressaltar que não existem limites aceitáveis para a presença das substâncias em alimentos”, destacou Carlos Müller. “Temos que ir atrás de como ocorreu esta contaminação.”

Ele informou ainda que as notas fiscais de compra do monoetilenoglicol pela Backer indicam a aquisição de 15 toneladas da substância desde 2018, com picos em novembro e dezembro de 2019. Seria uma quantidade muito alta para uma substância que é usada em um sistema fechado, segundo ele.

“Em nossa primeira análise, ainda estamos apurando isso, não justificaria um consumo a não ser que você tenha uma contínua ampliação dos sistemas produtivos”, argumentou Müller.

Os representantes do Mapa disseram também que os lotes já confirmados como contaminados foram produzidos em diferentes tanques da cervejaria, e não apenas no tanque de número 10, como era a suposição inicial. Uma nova rodada de amostras está sob análise dos laboratórios federais agropecuários e os resultados serão divulgados em breve. 

A Backer, que responderá a um processo administrativo, ficará fechada por tempo indeterminado e seus produtos só poderão voltar a ser comercializados após o Mapa comprovar a normalidade do sistema de produção da empresa.

Confira todos os lotes onde foram identificados o dietilenoglicol, segundo o Mapa:

Belorizontina L2 1354
Belorizontina L2 1348
Capixaba L2 1348
Belorizontina L2 1197
Belorizontina L2 1604
Belorizontina L2 1455
Belorizontina L2 1464

Produção de cevada tem alta expressiva em 2019, mas previsão é negativa para 2020

A produção de cevada em grãos no Brasil teve crescimento expressivo em 2019, mas a previsão é de redução na safra do cereal cervejeiro no ano recém-iniciado. Os cenários opostos estão presentes no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano passado, segundo a pesquisa, a produção da cevada em grão registrou crescimento de 23,2% na comparação com 2018, resultando em 400.415 toneladas. Esse dado positivo foi acompanhado pela elevação de 11,7% no rendimento médio, atingindo 3.614 kg/ha. Além disso, a área plantada cresceu 10,3%, para 110.784 ha.

Os dados confirmam a avaliação de Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo. Ele apontou ao Guia que os produtores de cevada conseguiram superar um cenário de clima adverso, especialmente na região Sul, onde se concentra a produção do cereal cervejeiro no Brasil, para que 2019 terminasse sendo positivo.

O resultado da safra da cevada no ano passado está em conformidade com a produção agrícola brasileira, que apresentou bons resultados em 2019. “As safras de grãos, cereais e leguminosas em 2019 e 2020 devem registrar dois recordes consecutivos, tornando-se as maiores da série histórica iniciada em 1975. Com 241,5 milhões de toneladas em 2019, e 243,1 milhões de toneladas em 2020, as duas safras superam o recorde anterior de 2017, de 238,4 milhões de toneladas”, informa o IBGE.

Mas a projeção para a safra nacional de 2020 é negativa para o cereal cervejeiro. A expectativa é de que a produção da cevada em grão no Brasil seja de 340.274 t neste ano, o que, se tornando realidade, representará uma queda considerável, de 15%, na comparação com 2019.

Já a previsão para o trigo é de crescimento de 1,7% na produção. E isso após um ano de resultados ruins, com redução de 1,4% na produção (5.231.336 t) e de 1,5% no rendimento médio. Já a área plantada teve crescimento modesto, de 0,1%.