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Testes em 100 rótulos mostram que caso Backer é isolado; Lapolli vê ‘lição’ ao setor

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O caso de contaminação de rótulos da cervejaria Backer por monoetilenoglicol e dietilenoglicol é grave, mas isolado. Mais do que uma avaliação, essa é a constatação de testes realizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em mais cem rótulos de cerveja.

Formada por representantes da indústria cervejeira, de associações do setor e do Mapa, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva Cervejeira se reuniu nesta quarta-feira, em Belo Horizonte, para debater a atuação do setor frente à crise de confiança causada pelo caso de contaminações encontradas em cervejas da Baker.

Após o encontro, líderes da Câmara reportaram que o Mapa fez testes em mais de cem rótulos de cervejas de diferentes marcas presentes no mercado mineiro, incluindo nomes mainstream, artesanais e importados. E o ministério não detectou a presença das substâncias tóxicas.

“O Ministério da Agricultura fez uma análise em mais de cem rótulos de cervejas disponíveis no mercado de Minas Gerais, com cervejarias de todos os tamanhos, desde as grandes, passando pelas artesanais e até pelas importadas. E, desses cem rótulos, nenhum teve qualquer contaminação por etilenoglicol. Isso mostra que é um caso bastante isolado, trazendo tranquilidade para o consumidor brasileiro”, explicou Carlo Lapolli, presidente da Câmara e também da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), após o encontro.

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Para ele, portanto, esses testes demonstram que o caso de contaminação dos lotes em Minas Gerais é algo isolado. “Ficou esclarecido que é uma crise restrita à Backer. Não temos problemas de qualidade com a cerveja brasileira, seja ela industrial, com as marcas grandes, ou mesmo a artesanal”, acrescentou.

Lição
Nem por isso, porém, o setor deve afrouxar a atenção em relação aos acontecimentos e o desfecho da contaminação de rótulos da Backer, que pode ter provocado a morte de seis pessoas. Para Lapolli, trata-se de uma oportunidade e alerta para uma reflexão das cervejarias, reforçando os cuidados em todos os processos de produção das bebidas.

“Claro que a gente tem que tirar lições, sempre estar atento, porque temos um produto alimentício e a gente precisa ter a responsabilidade de colocar esse produto no mercado, garantir uma segurança alimentar para o produto que a gente está produzindo. É uma oportunidade para o setor olhar um pouco para dentro, revisar os processos de controle de qualidade, os equipamentos, fazer a avaliação de fornecedores”, disse Lapolli.

De acordo com ele, a Abracerva também será ativa no contexto da crise envolvendo a Backer e pretende trabalhar mais diretamente com as cervejarias. A ideia é que a produção das bebidas seja sempre pautada pela segurança e pela qualidade.

“A Abracerva vai começar a trabalhar para fomentar a criação de um plano de gestão de qualidade para pequenas cervejarias, de uma forma racional, que não impacte em custos”, concluiu Lapolli.

Concurso de Blumenau quebra recorde e recebe inscrição de 634 cervejarias

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O Concurso Brasileiro de Cervejas superou seus próprios parâmetros em 2020 e reunirá impressionantes 634 marcas e 3.284 amostras de 22 estados brasileiros. O número de cervejarias é 25% maior do que em 2019, quando 505 marcas se inscreveram com 3.155 rótulos.

O julgamento das 634 marcas ocorrerá entre 7 e 9 de março, em Blumenau, e a premiação será no dia 10. Na sequência haverá a realização do Festival Brasileiro da Cerveja, entre 11 e 14 de março, no Parque Vila Germânica, também em Blumenau.

Ao todo foram inscritas amostras em 146 estilos. Destaque para a IPA, com 235 rótulos. Já o primeiro estilo brasileiro, a Catharina Sour, está em segundo com 157 concorrentes, seguido por APA (132), Lager (108) e Wood and Barrel Aged (102).

“As cervejarias entendem, cada vez mais, que as premiações são ferramentas importantes de validação e uma forma de ter feedbacks com alto nível de especialização para ajuste de produtos”, afirma Fernanda Bressiani, coordenadora técnica do Concurso Brasileiro de Cervejas.

Entre as marcas que disputarão o prêmio, por sua vez, 435 são cervejarias, 160 se definem como ciganas e 39 são brewpubs. E, geograficamente, o maior número de cervejarias inscritas está em São Paulo, seguido por Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Na edição de 2019, a Suricato Ales ganhou como melhor cervejaria na categoria de pequeno porte, a Cathedral foi a premiada na de médio porte e, curiosamente, hoje envolta pelos problemas de contaminação por monoetilenoglicol e dietilenoglicol, a Backer foi considerada a principal marca de grande porte do país.

Caso Backer: Número de mortes por suspeita de síndrome nefroneural chega a 6

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A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (Ses-MG) confirmou no início desta semana que o número de mortes com sintomas da síndrome nefroneural chegou a 6. A doença tem sido provocada pela contaminação por monoetilenoglicol e dietilenoglicol de cervejas da Backer.

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Segundo a Ses-MG, contudo, apenas em um desses 6 casos foi identificada a presença da substância dietilenoglicol no sangue. Trata-se de um homem que esteve internado em um hospital de Juiz de Fora e faleceu no dia 7 de janeiro.

“Já os outros cinco óbitos estão entre os 26 casos em investigação. Trata-se de quatro homens que faleceram em Belo Horizonte nas datas 15/01/2020, 16/01/2020, 01/02/2020 e 03/02/2020; e de uma mulher que faleceu em 28/12/2019, em Pompéu. Essas pessoas estão entre os casos suspeitos e a confirmação sobre a causa da morte depende do resultado de análises laboratoriais”, aponta o órgão em nota.

A secretaria informa ainda que são 30 casos suspeitos notificados, com a seguinte distribuição geográfica: 22 em Belo Horizonte e os demais em Capelinha, Nova Lima, Pompéu, Ribeirão das Neves, São João Del Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa.

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A Polícia Civil de Minas Gerais, por outro lado, afirma que trabalha com três suspeitas a mais. “Atualmente, há 33 casos em investigação por parte da 4ª Delegacia de Polícia Barreiro, sob responsabilidade do delegado Flávio Grossi. Não há, até o momento, nenhum caso anterior ao mês de outubro de 2019 em investigação”, afirma a polícia em nota.

Até o momento 24 pessoas já foram ouvidas, entre vítimas e familiares, mas ainda não há previsão para a conclusão das investigações. Tanto que “o titular do inquérito avalia a necessidade de pedir dilação de prazo, devido à complexidade do caso”, conforme complementa a Polícia Civil.

Mudança de paradigmas deve remodelar indústria cervejeira em 2020, diz Abrabe

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O cenário de expansão da indústria cervejeira no ano passado, ratificado pelo crescimento da fabricação de bebidas alcoólicas, pode se repetir em 2020 a partir de um cenário de alteração no modo como o consumidor passou a enxergar o segmento em tempos recentes. Essa avaliação que aponta a mudança de paradigmas como uma oportunidade de crescimento para o setor é feita por Cristiane Foja, presidente-executiva da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe).

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“O consumidor brasileiro passou a observar mais atentamente as características de todas as bebidas, seus modos de preparo, a harmonização com a gastronomia e os aspectos relacionados ao consumo moderado, e demanda por novas experiências sensoriais e mais qualidade”, afirma Cristiane, em entrevista ao Guia.

A tendência, assim, segundo ela, é que a indústria cervejeira sofra uma remodelação que irá reorganizar as marcas mais consumidas nos próximos anos. Mesmo entre os consumidores das grandes cervejarias, na análise de Cristiane, já houve uma readequação com a proliferação dos rótulos puro malte. 

“O crescimento da variedade de cervejas faz parte desse movimento, assim como a ‘revolução do puro malte'”, diz ela, reforçando que o setor deve passar por uma reorganização entre as marcas mais consumidas nos próximos anos.

“Estudo da Euromonitor (2018) revela que a penetração da cerveja no mercado nacional é de 90%. Com um número crescente de rótulos e um consumidor de cerveja mais entendido e exigente, a expectativa é de que essa base de 90% se reorganize nos próximos anos”, acrescenta.

Assim, a tendência é que cervejas que invistam em qualidade, com algum enfoque na gastronomia, ampliem sua participação no mercado cervejeiro em 2020, aposta Cristiane.

2019 de crescimento
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira apontaram que, ao contrário da indústria nacional, que desacelerou em 2019, a produção de bebidas alcoólicas apresentou alta de 4,8% no ano passado. Além disso, teve crescimento nos últimos quatro meses.

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Na avaliação da Abrabe, a expansão veio acompanhada da consolidação da mudança no modo como o cervejeiro tem consumido a bebida, algo que representa uma oportunidade para a expansão do setor.

“2019 confirma um movimento no consumo da cerveja que já vem acontecendo nos últimos cinco anos: uma revolução no olhar do brasileiro diante das possibilidades de consumo das cervejas. Tudo se ampliou. Hoje há inúmeros estilos, produtos, combinações e até mesmo uma proximidade da cerveja com a gastronomia. O consumidor também descobriu as cervejas especiais”, comenta Cristiane.

A presidente da Abrabe lembra, ainda, um estudo encomendado pela associação para comprovar como esse novo perfil do consumidor veio, de fato, para reestruturar a indústria cervejeira.

“O ‘Estudo ABRABE: uma visão inédita do setor de bebidas’, encomendado pela associação à consultoria KPMG e apresentado em outubro de 2019, revelou que em 2017, por exemplo, foram lançadas 74 novas cervejas (de todos os tipos) no mercado”, aponta a presidente da Abrabe, para depois concluir.

“No mesmo período, outras 148 sofreram algum tipo de mudança, desde sabor até embalagem. Quanto às cervejas especiais, no total foram comercializados mais de 188 milhões de litros no país em 2018, quase quatro vezes mais do que em 2014. É uma tendência que veio para ficar”, finaliza Cristiane.

Em ritmo oposto ao da indústria, produção de bebidas alcoólicas cresce 4,8% em 2019

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A produção industrial de bebidas alcoólicas registrou expansão no país em 2019. Cresceu 4,8% na comparação com 2018, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foi na contramão do registrado pela indústria nacional.

O resultado ratifica a série de elevações registradas nos últimos quatro meses do ano, incluindo dezembro, que apresentou aumento de 1,1% na comparação com o mesmo período de 2018. Números que asseguraram o bom desempenho do setor em 2019.

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O cenário é parecido com o observado na indústria de bebidas, que terminou 2019 com crescimento de 4% na sua produção, número que foi reforçado pela expansão de 5,2% em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2018.

Já a fabricação de bebidas não-alcoólicas teve crescimento de 3,2% em 2019, dado apoiado pela elevação de 10,6% no último mês do ano, segundo os dados do IBGE.

“Entre as dez atividades que apontaram ampliação na produção [em 2019], as principais influências no total da indústria foram registradas por produtos alimentícios (1,6%), veículos automotores, reboques e carrocerias (2,1%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,7%), produtos de metal (5,1%) e bebidas (4,0%)”, aponta o IBGE.

Indústria em baixa
Assim, sob qualquer perspectiva, o setor de bebidas teve cenário oposto ao da indústria brasileira. A produção nacional reduziu 1,1% em 2019 e também caiu 1,2% em dezembro, levando em consideração o mesmo período de 2018.

“Tiveram grande peso nesses resultados negativos os efeitos na indústria extrativa, em decorrência do rompimento da barragem de Brumadinho no início de 2019”, explica André Macedo, gerente da pesquisa.

“Das 24 atividades pesquisadas, 16 tiveram queda no ano. A produção industrial pode estar sendo impactada pelas incertezas no ambiente externo e também pela situação do mercado de trabalho no país que, embora tenha tido melhora, ainda afeta a demanda doméstica”, acrescenta o especialista do IBGE.

Taxas sobre cerveja disparam na Austrália e incomodam pequenos

O australiano que quiser tomar uma cerveja ao final do dia de trabalho vai sentir o sabor desagradável dos impostos no fundo do copo. Um mecanismo automático de aumento de taxas a cada seis meses elevou nesta segunda-feira os impostos sobre a cerveja para AUS$ 2,26 (equivalente a R$ 6,40) por litro de produto. O mecanismo está em vigência há 35 anos e impôs a 71ª alta de taxação inapelável.

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O consumidor australiano paga, segundo estudo divulgado pela Brewers Association of Australia, entidade que representa as cervejarias independentes do país, a quarta maior taxa dentre as principais economias mundiais. Cerca de 42% do valor gasto pela cerveja são destinados ao pagamento de taxas, o que a colocaria atrás apenas de Noruega, Japão e Finlândia.

Encomendado pela entidade, o estudo foi encabeçado pelo professor Kym Anderson, da Universidade de Adelaide, e compara a taxação da cerveja australiana com a de outros países da OCDE e da União Europeia.

Em comparação com a Alemanha, por exemplo, o imposto pago na Austrália é dezessete vezes maior, enquanto fica sete vezes acima das taxas dos Estados Unidos e quase o dobro do tributo incidente na Nova Zelândia (veja tabela abaixo).

Já no Brasil, o sistema tributário é complexo. O cálculo leva em conta impostos como IPI, PIS, Cofins, ICMS, ICMS-ST e o peso total das taxas ainda depende do estado de destino da venda, já que alíquotas e ICMS são estaduais e variam em cada unidade da federação. O porte da indústria também ajuda a determinar o montante dos tributos e, segundo estimativas, cada copo de cerveja pode chegar a ter 60% de seu valor correspondente a impostos.

A situação, assim como no Brasil, desagrada principalmente os produtores independentes e de pequeno porte. “Está chegando o ponto em que tomar uma cerveja com os amigos está saindo do alcance do australiano comum”, constata Brett Heffernan, CEO da Brewers Association of Australia.”

“De longe, o maior custo da nossas cervejas comuns não está nos ingredientes, no custo de produção, no marketing, nem no transporte ou no lucro… Está nas taxas impostas pelo governo”, acrescenta o executivo. “O imposto está fora de controle. Simplesmente congelar o sistema automático de aumentos vai nos travar em um patamar pouco razoável.”

Caso Backer: Investigações completam 1 mês e ainda não apresentam conclusões

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As investigações da Polícia Civil de Minas Gerais sobre a contaminação de cervejas da Backer completam 30 dias nessa semana e, até o momento, não apresentaram respostas conclusivas às principais questões do caso: como, por que e quando o mono e o dietilenoglicol foram parar dentro de dezenas de lotes produzidos pela cervejaria?

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A Polícia Civil entrou no caso após ser acionada pela Secretaria de Saúde do Estado de MG, quando se constatou que quatro pessoas haviam sido internadas com sintomas da síndrome nefroneural nos últimos dias de 2019. Logo na primeira semana de janeiro de 2020, os policiais começaram as investigações.

Dias depois, com as evidências de que a contaminação da cerveja Belorizontina seria o motivo da intoxicação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) também foi acionado e passou a trabalhar nas investigações.

A polícia já ouviu 24 pessoas oficialmente e trabalha focada em apurar as questões criminais do caso, enquanto o Mapa investiga aspectos ligados à produção e aos processos da Backer.

Algumas questões foram esclarecidas, mas até agora nenhuma conclusão foi revelada. Segundo os laudos das perícias, a contaminação ocorreu dentro da fábrica da Backer, sendo descartada a possibilidade de que uma sabotagem pudesse ter ocorrido após a cerveja ter sido envasada – uma perícia nas garrafas não identificou nenhum sinal de violação.

Outra descoberta importante foi que a água usada no processo de produção (chamada água cervejeira) que estava nos tanques da Backer estava contaminada com mono e dietilenoglicol. Os peritos identificaram ainda contaminação em diferentes tanques e pontos de distribuição de água na cervejaria.

Tais informações mostram que a contaminação ocorreu em grande escala dentro da cervejaria, mas não explicam como aconteceu. Até o momento, pelo menos publicamente, tanto o Mapa quanto a polícia não descartam as hipóteses de sabotagem ou de erro de procedimento na manipulação das substâncias, seja da Backer ou de seu fornecedor de monoetilenoglicol.

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Há duas semanas, a Backer entregou à polícia um vídeo feito nas instalações da Imperquímica Comercial Ltda, em Contagem, fornecedora da cervejaria, que mostra uma suposta adulteração do monoetilenoglicol. Policiais e peritos foram até a empresa, que acabou sendo interditada por estar manipulando substâncias químicas sem ter alvará para isso.

Até o momento, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais recebeu 30 notificações de vítimas da sindrome nefroneural. Somente quatro destes casos foram tecnicamente confirmados com intoxicação por dietilenoglicol. Das quatro vítimas que faleceram, por sua vez, três ainda não tiveram a intoxicação confirmada como causa da morte.

Na próxima quarta-feira, a Câmara Setorial da Cerveja se reunirá na cidade de Belo Horizonte para discutir o caso Backer e avaliar a proibição do uso de etilenoglicol nas cervejarias do país.

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Todas as cervejas produzidas pela Backer que estavam no varejo foram recolhidas. A empresa está interditada pela Anvisa e proibida de vender qualquer bebida de qualquer uma de suas marcas.

Menu degustação: Parceria entre Avós e Hypeness, festa da Three Monkeys…

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Avós e Hypeness
Em celebração ao seu aniversário de dez anos, o site Hypeness fez uma parceria com a Avós para lançar uma linha de dez cervejas, chamada Decênio. O primeiro rótulo é uma American Pale Lager aromática em lata com notas de frutas amarelas cítricas. Possui 5,3% de graduação alcoólica e foi criada sob a inspiração do tema inovação.

Escola Mineira de Sommelieria
Fundada em 2012, a Academia Sommelier de Cerveja passou a ser administrada pelas sócias Fabiana Arreguy e Jaqueline Oliveira, ampliou a oferta de cursos e foi rebatizada como Escola Mineira de Sommelieria. Além do curso de Sommelier de Cerveja, oferecerá outros nas áreas de café, queijo, água, cachaça, culinária básica e confeitaria. A escola também será a representante do Instituto Science of Beer em Minas Gerais, oferecendo os cursos de extensão Especialização em Estilos e Tecnologia Cervejeira. Reformulado, o curso de Sommelier de Cerveja terá o comando do biólogo e mestre-cervejeiro da HofbrauHaus em Belo Horizonte, Carlos Henrique Vasconcelos, ao lado de Fabiana Arreguy. E passará a ter dois formatos: o de aulas semanais em um semestre letivo, para o qual as matrículas já estão abertas, e o de aulas em fins de semana, alternados, em um bimestre, ambos com a mesma carga horária e conteúdo programático. O curso abrange conteúdos como História da Cerveja desde a Idade Antiga até os nossos tempos; Insumos; Método de Produção da cerveja; Análises sensoriais da bebida; Harmonização com diferentes cozinhas; Glassware; Serviço da Cerveja; Aulas comparativas entre cerveja e vinho, cerveja e queijo, cerveja e café, cerveja e chocolate, cerveja e cachaça.

Session da Jângal
A cervejaria cigana Jângal Craft Beer lançou o seu quarto rótulo, o Hop Wave, uma Session IPA com 4,9% de graduação alcoólica, 39 IBUs e cor amarela acobreada, levando em sua receita o lúpulo norte-americano Citra. A Hop Wave é produzida pela cervejaria cascavelense Black Train.

Pós em Tecnologia Cervejeira
A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) está com inscrições abertas para a pós-graduação em Tecnologia Cervejeira. Os interessados podem se cadastrar até 18 de março. Para participar, é necessário ter ensino superior completo em qualquer área. A duração é de 24 meses (carga horária de 456 horas) e os encontros acontecem quinzenalmente aos sábados, das 8h às 18h, na sede da instituição, em Blumenau. O curso tem viés exclusivamente técnico e tecnológico da produção da bebida. “Mais do que conhecimento teórico, o estudante terá diversas experiências práticas durante o curso, o que torna o aprendizado mais dinâmico, eficiente e altamente aplicável na indústria”, explica Carlo Bressiani, diretor da ESCM.

Homenagem da Tria
Em comemoração aos 466 anos da cidade de São Paulo, a Cervejaria Tria lançou o rótulo SP+466. Produzida no estilo American Lager, ela tem coloração dourada escura, teor alcoólico de 4,5%, notas cítricas aromáticas e 17 IBUS por conta do lúpulo norte-americano Amarillo. “Queríamos uma cerveja especial para homenagear a data, por isso fizemos um rótulo que fosse popular, fácil de beber, refrescante e que agradasse um público bastante diversificado, tal como é São Paulo”, explica Frank Skwirut, co-proprietário da Tria.

Agenda I: Festa da Three Monkeys
A Three Monkeys promete reunir as melhores cervejarias do Brasil no Brewing Friends Festival (BFF), em 15 de fevereiro, às 13h, em Botafogo, no Rio. O festival contará com 90 torneiras plugadas ao mesmo tempo. Entre as marcas internacionais, destaque para a presença das californianas The Rare Barrel, Lagunitas e Stone Brewing, as suecas Spike Brewery e Brewing Költur e as argentinas Strange Brewing e Astor Birra. Marcas fluminenses como OverHop, Hocus Pocus e 3Cariocas, além de cervejarias de outros estados como as paulistas Trilha, Dogma, Avós e Baden Baden, as catarinenses Salvador e Eisenbahn, as gaúchas Devaneio do Velhaco e Suricato, e as cearenses 5Elementos e Bold também estarão presentes. Na parte musical, se apresentarão Samba Que Elas Querem, Ragga Bloco e os DJs da Mango Lab, DJ Minaz e DJ Hels. A gastronomia ficará com por conta dos cariocas da Curadoria, Frites, Prana Vegetariano e NUU Pão de Queijo. Quem adquirir o passaporte ganha um copo que dá acesso liberado a todas as torneiras de chope.

Agenda II: Colorado e Wäls no Eataly
As cervejarias Colorado e Wäls se juntaram para criar um espaço no Eataly. Trata-se de um Biergarten, o Beer Garden Eataly,  inaugurado na última sexta-feira e que funcionará até 1º de março, de sexta a domingo, na calçada do empório. A Colorado vai disponibilizar diversos rótulos como Appia, Ribeirão Lager, Indica e novidades sazonais toda semana; já a Wäls terá as cervejas Session Citra, Witte, Verano e exclusividades direto do Ateliê Wals em BH – cada uma pelo valor de R$ 12.

Super Bowl tem cerveja como protagonista na torcida e nas telas

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Nesse domingo amantes do esporte assistirão a um dos mais prestigiados eventos esportivos dos Estados Unidos: o Super Bowl, jogo final da temporada do futebol americano. Kansas City Chiefs e San Francisco 49ers se enfrentam em Miami e, como manda a tradição do evento, a cerveja terá lugar de destaque – tanto refrescando a torcida quanto como atração principal nos esperados comerciais de TV do jogo.

Dona das marcas Budweiser e Bud Light, a AB InBev é patrocinadora oficial do Super Bowl e terá quatro minutos de inserções comerciais nos intervalos da atração. O tempo será dividido entre as marcas Bud Light e a nova água com gás alcoólica Seltzer, a ser lançada no dia 13 de fevereiro.

Mas a campanha para o Super Bowl, na verdade, começou bem antes, quando a marca jogou a responsabilidade da escolha do filme que vai ao ar nas mãos dos internautas.

Dois filmes estrelados pelo cantor e produtor Post Malone foram lançados pela companhia – e ambos remetem ao longa de animação “Divertidamente”, da Pixar, que explora os sentimentos responsáveis pela tomada de decisão da personagem (Malone, no caso, decidindo entre a cerveja e a água). Os executivos da marca vão decidir qual dos vídeos vai ser transmitido com base em reações e comentários do público nas redes sociais.

https://www.youtube.com/watch?v=pj1meOmpezs#action=share
https://youtu.be/wsnnU3fJTWg

Seja qual for o vídeo escolhido, o clima das campanhas já é bem mais ameno do que no ano passado. Os intervalos do Super Bowl em 2019 iniciaram uma “guerra midiática” entre AB InBev e MilerCoors que ultrapassou os limites da propaganda e foi parar na justiça.

Na ocasião, a AB InBev veiculou no cobiçado intervalo da atração um vídeo publicitário da Bud Light que se passa na Idade Média, em que um carregamento de xarope de milho que teria como destino o “castelo” da Miller é entregue ao “castelo” da Bud Light por engano.

A MillerCoors acionou judicialmente a concorrente, alegando que o filme e a campanha publicitária “transparency” tinham o objetivo de influenciar o consumidor a acreditar que suas marcas continham o xarope de milho de alta frutose, adoçante questionado nos EUA – diferente do xarope de milho. Em outubro, a AB foi obrigada a se desfazer das embalagens que fizessem referência ao caso.

Na TV e na internet
Aqui no Brasil a Budweiser vem tentando criar uma atmosfera para o evento. Por meio de uma ação em parceria com a ESPN Brasil, que detém os direitos de transmissão da NFL em território nacional, a marca levou narradores e comentaristas da emissora para Kansas City e Santa Clara, cidades que receberam os jogos decisivos das conferências da NFL. Lá eles fizeram entradas ao vivo e conteúdo para as redes sociais do canal – e estarão, também, na cobertura do Super Bowl em Miami.

O evento vem, de fato, ganhando espaço nos últimos anos. Na edição de 2019, a ESPN registrou crescimento de 32% em sua audiência em relação ao ano anterior e de 40% na audiência de sua plataforma de streaming, o WatchESPN.

Churrascão e caçamba
Para o público norte-americano, assistir a jogos da NFL é um evento tão tradicional como assistir aos jogos do Brasileirão aqui. Assim como no Brasil, a cerveja é quase que obrigatória para acompanhar as partidas – com a diferença de que, aqui, somente em alguns estádios é liberada a venda da bebida.

Mas, como a maioria dos torcedores acaba ficando de fora dos estádios, outros rituais se desenvolveram em torno das partidas. E um deles é o “tailgating”, que consiste em juntar a galera em ruas e estacionamentos para um churrascão preparado nas caçambas das caminhonetes dos torcedores enquanto assistem à partida.

É esse clima que a Budweiser tenta proporcionar para os fãs que forem ao Bud Basement em São Paulo. A atração, que começou na sexta e vai até domingo, dia da grande final da NFL, aposta em uma fórmula consagrada em outros grandes eventos esportivos e recebe o público para a transmissão ao vivo da partida e outras experiências dignas da grandiosidade do evento.

Neste sábado, a partir das 12h, o festival gastronômico Churrascada será responsável pela área de alimentação do espaço, reproduzindo um verdadeiro ambiente de “tailgate”, como acontece nos arredores dos estádios dos EUA. O Football Experience acontece logo em seguida, das 14h às 18h, com sessão de autógrafos de Antony Curti – autor do livro ‘Manual do Futebol Americano’.

No domingo, por sua vez, o espaço abre as portas às 12h com Bud & Barbecue na área gastronômica, seguido do Football Experience e, a partir das 17h, um pouco de música ao vivo até a hora da transmissão do Super Bowl.

“O futebol americano é um esporte fascinante e tem a Budweiser como sua cerveja oficial desde os primeiros anos da liga. E para transportar o público de São Paulo para Miami, local do SuperBowl neste ano, empregamos toda nossa personalidade e autenticidade em mais uma edição do Bud Basement”, afirma André Clemente, diretor de eventos da Budweiser.

Serviço

BUD BASEMENT
Datas: de 31/jan a 2/fev
Endereço: Parque Estaiada – Rua Ulysses Reis de Mattos, 230 – Morumbi
Ingressos: https://www.ingresse.com/budbasement

Sábado:
Horário: das 12h às 04h
Ingressos: a partir de R$ 80
NFL Experience – 14h às 18h
Red Box – 19h às 04h

Domingo:
Horário: a partir das 12h
Ingressos: a partir de R$ 60
NFL Experience – 13h às 18h
Transmissão do jogo – a partir das 19h

Balcão do Advogado: A cerveja sem álcool e suas especificidades

Balcão do Advogado: A cerveja sem álcool e suas especificidades

Ainda que consideradas sem graça e desnecessárias por muitos apreciadores de bebidas, as cervejas sem álcool têm ganhado cada vez mais espaço nas prateleiras. Em 2017, o mercado global de cerveja e vinho sem álcool ultrapassou US$ 16 bilhões e as vendas de ambos seguem em alta.[1]

Leia também – 7 dicas jurídicas para sua cervejaria começar bem 2020

A mudança de hábitos de parte da população, que tenta adotar um estilo de vida mais saudável, e a necessidade de novidades no portfólio de produtos são alguns dos fatores que contribuíram para que as cervejarias começassem a olhar com mais carinho para as não-alcoólicas ou reduzidas em álcool.

Com um novo mercado a ser explorado, grandes e pequenas cervejarias têm resolvido se aventurar nesse nicho, que não é novo, mas que tem ganhado cada vez mais relevância e volume nas vendas.

Classificação
Pela legislação brasileira, são consideradas bebidas não alcoólicas:

Art. 12.  As bebidas serão classificadas em:

I – bebida não-alcoólica: é a bebida com graduação alcoólica até meio por cento em volume, a vinte graus Celsius, de álcool etílico potável, a saber:

a) bebida não fermentada não-alcoólica; ou

b) bebida fermentada não-alcoólica;

Segundo o Decreto nº 6.871/2009, que regulamenta a Lei nº 8.918/94, no Brasil as cervejas não-alcoólicas – ou NAB, No-Alcohol Beer – devem ter até 0,5% de teor alcoólico. Com o advento do novo PIQ (Padrão de Identidade e Qualidade) da cerveja (Instrução Normativa do Mapa nº 65/2019), que entrou em vigor em 11 de dezembro de 2019, foi criada a definição legal para cervejas de baixo teor alcoólico, também conhecidas como LAB (Low-Alcohol Beer), que devem possuir teor alcoólico entre 0,5% e 2%.

Rotulagem
A mesma lei dispõe que as cervejas (e outras bebidas) não-alcoólicas não precisam fazer constar no rótulo o teor alcoólico caso ela esteja enquadrada na descrição de bebida não-alcoólica, ou seja, com graduação alcoólica de até 0,5%:

Art. 11.  O rótulo da bebida deverá conter, em cada unidade, sem prejuízo de outras disposições de lei, em caracteres visíveis e legíveis, os seguintes dizeres:

(…)

IX – graduação alcoólica, expressa em porcentagem de volume alcoólico, quando bebida alcoólica;

O mesmo artigo ainda dispõe:

Parágrafo único. O rótulo da bebida não deverá conter informação que suscite dúvida ou que seja falsa, incorreta, insuficiente ou que venha a induzir a equívoco, erro, confusão ou engano, em relação à identidade, composição, classificação, padronização, natureza, origem, tipo, qualidade, rendimento ou forma de consumo da bebida, nem lhe atribuir qualidade terapêutica ou medicamentosa.

Assim, pelo parágrafo único, inscrições como “cerveja sem álcool” no rótulo, caso a cerveja efetivamente não possua 0% de teor alcoólico, estariam em desacordo com a legislação, devendo ser evitadas.

Ademais, atestar que o produto não possui álcool caso ele tenha entre 0,1% e 0,5% fere o direito à informação, direito básico preconizado no art. 6º, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor.

A nova instrução normativa do Mapa deixou essa questão mais clara, obrigando as cervejarias a disponibilizarem nos rótulos o teor alcoólico mesmo nas cervejas “sem álcool”, como é possível verificar nos artigos 29 e 30 do referido ato:

Art. 29. É obrigatória a declaração da graduação alcoólica, com exceção da malta, expressa em porcentagem em volume (% v/v), com tolerância de mais ou menos 0,5% v/v.

Art. 30. O painel principal do rótulo da cerveja sem álcool cujo teor alcoólico residual seja superior a 0,05% v/v deve informar sobre a presença de álcool das seguintes formas:

I – pela utilização da frase de advertência “Contém álcool em até 0,5% v/v”; ou

II – pela declaração do seu teor alcoólico residual máximo em porcentagem de volume, com tolerância de mais ou menos 0,1% v/v, em complementação à expressão “Teor alcoólico: (seguido do valor indicado pelo fabricante)”.

Ainda no que tange à rotulagem, as cervejarias devem ter muito cuidado e especial atenção, haja vista que as informações contidas no rótulo da cerveja podem implicar na responsabilização da cervejaria por danos causados ao consumidor.

Quando se trata de produtos não alcoólicos, o público tende a interpretá-lo como produto sem álcool, ou seja, com 0% de teor alcoólico. A ingestão desavisada de um produto que contenha entre 0,1% e 0,5% pode gerar uma série de implicações ao consumidor, pois há pessoas com restrição médica ao consumo de álcool e outras abstêmias por convicção religiosa ou moral, sem falar no consumo por motoristas prestes a dirigir.

Caso Kronenbier
Em 2014, a Ambev foi condenada pela 5ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina a pagar multa de R$ 1 milhão por informar no rótulo e em propagandas que a cerveja Kronenbier não continha álcool.

Constatou-se que a marca de cerveja tinha graduação alcoólica de 0,3%. O entendimento do juízo foi de que o Decreto nº 6.871/2009 não se sobrepõe ao Código de Defesa do Consumidor.

O valor da multa, arbitrado em ação movida pela Associação Brasileira de Defesa da Saúde do Consumidor, foi revertido em favor do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados.

Kaiser sem álcool
Em outra ação movida pela Associação Brasileira de Defesa da Saúde do Consumidor, desta vez contra a Kaiser, a cervejaria foi proibida de comercializar as cervejas da marca Bavária com a expressão “sem álcool”.

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou indevido o uso da expressão “sem álcool” adotada nos rótulos de cervejas com teor alcoólico inferior a 0,5%, já que prejudica os consumidores e viola o Código de Defesa do Consumidor, que proíbe a oferta de produtos com informação inverídica. 

Por esses motivos e pelos casos elencados acima, faz-se necessário resguardar-se o máximo possível para evitar eventuais responsabilizações, que poderiam acarretar em grandes perdas à cervejaria.

Dessa forma, tanto na produção da cerveja não-alcoólica, quanto na confecção do seu rótulo, é preciso cercar-se dos cuidados indispensáveis para evitar riscos.


André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, é criador do site Advogado Cervejeiro