MP vê “desrespeito” e Justiça quebra sigilo bancário e fiscal dos sócios da Backer

A Justiça de Minas Gerais determinou nesta terça-feira a quebra do sigilo bancário e fiscal dos sócios da Backer. Com a decisão tomada após pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte, os envolvidos também não podem sair do Brasil e tiveram o cancelamento de passaportes e a suspensão das atividades das empresas relacionadas à marca.
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Em sua conta no Twitter, o MP-MG defendeu a quebra de sigilo dos sócios da Backer ao apontar que “o relançamento de cerveja da marca que provocou a morte, lesão corporal de inúmeros consumidores, constituiu o verdadeiro desrespeito às vítimas e demonstram a intenção dos sócios em continuarem a venda do produto, em verdadeira continuidade delitiva”.
A postagem refere-se à reabertura do Templo Cervejeiro – o brewpub da Backer em Belo Horizonte – que aconteceu no mês passado, exatamente um dia após a denúncia contra sócios e funcionários da cervejaria ser aceita. Assim, 11 pessoas tornaram-se rés no processo que investiga a contaminação de cervejas da marca com o produto tóxico dietilenoglicol, o que provocou a morte de dez pessoas. Na relação de denunciados, estão incluídos os três sócios da Backer.
A volta das operações no Templo Cervejeiro causou uma série de revoltas. A fábrica da Backer segue interditada em função do processo que investiga a contaminação dos rótulos, mas o retorno da operação do espaço é legal pois o alvará do restaurante está regular.
Segundo informações da imprensa mineira, para a reabertura do brewpub, a cerveja comercializada pela Backer no local veio de uma parceria com a Cervejaria Germânia, de Vinhedo.
Na época da reabertura, a Backer também usou suas redes sociais para defender a operação do brewpub, mas negou que a retomada das atividades tenha ocorrido com uma “festa de lançamento” de um novo rótulo da Capitão Senra, uma das cervejas da empresa.
Relembre o caso
Em janeiro, vários consumidores foram internados com sintomas de intoxicação, desenvolvendo a síndrome nefroneural após ingestão da cerveja Belorizontina, o principal rótulo da Backer. Com o início da investigação, a perícia realizada constatou vazamento em um tanque e diversos outros focos de contaminação.
Em agosto, a Backer havia anunciado ter iniciado um processo de reparação para as famílias das vítimas. A fabricante mineira tinha contratado a Câmara de Conciliação e Mediação Satisfactio, empresa privada e especializada na solução de conflitos.
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